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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Em terras de Freixo de Espada-à-Cinta
e na Calçada de Alpajares

Aproveitando o 1º de Maio de 2008 ... o nosso "grupo dos sete" rumou a Trás-os-Montes, às terras de Freixo de Espada-à-Cinta. Partindo eu e a minha "sócia" de Vale de Espinho,  para  onde  tínhamos  ido
Castelo Rodrigo, 1.05.2008
na véspera, o encontro foi junto às vetustas muralhas de Castelo Rodrigo. Depois, rumámos a Barca de Alva e a Freixo, onde nos receberam as muito simpáticas casas à beira Douro, na praia fluvial da Congida.
Há muito que queria conhecer a célebre calçada de Alpajares, também conhecida por calçada dos mouros ... ou calçada do Diabo. Tinha lá estado perto com o CAAL, em Março. Diz a lenda que nos tempos antigos tudo por ali eram barrancos e precipícios medonhos. Um cavaleiro vindo dos lados de Barca d'Alva, em noite de tempestade, chegou à margem da Ribeira do Mosteiro; dada a necessidade de atravessar o bravo curso de água, pois tinha a sua amada à espera, suspirou aflito: "valha-me Deus ou o Diabo". Foi Satanás que apareceu ao chamamento e disse: "Se me deres a tua alma, antes que o galo preto cante, te darei uma ponte e uma estrada para que possas seguir a tua cavalgada sem perigo". O cavaleiro aceitou e o infernal pedreiro e seus acólitos atarefaram-se na arrojada construção de uma calçada entre os fraguedos, ao som de estridentes cantares de bruxas que se reuniram no terreiro, para festejar a conquista de mais uma alma. Mas eis que canta o galo três vezes, quando apenas faltava colocar as duas últimas pedras da ponte. O cavaleiro, liberto do seu compromisso, prosseguiu a sua viagem; e o Diabo, enraivecido, desapareceu com os seus acólitos através de uma bocarra que se abriu entre os penhascos!
Calçada de Alpajares, 2.05.2008
Vale da Ribeira do Mosteiro, 2.05.2008
Sem sobressaltos nem imprevistos demoníacos, descemos a Calçada de Alpajares, de Poiares à foz da ribeira do Mosteiro. A imponência daquelas paragens é grande, mas esperava encontrar gargantas mais cavadas, fragas mais "medonhas" ... talvez porque a expectativa fosse grande demais.
Nos outros dias, visitámos Freixo, percorremos os miradouros do Douro internacional, fomos a Lagoaça e ao cavalo pré-histórico do Mazouco ... e no dia 5 regressámos a casa ... passando por Vale de Espinho.
O cavalo de Mazouco, nas margens do Douro internacional
Filmando as penedias do Douro, 3.05.2008
Douro internacional, 3.05.2008
13/08/2011

sábado, 26 de abril de 2008

Das terras mágicas do Gerês ...
ao Alentejo profundo

A 25 de Março de 2008, em férias da Páscoa, partimos de Vale de Espinho rumo ao Gerês, para prospecções destinadas à actividade de Junho dos Caminheiros Gaspar Correia. Foram uns dias algo chuvosos ... mas os mistérios do Gerês são apaixonantes em quaisquer condições.
Junto à Cascata do Saltadouro, 25.03.2008
Ainda no próprio dia 25, deixando o carro na estrada Salamonde - Ruivães, descemos à Cascata do Saltadouro e percorremos o Cávado até à foz do Rabagão ... e à Ponte da Misarela; esta era uma caminhada "obrigatória" para os Caminheiros... J! Mas obrigatório era também dar-lhes a conhecer o "Shangri-la" do vale da Teixeira ... pelo que no dia seguinte foi a vez da ponte do Arado guardar o carro, para uma prospecção a solo, já que o dia esteve mesmo chuvoso e a "sócia" optou por ficar no Gerês.
Subindo então a escadaria da cascata do Arado, passei as piscinas superiores (onde tantas vezes levei alunos...), dobrei a mariola gigante ... e estava no paraíso!
Ponte do Rio Arado, 26.03.2008
A mariola gigante que abre os horizontes para a Teixeira, 26.03.2008
O Shangri-la do vale da Teixeira, em dia chuvoso, 26.03.2008
A ribeira da Chã de Pinheiro despenha-se na Teixeira, 26.03.2008
Cabana da Teixeira ... onde passei mais de uma hora abrigado..., 26.03.2008
Na Teixeira ... os deuses providenciaram para que a chuva maior caísse quando estava ao abrigo da velha cabana de pastores. Nela passei mais de uma hora, à espera da clemência da Natureza ... que finalmente chegou. Mas, se por um lado a chuva dificultava a minha "missão", por outro lado alimentava todo aquele paraíso; e as nuvens altas deixavam apreciá-lo. Mesmo assim, ao chegar ao Gerês ... estava bastante ensopado. Nos dias seguintes, 27 e 28 de Março, pensava fazer um reconhecimento na zona da Calcedónia (onde afinal ainda nunca levei os Caminheiros...) e na serra do Soajo. Mas ... os dias 27 e 28 foram mais chuvosos ainda. Só no dia 29, antes do regresso a Lisboa, fizemos ambos um percurso partindo
Primavera alentejana em terras de Moura, 25.04.2008
do Mezio, na serra do Soajo, que viria a ser aproveitado para a actividade caminheira de Junho.

