O concelho de Arouca e a Serra da Freita foram palco da actividade de Abril de 2009 dos Caminheiros Gaspar Correia, no fim de semana de 18 e 19. Sábado fizemos uma caminhada curta, entre a aldeia de
Aldeia de Vilarinho, Serra da Freita, 18.04.2009
Vilarinho e o alto do Campelo, a que se seguiu a visita ao Centro de Interpretação Geológica de Canelas, que incluiu a "Rota do Paleozóico", um percurso circular onde se conta um capítulo da história geológica desta região. Ali foram identificadas, até agora, dezanove espécies de trilobites que, para além de apresentarem um excelente estado de conservação, impressionam pelo gigantismo das suas formas e pelo facto de pertencerem a espécies raras.
Domingo, partindo do parque de campismo do Merujal, fizemos um belíssimo percurso circular, passando pela célebre cascata da Frecha da Mizarela e pela aldeia de Castanheira, perto da qual se aprecia o fenómeno geológico das pedras parideiras. Contornando o Monte Calvo e a Portela da Anta, descemos depois o alto Caima para Albergaria da Serra, de onde regressámos ao Merujal.
Trilho da Frecha da Mizarela, 19.04.2009
Ao longo do Alto Caima, Serra da Freita, 19.04.2009
15 dias depois, de 1 a 3 de Maio, descemos às terras de Barrancos e de Santo Aleixo da Restauração, em nova actividade caminheira, com uma caminhada no sábado entre o Monte da Coitadinha e o Monte da Encomenda, passando pelo célebre Castelo de Noudar, e no domingo na Serra da Adúa, próxima de Santo Aleixo, onde aliás terminámos ... com uma espectacular exibição de cantares alentejanos, por parte de um grupo que integrava os nossos anfitriões e organizadores da actividade.
Castelo de Noudar, Barrancos, 1.05.2009
Alentejo florido: Rio Ardila, 1.05.2009
Em terras de Sto Aleixo da Restauração, 2.05.2009
Momentos mágicos... nas ruas de Sto Aleixo, 2.05.2009
Se tínhamos feito um Outono raiano com o nosso "grupo dos sete" ... porque não uma Primavera somedana?... Os 5 grandes amigos da "equipa" foram ter connosco a Vale de Espinho ... e de 2 a 8 de
Puerto de Somiedo, 2.04.2009: Primavera branca
Abril de 2009 fui-lhes mostrar as "minhas" terras de Somiedo, no paraíso asturiano, terminando na capital, Oviedo. E Somiedo tinha uma surpresa à minha e à nossa espera: naquele início de Abril ... Somiedo estava pintado de branco, o branco imaculado da neve!
É assim que a meio da tarde de 2 de Abril lhes começo por apresentar La Peral e o miradouro Príncipe de Astúrias, sobre o vale de Somiedo. Ao sair do carro, em La Peral, recebi um elogio inédito: "tu pareces o meu Blacky, a sair do carro disparado e a abanar o rabo"! Tendo em conta que a alegoria respeita à paixão pelo ar livre, pela Natureza pura ... não me ofendi com a comparação canina... J. E no dia seguinte fazíamos a primeira de
Braña de Mumian, 3.04.2009
duas caminhadas na neve.
Quando em Julho de 2006 subi de Coto de Buenamadre ao Puerto de Somiedo, conheci a Braña de Mumian, mas ficou a faltar fazer uma caminhada clássica: de Llamardal, na estrada Pola - Puerto de Somiedo, a Mumian e Coto. Foi essa caminhada que escolhi para o dia 3 de Abril ... com o espectáculo grandioso do vale de Somiedo salpicado pelos cumes cobertos de neve. Grande parte da caminhada foi aliás em neve, incluindo Mumian. Só já na descida para o Coto deixámos o manto branco.
A visão mágica do vale do rio del Lago, 3.04.2009
Claro que fomos visitar a nossa amiga Rosalía, descendo depois até Pola de Somiedo ... e aos nossos amigos Herminio e Luz, da "Casa Miño", onde estávamos alojados.
O dia seguinte foi dia de descanso em Pola. Mas, à tarde ... tinha que apresentar aos nossos amigos a aldeia "mágica" de Saliencia. E lá fomos. Todo o vale do rio Saliencia era também um postal de maravilha, convidativo à poesia, à meditação. Soube que o velho Albergue de Saliencia tinha fechado, o amigo Roberto Menendez tinha emigrado para outras paragens.
