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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ouvindo velhos contos ... à lareira e com sabores

Regressados de Vale de Espinho e do inferno em que as mãos criminosas lançaram o concelho, eu tinha encontrado casualmente na net uma iniciativa que me pareceu bastante interessante e original. Organizado
Retiro da Fraguinha, 3.10.2009
pelo grupo "Criar Raízes", de S. Pedro do Sul, em conjunto com o parque de campismo da Fraguinha, na Serra da Gralheira, de 3 a 5 de Outubro realizava-se o evento "Estória, História...: encontro de contadores, lareiras e sabores". O encontro parecia apelativo: prometia "contos, percursos pedestres, petiscos, vidas partilhadas... uma forma diferente de descobrir a serra". Há 15 anos que não acampávamos propriamente, em tenda; era uma oportunidade para reviver a experiência e participar naquele encontro.
E assim, naquele início de Outubro, rumámos à Gralheira. O parque da Fraguinha é um camping rural, em plena serra. Que bela localização e que bela envolvência ... não fossem as muitas eólicas nas redondezas, zumbindo dia e noite.
Vamos descamisar o milho, Manhouce, 3.10.2009
Que aberrante "plantação" povoa agora muitas das nossas serras! Energia limpa? Esse é um conto mal contado...
Com base na Fraguinha, as duas aldeias que receberam o evento foram Manhouce e Candal. Aldeias alcandoradas na serra, cheias de histórias e de tradições. E dando vida aos objectivos pretendidos, o conto veio de novo para a lareira, para o sítio onde nasceu, nas longas noites de frio e de chuva, à volta do lume, em casa das pessoas. A ideia era que os participantes descubrissem as aldeias e as suas gentes, ao circular de casa em casa para ouvir um contador diferente e provando nelas os sabores tradicionais; foram assim as noites dos dias 3 e 4. Mas também tivemos a oportunidade de aprender saberes de outrora, de escutar vozes que ecoam dos recantos da serra ... como a voz de Isabel Silvestre, que ouvimos num esplêndido concerto na igreja de Manhouce.
Candal ... pedras que falam...  4.10.2009
Em Manhouce participámos no labor tradicional do descamisar do milho. Em Candal reunimo-nos na eira, para ouvir velhas histórias de lobos e de homens. Foram sem dúvida três belos dias e um belo evento. Um único reparo, que aliás fiz à organização: os "contadores de histórias" poderiam (deveriam...) ter sido recrutados entre a população das aldeias, ou seus descendentes ou a elas ligados ... em vez de contadores "profissionais", convidados, contando histórias que levam para muitos cantos e recantos, histórias que nada têm portanto a ver com aquelas aldeias, serras e gentes. Poderia ser difícil ... mas seria um desafio.
(Pode ver o álbum de fotos completo nest link)

Entretanto, ainda em Setembro tínhamos participado com os Caminheiros Gaspar Correia em mais uns Chocalhos, em Alpedrinha e na Serra da Gardunha, ligando no sábado as barragens do Pisco e da Marateca. A 17 de Outubro foi a vez de uma caminhada ... surpresa... J. E a 7 de Novembro, com quase 2
Um novo Caminheiro... J  7.11.2009
anos ... o neto mais velho estreou-se nos Caminheiros... J! Numa caminhada alusiva a S. Martinho, entre o Sardoal e Andreus, o estreante fez parte do percurso ... na mochila para o efeito, às costas do avô e do pai... J. E a última jornada caminheira do ano foi em terras de Sicó, no dia 12 de Dezembro.
Mas pelos Santos tínhamos regressado a Vale de Espinho. No dia 28 de Outubro fui ver como estavam as "minhas" Fontes Lares ... e felizmente fiquei maravilhado. A natureza é pródiga e regeneradora! O cenário dantesco de dois meses antes, tinha-se felizmente alterado substancialmente.
As Fontes Lares voltaram à vida!  28.10.2009
Ainda durante essa curta estadia, no dia 31 participei numa caminhada organizada pela Associação Recreativa de Malcata, palmilhando à noite os velhos trilhos da serra, do Alízio ao geodésico do Homem e regressando a Malcata. E de 17 a 20 de Dezembro ... lá estaria de novo na "minha" Vale de Espinho... J!