A 12 de Abril, com os Caminheiros, fazia 12 km ciclistas, na zona da Ota. E no 25 de Abril partia com eles para três dias no "Alentejo profundo", em terras de Moura, Amareleja e Alqueva, com duas belas caminhadas que revelaram uma bela Primavera Alentejana. Dia 25, 14 km a sul de Moura, partindo da Herdade dos Machados.
25.04.2008: 2 aspectos do Alentejo florido, Herdade dos Machados
e rumo ao vértice das Mentiras, 26.04.2008
Dia 26, a caminhada foi de quase 16 km, a leste da Amareleja, paredes meias com terras espanholas de Valencia de Mombuey, e terminando ao longo do rio Ardila.
Rio Ardila, próximo das Fráguas do Castelo, Amareleja, 26.04.2008
12/08/2011

domingo, 23 de março de 2008

Dos extremos da Beira às terras raianas ...
e o "abandono" de um velho "burro"...

Entrámos o ano de 2008 em Vale de Espinho, com os grandes amigos das "aventuras" de Alpedrinha, da Escócia  e da Irlanda,  do  Douro  e  de  tantas  outras.  E  começámos  as  "aventuras"  de  2008  com  uma
Serra do Candedo, sobre o Douro, Barca de Alva, 2.03.2008
actividade dos Caminheiros em terras da Beira Baixa, a 26 e 27 de Janeiro, à volta de Malpica do Tejo e de Cebolais. A 5 de Fevereiro ... éramos bi-avós! Não confundir com bisavós... J! Com mês e meio de diferença do primo, a neta mais velha não nasceu comigo em caminhadas ... mas também já fez algumas!

Com o CAAL / Ar Livre, nos dois primeiros dias de Março participei numa actividade que ligou os extremos da Beira interior: sábado, foi o percurso do Rio Ponsul, da Mata à Fonte do Ferro; domingo, rumámos a Barca de Alva e à Serra do Candedo, muito próximo da célebre Calçada de Alpajares, que havia de descer poucos meses depois. Acabámos em Barca de Alva, passando pela Quinta da Batoca, que foi de Guerra Junqueiro.
Com vista para o Douro, Serra do Candedo, 2.03.2008
 
Uma semana mais tarde, estava em terras do Alandroal, junto à ribeira de Lucefecit, comemorando o 23º aniversário da minha "família" Caminheira. E na Páscoa voltámos a Vale de Espinho, claro. No dia 23 de Março, o meu "burro", o meu velho UMM ... fez a sua última viagem nas terras raianas, ao Moinho do Rato, ao Alcambar, à cumeada do Barroco Branco, Moura e Coxino. Mas, no cruzamento de caminhos acima da Quinta do Passarinho ... o meu "burro" recusou-se contudo a andar mais! Uma vez desligado o motor ... nunca mais pegou. Em Domingo de Páscoa, com a família à espera para o almoço ... não vi mais nem boas se não abandoná-lo na serra e "correr" para Vale de Espinho. Fiz, em 40 minutos, os quase 5 km que me separavam de casa; e cheguei a tempo do almoço Pascal... J!
A somar a outros problemas que já tinha dado antes ... naquele dia resolvi vender o "burro". Ao contrário de outros burros, cujas carcaças são postas na serra, junto à Ventosa, para alimentar os abutres, ao meu velho "burro" um reboque foi buscá-lo; um mês depois, "curado" daquele mal, trouxe-o para Lisboa ... e no dia 15 de Maio entreguei-o a um comprador ... que o levou para as terras mais planas de Santiago do Cacém. Em menos de 3 anos, o velho UMM fez mais de 2 mil quilómetros nas terras raianas, pelos trilhos e bredas da Malcata, das Mesas e do Xálima!
12/08/2011

sábado, 15 de dezembro de 2007

Do Iberfolk ao Douro e ao Marão ... e quando sou avô numa caminhada!

