Em Novembro e Dezembro de 2010, o rumo foi de novo
Vale de Espinho e as terras raianas ... para mais uma etapa da descida pedestre do Côa! Em Julho tinha ficado na
Quinta das Vinhas ... pelo que no dia 2
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| Da Quinta das Vinhas para o Côa, 2.11.2010 |
de Novembro lá estava, às 7 e meia da manhã, com 5,5ºC de temperatura. O carro ficaria junto à capelinha até à tarde. O vale do Côa estava ainda envolto nas neblinas e mistérios outonais.
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| O vale do Côa "perdido" na neblina e nas cores outonais |
No emaranhado da vegetação ribeirinha, recomeçam os vestígios de épocas perdidas no tempo, no jogo da água e da pedra contado e cantado pelo correr do Côa.
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| Velhas açudes, águas de Outono (entre a Quinta das Vinhas e Rendo), 2.11.2010 |
Em direcção a
Rocamador, o Côa volta a correr ao longo de autênticos paraísos ribeirinhos, como junto à velha
Quinta dos Moinhos, ainda parcialmente activa, onde as ovelhas olhavam aquele estranho visitante.
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| O Côa na Quinta dos Moinhos, Rocamador, 2.11.2010 |
Da Quinta dos Moinhos ao cerro da
Senhora das Preces é um pulo. Dois velhos castanheiros seculares guardam a capela e espalhavam os ouriços pelo chão, precisamente naquela altura de castanha. Depois volto a descer para o rio e para a Quinta de
Rocamador.
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| Senhora das Preces, Rocamador, 2.11.2010 |
Acompanho agora sempre a margem esquerda do Côa. A
Ribeira do Moinho Fernandes obriga-me a subir um pouco o seu curso, para a atravessar. "Navegando" agora sempre para norte, chego ao pontão e à
Quinta do Perilhão, deixando para trás as pedras que testemunham a grande quantidade de moinhos que aqui existiam, alguns ainda com restos da respectiva maquinaria. Entro na casa grande da Quinta do Perilhão ... entro na nostalgia das velhas paredes ... e até dos velhos jornais ... de há 60 anos!
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| 2.11.2010, |
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Quinta do Perilhão
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| Memórias perdidas ... |
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... há 60 anos!
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Da Quinta do Perilhão à Rapoula do Côa é um salto, com as ruínas do
Moinho do Morgado no caminho. E a praia fluvial de
Rapoula do Côa, junto ao recuperado
Moinho do Giestal ... é um paraíso à beira rio!
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| Rapoula do Côa: praia fluvial, 2.11.2010 |
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| Rapoula do Côa: praia fluvial e Moinho do Giestal |
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| Rapoula do Côa: praia fluvial e Moinho do Giestal |
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| Rapoula do Côa: praia fluvial, 2.11.2010 |
Ainda na Rapoula, pouco antes da ponte rodoviária, o
Moinho das Poldras transpirava ainda a vida que a moleira Cesaltina lhe deu ao longo de décadas ... até há menos de um ano, na altura. Uma das últimas, se não a última moleira do concelho do Sabugal!
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| Moinho das Poldras, Rapoula do Côa, 2.11.2010 |
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| Aqui viveu a moleira Cesaltina até
menos de um ano antes |
Junto à Rapoula do Côa, passando à margem direita, era obrigatório subir à
Senhora das Preces ... a mesma de Rocamador ... mas merecendo aqui uma capela de maiores dimensões e um ponto altaneiro de maiores panorâmicas. Depois, rumo à praia fluvial de Vale das Éguas, passo o
Moinho da Telhada e os
Moinhos das Pisquerias, o primeiro deles recuperado e transformado em bela casa de habitação.
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| Senhora das Preces, Rapoula do Côa, 2.11.2010 |
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| Moinho da Telhada, a caminho da Ínsua de Vale das Éguas |
E chego ao parque e praia fluvial da
Ínsua,
Vale das Éguas. Outro belo e aprazível recanto do Côa, bem adaptado e preparado para os picnics e convívios ribeirinhos. E, naquele dia de início de Novembro ... é ali que faço a inflecção ... porque o carro estava na Quinta das Vinhas. A jornada prosseguiria em Dezembro...
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| Parque e praia fluvial da Ínsua, Vale das Éguas, 2.11.2010 |
E 2010 estava a terminar. A 27 de Dezembro,
Vale de Espinho e o
Côa recebem-me de novo. As águas invernais correm da
Fonte Moira, pelo
Vale da Maria, pelos meus campos e lameiros, que corro num
gélido dia em que a temperatura não passou de uns escassos 3ºC.
Dois dias depois, quase no fim do ano e de novo num dia bastante frio e a ameaçar chuva, a descida pedestre do Côa avançou uma muito curta etapa de pouco mais de 2 km "úteis", da Ínsua à foz da
Ribeira do Boi, afluente da margem esquerda do Côa antes das povoações de Seixo e Valongo do Côa. E se em Novembro cheguei à Ínsua pela margem direita, em Dezembro fi-lo pela margem esquerda, a partir das renovadas
Termas do Cró e pelo chamado Cerro da Pena. Atravessado o rio, o troço a norte da Ínsua revelou-se-me igualmente de grande beleza, particularmente entre o
Moinho do Martins e o
Moinho da Fraga, até à
Ribeira do Boi.
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| Perto do Moinho da Fraga, entre a Ínsua e a foz da Ribeira do Boi, 29.12.2010 |
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| Picoto do Seixo, 811m |
Para voltar ao carro ... não houve outro remédio se não voltar à Ínsua, para regressar à margem esquerda. Mas, ao fundo, o Picoto do Seixo chamava-me, altaneiro. E o apelo venceu: pouco antes do meio dia estava no geodésico do
Picoto do Seixo. Como nuns "
contos de fragas e pragas", eu dominava o vale do Côa, com as povoações de
Seixo do Côa e
Valongo do Côa de ambos os lados do "meu" "
Rio Sagrado". Mas os céus daqueles "
contos de fragas e pragas" estavam cada vez mais cinzentos ... e o bater em retirada foi no sítio certo e à hora certa: pouco depois de regressar ao carro, desabou uma fortíssima chuvada, acompanhada de forte trovoada.
Menos de meia hora depois estava em
Vale de Espinho.
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Picoto do Seixo, 29.12.2010
Vinha lá forte chuvada ... pelo que houve que bater em retirada! |
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| "Contos de fragas e pragas"... Picoto do Seixo, 29.12.2010 |
Entretanto, com a minha "família" Caminheira, em 13 de Novembro tinha estado nas terras alentejanas de Pias. E, em 18 de Dezembro, o ano de 2010 terminara em terras da Lamarosa, Coruche, em caminhada natalícia. "Por fragas e pragas" ... estávamos a chegar ao ano da graça de 2011!
1 comentário:
Que lindas fotos!
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