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domingo, 4 de junho de 2006

"Vale de Espinho, uma melodia a 4 estações" ...
em filme

Depois de ter levado os Caminheiros às minhas terras raianas, no fim de semana de 26 a 28 de Maio de 2006 ... regressámos ao nosso "retiro". Maio ... mês das maias ... a giesta! Os campos, as encostas da Malcata, tudo é um mundo amarelo cerrado, aqui e ali ainda salpicado pela giesta branca.  Dia 27 pego no
"burro" e vou precisamente explorar as encostas das Muretas e das Cortes, para o lado oposto contorno o cabeço do Colmeal, à volta do Alcambar e do regato dos Pradinhos. Mas na manhã do dia 28 lanço-me à descoberta de recantos perdidos da Malcata, faço quase 100km de "burro"! Passando o barroco branco, desço à Ventosa e à Malhada Medronheira, pelos Concelhos vou ao já meu conhecido Cabeço do Pão e Vinho, mas avanço à margem do Bazágueda, até onde o caminho o permite, frente à foz da Barroca da Moita do Padre. Se estas águas e estes lugares contassem as suas histórias e lendas...
Pelas Ginjeiras, descubro os antigos olivais da relva da Maria Mateus; do outro lado do Bazágueda é a Nogueira. Depois reentro por momentos em terreno conhecido, desço à Mouca e visito a ti MariZé, à beira dos moinhos do Bazágueda. Mas avanço para sul, e são precisamente velhos moinhos que se me revelam, contando histórias perdidas de um tempo há muito perdido. O Moinho da Marmita, o Moinho Conselheiro, o da Quarta do Vento, os moinhos do José Cavalheiro, o Moinho do Maneio, em todos parecia ouvir ainda o gemer das velhas mós, há muito paradas ... há muito perdidas. O Moinho do Maneio foi entretanto recuperado e transformado, actualmente, para turismo rural. Pena é que os restantes se encontrem no mais completo abandono ... tal como infelizmente a maioria dos moinhos do Côa.
Já na estrada Penamacor - Valverde, cruzo o Bazágueda e pouco depois entro em Espanha. Entre Valverde e a raia, perscruto novos caminhos, subo ao Labrado Alto em direcção a Corral Hidalgo, mas a dificuldade dos caminhos obriga-me a tomar o já conhecido trilho de Rascaderos e do Muro Julian. Entro pela Portela da Arraia, passo o Ribeiro Salgueiro ... e antes do meio dia estava em casa.



Entretanto, a 4 de Junho de 2006 acabei a montagem do filme que mais gozo alguma vez me deu fazer: "VALE DE ESPINHO, Uma Melodia a 4 Estações". A minha carolice pelo vídeo tinha, obviamente, de ficar ligada a Vale de Espinho de uma forma diferente de a qualquer outro sítio. Não se tratava de uma mera "reportagem" de um percurso pedestre. Ao longo dos anos, eu tinha reunido imagens suficientes para pôr aquele projecto de pé. O filme, com uma duração de pouco mais de uma hora, é assim uma amostragem documental das terras raianas ao longo das 4 estações do ano, das mutações da Natureza e da minha paixão por todas aquelas cores e sensações ... ao mesmo tempo que é, também, uma outra homenagem deixada à memória do homem sem o qual eu não me teria ligado àquelas terras e gentes.









Terminado, como já referido, a 4 de Junho, evidentemente ofereci cópias do filme a familiares e amigos ... e vi o filme ter um "sucesso", em Vale de Espinho e não só, que nunca imaginei. Chegou a haver "sessões" em casa de uns e de outros, pedidos de cópias vindos das "sete partidas". Ao longo dos 5 anos que entretanto se passaram, o filme "VALE DE ESPINHO, Uma Melodia a 4 Estações" ... fez história na história de Vale de Espinho.

