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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Rio Côa (3): da Quinta das Vinhas à Ribeira do Boi

Em Novembro e Dezembro de 2010, o rumo foi de novo Vale de Espinho e as terras raianas ... para mais uma etapa da descida pedestre do Côa! Em Julho tinha ficado na Quinta das Vinhas ... pelo que no dia 2
Da Quinta das Vinhas para o Côa, 2.11.2010
de Novembro lá estava, às 7 e meia da manhã, com 5,5ºC de temperatura. O carro ficaria junto à capelinha até à tarde. O vale do Côa estava ainda envolto nas neblinas e mistérios outonais.
O vale do Côa "perdido" na neblina e nas cores outonais
No emaranhado da vegetação ribeirinha, recomeçam os vestígios de épocas perdidas no tempo, no jogo da água e da pedra contado e cantado pelo correr do Côa.
Velhas açudes, águas de Outono (entre a Quinta das Vinhas e Rendo), 2.11.2010
Em direcção a Rocamador, o Côa volta a correr ao longo de autênticos paraísos ribeirinhos, como junto à velha Quinta dos Moinhos, ainda parcialmente activa, onde as ovelhas olhavam aquele estranho visitante.
O Côa na Quinta dos Moinhos, Rocamador, 2.11.2010
Da Quinta dos Moinhos ao cerro da Senhora das Preces é um pulo. Dois velhos castanheiros seculares guardam a capela e espalhavam os ouriços pelo chão, precisamente naquela altura de castanha. Depois volto a descer para o rio e para a Quinta de Rocamador.
Senhora das Preces, Rocamador, 2.11.2010
Acompanho agora sempre a margem esquerda do Côa. A Ribeira do Moinho Fernandes obriga-me a subir um pouco o seu curso, para a atravessar. "Navegando" agora sempre para norte, chego ao pontão e à Quinta do Perilhão, deixando para trás as pedras que testemunham a grande quantidade de moinhos que aqui existiam, alguns ainda com restos da respectiva maquinaria. Entro na casa grande da Quinta do Perilhão ... entro na nostalgia das velhas paredes ... e até dos velhos jornais ... de há 60 anos!
2.11.2010,
Quinta do Perilhão
Memórias perdidas ...
... há 60 anos!
Da Quinta do Perilhão à Rapoula do Côa é um salto, com as ruínas do Moinho do Morgado no caminho. E a praia fluvial de Rapoula do Côa, junto ao recuperado Moinho do Giestal ... é um paraíso à beira rio!
Rapoula do Côa: praia fluvial, 2.11.2010
Rapoula do Côa: praia fluvial e Moinho do Giestal
Rapoula do Côa: praia fluvial e Moinho do Giestal
Rapoula do Côa: praia fluvial, 2.11.2010
Ainda na Rapoula, pouco antes da ponte rodoviária, o Moinho das Poldras transpirava ainda a vida que a moleira Cesaltina lhe deu ao longo de décadas ... até há menos de um ano, na altura. Uma das últimas, se não a última moleira do concelho do Sabugal!
Moinho das Poldras, rapoula do Côa, 2.11.2010
Aqui viveu a moleira Cesaltina até menos de um ano antes
Junto à Rapoula do Côa, passando à margem direita, era obrigatório subir à Senhora das Preces ... a mesma de Rocamador ... mas merecendo aqui uma capela de maiores dimensões e um ponto altaneiro de maiores panorâmicas. Depois, rumo à praia fluvial de Vale das Éguas, passo o Moinho da Telhada e os Moinhos das Pisquerias, o primeiro deles recuperado e transformado em bela casa de habitação.
Senhora das Preces, Rapoula do Côa, 2.11.2010
Moinho da Telhada, a caminho da Ínsua de Vale das Éguas
E chego ao parque e praia fluvial da Ínsua, Vale das Éguas. Outro belo e aprazível recanto do Côa, bem adaptado e preparado para os picnics e convívios ribeirinhos. E, naquele dia de início de Novembro ... é ali que faço a inflecção ... porque o carro estava na Quinta das Vinhas. A jornada prosseguiria em Dezembro... 
Parque e praia fluvial da Ínsua, Vale das Éguas, 2.11.2010
E 2010 estava a terminar. A 27 de Dezembro, Vale de Espinho e o Côa recebem-me de novo. As águas invernais correm da Fonte Moira,  pelo Vale da Maria,  pelos meus campos  e  lameiros,  que  corro  num
Águas invernais
gélido dia em que a temperatura não passou de uns escassos 3ºC.
Dois dias depois, quase no fim do ano e de novo num dia bastante frio e a ameaçar chuva, a descida pedestre do Côa avançou uma muito curta etapa de pouco mais de 2 km "úteis", da Ínsua à foz da Ribeira do Boi, afluente da margem esquerda do Côa antes das povoações de Seixo e Valongo do Côa. E se em Novembro cheguei à Ínsua pela margem direita, em Dezembro fi-lo pela margem esquerda, a partir das renovadas Termas do Cró e pelo chamado Cerro da Pena. Atravessado o rio, o troço a norte da Ínsua revelou-se-me igualmente de grande beleza, particularmente entre o Moinho do Martins e o Moinho da Fraga, até à Ribeira do Boi.
Perto do Moinho da Fraga, entre a Ínsua e a foz da Ribeira do Boi, 29.12.2010
Picoto do Seixo, 811m
Para voltar ao carro ... não houve outro remédio se não voltar à Ínsua, para regressar à margem esquerda.
Mas, ao fundo, o Picoto do Seixo chamava-me, altaneiro. E o apelo venceu: pouco antes do meio dia estava no geodésico do Picoto do Seixo. Como nuns "contos de fragas e pragas", eu dominava o vale do Côa, com as povoações de Seixo do Côa e Valongo do Côa de ambos os lados do "meu" "Rio Sagrado". Mas os céus daqueles "contos de fragas e pragas" estavam cada vez mais cinzentos ... e o bater em retirada foi no sítio certo e à hora certa: pouco depois de regressar ao carro, desabou uma fortíssima chuvada, acompanhada de forte trovoada.
Menos de meia hora depois estava em Vale de Espinho.
Picoto do Seixo, 29.12.2010
Vinha lá forte chuvada ... pelo que houve que bater em retirada!
Clique para ver o álbum completo
"Contos de fragas e pragas"...   Picoto do Seixo, 29.12.2010

Entretanto, com a minha "família" Caminheira, em 13 de Novembro tinha estado nas terras alentejanas de Pias. E, em 18 de Dezembro, o ano de 2010 terminara em terras da Lamarosa, Coruche, em caminhada natalícia. "Por fragas e pragas" ... estávamos a chegar ao ano da graça de 2011!

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Com este artigo ... completam-se 40 anos de recordações! A "etapa" descrita da descida pedestre do Côa, no dia 2 de Novembro ... fi-la exactamente 40 anos e 1 dia depois da minha "estreia" na Espeleologia, no longínquo dia 1 de Novembro de 1970, nas grutas de Bolhos, Lourinhã! Trinta anos antes do século XXI...! Quarenta anos antes de, "Por fragas e pragas..." ... entrarmos no ano de 2011...! O passado está-se a cruzar com o presente, as recordações cruzam-se agora com as vivências da actualidade. O "Por fragas e pragas..." ... também se vai assim modificar... J! Mais pormenores no próximo post... J
22 de Setembro de 2011