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domingo, 12 de julho de 2009

Das margens do Tejo, Côa e Águeda ... aos cimos de Mogadouro e Montemuro

De 12 a 14 de Junho estávamos de novo na raia, mas desta vez mais a norte, na zona de San Felices de los Gallegos e de Castelo Rodrigo e Pinhel, com os Caminheiros. Foi a actividade preparada em 13 e 14
Ponte de los franceses, ou de Barba del Puerco, 13.06.2009
de Maio, de minha responsabilidade, baseada nas caminhadas que havia feito com o CAAL. Alojados na Aldeia de São Sebastião, a primeira caminhada, no sábado, iniciou-se na castelhana San Felices de Los Gallegos, para descer ao vale do Águeda e passar a ponte de Barba del Puerco, mandada erigir por D. Dinis. A posterior subida do Águeda para Puerto Seguro viria a revelar-se bem dura, devido ao calor extremo que se fez sentir. Para a segunda parte da caminhada, entre  Puerto Seguro  e  Almofala,  houve  várias "baixas", felizmente tudo sem consequências.
Descida para a ribeira de Tourões, 13.06.2009
O Côa visto da Serra do Calvo, 14.06.2009
O Côa, junto à foz da Ribeira de Gaiteiros, Pinhel, 14.06.2009
Cruzada a Ribeira de Tourões, estávamos em Portugal. O dia seguinte foi felizmente bastante menos quente. Do Águeda passámos ao Côa, na zona de Pinhel, ao longo da Serra do Calvo, entre a Ribeira de Gaiteiros e o Côa.
Menos de uma semana depois estávamos a subir o Tejo ... de comboio!
O reviver ... da "Estação da Minha Vida"
(margens do Tejo, 19.06.2009)
Efectivamente, há muito que queríamos fazer o "passeio" ribeirinho que é a linha da Beira Baixa. Uma ida a Alpedrinha, de caminho para Vale de Espinho, proporcionou-nos esse reviver das velhas viagens ferroviárias. Era ... a "Estação da Minha Vida"...

Durante a estadia em Vale de Espinho que se seguiu, no fim de semana de 27 e 28 de Junho participei numa actividade do CAAL, por cimos do Mogadouro. Duas excelentes caminhadas, primeiro pelos montes que envolvem aquela típica vila transmontana, no dia seguinte pelo vale do Sabor, entre a pequena e rústica aldeia de Salgueiro e a de Castro Vicente.
Por Cimos do Mogadouro, 27 e 28.06.2009 (clique para abrir o álbum)
De Mogadouro regressei a Vale de Espinho, mas em 11 e 12 de Julho, também com o Ar Livre (CAAL), foi a vez de uma "aventura em Montemuro": também duas belas caminhadas, a primeira entre a aldeia de Cotelo e a Serra de Vila Lobos, à vista de Lamego, e a segunda na encosta sudoeste da serra, entre as Portas de Montemuro e a aldeia de Tulha Nova.
As panorâmicas, particularmente desta segunda caminhada, foram fabulosas, atravessando-se também a aldeia abandonada de Levadas. Pouco mais de 15 dias depois ... estava nos Pirenéus...
Aventura em Montemuro, 11 e 12.07.2009 (clique para abrir o álbum)
31/08/2011

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Da última caminhada com alunos ... aos olivais de Pesqueiro

19 de Outubro de 2006: mais de 3 anos depois, volto a organizar uma excursão com alunos, à Arriba Fóssil da Costa da Caparica, e da Lagoa de Albufeira ao Cabo Espichel. Alunos de duas turmas do 10º
Arriba Fóssil da Caparica, 19.10.2006
Ano, minha e da minha ... colega especial. Uma jornada agradável, sem dúvida, de que os (poucos) alunos gostaram ... mas que em nada se comparava com as "aventuras" vividas durante mais de 20 anos. Os diversos "males" a que me referi no artigo "O princípio do fim do "meu" Ensino" continuavam e tinham-se agravado ... a começar por nova transformação dos próprios programas curriculares. O ensino que eu conhecera, pelo qual me apaixonara e ao qual me dedicara ... já não era o "meu" ensino.
Esta foi definitivamente a última actividade de campo com alunos ... e menos de 2 anos depois estava aposentado, voluntariamente e ante-
Da Lagoa de Albufeira ao Cabo Espichel
cipadamente. As actividades com os Caminheiros, essas sim claro que continuavam e continuariam. Cinco dias antes tinha estado em terras de Montemor-o-Novo e do Escoural; em Novembro, de Óbidos à Foz do Arelho; e, em Dezembro, por terras do Sobral de Monte Agraço. Já em 2007, a 13 de Janeiro caminhamos à beira Tejo, de Cacilhas à Trafaria, num percurso organizado por dois jovens caminheiros, menores de 16 anos.
Com os Caminheiros em terras do Sobral de Monte Agraço, 16.12.2006