Na aldeia mágica de Saliencia, 4.04.2009
Igreja de Saliencia, 4.04.2009
Dia 5 de Abril ... segunda caminhada. É claro que a caminhada dos lagos, além de impraticável pela neve, seria impensável para aqueles nossos amigos, sem treino de pedestrianismo. Mas dar-lhes a conhecer apenas o Lago del Valle, a partir de Valle de Lago ... devia ser possível. E lá fomos ... para uma paisagem de Somiedo como eu próprio não a conhecia!
O vale do rio del Lago, 5.04.2009
Lago del Valle ... gelado, 5.04.2009
Desde pouco acima do bairro de L'Auteiro, em Valle de Lago, quase tudo era uma imensidão branca, das encostas dos Picos Albos às colinas da Braña de Sousas e ao próprio Lago del Valle, cuja superfície se encontrava gelada. À hora de almoço, enquanto os restantes ficavam na margem do lago gelado ... ainda subi parte da encosta dos Albos, de onde a panorâmica era sublime.
Panorâmica da encosta dos Picos Albos para o vale do rio del lago, 5.04.2009
Regresso a Valle de Lago, 5.04.2009
No regresso, pela margem esquerda do rio del lago, diversas vezes nos enterrávamos na neve até acima do joelho! Foi sem dúvida uma caminhada "aventurosa" e espectacular.
No regresso a Valle de Lago, 5.04.2009
Dia 6 era dia de deixar as terras de Somiedo, rumo à capital asturiana. Mas ... até lá tínhamos os valles del oso para atravessar. Visitámos a Colegiata de San Pedro de Teverga, a Casa del Oso, em Proaza ... e fomos almoçar à nossa velha conhecida "Casa Generosa", em Pedroveya, a aldeiazinha términus da também já bem conhecida ruta de las xanas. Depois ... estávamos em Oviedo.
Depois da "aventura" no Gerês e do Intercéltico de Sendim ... regressámos a Vale de Espinho. E o segundo semestre de 2008, bem como a Primavera de 2009, foram caracterizados por sucessivas fugas
Torres das Ellas, Serra do Espiñazo, 12.08.2008
para o nosso retiro arraiano, intervaladas pelas actividades com os Caminheiros Gaspar Correia ... uma delas na raia... J!
A 12 de Agosto de 2008 parto do Lameirão dos Foios e da nascente do Côa para os Llanos de Navasfrias, passando pela nascente do Águeda, para depois cruzar a Serra do Espiñazo (as Torres das Ellas) e terminar no Puerto de Santa Clara, sobre San Martín de Trevejo. 14 km de panorâmicas fabulosas, que eu já conhecia de outras "andaduras", mas que dei a conhecer à minha "colega especial", ao sobrinho dela mais novo ... e ao filho que, menos de um mês antes, tinha protagonizado a "aventura" no Gerês.
Numa caminhada muito mais acessível ... ele lá se redimiu em parte... J!
Dia 21 de Agosto guiei outra "equipa familiar" numa jornada de quase 20 km pela Serra Alta e Matança, sobre Aldeia do Bispo. No dia seguinte, estabeleço aquele que é ainda hoje o meu record pessoal de distância percorrida num dia: atravesso a Serra da Malcata pelo Espigal, Espiguinho e Forninhos, do Meimão subo à cumeada do Muro de Facas, sobrancei-
ro a Santo Estevão, a noroeste, e à barragem da Meimoa, a sudeste. Desço à Feiteira e ao Vale da Senhora da Póvoa. Com 33 km já percorridos, o plano era apanhar boleia do meu filho mais novo no Terreiro das Bruxas, já que era dia de ele vir para Vale de Espinho. Mas ... quando passei no terreiro das Bruxas ainda ele estava no caminho ... e eu segui o caminho de regresso. Apanhou-me quase no Sabugal, com quase 46 km percorridos em 12 horas e meia J.
A 14 de Setembro faço mais uma romagem ao vale da ribeira dos Urejais ... e às Fontes Lares. E no fim de
Castanhal de Ojesto, San Martín de Trevejo, 25.10.2008
Outubro levamos mais uma vez o nosso "grupo dos sete" a Vale de Espinho, para um Outono na raia. Do lado espanhol, no dia 25 fazemos com eles a fabulosa descida do castanhal de Ojesto, do Puerto de Santa Clara a San Martín de Trevejo.
