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segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

Do Alentejo ao Douro ... com Vale de Espinho à vista...

Setembro de 2004.  A  escola  preparava-se  para mais um ano lectivo ... cada vez mais "morno",  cada  vez
Monte do Salgueirinho, Cercal, 3.9.2004
mais insípido. Entretanto o filho mais velho havia casado com uma alentejana ... e no primeiro fim de semana do mês fomos em "excursão" familiar ao Monte do Salgueirinho, perto da barragem de Campilhas, nas terras alentejanas do Cercal. Porto Covo também fez parte do "programa".
Outubro. 23 anos depois, dia 16 voltamos à ruralidade da aldeia de Vale de Urso, concelho de Proença-a-Nova, nos 50 anos de um meu ex-colega do velho Arquivo de Identificação. E no fim de Outubro ... vamos mais uma vez a Vale de Espinho. O feriado dos Santos permitia  um  fim  de  semana  prolongado  ...  e  as  obras   da   casa
Lameiros do Côa em tons de Outono, 30.10.2004
    avançavam.
Lameiros do Côa em tons de Outono, 30.10.2004
No dia 31,  subo  à  Portela  da Arraia  e  à  Pedra
Caseta de carabineiros, Picoto, 31.10.2004
Monteira, em busca da antiga caseta de carabineiros, que encontro em ruínas, perto do barroco "ratchado" e com as espectaculares panorâmicas sobre o Picoto e Valverde! Regresso a casa com 22km feitos ... e no dia seguinte faço mais 20, pelo Passil, Cabeço da Moura e barroco branco. Vou ver as panorâmicas à Machoca, desço ao estradão Malcata - Quadrazais, regresso a Vale de Espinho pelo Espírito Santo e Ponte Nova.
Pela raia até à Caseta dos Carabineiros, 31.10.2004
E o fim de semana dos Santos tinha-se passado...

Mas às caminhadas a solo, na minha Vale de Espinho, claro que se continuavam a somar as feitas na companhia do Grupo de Caminheiros. No dia 20 de Novembro, contudo ... estreio-me também noutro grupo de pedestrianismo, o CAAL - Clube de Actividades de Ar Livre. E a estreia foi no Alentejo, nas Rotas do Endovélico, no concelho do Alandroal. Gostei da experiência, mas logo observei que, em termos de convívio ... nada se compara àquela que já era a minha "família" caminheira!
Rotas do Endovélico, Alandroal
Rotas do Endovélico, 20.11.2004
Rotas do Endovélico, 20.11.2004

Chegamos a Dezembro. E de Vale de Espinho vamos à Serra da Estrela, ao Museu do Pão, em Seia, e subimos mais uma vez ao Douro, das fragas do Canhão da Valeira ao Porto Antigo de Cinfães.
S. Salvador do Mundo, sobre o Douro, 6.12.2004
S. Salvador do Mundo, 6.12.2004
 
15 de Junho de 2011

quinta-feira, 29 de agosto de 1991

Do Gerês à Costa Vicentina

Março de 1991. Nova "geração" de alunos tinha-se estreado, em Dezembro, nas "andanças" e "aventuras" do Clube "Amigos da Natureza", na Tapada de Mafra. Gente muito novinha, basicamente de sétimos e oitavos anos sem grandes "percalços" escolares, falar-lhes em 4 dias no Gerês ... era falar-lhes numa história em que dificilmente imaginavam poder participar! Mas, no dia 19 de Março, dia do pai, juntamente com a já habitual "equipa" de professores ... lá fizemos de pais e mães de mais um grupo "expedicionário" às terras do Gerês! Pela 6ª vez...!
Casa-abrigo do Vidoeiro, Gerês, 19 de Março de 1991
O circuito escolhido não podia ser muito diferente do já tantas vezes realizado com outros grupos. Mas desta vez começámos pela zona das Caldas do Gerês, alojando-nos, mais uma vez, nas camaratas do Vidoeiro, cujo salão foi, também mais uma vez, ponto de encontro de cantorias e de divertimentos.
A Barragem de Vilarinho da Furna, o percurso da geira romana, os marcos miliários, tudo fez as delícias dos muitos que pouco mais conheciam do que o perímetro casa-escola. O almoço foi nas piscinas naturais do rio Homem ... e até houve aventureiros que mergulharam naquelas águas geladas e verde-azuladas.
O autocarro do Parque Nacional foi-nos buscar à Portela do Homem. Contei-lhes a história de que anteriores grupos de alunos não tiveram transporte tão cómodo...J! Seguiu-se a Pedra Bela e a Cascata do Arado. A processionária do pinheiro chamou-lhes a atenção ... e deu o mote a uma "aula" sobre parasitas e infestantes.
E depois de um jantar na vila do Gerês, o serão foi à chama da fogueira no cruzamento do Vidoeiro. Por entre anedotas e cantigas ... aprende-se a localizar estrelas e constelações, fala-se da velocidade da luz, da viagem no tempo que é a simples contemplação do céu estrelado.
E o dia seguinte, 21 de Março, era Dia da Árvore. Mas, a caminho de Pitões das Júnias, o céu cinzento ameaçava chuva ... ou neve! Visitámos Tourém ... e no regresso ao Planalto da Mourela a neve começou a cair. Que festa para todos!
Almoçados na nossa boa amiga Srª Maria, as ruínas do Mosteiro de Pitões receberam o grupo ... debaixo de uma mistura de chuva e neve e de muito nevoeiro. O regresso foi assim antecipado, a deslocação à cascata tornava-se perigosa naquelas condições. E foi assim ao calor da lareira da "Casa do Preto" que passámos o fim de tarde e noite, ouvindo histórias perdidas no tempo, contando também àquela jovem gente a "aventura" da travessia da serra, feita dois anos antes com colegas deles. Mas o serão à lareira ainda proporcionou uma experiência de concentração e de "transmissão de energias", conduzida por uma aluna brasileira supostamente com essa capacidade. Outros, também artistas, deixaram o emblema dos "Amigos da Natureza" desenhado a canivete no madeiro da lareira da Srª Maria. O emblema perdurou ali durante largos anos, até à transformação da lareira e à substituição do madeiro. E no dia seguinte ... era o regresso.

