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quinta-feira, 27 de março de 1997

No Parque Natural de Monfragüe

Entretanto, há muito que queria conhecer mais uma área protegida espanhola, por sinal relativamente perto de nós: Monfragüe.
O Parque Natural de Monfragüe (actualmente com o estatuto de Parque Nacional) situa-se na província de Cáceres, a norte de Trujillo, na confluência do Tejo e do seu afluente Tiétar. A oportunidade chegou em Março de 1997. Pela primeira vez fomos apenas três; o nosso júnior mais velho já se achava sénior demais para nos acompanhar...J! Saímos por Monfortinho, em direcção a Plasencia ... e pouco depois entrávamos em Monfragüe. O simpático camping do mesmo nome alojou-nos a nós e à caravana, e foi a partir dele que partimos à descoberta das maravilhas daquele paraíso de água, ravinas e rocha abrupta.
Parque Natural de Monfragüe, 24 e 25.03.1997
A visita foi numa carrinha do próprio Parque Natural, com dois guias de campo, tudo combinado e organizado pelo próprio parque de campismo. Tudo como cá...
Do Miradouro do Salto del Gitano e do Castelo de Monfragüe, para além da paisagem podemos admirar o espectacular voo das grandes rapinas, como os grifos e abutres negros, espécies emblemáticas do Parque.
No dia seguinte, já só nós, voltámos ao miradouro e à pequena aldeia de Villareal de San Carlos, para depois seguirmos para Trujillo e Mérida. Curiosamente, e ao contrário de tantas outras áreas naturais que conheci e onde depois levei alunos, a Monfragüe nunca fui com alunos. Por nenhuma razão, apenas não se proporcionou.
Em Mérida, recebeu-nos o "célebre" camping onde, 3 anos antes ... as árvores tinham dado botas e ténis...J! E de Mérida regressámos a casa, completando 4 belos dias das férias da Páscoa de 1997.
3 de Abril de 2011

quarta-feira, 19 de fevereiro de 1997

"Fresco"...

Entrávamos em 1997! O Natal de 96 tinha sido, de certo modo ... também uma "aventura"! Com três gerações a bordo da autocaravana - pais e filhos - fomos passar o Natal ao Luxemburgo ... a casa do irmão. Já em 1990 tínhamos passado lá a quadra, mas sem "campismo itinerante" e, principalmente ... sem 14º abaixo de zero! Tais foram, efectivamente, as temperaturas atingidas naquele inverno, na Europa central! Só em Vilar Formoso, à volta, a grossa camada de gelo que cobria o capot, o tejadilho e outras partes da caravana começou a quebrar-se e a derreter!
Um fim de semana também autocaravanístico leva-nos ao Castelo do Bode, Ourém e Grutas de Mira d'Aire (8 e 9 de Fevereiro). E, a 19 de Fevereiro ... recebo um muito saboroso "Fresco" ... vindo de amigo de longa data ... companheiro de tantas "aventuras", com alunos e sem eles ... aquele que me diz que eu sou uma força da Natureza ... que eu fui cabrito-montês ... que eu faço parte dos montes e das serras!
É este o sabor da Amizade ... é este o sabor da Vida!
2 de Abril de 2011


FRESCO

Nós somos os campesinos
que sempre vivemos na cidade,
solidários com a natureza
em agonia:
o carvalho secular
feito em tábuas,
aves de cantaria.

Limpámos as nascentes
só por elas,
descobrimos o purismo.
Nunca vimos deuses
nas nossas serras
e amámo-las por isso.

Filtramos os perfumes
mais silvestres,
escrevemos sobre o arminho,
rodamos com a abóbada celeste
e as velas do moinho.

Somos a água das azenhas.
Comemos o pão saído
da alcofa do padeiro
redimido pelo letreiro
"cozido em forno de lenha."

São-nos adversas as casas
onde não bate uma asa;
abrimos armários cheios
de cassettes de gorjeios.
Ao meu amigo José Carlos
Callixto, meu mestre nas
Ciências da Natureza.     19.2.97
Luís Boavida

domingo, 10 de novembro de 1996

Mais uma "aventura" no Gerês...

