Este blog está programado e paginado para Microsoft Internet Explorer. Noutros browsers, é natural alguma desconfiguração.

sexta-feira, 2 de maio de 1997

Novas "aventuras" ... nos Picos de Europa

Abril de 1997, 2º período escolar. Com alunos do 12º ano - alguns que tinham sido da minha "sócia" até ao 11º,  outros  meus  e dos habituais colegas de História e de Línguas  e  Literaturas  e  outros  ainda  que  as
De Lisboa a Ribadesella e às montanhas
de Covadonga, 25 e 26.04.1997
"fragas" escolares tinham feito repetir um ou mais anos... - tinha-se delineado pela segunda vez uma ida aos Picos de Europa. Alguns dos que vieram a participar ... já vinham do grupo de Alvão e Montesinho, dos Pirenéus e dos Açores! Assim, de 25 de Abril a 1 de Maio de 1997, durante 7 dias, vivemos nova "aventura" na cordilheira cantábrica, plena de novas sensações e emoções...J
O trajecto foi de certo modo inverso ao seguido 7 anos antes: depois de uma primeira noite em Villamañan, próximo de León, começámos por Ribadesella e pelas grutas de Tito Bustillo. Seguiu-se Cangas de Onís e ... a montanha de Covadonga. A imponência da Natureza nos Lagos Enol e Ercina maravilhou mais uma vez tudo e todos, inclusive ao longo da estrada de acesso aos lagos.  Em   Covadonga   propriamente  ...  pesa   a
Camping "Naranjo de Bulnes", Arenas de Cabrales, 26.04.1997
evocação de Pelágio e o misticimo da Gruta Santa.
E este segundo dia terminaria em Arenas de Cabrales, nos bungalows do Camping "Naranjo de Bulnes", que havíamos descoberto no ano anterior.
E o dia seguinte ... era de "aventura". Fazer a garganta do Cares com alunos, tinha passado a ser "obrigatório". Mas ... fazê-la nos dois sentidos, como no ano anterior? Não seria melhor juntar o percurso pedestre ... a uma travessia em todo-o-terreno? E assim, claro que já com tudo acertado previamente, dia 27 de Abril tínhamos os jeeps à nossa espera à porta do camping! Íamos atravessar o maciço central dos Picos de Europa! E que "aventura" ... até porque o tempo não parecia estar muito convidativo, ameaçando chuva. Mas o meu amigo S. Pedro esteve, uma vez
Vegas de Sotres, durante o percurso de jeep, 27.04.1997
mais, do nosso lado...J!
Começámos por subir de Arenas de Cabrales a Sotres, pequena aldeia de montanha a partir da qual subimos às Vegas de Sotres, à "fronteira" Astúrias / Cantábria, aos Puertos de Áliva e ao chalet real (1650m alt.), onde havíamos passado a pé 7 anos antes com outro grupo de alunos. Não estávamos longe, aliás, da estação superior do teleférico de Fuente De. Neste percurso chegámos a ver um lobo, na extraordinária envolvência dos Picos que nos rodeavam. Depois, foi a descida para Espinama, pelo percurso feito a pé em 1990. Chegados a Fuente De, inflectimos
Camaraman em acção, 27.4.1997
para sul; o teleférico ficaria para 2 dias depois.
E ... voltámos a subir. Pelos altos de Valcavao, a pista de montanha chega perto dos 1800m de altitude, com espectaculares panorâmicas para o vale de Valdeón. Pouco depois ... estávamos na estrada que havíamos feito de autocaravana no ano anterior, do Puerto de Pandetrave a Santa Marina e a Posada de Valdeón. Seguindo já o curso do Cares, chegámos a Caín, com duas paragens no Mirador del Tombo e no Chorco de los lobos. Tínhamos feitos sensivelmente 70 km de jeeps!