E numa visita há muito pretendida, Florença recebeu-nos no final de Novembro, depois de um dia e meio em Barcelona. Mas além das cidades, esta jornada permitiu ainda conhecer um pouco das belas paisagens da Toscânia ... bem como um espectacular panorama aéreo dos Alpes, na viagem de regresso.
Sobrevoando os Alpes, 26.11.2009
3/09/2011

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

E o inferno passou por ali...

Regressados dos Pirenéus a 9 de Agosto ... dia 11 estávamos em Vale de Espinho,  para  passar  grande
Na Serra do Espiñazo, sobre San Martín de Trevejo, 13.08.2009
parte do resto do mês. E logo dois dias depois, participo numa caminhada organizada por um grupo de pessoas dos Foios, nas chamadas Torres das Ellas, os espigões rochosos da Serra do Espiñazo, sobre Valverde del Fresno e as Ellas. Já conhecia a zona, mas a caminhada foi orientada por fojeiros muito conhecedores daquelas rotas, o que é sempre uma mais-valia importante. Histórias de barrocos cortados por um raio, de fontes que guardam tesouros escondidos, foram animando e alimentando esta belíssima caminhada. Obrigado Tó e Xico Lei!
Agosto foi também o mês em que pela primeira vez os netos, agora ambos com pouco mais de ano e meio, passaram uma temporada maior na raia.
Ao longo do Espiñazo, 13.08.2009
Subida às Torres das Ellas, 13.08.2009
No dia 20 vou de Vale de Espinho à Gardunha e regresso, para participar com outro caminheiro na prospecção da que viria a ser a caminhada de Setembro dos Caminheiros Gaspar Correia. Mas o fim de Agosto e os primeiros dias de Setembro de 2009 ficariam para sempre marcados nas memórias de Vale de Espinho e de todo o concelho do Sabugal. Naqueles dias ... o inferno passou por ali! A mão criminosa dos incêndios, que todos os anos varre as nossas florestas, sacudiu todo o concelho do Sabugal com uma onda
Clique para ver o álbum no Picasa
de fogo como nunca naquela zona se havia visto! Entre Vale de Espinho e os Foios, o incêndio começou no Regordo ... junto ao Côa! Como é possível começar num baixio, junto à água, e rapidamente subir às Cortes e às Balsas, ao cimo da Serra de Aldeia Velha ... envolvendo as novas torres eólicas que infelizmente povoam a cumeada?!...
Já tinha regressado a Lisboa ... mas não me contive. Os campos ainda fumegavam...! Na zona do Terreiro das Bruxas ... tudo havia sido carbonizado! Entre o dia 30 de Agosto e o dia 1 de Setembro, mais de 60% do concelho do Sabugal foi devastado pelas chamas!
No dia 2 meto os pés ao caminho ... e o "filme" que se me revelou foi um cenário dantesco. Ao avançar das Balsas para as Fontes Lares, por momentos alimentei a esperança de que a serpente de fogo tivesse poupado aquele "santuário". Mas rapidamente a esperança se foi desvanecendo ... e as lágrimas corriam-me soltas quando me sentei no meu barroco sagrado. Qual ilha num mar de cinzas, o barroco jazia isolado, perdido na negritude que o rodeava. As ruínas da velha casa, ocupadas nas últimas décadas por silvas impenetráveis ... estavam agora mais vazias do que nunca, esventradas, comidas pelo fogo até nas velhas paredes interiores. Próxima, da velha casa do Ti Zé Tomé ainda se soltavam grossas colunas de fumo...
O barroco "sagrado" jaz como ilha num mar de cinzas...  2.09.2009
Uma dolorosa caminhada ao inferno... 2.09.2009
E o inferno passou por aqui...  2.09.2009
Que arda no fogo dos infernos quem provoca esta miséria que todos os anos se repete ... quem lucra com a destruição do nosso património natural ... quem deixa impunes os crimes que nos corroem o mais íntimo de nós mesmos! Ao longo desta caminhada de dor e sofrimento, testemunhei outra "coincidência" dos "fenómenos" que provocam os incêndios florestais: 90% ou mais do que vi queimado foram áreas de pinhal; as áreas de carvalhos e de outras caducifólias estavam praticamente intactas, mesmo que ao lado de extensas áreas devastadas. Porquê?...
Mas os (ir)responsáveis pela gestão florestal teimam em reflorestação com resinosas...! Porquê?...