E Junho é o mês dos santos populares! Em Vale de Espinho, manda a tradição que o mais venerado seja o S. João! Por isso, no S. João ... lá estávamos; as tradições do S. João estão retratadas no filme.
Mas no próprio dia de S. João, o CAAL tinha uma caminhada em Aldeia da Ponte. Fui assim encontrar-me com o grupo, regressando à "minha" Vale de Espinho. Conheci os moinhos do rio Cesarão, conheci o Santuário da Sacaparte, a própria Aldeia da Ponte. Curiosamente, os organizadores desta caminhada, naturais de Aldeia da Ponte ... no ano seguinte viriam a "alistar-se" nos Caminheiros Gaspar Correia.
Mas entretanto, também em Junho, os Caminheiros haviam-me levado ... às terras transmontanas de Alfândega da Fé.
 
10 de Julho de 2011

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Quando atravesso a Malcata ...
e levo os Caminheiros às terras de Riba-Côa

As férias da Páscoa de 2006 foram passadas ... em Vale de Espinho. Claro que quase todos os dias houve percursos, a pé ou de "burro", pela Malcata e pelas Mesas, descobrindo a linha de fronteira sobranceira ao Lameirão dos Foios, os barrocos negros, a Carambola, a Quinta das Vinhas (Quadrazais), descobrindo novos cantos e recantos do Côa, na Fontanheira, nas Colesmas, nas Bracio-
sas ... tudo era comunhão e entrega.
Mas, para o dia 13 de Abril de 2006 ... eu tinha um projecto mais arrojado. Quantas vezes eu ouvira contar ao meu saudoso sogro, o Zé "Malhadinhas", as suas travessias da Serra da Malcata, de e para o quartel, em Penamacor. Em 1952, casado e na tropa, ir e vir a casa nas licenças do serviço militar implicava, para poupar uns cobres, percorrer as bredas da Malcata, de Vale de Espinho ao quartel, com as sombras, as luzes, as cores e os sons da serra por companhia. Não necessariamente pelos mesmos trilhos, mas há muito que pensava numa travessia solitária da Malcata, que constituísse uma singela homenagem à sua memória. A oportunidade chegou naquele dia 13 de Abril, em que tanto os meus pais como o meu filho mais novo vinham ter connosco a Vale de Espinho ... pelo que portanto me podiam apanhar em Penamacor, para o regresso.
A partida simbólica para esta travessia solitária ... foi do cemitério da aldeia, do jazigo onde ele descansa o sono eterno, faltavam 5 minutos para as 6 da manhã, ainda noite escura. A lua reflectia-se no Côa, e foi já a subir a Malcata que vi nascerem os primeiros raios de um Sol revigorante. Uma hora depois, com quase 5km percorridos, estava no Cabeço do Passil, na cumeada da Malcata, limite entre as Beiras Alta e Baixa. Depois foi a descida à confluência das ribeiras do Poço do Inferno e das Ferrarias, a subida à linha de fronteira, a descida à Quinta do Major, a subida ao Pão e Vinho e às Ginjeiras,  a descida às Revoltas  e
de novo ao Bazágueda, junto à foz da Ribeira da Mouca. Velhos vestígios de velhos moinhos - os moinhos do Bazágueda - pareciam querer falar-me da noite dos tempos. Mas naquele lugar "perdido", à beira do Bazágueda e isolada do mundo ... encontrei a ti MariZé Salgueiro, da qual já tinha lido notícias, a única habitante da Reserva da Malcata. Viúva, ali sozinha com as suas cabras e cães, fazendo deliciosos queijos de pura cabra, era o exemplo vivo de uma gente simples, que dorme em paz e sem sonhos ... por quem Freud jamais teria existido e inventado a psicanálise!
Do Bazágueda e da ti MariZé a Penamacor faltavam pouco mais de 8km. Passando a sul da carreira de tiro da Meimoa e pelo Vale Longo, a "etapa" levou cerca de duas horas. Às 16h45 estava, assim, à beira da estrada que sai de Penamacor para o Sabugal. Com uma cronometragem quase "milimétrica", poucos minutos depois via chegar o filho e os pais ... que me deram "boleia" de regresso a Vale de Espinho. A travessia estava cumprida, tinha a certeza que o Zé "Malhadinhas" me tinha acompanhado...
Mas ainda nas férias da Páscoa, nos dias 14 e 16 de Abril - o próprio domingo de Páscoa - o meu velho "burro" levou-me ainda a mostrar um cheirinho da "minha" serra aos meus pais. Na altura com 81 e 83 anos ... lá andaram "aos tombos" dentro do UMM, apreciando as sempre belas panorâmicas da Pelada, da Machoca, da serra do Homem de Pedra, os lameiros do "meu" Côa, junto ao Espírito Santo, no Alcambar, na Ponte Nova, no Moinho do Rato.