Pouco mais de dois meses depois, a 28 de Maio de 1991, acompanhei uma actividade organizada pelo grupo de História da Escola, num passeio de bote fragateiro, no Tejo, seguido de visita aos moinhos de maré de Corroios e ao EcoMuseu do Seixal. Estando a componente natural e ecológica incluída ... eu tinha de estar lá...J! E dois dias depois estava a levar o Clube "Amigos da Natureza" para novas actividades. Pela primeira vez na Paisagem Protegida do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina,  percorremos  todo
Milfontes, 31.05.1991 - Emblema do Clube "Amigos da  Natureza"
o litoral, do Cabo de S. Vicente a Porto Covo. Na viagem para sul, dia 30 de Maio de 1991, subimos à Foia, ponto mais alto da Serra de Monchique e do Algarve, almoçando já em Sagres. No Cabo de S. Vicente, aliámos a natureza à história, na contemplação do mar impetuoso e na evocação dos Descobrimentos Marítimos.
Já quase verão, os primeiros banhos foram na praia da Arrifana e na Zambujeira do Mar, em cujo camping montámos as tendas para a primeira noite. Seguiu-se o Cabo Sardão e Vila Nova de Milfontes. O emblema do Clube tinha sido desenhado num grande pano branco que, entre estacas de madeira, se erguia orgulhoso na praia, identificando a nossa presença...J!
A segunda noite foi já em Porto Covo, frente à ilha do Pessegueiro. Assim, o dia seguinte (que viria a ser o último...) foi de caminhada até à vila, pelas falésias, e, também, na praia frente à ilha ... à qual ainda levei mais 4 "nadadores". Demos uma grande volta pela ilha, subimos à fortaleza ... mas não encontrámos o Pessegueiro na ilha...J!
Ao fim da tarde havia nuvens ameaçadoras. Vinha lá chuva. E o regresso seria no dia seguinte ... quase de certeza com as tendas encharcadas. Assim ... resolvemos levantar o acampamento e regressar antecipada-
mente ... com a promessa de que viriam todos passar a noite em minha casa...J! E assim foi. Já passava da uma da manhã quando os "Amigos da Natureza" "acamparam" na minha garagem e sala, espalhados por colchonetes, cobertores, etc...J! Foi uma noite memorável! Ouvimos música, vimos filmagens de "aventuras" anteriores ... e vimos o Sol nascer sobre o Tejo! A propósito de filmagens ... as nossas técnicas iam evoluindo, com novos equipamentos adquiridos pelo Clube de Audiovisuais, como ilustra o exemplo ao lado. As legendas e créditos finais (mesmo sobre as imagens do "acampamento" em minha casa...) já não precisavam de ser escritas em folhas de acetato...J!

O verão de 1991 foi marcado pelo desaparecimento de um meu carismático Tio, irmão de meu Pai, a quem muito estava ligado. São as fragas e pragas também da vida. Quanto às oscilações da minha companheira, uma estabilidade não duradoura, mas significativamente melhor que em 89, permitiu umas férias relativamente calmas, com um regresso a Valença do Minho e à casa dos amigos que nos haviam recebido naquele difícil verão. E no fim de Agosto ... Santa Cruz.