(Este artigo foi escrito e publicado a 2 de Setembro de 2011 ... 2 anos depois desta dolorosa caminhada)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

14 anos depois, regresso a Ordesa e a Gavarnie...
e atravesso os Pirenéus a pé!

Depois de em 2005 e 2007 ter levado os Caminheiros Gaspar Correia às terras mágicas de Somiedo, em 2009 e em colaboração com dois outros amigos daquela "família" ... levei-os aos Pirenéus. De 30 de Julho a 9 de Agosto, num misto de actividade turística, cultural e caminheira, foram 11 dias destinados essencialmente aos Pirenéus e ao sul de França. Há 14 anos que não ia a Ordesa...!  Há  19 anos que não
Llanos de la Larri, Pineta, Pirenéus aragoneses, 1.08.2009
ia a Gavarnie...! O Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido, na vertente espanhola, e o Circo de Gavarnie, na francesa, foram assim o palco de 4 fabulosas caminhadas ... numa das quais atravessámos os Pirenéus a pé, no sentido França - Espanha.
No último dia de Julho estávamos assim a entrar no país de Sobrarbe, antigo condado encravado nos Pirenéus aragoneses. Fizemos base em Bielsa ... e no dia 1 tínhamos a primeira caminha-da, aos Llanos de la Larri, sobre o vale de Pineta, passando na base das cascatas do Cinca e da vertiginosa subida ao Balcão de Pineta e ao Lago de Marboré; longínquo ia o ano de 1988, em que levei os meus alunos àquelas paragens altaneiras.
No cimo dos Llanos de la Larri, Pineta, Pirenéus aragoneses, 1.08.2009
Dia 2 de Agosto entrávamos em França ... e o destino era a mítica Gavarnie. A partir da vila, percorremos o vale que conduz ao famoso e fabuloso circo de Gavarnie ... que eu havia feito quase há 20 anos!
Circo e Cascata de Gavarnie, 3.08.2009
Na base da Cascata de Gavarnie, 3.08.2009

Dois dias depois - e depois de uma visita à cosmopolita Pau e a Lourdes - estávamos a atravessar os Pirenéus a pé, de França para Espanha! Subindo de autocarro desde Gavarnie até ao Col de Tentes ... a tentação era a de prosseguir para a mítica Brecha de Rolando. A travessia por essa emblemática passagem ainda chegou a estar pensada, mas tratar-se-ia de uma caminhada dura para muitos dos participantes. Talvez um dia ... talvez se ainda um dia subir mesmo ao Monte Perdido...
A travessia fez-se assim pelo Puerto de Bujaruelo (onde aliás tinha estado em 1990), descendo depois a vertente espanhola até àquela simpática aldeia, nas margens do rio Ara.
Descida do Puerto de Bujaruelo para a vertente espanhola, 5.08.2009
Filmando para o vale de Bujaruelo e o rio Ara, 5.08.2009
De Bujaruelo, seguimos o curso do Ara até Torla, passando junto à entrada do vale de Ordesa, que faríamos no dia seguinte, 6 de Agosto. E para o vale de Ordesa tínhamos contratado o acompanhamento por guias locais, fundamentalmente para permitir a divisão do grupo em dois: a maioria subiu a espectacular Senda de los cazadores, seguindo depois a Faja de Pelay até ao fundo do vale. A Faja de Pelay é um dos muitos trilhos existentes nas vertentes das paredes rochosas de ambos os lados do vale de Ordesa, permitindo panorâmicas espectaculares. Num dia também ele espectacular, a Brecha de Rolando mostrou-se-nos sobre os paredões rochosos de Cotatuero. E quando começamos a descer para o vale ... abre-se-nos o espectáculo grandioso do Monte Perdido e do Soum de Ramond, os dois cumes que fecham aquele magnífico circo.
E lá está a Brecha de Rolando, passagem mítica dos Pirenéus, na fronteira franco-espanhola, 6.08.2009
O vale de Ordesa, o Monte Perdido e o Soum de Ramond, vistos da Faja de Pelay, 6.08.2009
Cascata de Cola Caballo, 6.08.2009