Entretanto, desde que entrei para os Caminheiros Gaspar Correia,  em Outubro de 2002,  Vale de Espi-
Um "burro" manco..., 25.03.2006
... e a "perna" que ele perdeu... J
nho, a Malcata e as terras de Riba-Côa não podiam deixar de constar, em lugar de destaque, nas minhas propostas de caminhadas. Depois de 3 anos consecutivos em que tinha sido adiada, por haver outras actividades de vários dias na calha, a "minha" Malcata veio a constar, finalmente, no programa de actividades de 2006. Assim, no fim de semana de 25 e 26 de Março, tinha "convocado" duas amigas e um amigo caminheiros para fazerem comigo a habitual prospecção dos percursos a realizar. Seria complicado prospeccionar três caminhadas em apenas dois dias, mas o meu velho UMM, que dormia sempre em Vale de Espinho, seria teoricamente um apoio de prospecção, até porque ele estava bem habituado a trilhar os caminhos da serra, por vezes bem penosos. Acontece, contudo, que ninguém pode prever o imprevisível: o meu velho "burro", nesta prospecção, limitou-se a levar-nos para jantar nos Foios, na 6ª feira à noite. No sábado de manhã, quando já íamos de novo "a bordo", notei que algo de estranho se passava; pareceu-me ter perdido a tracção, ou a caixa de velocidades; na mesma fracção de segundo, diz um companheiro no banco de trás: "olha que perdeste uma roda, vai ali a andar sozinha"! Pois é, mas a roda até nem estava sozinha: levava com ela todo o semi-eixo traseiro do lado direito! Lá parámos, sem problemas ... e só praticamente quando parou é que o meu pobre "burro" tombou para o lado manco! O apoio de jeep estava, pois, finalizado! Felizmente estávamos ainda em alcatrão, o reboque levou-o para o Sabugal, e nós, que tínhamos arranjado as mochilas com o farnel para o caminho ... acabámos por almoçar em minha casa, depois de cravar um cunhado para nos ir buscar ao local
Valdedra e Bazágueda, 29.04.2006
do incidente. Depois ... fizemos as prospecções a pé...; apenas duas ... mas o meu conhecimento da "minha" Malcata dispensava a terceira...J
Assim, no fim de semana grande de 29 de Abril a 1 de Maio, os Caminheiros Gaspar Correia estavam pela primeira vez na Malcata, pela minha mão! A primeira caminhada iniciou-se no fim do alcatrão da antiga estrada do Meimão, cortada pela barragem da ribeira da Meimoa. Ao longo da cumeada sobranceira à ribeira de Valdedra, subimos depois às Revoltas, descemos à ribeira da Mouca ... e almoçámos nas margens do Bazágueda, onde os mais afoitos até foram ao banho. Depois ... depois os Caminheiros conheceram a ti MariZé e o isolamento em que vivia ... e conheceram os seus queijos. E que bem os apreciaram! E a caminhada
Da nascente do Côa a Vale de Espinho, 30.04.2006
terminou nas Quelhinhas, já na estrada Penamacor - Valverde del Fresno.
As duas restantes caminhadas tiveram Vale de Espinho como ponto de referência. Dia 30, a jornada começou no estradão (ainda não estava alcatroado) que levava à nascente do Côa. Da nascente subimos às Mesas, percorrendo depois toda a cumeada Mesas / Malcata, pela "minha" casa dos Carabineiros, barroco ratchado, Pedra Monteira, Canto da Ribeira, Colesmas, Braciosas, Moinho dos Pecas, Engenho, Ponte, e enfim Vale de Espinho ... terminando em minha casa J. O jantar desse dia foi nos Foios, onde a costeleta de vitela da Ramitos (a gerente do "El Dorado" local) encheu as medidas a todos.
E de Vale de Espinho a Malcata, 1.05.2006
A terceira e última caminhada ... começou em Vale de Espinho, no mesmo ponto onde terminara a da véspera. Ao longo do Côa até ao Moinho do Rato, subimos depois ao Cabeço da Moira, passámos o barroco branco, fomos almoçar ao Espigal, subimos à Machoca ... e fomos terminar em Malcata.

