Pela mão do saudoso Professor Carlos Almaça, que nos leccionava a cadeira de Zoogeografia, parti a 24 de Julho de 1975, com a minha mulher e outros colegas daquela cadeira ... para 5 dias à descoberta do Parque Nacional da Peneda-Gerês. A postura firme, respeitosa e séria do Professor Almaça, que já conhecíamos das aulas ... era afinal também uma extraordinária postura de jovialidade, de camaradagem, de perfeito à-vontade.
Recordo como se fosse hoje as primeiras sensações naquele paraíso. O Professor Almaça e os mais "endinheirados" ficaram no Hotel, na vila do Gerês. Nós ... ficámos no velhinho Parque de Campismo da Mata de Albergaria, junto à fronteira. Que cenário! Que sensação de comunhão! Nesse tempo não havia incêndios! Mas, em nome de uma pseudo-conservação ... o parque de campismo de Albergaria foi fechado pouco tempo depois. O Clube Académico do Porto ainda ali construiu uma casa abrigo ... mas os "abutres" voltaram a surgir e fecharam a casa. Hoje ... está no mais completo abandono...
Aqueles 5 dias foram para mim de deslumbramento. Percorremos o Parque Nacional, do Planalto de Castro Laboreiro ao Planalto da Mourela. É certo que pouco percorremos os trilhos da serra - andámos basicamente nos caminhos em que a carrinha do Parque podia circular - mas todos os momentos eram para mim de emoção, de contemplação, de êxtase. A serra do Soajo, a anta do Mezio, no outro extremo Tourém, a barragem de Salas, Pitões das Júnias (a que mais tarde eu chamaria "a aldeia mágica"), a aldeia perdida de Vilarinho da Furna, desaparecida havia apenas pouco mais de 3 anos, o vale do Alto Homem, as panorâmicas da Junceda e da Pedra Bela, a cascata do Arado ... nomes que me passariam a ser familiares, locais que passariam a ser um pouco "meus", águas, matas e fragas que me passariam a chamar ao longo de toda a vida.
Criado havia menos de 5 anos, o nosso único Parque Nacional cativou-me para sempre. Outras terras, outras gentes ... que passaram a ser "minhas", especialmente a Serra "mágica" do Gerês. Aquelas fragas apontadas aos céus, entre Pitões e o vale do alto Homem - os Cornos das Alturas, os Carris, o mítico Altar de Cabrões - tinham-me ficado gravadas como imagens vivas, lá longe, no cume da serra a que o Professor Almaça me levara. Saí de lá dizendo ... tenho de um dia me embrenhar naquelas serras, galgar aquelas fragas, beber aquelas águas, entregar-me àquela catarse purificadora.
As fragas do destino ditariam que, se eu tinha descoberto o Gerês como aluno ... voltaria lá como professor durante as duas décadas seguintes!
Recordo como se fosse hoje as primeiras sensações naquele paraíso. O Professor Almaça e os mais "endinheirados" ficaram no Hotel, na vila do Gerês. Nós ... ficámos no velhinho Parque de Campismo da Mata de Albergaria, junto à fronteira. Que cenário! Que sensação de comunhão! Nesse tempo não havia incêndios! Mas, em nome de uma pseudo-conservação ... o parque de campismo de Albergaria foi fechado pouco tempo depois. O Clube Académico do Porto ainda ali construiu uma casa abrigo ... mas os "abutres" voltaram a surgir e fecharam a casa. Hoje ... está no mais completo abandono...
![]() |
No Parque Nacional da Peneda-Gerês, 26.07.1975 Turfeiras no Planalto da Mourela, 27.07.1975 |
![]() |
Vale do Alto Homem, 28.07.1975 Miradouro da Junceda, 28.07.1975 |
As fragas do destino ditariam que, se eu tinha descoberto o Gerês como aluno ... voltaria lá como professor durante as duas décadas seguintes!
25 de Janeiro de 2011