À hora do almoço estávamos a encontrar-nos com o segundo grupo, que fez o percurso sempre pelo fundo do vale. O ponto de encontro foi junto à imponente cascata da Cola de Caballo, aos pés do Monte Perdido e precisamente onde as montanhas fecham aquele circo glaciar. Estar naquele local é viver uma Natureza impressionante, que cativa e seduz ... e nos faz sonhar com outras aventuras que ainda um dia gostava de fazer... J.
O regresso de todo o grupo foi pelo fundo do vale, acompanhando o rio Arazas e as suas sucessivas gradas, ou degraus rochosos, as Gradas de Soaso. Bosques de faias acompanham grande parte do percurso ... o percurso que havia feito pela primeira vez em 1983 ... 26 anos antes!
E dia 7 iniciávamos o regresso a casa, calmamente, ao longo da nossa Península Ibérica: uma etapa transversal, a sul da cordilheira pirenaica e com uma visita à navarra Pamplona, e duas etapas cruzando a meseta castelhana, por Soria e Aranda de Duero.

Ficam os percursos destas quatro fabulosas caminhadas:


1 de Setembro de 2011

domingo, 12 de julho de 2009

Das margens do Tejo, Côa e Águeda ... aos cimos de Mogadouro e Montemuro

De 12 a 14 de Junho estávamos de novo na raia, mas desta vez mais a norte, na zona de San Felices de los Gallegos e de Castelo Rodrigo e Pinhel, com os Caminheiros.  Foi a actividade preparada em 13  e  14
Ponte de los franceses, ou de Barba del Puerco, 13.06.2009
de Maio, de minha responsabilidade, baseada nas caminhadas que havia feito com o CAAL. Alojados na Aldeia de São Sebastião, a primeira caminhada, no sábado, iniciou-se na castelhana San Felices de Los Gallegos, para descer ao vale do Águeda e passar a ponte de Barba del Puerco, mandada erigir por D. Dinis. A posterior subida do Águeda para Puerto Seguro viria a revelar-se bem dura, devido ao calor extremo que se fez sentir. Para a segunda parte da caminhada, entre  Puerto Seguro  e  Almofala,  houve  várias
"baixas", felizmente tudo sem consequências.
Descida para a ribeira de Tourões, 13.06.2009
O Côa visto da Serra do Calvo, 14.06.2009
O Côa, junto à foz da Ribeira de Gaiteiros, Pinhel, 14.06.2009
Cruzada a Ribeira de Tourões, estávamos em Portugal.
O dia seguinte foi felizmente bastante menos quente. Do Águeda passámos ao Côa, na zona de Pinhel, ao longo da Serra do Calvo, entre a Ribeira de Gaiteiros e o Côa.

E menos de uma semana depois estávamos a subir o Tejo ... de comboio! Efectivamente, há muito que queríamos fazer o "passeio" ribeirinho que é a linha da Beira Baixa. Uma ida a Alpedrinha, de caminho para Vale de Espinho, proporcionou-nos esse reviver das velhas viagens ferroviárias. Era ... a "Estação da Minha Vida"...
O reviver ... da "Estação da Minha Vida"
(margens do Tejo, 19.06.2009)
Durante a estadia em Vale de Espinho que se seguiu, no fim de semana de 27 e 28 de Junho participei numa actividade do CAAL, por cimos do Mogadouro. Duas excelentes caminhadas, primeiro pelos montes que envolvem aquela típica vila transmontana, no dia seguinte pelo vale do Sabor, entre a pequena e rústica aldeia de Salgueiro e a de Castro Vicente.
Por Cimos do Mogadouro, 27 e 28.06.2009 (clique para abrir o álbum)
De Mogadouro regressei a Vale de Espinho, mas em 11 e 12 de Julho, também com o Ar Livre (CAAL), foi a vez de uma "aventura em Montemuro": também duas belas caminhadas, a primeira entre a aldeia de Cotelo e a Serra de Vila Lobos, à vista de Lamego, e a segunda na encosta sudoeste da serra, entre as Portas de Montemuro e a aldeia de Tulha Nova.
As panorâmicas, particularmente desta segunda caminhada, foram fabulosas, atravessando-se também a aldeia abandonada de Levadas. Pouco mais de 15 dias depois ... estava nos Pirenéus...

Aventura em Montemuro, 11 e 12.07.2009 (clique para abrir o álbum)
31/08/2011