As escapadelas no nosso retiro espiritual de Vale de Espinho claro que também continuavam ... sempre complementadas com "aventuras" maiores ou mais pequenas, a pé ou no velho UMM, por toda a zona raiana, de ambos os lados da fronteira. Voltando a 2006, o dia 9 de Dezembro foi o de uma peregrinação solitária, de "burro", pela vertente espanhola do Piçarrão, sobre Valverde. E no dia seguinte redescobri a nascente do Águeda, que apenas tinha mal visto quando da passagem com o CAAL, em dia quase de tempestade. Nascido na vertente oposta da Serra das Mesas, a menos de 1 km da nascente do Côa, o Águeda é bem o seu irmão gémeo, em terras de nuestros hermanos. A seguir ao Natal, passamos também 5 dias em Vale de Espinho  ...  e  no
A caminho de Pesqueiro, com a Marvana ao fundo, 29.12.2006
dia 29 parto à descoberta dos vales de Pesqueiro, contornando também a Marvana, pela Nogueira e o Madrão. Pesqueiro é um vale "sagrado" para os Valespinhenses. Muitos tinham ali olivais, em terras mais baixas, mais quentes e férteis. Muitos labutavam nos "ranchos" dos trabalhos agrícolas. Dada a distância, dormiam normalmente lá semanas, numa faina e em vivências tão bem relatadas, entre tantas outras, no recente livro do Valespinhense Dr. Manuel Martins Fernandes, "Memórias de infância… Raízes do coração". Durante a guerra civil de Espanha, o velho José Joaquim Malhadas, pai do meu saudoso sogro, que eu ainda conheci em 1973, e não só, foi preso em Pesqueiro, quando andava na lide das oliveiras, levado para Cáceres na onda da guerra. Libertado algum tempo depois, o cárcere valeu-lhe contudo a bronquite que havia de o acompanhar para o resto da vida.
Nos olivais de Pesqueiro,
29.12.2006
As velhas casas da Florida,
Pesqueiro, 29.12.2006
Memórias de um tempo perdido, mas não esquecido
Pesqueiro, 29.12.2006
No fim de semana de 2 a 4 de Fevereiro de 2007 estávamos de novo em Vale de Espinho, com o filho e nora mais novos ... e com uma jornada de mais de 50 km para mostrar a "minha" serra a um casal visitante. Levei-os, de "burro", ao Piçarrão e ao Picoto, ao Homem de Pedra, aos Urejais, ao Espírito Santo. Curiosamente, nunca levei ninguém às Fontes Lares, a não ser familiares que já as conheciam e que a elas estavam ligados. Aquele é um lugar só nosso ... um lugar mágico...
27 de Julho de 2011

domingo, 29 de maio de 2005

Era uma vez uma casa em Vale de Espinho...

2005 foi o ano da "inauguração" da casa de Vale de Espinho. Os meus "instantâneos de ar livre", na raia Sabugalense, passavam a ter uma base! A primeira noite foi a de 25 de Fevereiro de 2005, mas 3 semanas antes tínhamos lá passado o Carnaval, assistindo por exemplo à montagem das mobílias. O Carnaval de 2005, em Vale de Espinho e na raia ... foi um Carnaval branco, como há muito não havia memória!
Mesmo assim, dia 7 ainda desafiei uns primos para me acompanharem na "minha" serra; subimos ao cabeço redondo e à raia, descobri a velha casa florestal do Canto da Ribeira, descemos às Braciosas ... e fizemos quase 15 km naquela tarde.
E temos uma casa em Vale de Espinho!
Vale de Espinho em tons de branco, 6.02.2005
Nunca desejei tanto um "objecto" como aquela casa! Do outro lado da vida, o nosso saudoso Zé "Malhadinhas" tinha também certamente acompanhado a sua construção, na terra onde nasceu e na qual quis ficar. A sua memória permanecerá para sempre, no granito das espessas paredes de pedra, na brancura da neve daquele primeiro inverno, no sussurrar do vento, no frio daquele gélido Fevereiro...