Não me cabe a mim fazer a apreciação do que foram estes três dias "por terras de riba-Côa e Malcata"... mas o que é facto é que os Caminheiros já voltaram à zona raiana por mais três vezes, depois desta primeira abordagem... J.
9 de Julho de 2011

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Das terras do Demo à Serra de S. Mamede ... com um inverno raiano pelo meio

"Uma vez um homem travou do bordão e partiu a correr as sete partidas do Mundo. Andou, andou, até que foi dar a uma terra de que ninguém faz ideia."
(Aquilino Ribeiro, "Terras do Demo")

No fim de semana de 26 e 27 de Novembro de 2005, uma actividade do CAAL (Clube Ar Livre) nas "Terras do Demo", próximo de Moimenta da Beira, aliciou-nos a ambos a participar.

"Era o tempo das madrugadas nevoentas de Novembro e dos nevões prestes a cair, da aldeia embiocada no burel, dos lobos saindo a medo dos seus fojos, dos caçadores furtivos do defeso, dos medronhos silvestres já maduros sobre os cómoros."
(Alberto Correia, in Jornal do Centro)

No sábado 26, a Casa-Museu Aquilino Ribeiro, em Soutosa, onde viveu, ajudou-nos a compreender o mundo retratado pelo mestre. Mas logo aí fomos brindados por alguns farrapos de neve, como cartão de visita de um inverno a aproximar-se, que se iria revelar gélido. Depois visitámos Ariz, com as suas tradicionais casas de granito, onde iniciámos o percurso pedestre pela Serra da Nave, por caminhos que serpenteiam pelo meio das penedias, junto a um conjunto de moinhos de água recuperados, pelo castro do "Castelo", penedo da Fonte Santa e capela da Senhora dos Aflitos, terminando em Pêra Velha. No dia seguinte, o percurso foi a partir do Santuário da Senhora da Lapa e pelas cristas da Serra da Lapa, com magníficas vistas dos vales dos rios Paiva, Vouga e Távora, a barragem do Vilar e as serras da Nave e Leomil,  com  a  Estrela no horizonte.
Vale de Espinho, do Areeiro, 10.12.2005
Terminámos na aldeia de Penso.