Entre San Martín de Trevejo e as Ellas, em data "especial", de 5 a 8 de Dezembro entregamo-nos ao luxo da "Almazara de San Pedro", na base da Serra da Gata. Com Vale de Espinho ali tão perto, mas foi uma maneira de comemorar, em plena Natureza ... 35 anos de vida em comum...J! E até o fim de ano foi raiano; de 26 de Dezembro a 2 de Janeiro ... Vale de Espinho.
Entretanto claro que continuavam em pleno as nossas andanças com a "grande família" Caminheira - os Caminheiros Gaspar Correia. De Setembro a Janeiro, da Arruda dos Vinhos ao curso do Trancão, passando por terras de Mora e de Grândola, as actividades sucediam-se, sempre em ambiente de franca e sã camaradagem. Por sinal, as actividades de Dezembro, Janeiro e Fevereiro foram de minha responsabilidade: as de Dezembro e Janeiro à descoberta do curso do Trancão, da Póvoa da Galega a Bucelas e a Sacavém; a de Fevereiro ... nas terras raianas dos Foios, Navasfrias e Serra da Enxalma, no fim de semana de 14 e 15 de Fevereiro. Sábado começamos a caminhada na praia fluvial dos Foios, subindo à nascente do Côa e atravessando depois a raia pelas antigas bredas do contrabando. Tanto nos Foios como em Navasfrias, fomos recebidos pelos respectivos Presidente da Junta e Alcalde, visitando a seguir o Centro de Interpretação da Natureza, junto à área de El Bardal, em cujas instalações o grupo ficou alojado ... e onde fizemos a tradicional festa de Carnaval Caminheiro.
Domingo era o dia da "grande caminhada" do Xalmas, que nos brindava com o manto branco da neve a partir de meia encosta. O espectáculo da progressão na neve, as extraordinárias panorâmicas do cume e a descida para a encosta estremenha fizeram desta caminhada uma jornada memorável. O autocarro esperava-nos na pequena aldeia de Trevejo, cujo castelo medieval, dominando a planície de Valverde, com a Marvana ao fundo, constituiu um excelente quadro final de actividade. Dali regressámos a Lisboa.
Subida ao cume do Xálama, com Payo ao fundo, 15.02.2009
Rumo ao cume do Xálama (1493m alt.), 15.02.2009
Entretanto, a 6 de Fevereiro, o jornal "Cinco Quinas", do Sabugal, publicara uma entrevista onde surjo como "filho adoptivo e adoptado da raia"... J
E no último dia de Fevereiro ... a minha "colega especial" recebia a sua "carta de alforria" e chegava também ao fim do "nosso" Ensino. Estávamos os dois aposentados! Agora passávamos a ter "todo o tempo do mundo" para nós, para os filhos e netos, para as nossas paixões. Em Vale de Espinho, passaríamos a estar mais tempo em cada "fuga"; a primeira foi no fim de Março de 2009, para no início de Abril partirmos da raia ... para as terras mágicas de Somiedo!
Tinham passado 19 anos sobre a travessia do Gerês, de Pitões das Júnias ao Vidoeiro, pelos Carris e Portela do Homem! Em Outubro de 2006, a tentativa de a repetir foi abortada pela intensa chuva que se abateu, quando já ia nas alturas da Fonte Fria. E o fermento claro que tinha ficado a trabalhar cá dentro...
Como "no canto de cada sonho nasce a vontade" ... no canto dos meus sonhos tinha-se alimentado a vontade de voltar a atravessar o Gerês a pé. Assim, dois anos depois, no fim de Julho de 2008, planeamos as férias (as tais que viriam a ser eternas...) a incluir, mais uma vez, o meu amado Gerês. O filho mais velho, nora e neto manifestaram vontade de partilhar connosco parte das férias. Para inovar
A "aventura" de um pai e dois filhos à conquista do Gerês... J
26.07.2008
em termos de bases logísticas, tinha descoberto na net uma casa rural, na aldeia de Lapela, a Casa Cabrilho, que pertenceu ao navegador João Rodrigues Cabrilho. Lapela permitiria refazer a ambicionada travessia (com a alternativa de descer dos Carris à Portela do Homem ou a Lapela), bem como conhecer a área central da encosta sul do Gerês, pelo velho estradão do Porto da Laje. Indo o filho e nora ... era outro carro e "motorista" que portanto também estavam disponíveis, para me ir levar ou buscar a qualquer dos extremos da travessia... J. Reservo, portanto, dois quartos na Casa Cabrilho, para os dias 25 a 30 de Julho. Mas ... o filho começa a interessar-se por fazer a travessia comigo! Tento dissuadi-lo, é uma caminhada que não é para qualquer um, que em qualquer das hipóteses se aproxima dos 30 km de serra, com desníveis acentuados. Tento apelar à necessidade de uma preparação física adequada. Mas ele herdou a pertinácia da família ... e somou a de todos... J! E eu ... lembro-me que ele, com 5 anos ... fez quase 20 km a pé nos Pirenéus! Apesar da actual vida sedentária ... alguma coisa havia de ter ficado...; e portanto vamos ... para o que desse e viesse... J!