"Aventura" em todo-o-terreno e Ruta del Cares, 27.04.1997
Seguiu-se o percurso pedestre da Ruta del Cares, no sentido Caín - Poncebos. Os sucessivos túneis e pontes, a imponência das paredes rochosas, o traçado sinuoso do rio, com as suas múltiplas quedas de água e convidativas piscinas naturais ... tudo passava ante os olhos extasiados dos jovens que ali leváramos, mas também dos restantes três colegas e amigos, já que, também para eles, toda esta "aventura" tinha sido igualmente novidade. O "nosso" autocarro esperava-nos em Poncebos, e rapidamente regressámos ao Camping "Naranjo de Bulnes", fechando assim esta volta ao maciço central dos Picos de Europa! Depois dos banhos, fez de novo sensação um já célebre pijama de cetim...J!
A manhã do dia 28 ... foi para descansar das fadigas da véspera. Passeio pela vila de Arenas de Cabrales, para quem quis, disfrutar da beleza do camping, para outros. Só partimos depois do almoço, e partimos em direcção ao Desfiladeiro de La Hermida e a Potes, cujas ruas medievais e exposição de bruxaria despertou as atenções de todos. Terminámos esta curta etapa ... no já velho conhecido Camping "La Isla Picos de Europa". As duas gerentes do camping, cunhadas, já eram também nossas "velhas conhecidas"!
E o dia seguinte foi dedicado a Fuente De e ao teleférico ... em cuja base havíamos passado dois dias antes de jeep. Apesar da "viagem" ser curta (pouco mais de 3 minutos) ... nem toda a gente se sentia segura dentro da cabine...J! Mas a maravilha da panorâmica e da envolvência que nos esperava suplantou tudo ... permitindo até uma autêntica "batalha campal" na neve...J! Cumprindo a tradição local de deixar nomes escritos com pedras soltas ... deixámos escrito "SACAVÉM" naquelas paragens no seio do maciço central dos Picos. Depois, a descida foi de novo suspensos dos cabos, já que o percurso pedestre para Espinama foi parte do que tínhamos já feito nos jeeps. E, de regresso ao vale de Turieno, íamos ainda visitar o Mosteiro de Santo Toribio de Liébana, local sagrado da região, onde se conserva uma parte do lignum crucis, a madeira que supostamente fez parte da cruz onde Jesus Cristo foi crucificado.
Liébana (Fuente De e teleférico)
e ... regresso a casa, 29.04 a 1.05.1997
Depois, alguns quiseram voltar a pé a Potes, para novo passeio, outros subiram à Capela de S. Miguel, um dos mais espectaculares miradouros sobre todos o maciço oriental e central dos Picos de Europa ... e também sobre o "nosso" parque de campismo, para o qual descemos a pé. À noite, contudo, voltaríamos a este local de eleição ... de eleição para a nossa tradicional última noite, já que as "aventuras" estavam prestes a terminar. O crepitar de uma fogueira, as luzes das pequenas aldeias do vale de Turieno, o recorte das montanhas ao luar, a alegria, a camaradagem, as brincadeiras, e, porque não dizê-lo, a juventude de todos, mais velhos ou mais novos ... deram lugar a horas mágicas ... que durariam até bem tarde.
30 de Abril e 1 de Maio era o "coming home". Não sem contudo passarmos pela jóia de Santillana del Mar e uma curta passagem por Santander. A escala foi em Osorno, na tierra castelhana de Campos, e o último dia só teve história em Salamanca, incluindo, claro, a sua belíssima Catedral. Ao fim da tarde estávamos em casa.