No dia 6 de Novembro de 1996, com as turmas do 8º ano iniciadas no ano anterior na Tapada de Mafra e Serra d'Aire, parto para mais uma romagem às minhas terras "sagradas" do Gerês; 32 jovens alunos, 3 professores. Primeiro destino ... Pitões das Júnias! Agora há quase 3 anos que as Sr.as Marias não nos recebiam...! Mas antes, em Tourém, a fonte das solteiras, o forno, o relógio de Sol, e, claro ... o "alcatrão derretido", tinham de ser motivo da curiosidade daqueles jovens e das explicações "científicas" dos profs.
Em Pitões das Júnias,  os quartos da Sr.a Maria voltaram a  levar aos 3 e aos 4 rapazes ou  raparigas  em
Tourém e Pitões das Júnias, 6 e 7.11.1996
cada. E, no dia seguinte de manhã, o esplendor da serra chamava-nos para mais uma descida ao velho Mosteiro e à ainda mais velha cascata de Pitões. Algum nevoeiro, mas que rapidamente se dissipou ... mostrando-nos mais uma vez o palco e o cenário natural por onde 7 anos antes tínhamos feito a travessia da serra. Para onde é o Norte? Surgiram respostas em quase todas as direcções...! Mas a posição do Sol, a cobertura de líquenes e musgos, nas rochas e nos troncos das árvores, ditou a verdadeira direcção. Estavam transmitidas algumas bases de orientação no campo.
À tarde, a viagem para o Gerês foi sonolenta. Nem toda a gente tinha dormido a noite inteira anterior... A camarata do Vidoeiro ia-nos mais uma vez receber para as duas noites seguintes.
Dia 8.  Pelo  S. Bento da Porta Aberta  dirigimo-nos a  Covide e a  Vilarinho da Furna.  Em  ano  de  pouca
Na Cascata do Arado, 8.11.1996
E na Pedra Bela, 8.11.1996
chuva, a barragem estava bem em baixo ... deixando bem à vista a aldeia perdida nas águas. Como habitual-mente, fizemos o percurso da geira romana, subindo o curso do rio Homem. As cores outonais estavam no seu máximo esplendor! E as águas do Homem não estavam suficientemente frias para impedir uns banhos, nas piscinas junto à ponte de S. Miguel...
Depois da também habitual visita à vertente galega, na Portela do Homem, esperava-nos o não menos habitual transporte do Parque Nacional ... de carga. Para além da maravilha dos elementos naturais, a Cascata do Arado proporcionou igualmente um banho improvisado nas águas cristalinas. E, na Pedra Bela, ao "desespero" da perda de um pelos vistos bem amado boné ... seguiu-se a alegria de saber que alguém o tinha recuperado...J.
Geira romana e Gerês, 8 e 9.11.1996
A um jantar na vila do Gerês, seguiu-se ... um momento muito pedido e prometido: uma horita de discoteca, na vila. Depois, subindo a pé para o Vidoeiro, a temperatura amena e uma tradicional fogueira alimentaram uma "directa", também prometida para a última noite ... caso tudo corresse bem ao longo destes 4 dias ... e como felizmente sempre correu...J!
Os sonos foram postos em dia no regresso, no dia seguinte.
1 de Abril de 2011