Menos de 15 dias depois ... estávamos em Vale de Espinho J. E no dia 11 de Dezembro saio de casa antes das seis da manhã, sozinho, a pé ... com 7ºC negativos! O objectivo era ir ver o nascer do Sol na Casa dos Carabineiros, no Picoto da raia. E assim foi. O frio e a noite escura foram recompensados com o espectáculo grandioso dos primeiros raios do astro rei sobre aquela paisagem grandiosa, a perder de vista sobre a Extremadura espanhola, com a Marvana a sudoeste.
Um esplendoroso nascer do Sol no Picoto da raia,
sobre as ruínas da antiga Casa dos Carabineiros, 11.12.2005
" Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse... "
Janela aberta para outro dia que amanhece, 11.12.2005
Os primeiros raios de Sol sobre Valverde, 11.12.2005

"Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
"

    (Alberto Caeiro, "O Guardador de Rebanhos")
E o "guardador de rebanhos" passou à encosta extremeña
Aquele nascer do Sol na Casa dos Carabineiros acabou por ser o mote para uma caminhada em que desci à estrada de Valverde, percorri o Picoto e o Piçarrão, reentrei pela Portela da Arraia, Ribeiro Salgueiro ... e à hora do almoço estava em casa, em Vale de Espinho, com 27km percorridos.

E os últimos dias do ano de 2005 foram de novo na raia! Nos dias 29 e 30, o meu "burro" levou amigos, filhos, sobrinhos, à Serra Alta, à nascente do Côa, à cumeada das Mesas e da Malcata. Os céus pressagiavam neve ... que se veio a concretizar!

Serra Alta e Aldeia Velha, num dia a pressagiar neve, 30.12.2005
Marco geodésico da Serra Alta, 1144m alt., 30.12.2005
Naquele inverno de 2005 / 2006 ... até na grande Lisboa nevou, no dia 29 de Janeiro. Paradoxalmente, não vi esse nevão na capital ... porque estava mais uma vez em Vale de Espinho. Nesse dia 29 de Janeiro de 2006 vi neve sim, mas na cumeada do Coxino e do Cabeço da Moira ... e nas "minhas" Fontes Lares. A magia daquele local continuava a mostrar-me as suas faces ... numa autêntica melodia das quatro estações.
E Vale de Espinho pintada de branco,
29.01.2006

Fontes Lares em tons de branco, 29.01.2006
Nas férias de Carnaval de 2006 voltamos lá, de 23 a 28 de Fevereiro. 6 dias ... 7 caminhadas, a pé e "de burro", quase 200km percorridos, por "bredas feitas à sorte", ao longo das fragas, bebendo as águas, as cores, os sons e os cheiros da "minha" Malcata, do Côa, do Bazágueda, das lendas perdidas da Marvana, dos barrocos, das terras e gentes raianas.
Rio Côa,  no Moinho  do  Rato,
Vale de Espinho,  26.02.2006

Torre de vigia da Machoca, Serra da Malcata, 26.02.2006
Paisagem "siberiana", Serra da Malcata, 26.02.2006
Paisagem "siberiana", Serra da Malcata, 26.02.2006
Travessia da Serra de S. Mamede com o CAAL, 5.02.2006
Entretanto, no fim de semana de 4 e 5 de Fevereiro, tinha estado com o CAAL na Serra de S. Mamede. Sábado, 16km entre Marvão e Castelo de Vide. Domingo foi a travessia completa da serra, no sentido SE/NW, 24km entre Alegrete e a barragem da Apartadura, passando pelo ponto mais alto da serra, a 1027 metros de altitude. Sem dúvida um belo fim de semana de ar livre.
7 de Julho de 2011

sábado, 12 de novembro de 2005

A pé e de "burro", nos trilhos da Malcata e das Mesas

Regressado de Somiedo a 28 de Julho, com os Caminheiros, no dia seguinte parto para uma estadia de quase um mês em Vale de Espinho. Agora que tínhamos casa e "burro" (o UMM...), natural seria que as férias se passassem naquele que era já o nosso "retiro espiritual".  Ao longo desse quase  mês,  sucederam-
No bosque do Rio Bazágueda, junto
à Quinta do Major, 31.07.2005
se filhos e noras, irmão, cunhada, primos, amigos ... a quem eu tinha de mostrar as "minhas" terras!
Logo na manhã do dia 31, o "burro" levou-nos a nós e ao filho mais novo e nora à Quinta do Major. Naquele verão bastante seco, o Bazágueda praticamente não tinha água, mas a mancha florestal que encerra a Quinta, com a sua história e os seus segredos, é sempre aprazível e inspira carinho e respeito. Quantos homens e mulheres não labutaram naquelas terras toda a sua vida?  Quantas recordações gravadas nas memórias...