A "aventura" nos jeeps e a Senda del Cares no Wikiloc / Google Earth:


Os valores da amizade, da convivência entre todos, alunos e professores, da liberdade com responsabilidade, foram mais uma vez elevados bem alto nesta digressão. No final do habitual filme que já tradicionalmente eu ia deixando para memórias futuras, apeteceu-me incluir o lindíssimo "Fresco" aqui transcrito há dois posts atrás. Comentando esse post, uma das alunas que participou nestas "aventuras" escreveu há dias no Facebook, antes mesmo da publicação deste artigo: "A minha parte preferida do video dos Picos de Europa de 1997 é quando temos a oportunidade de ler este "Fresco". A imagem, o som e as palavras: perfeito!". São testemunhos como estes que também dão sabor à vida...
Foi também nestas novas "aventuras" nos Picos que começaram a surgir outros testemunhos que transmitem sentimentos, vivências, experiências, sob a forma de frases soltas, escritas ao sabor desses mesmos sentimentos. Exemplos...

“Há momentos que ficam na nossa mente perfeitos, tal como foram vividos.”
Ana Catarina Gomes
“Com o companheirismo e a alegria, esqueci-me que tinha colegas, descobri que tinha amigos ...”
João Alexandre Pinto
“Alguns dos risos, alegrias e partilhas que definem a amizade, estiveram presentes nesta visita !”
Carla Marina Lameiras
“A vida é constituída de sonhos. Nesta viagem, foram realizados muitos sonhos.”
Filipe Miguel Murcho
“Obrigado por conseguirem transformar pequenos instantes em grandes momentos !”
Sara Costa
“A vida é feita de recordações. Vivemos algo que valeu a pena ser vivido, e valerá sempre a pena ser recordado.”                                                                                                 Carla Sofia Chapouto
“Foi no mínimo indiscutível, no máximo inesquecível !”
Jorge Filipe Silva
“Esta matéria não sai em provas globais, nem em exames nacionais. Não sai nunca mais ...”
Luís Boavida, professor
“Em tempo de aprendizagem utilitária, voltar às raízes do aprender, por prazer!...”
Maria Teresa Gomes, professora
6 de Abril de 2011

quinta-feira, 27 de março de 1997

No Parque Natural de Monfragüe

Entretanto, há muito que queria conhecer mais uma área protegida espanhola, por sinal relativamente perto de nós: Monfragüe.
O Parque Natural de Monfragüe (actualmente com o estatuto de Parque Nacional) situa-se na província de Cáceres, a norte de Trujillo, na confluência do Tejo e do seu afluente Tiétar. A oportunidade chegou em Março de 1997. Pela primeira vez fomos apenas três; o nosso júnior mais velho já se achava sénior demais para nos acompanhar...J! Saímos por Monfortinho, em direcção a Plasencia ... e pouco depois entrávamos em Monfragüe. O simpático camping do mesmo nome alojou-nos a nós e à caravana, e foi a partir dele que partimos à descoberta das maravilhas daquele paraíso de água, ravinas e rocha abrupta.
Parque Natural de Monfragüe, 24 e 25.03.1997
A visita foi numa carrinha do próprio Parque Natural, com dois guias de campo, tudo combinado e organizado pelo próprio parque de campismo. Tudo como cá...
Do Miradouro do Salto del Gitano e do Castelo de Monfragüe, para além da paisagem podemos admirar o espectacular voo das grandes rapinas, como os grifos e abutres negros, espécies emblemáticas do Parque.
No dia seguinte, já só nós, voltámos ao miradouro e à pequena aldeia de Villareal de San Carlos, para depois seguirmos para Trujillo e Mérida. Curiosamente, e ao contrário de tantas outras áreas naturais que conheci e onde depois levei alunos, a Monfragüe nunca fui com alunos. Por nenhuma razão, apenas não se proporcionou.
Em Mérida, recebeu-nos o "célebre" camping onde, 3 anos antes ... as árvores tinham dado botas e ténis...J! E de Mérida regressámos a casa, completando 4 belos dias das férias da Páscoa de 1997.
3 de Abril de 2011

quarta-feira, 19 de fevereiro de 1997

"Fresco"...

Entrávamos em 1997! O Natal de 96 tinha sido, de certo modo ... também uma "aventura"! Com três gerações a bordo da autocaravana - pais e filhos - fomos passar o Natal ao Luxemburgo ... a casa do irmão. Já em 1990 tínhamos passado lá a quadra, mas sem "campismo itinerante" e, principalmente ... sem 14º abaixo de zero! Tais foram, efectivamente, as temperaturas atingidas naquele inverno, na Europa central! Só em Vilar Formoso, à volta, a grossa camada de gelo que cobria o capot, o tejadilho e outras partes da caravana começou a quebrar-se e a derreter!
Um fim de semana também autocaravanístico leva-nos ao Castelo do Bode, Ourém e Grutas de Mira d'Aire (8 e 9 de Fevereiro). E, a 19 de Fevereiro ... recebo um muito saboroso "Fresco" ... vindo de amigo de longa data ... companheiro de tantas "aventuras", com alunos e sem eles ... aquele que me diz que eu sou uma força da Natureza ... que eu fui cabrito-montês ... que eu faço parte dos montes e das serras!
É este o sabor da Amizade ... é este o sabor da Vida!
2 de Abril de 2011


FRESCO

Nós somos os campesinos
que sempre vivemos na cidade,
solidários com a natureza
em agonia:
o carvalho secular
feito em tábuas,
aves de cantaria.