quarta-feira, 28 de agosto de 1996

Regresso aos Picos de Europa e à Galiza ... em autocaravana

A 1 de Agosto de 1996, estava a partir de Vale de Espinho rumo, mais uma vez, à Espanha verde, à Cordilheira Cantábrica. Embora nunca tivéssemos gostado de ficar fora de parques de campismo, a autocaravana permitia maior liberdade e autonomia. O primeiro destino eram os Picos de Europa. Íamos procurar "explorar" zonas que ainda não conhecíamos, como o famoso desfiladeiro do rio Cares, a "garganta divina".  Por  Leon  e  Riaño,  entrámos nos Picos  de  Europa pelo sul,  passando o  Puerto  de
Desfiladeiro de La Hermida, Rio Deva, 2.08.1996
Pandetrave (1562m). A ideia era "acampar" na pequena aldeia de Santa Marina de Valdeón, de onde atingiríamos Posada de Valdeón e Caín, já sobre o Cares. No entanto ... a estradinha para Santa Marina foi estreitando ... estreitando ... e à entrada da aldeia foi preciso regressar, já que a autocaravana não cabia nas estreitas ruas! Contornámos então o maciço central, e numa tarde de nevoeiro percorremos a bonita estrada do Puerto de San Glorio (1609m), rumo a Potes e ao já nosso conhecido camping "La Isla, Picos de Europa". Potes é sempre aquela cativante aldeia, como que parada no tempo. Mas desta vez, feita a "escala", no dia seguinte rumámos a Arenas de Cabrales, ao longo do rio Deva e do desfiladeiro de La Hermida. E em Arenas de Cabrales, já à beira do Cares, instalámo-nos por 3 noites no camping "Naranjo de Bulnes" ... que igualmente viria a ser uma referência para outras "aventuras".
E a partir de Arenas de Cabrales lançámo-nos então na Senda del Cares. Fazer a Senda del Cares é um percurso "obrigatório" para os amantes da Natureza e da montanha. Primeiro na caravana até Poncebos, início do fabuloso trilho que atravessa o maciço central, depois a pé ao longo dos seus 12 km ... transformados  em  24  na ida e volta!  De  um lado e outro do rio,  os enormes  paredões  rochosos  foram
Ruta del Cares, 4.08.1996
Ruta del Cares, 4.08.1996
Ruta del Cares, 4.08.1996
como que talhados a pique na rocha calcária. Acima de nós, a noroeste, estão os Lagos Ercina e Enol, os lagos de Covadonga; a sudeste, as alturas de Torre Cerredo e do mítico Naranjo de Bulnes. Sentimo-nos pertencer à montanha, à turbulência das águas do Cares, à própria rocha escavada em múltiplos túneis ao longo da parte final do trilho. Trilho que termina em Caín, já em terras leonesas. Aí almoçámos ... para à tarde repetir o trilho no sentido inverso.
Luarca, 7.08.1996 - Reconstituição de uma foto com 14 anos...J
O dia seguinte, 5 de Agosto, foi dia de descanso em Arenas de Cabrales, até porque a chuva predominou. O paraíso verde também significa, claro ... precipitação mesmo nos meses de verão. Depois, rumámos ao ocidente das Astúrias ... e à Galiza. Uma etapa intermediária levou-nos a Luarca, ainda nas Astúrias, a simpática vila de pescadores que tínhamos conhecido 14 anos antes. Uma foto "histórica" feita nessa altura, com o nosso júnior escondendo uma flor para entregar à mãe ... foi reconstituída com esse mesmo júnior 14 anos mais velho...J!
Mas este 7 de Agosto de 1996 ficaria tragicamente marcado na história de Espanha e na história campista: ao ouvirmos as notícias, em Luarca, soubemos da trágica avalanche que dizimou o Camping "Las Nieves", em Biescas, Pirenéus, na qual morreram 87 pessoas e mais de 180 ficaram feridas!
Entrámos na Galiza por Ribadeo, percorrendo depois a costa norte. Um dia de descanso em Viveiro ... e seguia-se a Coruña e Santiago de Compostela. Como o júnior mais pequeno diz no filme, para uns era recordar ... para ele era conhecer. E as férias terminaram em Valença do Minho e em Santa Cruz, em convívios de amizade e familiar. Um mês depois, as duas autocaravanas e a equipa do périplo britânico do verão de 1995 juntavam-se de novo ... para um curto fim de semana em Vila Nova de Milfontes.
Pelos Picos de Europa, 2 a 6.08.1996
Em Luarca e regresso pela Galiza, 7 a 11.08.1996

A Senda del Cares no Wikiloc / Google Earth:


31 de Março de 2011