Depois do périplo asturiano, o segundo semestre de 2007 caracterizou-se por sucessivas actividades cami-nheiras ... sempre com Vale de Espinho e as terras raianas no horizonte... J!
De 7 a 9 de Setembro, o II Iberfolk mobilizou o concelho do Sabugal, para uma mística que englobou música tradicional, caminhadas, contos tradicionais, tudo à sombra das velhas muralhas do Castelo de Sortelha.  É  claro  que  tínhamos de lá estar,  eu e a minha musa,  assistindo aos bailes e concertos,  mas
Chegada a Barca de Alva pelo Douro, 6.10.2007
participando também nas caminhadas de descoberta da Malcata: no percurso da "Patada da Mula", junto à barragem da Meimoa, no dia 8; nos trilhos do Espírito Santo e da Serra das Mesas, no dia 9.
Aproveitando o feriado de 5 de Outubro, o nosso "grupo dos sete" fez nova incursão ao Douro e à Invicta, incluindo o cruzeiro da Régua a Barca de Alva, a continuação do que tínhamos feito em 1999. Nesta subida do Douro ... pude portanto ver a foz do "meu" Côa a partir do Douro que o recebe, bem como a foz do seu "irmão" Águeda, limitando com terras castelhanas.
Cruzeiro no Douro: Foz do Côa, 6.10.2007
Rio Águeda, fronteira, na antiga linha internacional, 6.10.2007
Uma semana depois, participo na Marcha dos Fortes, organizada pela Câmara de Loures e o Clube "Ar Livre" (CAAL): 44 Km a pé, de Runa a Bucelas, pelos Fortes das Linhas de Torres. Até então o meu record pessoal de distância percorrida num dia.
Também com o CAAL, a 27 e 28 de Outubro participo na actividade "Nas Faldas do Marão": três caminhadas, em duas belas jornadas pela serra, com pernoita no parque de campismo de Amarante.
Nas Faldas da Serra do Marão, 28.10.2007
Menos de uma semana depois ... Vale de Espinho, nos Santos. Na tarde do próprio dia 1, levo uns primos há muito afastados dos campos e das serras a recordarem as Fontes Lares, a Serra Alta, a nascente do Côa, o Piçarrão. E no dia seguinte parto "à conquista" do Xálima,  que há muito  me cativava.  Do  alto  dos
Torre de Vigia do Xálima, até onde o "burro" pode ir, 2.11.2007
seus quase 1500 metros de altitude, tem-se dali uma vista deslumbrante. Os horizontes abrangem da serra da Penha de França à Marofa, à Estrela e à Gardunha; percebe-se o vale do Côa; por trás da serra de Penha Garcia, ressalta o morro de Monsanto.
No topo do Xálima, 1493m alt., 2.11.2007
Em tempos pré-romanos, estas terras eram habitadas pelos vetões, parentes próximos dos lusitanos. A origem etimológica do termo Xálima parece derivar de uma divindade pré‐romana que habitava estas montanhas, o deus Xalmas, deus da água. Os romanos deram à região o nome de Transcudânia, designação que perdura até hoje de ambos os lados da fronteira.
Um mês depois ... estava de novo na raia. A manhã do feriado de 1 de Dezembro foi preenchida com um raid pela Malcata, no meu "burro". Pelo Espigal, Ventosa, Malhada Medronheira e Concelhos, desci à barragem da Meimoa e ao Meimão. Deste, quis explorar o vale da Ribeira do Arrebentão, segui-o até à barragem do Sabugal, passei o Côa no Moinho do Cascalhal. No dia seguinte, o "burro" saltou pela Quinta das Vinhas, subiu ao Homem de Pedra, regressou pelas Fontes Lares ... sempre as Fontes Lares.
Salir do Porto, sobre a baía de S. Martinho...
... em caminhada "especial"... J, 15.12.2007
Entretanto, as caminhadas com a "família" Caminheira claro que também continuavam. Em Setembro, tínhamos estado no Parque de Santa Margarida, em Constância; em Outubro foi a vez do Pinhal do Rei; e no dia 10 de Novembro foi a caminhada do magusto, ao longo do meu velho Alviela. A caminhada de Dezembro, no dia 15, era de minha responsabilidade, na zona de Salir do Porto, entre o Paúl de Tornada e o mar. Com dois outros caminheiros, fiz o respectivo reonhecimento e preparação ainda em Novembro. Mas esta caminhada viria a tornar-se especial. A meio da caminhada, pouco antes da paragem para almoço, recebi uma notícia também especial: era, pela primeira vez ... avô! O meu neto mais velho nasceu nesse mesmo dia 15 de Dezembro ... o que naturalmente foi saudado e festejado na caminhada! Nascido com o avô em acção ... pode ser que venha a ser caminheiro... J! Pelo menos já participou entretanto em pequenas caminhadas... J
11/08/2011