Mas ... ainda não é tudo...! O outro filho, nora e neta ... acham igualmente engraçada a ideia de, pelo menos, um fim de semana familiar ... no Gerês! Assim, a travessia do Gerês poderia ser feita a três - pai e dois filhos - enquanto a mãe e duas noras descansavam em Lapela... J! O filho mais novo não me oferecia grandes dúvidas de resistência; apesar de pouco batido em caminhadas, o exercício físico frequente dá-lhe boa preparação. E marco mais um quarto na Casa Cabrilho, embora o deles apenas para o fim de semana, já que infelizmente não estavam de férias.
A "aventura" de um pai e 2 filhos no Gerês..., 26.07.2008 (clique para abrir o álbum)
É portanto assim que, no dia 25 de Julho de 2008, nós chegamos a Lapela a meio da tarde, vindos de Vale de Espinho, o filho mais novo, nora e neta chegam ao início da noite, e o filho mais velho, nora e neto pouco depois! Estava reunida a família ... preparados para a "aventura"... J! No dia seguinte de manhã ... antes das 7 horas estávamos em Pitões. O carro do filho mais velho, em que fomos os três, ficou à entrada da aldeia ... e iniciámos a marcha, rumo ao Outeiro do Grosal, Fornos, Brazalite. O dia apresentava algumas nuvens, mas nada de ameaçador. Era desta que iria repetir a travessia do Gerês! Passada a Fonte Fria, lá fomos ziguezagueando ao longo da raia, com as encostas do Xurés galego a norte e fabulosas panorâmicas para ambas as vertentes. A progressão do elemento menos preparado não era das melhores, mas também sem motivos de grande alarme ... por enquanto...! À hora do almoço tínhamos feito 14,5 km. Estávamos a noroeste dos Cornos de Candela, com toda a encosta sul do Gerês aos nossos pés. Mas a condição física do meu júnior mais velho começava a revelar-se insuficiente para a jornada. Começava a queixar-se das pernas, de dores e de prisão de movimentos ... e o ritmo abrandou substancialmente. Voltar para trás estava fora de questão, teríamos a mesma distância a percorrer. Mas chegar aos Carris naquelas condições seria praticamente impossível, pelo que tomo a decisão de abortar a travessia, iniciando a descida ao longo do vale da ribeira da Biduiça, com o objectivo de desviar depois para a ribeira das Negras e Castanheiro, para chegar ao estradão do Porto da Laje ... onde o "lesionado" aguardaria que fosse buscar o carro a Lapela. Este era o plano "de emergência", estudado no GPS e na carta ... mas o pior ainda estava para vir... L! Nalguns troços, as paragens começaram a ser de 5 em 5 minutos, ou pouco mais.
Para cúmulo, já abaixo dos 1200 metros de altitude, a tensão e a preocupação levaram-me inadvertidamente a um desvio não programado, entre a Biduiça e a Corga das Lamelas ... que nos obrigou a voltar para trás quase 2 km! Não estávamos a viver nenhuma aflição, mas a tarde avançava a passos largos ... muito mais largos do que os do meu pobre "mártir"... L! Começávamos a ponderar seriamente a hipótese de ter de dormir na serra, o que de qualquer modo também não seria aflitivo, no verão. Mas eis senão quando, após corrigida a rota, vindos dos lados da Lamalonga e dos Carris, vimos dois montanhistas a descerem em direcção à Biduiça! "Pelo menos temos companhia", pensámos. E rapidamente de três passámos a cinco! Feitas as apresentações e relatada a nossa situação, ficámos a saber que se tratava de dois montanhistas do Clube de Montanhismo de Braga, que tinham deixado o carro ao fundo do vale da Abelheira, na estrada de Sirvozelo e Paradela, para uma jornada de ida e regresso aos Carris. Estávamos sensivelmente a 4 km daquele ponto!