Rio Côa, com o CAAL, 2.04.2005
Em Março, passámos a Páscoa em Vale de Espinho. E eu acabo por passar lá quase duas semanas, já que o CAAL - Clube Ar Livre - tinha uma actividade programada ... a passar em Vale de Espinho. É claro que eu não podia perdê-la...J! Foi no dia 2 de Abril, uma jornada de Quadrazais até aos Llanos de Navasfrias, totalizando quase 25 km e cruzando a Serra das Mesas. Mas, dado que o grupo chegava a Quadrazais pelo Soito ... manhã bem cedo fiz 7 km suplementares, pela Có Pequena e Malhada Alta, até ao Soito.
Chegamos à velha ponte de Vale de Espinho, 2.04.2005
Grande parte do percurso foi feito com chuva, nomeadamente a subida ao marco geodésico das Mesas e a descida para os Llanos, pela nascente do Águeda, o rio irmão do Côa. Rio Águeda que no dia seguinte iria encontrar de novo, na segunda caminhada deste fim de semana com o CAAL, entre a castelhana San Felices de los Gallegos e Escarigo, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. De 2 para 3 de Abril, fiquei com o CAAL na aldeia de S. Sebastião, perto de Vilar Formoso ... onde uns anos depois levaria os "meus" Caminheiros Gaspar Correia. E regressei a Lisboa com o CAAL.
Casualmente, é durante a breve passagem pelos Foios, com o CAAL, que conheço o respectivo Presidente da Junta de Freguesia. Apaixonado pela sua terra e pelas suas gentes, a iniciativa e a dinâmica deste carismático autarca é conhecida em toda a raia; daquele encontro casual, no bem conhecido "El Dorado", resultou uma amizade e um contacto permanente, veiculando-me também o conhecimento e o contacto com outros autarcas, escritores, jornalistas e outras forças vivas das terras de Riba-Côa.
Quadrazais - Llanos de Navasfrias, com o CAAL, 2.04.2005
Alto da Serra das Mesas, com o CAAL, 2.04.2005
Mas o mês de Abril de 2005 seria pródigo em idas a Vale de Espinho: o fim de semana de 16 e 17, passamo-lo lá com os meus pais ... 31  anos  depois  de lá  terem ido a  primeira vez.  Uma  semana  depois,
aproveitando o feriado do 25 de Abril, é a vez do nosso "grupo dos seis": os dois casais que connosco partilham tantas "aventuras" vividas, vão conhecer o nosso retiro espiritual, como lhe comecei a chamar. Numa manhã chuvosa, vamos com eles à nascente do Côa, descemos aos Foios feitos "num pinto". Com eles, percorremos os lameiros do Côa ... que volto a percorrer na manhã de 25 de Abril, sozinho, enquanto os 5 dormem...J!
Entretanto as caminhadas sucedem-se, todos os meses, com os Caminheiros e/ou com o CAAL: no Paul de Tornada, Salir do Porto e Santiago do Cacém, em Março; em Porto de Mós e pela serra da Lua (Serra d'Aire), em Abril; no Castelo do Bode, Lorvão e Penacova, em Maio ... e de 25 a 29 de Maio voltamos a Vale de Espinho! Nas manhãs dos dias 27 e 29 faço mais de 45 km a pé e de bicicleta, desbravando a minha Malcata, saindo de casa pouco depois das 6 da manhã. Pela Pelada e Moura, revela-se-me a Malhada do Barroso, o comedouro de abutres da Ventosa; pelo Clérigo, desço a Lomba, o Poço do Inferno, a Casa do Preto.
Cruzamento de trilhos da Ventosa, 27.05.2005
O verde da Malcata salpicado pela chara e rosmaninho, 27.05.04
Ruínas da "Casa do Preto", 29.05.2005
Cabeço da Moura, 29.05.2005
Vale de Espinho, da Pelada, 29.05.2005
Lameiros de beira Côa, 29.05.2005
Os cantos e recantos da minha Malcata vão passando a ser cada vez mais meus, vou passando a conhecê-los como se com eles tivesse sempre vivido e convivido. E precisamente para conhecer melhor a minha Malcata ... em Junho de 2005 comprei um velho UMM, um heróico resistente às "aventuras" em que o meti, por trilhos e ladeiras de raposas e de javalis! Eu chamava-lhe "o meu burro" ... embora ele fosse menos teimoso que os asnos. O meu "burro" conheceu Vale de Espinho no dia 25 de Junho de 2005, quando o levei de Lisboa, aproveitando para uma passagem pelas terras da Gardunha, em prospecção para uma futura caminhada. E foi "baptizado" logo no dia seguinte, com uma travessia de 25 km ao longo da raia, da nascente do Côa a Vale de Espinho, pelo Lameirão dos Foios, Pedra Monteira e Cabeço da Moura.
O meu "burro" no Moinho do Rato, 26.06.2005
Aos comandos..., 26.06.2005
Cabeço da Pelada, 26.06.2005
Sobre os Foios, 26.06.2005
Enquanto durou ... creio que o meu "burro" também se apaixonou por Vale de Espinho, pelas bredas e veredas da Malcata, das Mesas e até de Espanha!
 