Nós vamos à Quinta,
da Quinta pois vimos.
Rio Bazágueda, 31.07.2005
Eu amo a Quinta
com todo o carinho!
.....................
Quando vou à Quinta
esqueço paixões...
Lembro-me velhos tempos,
lindas recordações!
.....................
Fui ali criado,
fui ali crescido,
que nunca me esqueci
do tempo antigo.
.....................
No tempo antigo
não havia carrinhos...
Mas Deus ajudava
Quinta do Major, 31.07.2005
a andar o caminho.
.....................
Desses lindos tempos,
dessa boa idade...
Agora de velho
é que chega a saudade!
.....................
Adeus LINDOS TEMPOS
e adeus BOA IDADE...
Eu morro de desgosto
com tanta saudade!!!

José Manuel F. Andrade,
natural de Vale de Espinho,
in http://andrade-ve.blogspot.com/

No primeiro dia de Agosto, a digressão foi até à barragem do Sabugal ... e até à primeira "doença" do "burro"...J! Fora as avarias ... o velho UMM trepou sempre onde o mandaram! Nos dias 8 e 10, foi a vez da Serra das Mesas, incluindo a nascente do Côa e o ponto mais alto da serra, já do lado de lá da raia ... para onde supostamente não há caminhos transitáveis para veículos motorizados.
De "burro" no alto da Serra das Mesas (1256m), 10.08.2005
De "burro" no alto da Serra das Mesas (1256m), 10.08.2005
Sobre o barroco "ratchado", na linha de fronteira, 10.08.2005
A fronteira "ratchou" o barroco...J, 10.08.2005
Caseta de Carabineiros e panorâmica para a Extremadura
Antiga caseta dos carabineiros, 10.08.2005
No dia 13 subi à Machoca, pela Pelada e Cabeço da Moira. E de 16 a 24 de Agosto sucederam-se mais 6 périplos pelos montes e vales daquelas minhas terras e serras. As Fontes Lares, claro, não podiam faltar. Mas também conheci as ruínas do Sabugal velho, na serra da Senhora dos Prazeres, sobre Aldeia Velha, "descobri" os recantos perdidos do Alcambar, conheci o Espigal e a sua água puríssima!
Opções na Malcata, 20.08.2005
No dia 20 de Agosto faço quase 80 km na Serra da Malcata, com o filho mais velho e nora. Cruzo a Ventosa e desço ao Bazágueda, procurando um outro caminho para a Quinta do Major. Passo os Basteiros e a Malhada Medronheira, subo aos Concelhos e ao Cabeço do Pão e Vinho, desço à barragem da Meimoa e ao Meimão, volto a subir ao Alízio e ao Espigal ... e dois dias depois rumo a Valverde!

No fim de Setembro e no fim de Outubro voltamos ao nosso retiro, aproveitando a ligação respectivamente ao feriado do 5 de Outubro e aos Santos. E lá vai o desbravar do Alcambar, do Nabo da Cresta, do vale da Maria, da Fonte Moura, dos Urejais, de cantos e recantos de uma serra cada vez mais minha.

Em Setembro levo de novo os Caminheiros à Gardunha, no fim-de-semana do Festival "Caminhos da Transumância". A caminhada de domingo ... é a caminhada transumante, do Fundão a Alpedrinha, acompanhando os rebanhos. E com os Caminheiros percorro a Mata Nacional dos Medos, da Caparica à Fonte da Telha, em 15 de Outubro, e a zona de Mação e Cardigos, em 12 de Novembro.
 
6 de Julho de 2011