Limpámos as nascentes
só por elas,
descobrimos o purismo.
Nunca vimos deuses
nas nossas serras
e amámo-las por isso.

Filtramos os perfumes
mais silvestres,
escrevemos sobre o arminho,
rodamos com a abóbada celeste
e as velas do moinho.

Somos a água das azenhas.
Comemos o pão saído
da alcofa do padeiro
redimido pelo letreiro
"cozido em forno de lenha."

São-nos adversas as casas
onde não bate uma asa;
abrimos armários cheios
de cassettes de gorjeios.
Ao meu amigo José Carlos
Callixto, meu mestre nas
Ciências da Natureza.     19.2.97
Luís Boavida

domingo, 10 de novembro de 1996

Mais uma "aventura" no Gerês...

No dia 6 de Novembro de 1996, com as turmas do 8º ano iniciadas no ano anterior na Tapada de Mafra e Serra d'Aire, parto para mais uma romagem às minhas terras "sagradas" do Gerês; 32 jovens alunos, 3 professores. Primeiro destino ... Pitões das Júnias! Agora há quase 3 anos que as Sr.as Marias não nos recebiam...! Mas antes, em Tourém, a fonte das solteiras, o forno, o relógio de Sol, e, claro ... o "alcatrão derretido", tinham de ser motivo da curiosidade daqueles jovens e das explicações "científicas" dos profs.
Em Pitões das Júnias,  os quartos da Sr.a Maria voltaram a  levar aos 3 e aos 4 rapazes ou  raparigas  em
Tourém e Pitões das Júnias, 6 e 7.11.1996
cada. E, no dia seguinte de manhã, o esplendor da serra chamava-nos para mais uma descida ao velho Mosteiro e à ainda mais velha cascata de Pitões. Algum nevoeiro, mas que rapidamente se dissipou ... mostrando-nos mais uma vez o palco e o cenário natural por onde 7 anos antes tínhamos feito a travessia da serra. Para onde é o Norte? Surgiram respostas em quase todas as direcções...! Mas a posição do Sol, a cobertura de líquenes e musgos, nas rochas e nos troncos das árvores, ditou a verdadeira direcção. Estavam transmitidas algumas bases de orientação no campo.
À tarde, a viagem para o Gerês foi sonolenta. Nem toda a gente tinha dormido a noite inteira anterior... A camarata do Vidoeiro ia-nos mais uma vez receber para as duas noites seguintes.
Dia 8.  Pelo  S. Bento da Porta Aberta  dirigimo-nos a  Covide e a  Vilarinho da Furna.  Em  ano  de  pouca
Na Cascata do Arado, 8.11.1996
E na Pedra Bela, 8.11.1996
chuva, a barragem estava bem em baixo ... deixando bem à vista a aldeia perdida nas águas. Como habitual-mente, fizemos o percurso da geira romana, subindo o curso do rio Homem. As cores outonais estavam no seu máximo esplendor! E as águas do Homem não estavam suficientemente frias para impedir uns banhos, nas piscinas junto à ponte de S. Miguel...
Depois da também habitual visita à vertente galega, na Portela do Homem, esperava-nos o não menos habitual transporte do Parque Nacional ... de carga. Para além da maravilha dos elementos naturais, a Cascata do Arado proporcionou igualmente um banho improvisado nas águas cristalinas. E, na Pedra Bela, ao "desespero" da perda de um pelos vistos bem amado boné ... seguiu-se a alegria de saber que alguém o tinha recuperado...J.
Geira romana e Gerês, 8 e 9.11.1996
A um jantar na vila do Gerês, seguiu-se ... um momento muito pedido e prometido: uma horita de discoteca, na vila. Depois, subindo a pé para o Vidoeiro, a temperatura amena e uma tradicional fogueira alimentaram uma "directa", também prometida para a última noite ... caso tudo corresse bem ao longo destes 4 dias ... e como felizmente sempre correu...J!
Os sonos foram postos em dia no regresso, no dia seguinte.
1 de Abril de 2011