15 de Junho de 2011

quarta-feira, 27 de agosto de 2003

Nas arribes do Douro internacional ... em vésperas de meio século!

De 26 de Julho a 3 de Agosto de 2003, entre as duas intensas estadias em Vale de Espinho descritas no anterior post, pegámos na autocaravana para uma digressão pelo Douro internacional, as arribes del Duero. Começámos por Barca d'Alva, onde o Águeda se lança no Douro. Curiosamente, o Águeda e o Côa são rios irmãos, nascendo a pouco mais de 1 km um do outro, em vertentes opostas da mesma Serra das Mesas, correndo por países diferentes, até se verterem ambos no grande Douro.
Por Saucelle, fizemos alto no Camping "Balcón de las Arribes", em Pereña de la Ribera, onde passámos 3 dias de descanso, admirando belas perspectivas sobre o Douro ... e de caminhadas. No dia 28, sozinho, de bicicleta, desci ao Pozo de los Humos, no rio de las Huces, afluente da margem esquerda do Douro, a sudoeste de Pereña. E no dia seguinte desci igualmente ao Pozo Airón, no Arroyo de los Cuernos, a oeste da aldeia. Dois autênticos paraísos escondidos, nas arribes sobranceiras ao Douro. Duas sucessões de piscinas naturais, de cascatas, de verde e de frescura. A partir da meseta seca e quente, aqueles oásis pareciam saídos de um milagre da Natureza.


Pereña de la Ribera - Pozo de los Humus, 28.07.2003
Pereña de la Ribera - Pozo Airón, 29.07.2003
Depois, dia 30, rumámos a terras de Miranda, pela Bemposta e Freixiosa, ao longo dos múltiplos miradouros que se debruçam sobre o Douro. Em Miranda do Douro, fizemos o mini-cruzeiro ambiental que sobe o troço internacional a norte da cidade, apreciando as espectaculares paredes rochosas a pique sobre o rio e a vida da avifauna típica daquelas falésias abruptas.
Mas esta digressão a terras de Miranda teve como razão principal a participação no Festival Intercéltico de Sendim. Cada vez mais apaixonado pela música folk, popular, ou tradicional das comunidades do norte da Ibéria, de raízes celtas, o apelo do Intercéltico de Sendim, então na sua 4ª edição, tinha sido sempre grande desde que se iniciara, em 2000. Os 3 primeiros dias de Agosto foram, assim, de festa intercéltica ... da qual regressámos a Vale de Espinho, conforme já descrito no anterior post.
E no fim do mês migrámos de Vale de Espinho para Santa Cruz, onde este apaixonado pela vida ao ar livre ... iria completar meio século de existência ... reunindo meia centena de familiares e amigos ... entre os quais dois "velhos" companheiros do meu velho Passos Manuel, dos velhos tempos da Espeleologia e dos acampamentos, os únicos de que consegui encontrar rasto! Com muita pena minha, não consegui contacto com o meu velho professor Ribau, que hoje sei que nessa altura ainda estava entre nós...
 
4 de Junho de 2011