3 de Março de 2011

domingo, 5 de agosto de 1984

Do cume da Serra Nevada à planura das Tablas de Daimiel

Em Fevereiro de 1984, o meu e o nosso contacto "itinerante" com a Natureza tinha mudado de meio de transporte: tínhamos comprado uma velha carrinha Volkswagen, adaptada para campismo ... muito idêntica à velha carrinha do Ribau ... inclusive na cor! Quis o destino que a tivesse apenas por dois anos, mas em Junho de 1984, acabadas as aulas e pouco tempo depois de regressados da Serra da Nogueira ... já estava a transportar nela alguns alunos, para Porto Covo, onde  com  eles  passámos  4  dias,  acampados
Em Sanlúcar de Barrameda ... frente a
Doñana, 16.07.1984
nos pinhais próximo da vila. A "marca" do Ribau continuava a reflectir-se...

A 14 de Julho desse mesmo ano, a bordo da nova casa rolante, partimos os quatro para um dos meus poucos périplos pela metade sul da Península Ibérica, incluindo uma pequena incursão a Ceuta ... talvez como ensaio para a "aventura" do ano seguinte...! Já com quase 3 anos, foi também a primeira viagem do nosso mais jovem herdeiro.
Cordova, Cadiz, Algeciras, a ida a Ceuta, a Costa del Sol, Granada ... e estávamos na Serra Nevada!
Subida da Serra Nevada, 23.07.1984
2000m de altitude
Na estrada mais alta da Europa!
No Pico Veleta, 3398m alt., 23.07.1984

Com os seus 3478 metros de altitude, o cume da Serra Nevada - o Pico Mulhácen - é o ponto mais alto da Península Ibérica. Na altura, chegava-se de carro até ao Veleta, o segundo pico, a 3398 metros; a estrada era então considerada a mais alta da Europa, mas foi encerrada ao trânsito 5 anos depois, com a passagem da Serra Nevada a Parque Nacional.
A panorâmica que se admira do cimo do Veleta é qualquer coisa de sensacional. Já lá tinha estado, também de carro, durante as viagens com os pais, lembrava-me da "magia" daquele local. Dessa primeira vez, tivemos aliás o magnífico brinde de um dia de fabulosa visibilidade: não será vulgar vermos a Espanha até ao mar, o Mediterrâneo de lado a lado ... e a costa de África do lado de lá das águas!
O Mulhácen visto do Veleta, 23.07.1984
Na estrada mais alta da Europa, Serra Nevada, 23.07.1984
Descemos a serra pelo lado sul, atravessando a região das Alpujaras, de enorme beleza natural. Vales férteis, salpicados de pequenas aldeias de montanha, como Trevelez, Capileira, Pampaneira e outras.
Era assim em Julho, ainda acima dos 3000 metros de altitude!
Atravessando as Alpujaras, 23.07.1984
Na costa sul, seguiu-se Almeria, Alicante e Valencia, para depois inflectirmos para o interior, rumo a terras de Castilla la Mancha. E, em Castilla la Mancha, esperavam-nos duas importantes zonas húmidas, ambas relacionadas com o alto Guadiana: as Lagunas de Ruidera e o Parque Nacional das Tablas de Daimiel.
Lagunas de Ruidera, 2 de Agosto de 1984
Ao encontro de D. Quixote...
Naquelas planuras sem fim, quase nos parecia ver aparecer a figura de D. Quijote de la Mancha, lutando com os seus moinhos de vento...!
Parque Nacional das Tablas de Daimiel, 3.08.1984
De pequenino se começa a caminhar...J
As lagoas e pântanos daquelas paragens perdidas davam cor e vida à planície! Nas Tablas de Daimiel, juntam-se os rios Gigüela e Guadiana. Era o lar de muitas espécies de aves, algumas durante todo o ano, outras migratórias. Contudo, a sobrevivência do Parque está hoje ameaçada, devido à sobre-exploração dos aquíferos; sem abastecimento de água, a reserva sofre duras secas.
Tablas de Daimiel, 3.08.1984 ... uma paisagem que hoje não existe assim...
Das planícies manchegas subimos para Toledo e Madrid, contornando depois a Serra de Gredos pelo sul, pela maravilhosa região de Yuste e de La Vera ... em direcção a Vale de Espinho, onde acabámos as férias! Entrámos pela nova fronteira de Valverde del Fresno / Penamacor, mas durante os dias em Vale de Espinho voltámos a Valverde na velha VW. Ainda se compravam caramelos em Valverde...J!
7 de Fevereiro de 2011