Levámos mais de três horas a fazer os citados 4 km...! Primeiro, tentou-se que as águas bem frias do ribeiro da Biduiça reavivassem os músculos exaustos dos membros inferiores do lesionado. Depois, a experiência daqueles providenciais montanhistas levou-os a administrarem-lhe pastilhas de magnésio. Por instantes, a "coisa" melhorava ... mas quase logo as pernas se recusavam de novo a andar! Incrédulos, ouvimos um deles dizer ...
Passagem da Biduiça para a Abelheira, 26.07.2008
"eu levo-o aos ombros"...! E foi aos ombros daquele intrépido amante do Gerês que o nosso protagonista fez grande parte do restante vale da Biduiça, bem como grande parte da descida do vale da Abelheira! Chegados ao carro ... até as pernas já pareciam funcionar melhor ... e os "salvadores" levaram-nos a Lapela, à porta da Casa Cabrilho!
É da mais elementar justiça que fique registada, neste artigo, a inestimável ajuda prestada por aqueles dois montanhistas, Narciso Marques e Vitor Veloso, sem a qual teríamos sido certamente obrigados a passar a noite na serra. Tal como referido pelo Presidente do Clube de Montanhismo de Braga, em resposta ao agradecimento que posteriormente lhes enderecei ... "A solidariedade é um ideal que devemos encarnar sempre que nos é dada a oportunidade de demonstrar tal nobreza". Após esse agradecimento e resposta, não mais soube daqueles dois montanhistas ... até há poucos dias. As novas tecnologias e a paixão pelo Gerês das montanhistas responsáveis por dois dos blogues que acompanho ... levaram-me a encontrá-los nas teias do Facebook. Ainda um dia voltaremos a caminhar juntos no Gerês ... esperemos que em melhores condições... J
Alto da Surreira do Meio Dia, 28.07.2008
Regressados a Lapela, no dia seguinte havia que ir buscar o carro que tinha ficado em Pitões. O filho, nora e neta mais novos ainda tinham de regressar a Lisboa nesse domingo ... pelo que aproveitámos para um almoço familiar na "Casa do Preto", nas sempre amigas Sr.as Marias. O "lesionado" da véspera já estava
Lagoas do Marinho ... secas, 28.07.2008
bem melhor ... embora coxeando ligeiramente. Mas estes herdeiros ainda ficavam connosco mais uns dias, pelo que no dia 28 fomos "explorar" as alturas da Surreira do Meio Dia e as Lagoas do Marinho ... de carro, pelo estradão que conduz ao Porto da Laje. Mesmo apenas de carro, esta zona agreste do Gerês é espectacular. Os sucessivos "postais" sobre o vale do rio Cabril e as suas piscinas naturais, as panorâmicas das Lajes dos Infernos e a beleza selvagem junto às Lagoas do Marinho ... chamavam para digressões mais a fundo. As Lagoas do Marinho estavam praticamente secas, mas percebia-se o nível freático perto da superfície. Não descemos ao Porto da Laje; eu sabia que menos de 3 anos depois eu desceria aquele estradão a pé, sozinho, a caminho de Fafião... J
Cabana das Lagoas do Marinho, 28.07.2008
Sobre o vale do Porto da Laje, 28.07.2008
Estradão e vale do Porto da Laje, 28.07.2008
Rainhas e senhoras das alturas, 28.07.2008
Dia 29, já com o júnior operacional, fizemos uma curta caminhada de menos de 5 km, mas a um local "de culto" do sul da serra do Gerês: a cascata e lagoas de Cela Cavalos. Até o neto, então com apenas 7 meses, fez esta caminhada ... às minhas costas, em mochila de transporte de bebés... J!
