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terça-feira, 17 de abril de 1973

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

Mar de Ancão, Sesimbra,
7 de Janeiro de 1973
No dia 7 de Janeiro de 1973, fiz talvez um dos meus mais belos mergulhos. Saímos para o mar pelas 11:30h, em direcção ao Espichel. Decidimos ir para o Ancão, a melhor zona da costa de Sesimbra. Caímos directamente a 20 metros ... e deslumbrámo-nos imediatamente. Num cenário esplendoroso, "voávamos" sobre rochas arborescentes, cobertas de anémonas, espirógrafos, esponjas, por entre cardumes de peixes coloridos, que nos acompanhavam intrigados. Éramos quatro naquela maravilhosa paisagem submarina,
até que o ar das garrafas o permitiu. Abrimos as reservas e subimos; 38 minutos de mergulho ... pareceram-nos segundos! Na velha barca ... fomos e viemos a cantar. E três fins de semana depois estava de novo a mergulhar, mas desta feita em água doce, na Barragem de Santa Clara, perto da alentejana vila de Sabóia.

E em Fevereiro de 1973 ... "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"...J! Tinha iniciado a Licenciatura em Biologia em Outubro de 72, ganhando com ela novos amigos, novo ambiente de sã camaradagem, tanto entre colegas como com a maioria dos professores da então velhinha Faculdade de Ciências, na Rua da Escola Politécnica. Entre as colegas ... surgiu uma "fraga" que me viria a acompanhar toda a vida...J! A minha paixão pela Natureza, pelo mundo rural, pela gente sã dos nossos campos e das nossas aldeias, amadurecida em tantos e tantos acampamentos e "aventuras" vividas nos "anos loucos" anteriores ... trouxe-me uma estudante de Biologia, como eu, precisamente oriunda desse mundo rural! E como " todo o mundo é composto de mudança " ... a minha e agora nossa vida também mudaram: conhecemo-nos no primeiro ano ... casámos no segundo...J!

Casais do Vale da Pedra, Cartaxo,
10 de Março de 1973
Mudaram os tempos, mudaram as vontades ... mas nasceram vontades construídas a dois ... sempre ligadas à Natureza, ao mundo rural, aos grandes espaços naturais. A primeira "fraga" vivemo-la em Casais do Vale da Pedra, Cartaxo, onde os pais da minha "musa" tinham  uma  pequena  quinta.  À  luz  de  um  candeeiro  de  petróleo,
Portinho da Arrábida, 31.03.1973
Uma viola, uma voz, um ritmo...
ouvindo o vento assobiar por entre as oliveiras e pinheiros, a minha paixão pelo campo crescia ao ritmo do nosso romance ... mas acampadinho à porta, que na época não se permitiam ousadias...J!
E ainda em Março daquele longínquo ano de 1973, a Associação de Estudantes de Ciências organizou uma excursão ao Portinho da Arrábida ... e claro que não podíamos faltar. Que hino à nossa juventude e camaradagem! À volta da tradicional fogueira, todos erguemos bem alto as nossas vozes!
Portinho da Arrábida, 31.03.1973 - Convívio da Faculdade de Ciências

De 14 a 18 de Abril de 1973, realizou-se mais uma actividade de Mergulho, em Sesimbra. O Centro Nacional Juvenil de Mergulho Amador tinha entretanto passado a Serviço de Exploração Subaquática do Secretariado para a Juventude (mais tarde FAOJ). Pela primeira vez ficámos instalados no Forte de Sesimbra, em vez da velha casa-abrigo no porto. Para mim, foram mais três mergulhos espectaculares, na baía de Sesimbra, na Varanda e na Ponta de S. Pedro ... mas os ventos de mudança começavam a soprar fortes: a minha nova estrela não era mergulhadora ... e as saudades levaram-me a regressar um dia antes dos restantes elementos do grupo!
Poucos dias depois ... iria conhecer pela primeira vez as "terras mágicas" da raia Sabugalense, que viram nascer a "fraga" que ainda hoje me acompanha...J!
14 de Janeiro de 2011

8 comentários:

JORGE FIGUEIREDO SANTOS disse...

Volte face, romântico q.b. fico na expectativa dos desenvolvimentos, se voltaremos a grutas e garrafas às costas.
Daquele mergulho em Santa Clara, pelo facto de nada adiantares, fico no preconceito de se tratar de mergulho técnico, porque sem ser praticante, imagino uma desilusão face aos outros mergulhos, que referiste em Sesimbra...
Coincidência, mantendo azimutes diferentes ao longo de 4 décadas, sempre nos vamos cruzando, com que então Vale da Pedra e eu mantendo e nutrindo as minhas raízes de Pontével, cf. foto do perfil.
Cumprimentos.

José Carlos Callixto disse...

O mergulho em barragem é realmente muito menos cativante do que no mar.
Quanto à coincidência Vale da Pedra / Pontével, é interessante. Por acaso falarei de Pontével, mas muito lá mais para a frente no tempo, a propósito de um reencontro de malta da Faculdade e de um ex-professor que lá tem casa.
Um abraço.

bissaide disse...

Foi muito bom ler mais este texto! Já não me lembrava da foto de 31 de Março de 1973. :-)

António disse...

E aqui se iniciava um novo capítulo e começava uma longa caminhada, sempre com a Natureza em fundo!

Hugo Silva Lopes disse...

Curiosamente descobri que o meu pai, deve ter feito parte da direcção, ou foi membro activo do Serviço de Exploração Subaquática do Secretariado para a Juventude. Estava de volta de um dos cadernos dele sobre Arqueologia e para meu espanto vinha uma acta de um mergulho feito (penso que sim).... em Terras de Sesimbra. O nome dele é Carlos Filipe Silva Lopes. Abraço a todos

José Carlos Callixto disse...

Curiosíssima realmente essa coincidência. No entanto lamento, mas não me recordo do nome do seu pai; talvez se me enviar uma fotografia dele, em jovem, possa recordar-me.
Se assim o entender, pode enviar para jcarloscallixto@gmail.com

Paula Francisco disse...

A tua 1 fraga foi em Vale da Pedra-Cartaxo; muito próximo da minha aldeia Vale de Santarém;apesar de eu ainda não existir nessa altura não deixa de ser engraçado. Lol

José Carlos Callixto disse...

É verdade, Paula. Os Casais do Vale da Pedra não terão sido a minha primeira fraga, mas a primeira desta fase de "mudança dos tempos" a que o artigo se refere.