De pequenino se torce o destino..., 29.07.2008
A caminho de Cela Cavalos, 29.07.2008
Sobre a Lagoa de Cela Cavalos, 29.07.2008
Sobre a Lagoa de Cela Cavalos, 29.07.2008
Cascata e Lagoa de Cela Cavalos, 29.07.2008
Lagoa superior de Cela Cavalos, 29.07.2008
Ainda tínhamos mais duas noites reservadas na Casa Cabrilho. Um dia completo, portanto ... o que me permitiria quebrar o enguiço e fazer, finalmente, a travessia pelos Carris! Da ideia à acção não medearam muitas horas ... e pouco depois das 5 da manhã do dia 30 de Junho estava a sair de Lapela a pé, sozinho! E é assim que, em 4 dias, atravesso por duas vezes a serra do Gerês e volto finalmente aos Carris, na travessia Lapela - Castanheiro - Carris - Nevosa - Fonte Fria - Pitões das Júnias.
Subindo a Lamalonga, rumo aos Carris, 30.07.2008
Esta travessia solitária foi uma caminhada espectacular. De Lapela subi ao estradão do Porto da Laje e deste ao geodésico do Castanheiro. Depois, rumo à Lamalonga e aos Carris! Começar a ver os Carris vindo de baixo foi um misto de estranheza e de afastamento no espaço e no tempo. Dir-se-ia que estava no Tibete, a começar a ver aquilo que de início pareciam mosteiros budistas lá no alto, mas que na realidade era uma cidade fantasma, uma cidade mineira constituída por construções arruinadas, à beira de precipícios de cortar a respiração, à vista de uma panorâmica fabulosa. E depois, a subida à Nevosa (1548 m de altitude) foi qualquer coisa de indescritível ... e até de "infilmável". Nos Carris já tinha estado, mas à Nevosa nunca tinha subido. A Nevosa é um pico estreito e mais ou menos triangular, qual obelisco a apontar aos céus. Almocei lá em cima, só eu e os 360º de panorâmica em redor. Isso mesmo, 360º! Indescritível! Para noroeste viam-se ao longe nuvens escuras que cobriam terras galegas, na direcção do mar; o António, da Casa Cabrilho, disse-me depois que efectivamente, em dias de completa visibilidade, vê-se dali o Atlântico, a “Costa da Morte”, como é chamada a costa da Galiza, das ilhas Cíes à Fisterra Corunhesa. Mas dentro dos 360º que se deparavam ante os meus olhos, viam-se nítida e perfeitamente as serras da Peneda e do Soajo, a poente, a barragem do Lindoso, as serranias galegas até aos Ancares, a norte e nordeste, a encosta galega do Xurés, mais perto, com Pitões das Júnias e as terras do Couto Mixto, a leste, as serras do Larouco e do Barroso por trás delas, estendendo-se para terras de Vilar de Perdizes e de novo para a Galiza, a barragem de Paradela, bem perto, a sudeste, e, para sul, toda a encosta da "minha" serra do Gerês, complementada pela Cabreira, que, mais baixa, deixava adivinhar por trás dela, lá longe, o vale do Douro. Indescritível!
Nevosa (1548m alt.), 30.07.2008
Quando eu andava na escola, aprendia-se que o ponto mais alto da serra do Gerês (a segunda serra mais alta de Portugal) era o Altar de Cabrões, que aliás se vê da Nevosa, a noroeste. Mas hoje sabe-se que efectivamente o Altar de Cabrões, além de ser mais baixo que a Nevosa … é em Espanha! Quase encostado à fronteira, mas do lado espanhol. A Nevosa é, portanto, o ponto mais alto da segunda serra mais alta de Portugal Continental.
Desci da Nevosa rumo a leste ... e o resto do percurso foi, com uma ou outra ligeira variante, o mesmo que tinha feito com os filhos no sábado anterior, em sentido inverso. E assim, às 18:20h estava a entrar em Pitões pela segunda vez em 4 dias, com 31 Km percorridos desde Lapela (com várias voltas junto aos Carris).
Despedida da Casa Cabrilho, Lapela, 31.07.2008
Contactado entretanto o filho (que já estava operacional...), às 18:40h vi aparecer um Fiat Punto branco (que por acaso até já tinha sido meu…), com aspecto de me vir buscar... J!
Estava quebrado o enguiço...! 19 anos depois, tinha voltado aos Carris e atravessado a serra. Nos 3 anos seguintes (que nos separavam da actualidade presente) ... atravessei o Gerês diversas vezes, em diversos sentidos ... e voltei mais duas vezes aos Carris. No dia 31 de Julho ... partia do Gerês para o Festival Intercéltico de Sendim, em terras de Miranda. E ficámos amigos da Tina e do António, da "Casa Cabrilho", em Lapela... J.