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domingo, 26 de março de 1995

Estreia autocaravanística ... de Milfontes ao Gerês!

O último trimestre de 94 foi assinalado ... por uma estreia autocaravanística! Depois da experiência com a "pão-de-forma" adaptada para campismo, 10 anos antes ... o "bichinho" tinha cá ficado ... e comprámos uma autocaravana nova, uma Riviera 4! Paralelamente às actividades com alunos, durante os 9 anos seguintes a autocaravana passou a ser uma das "bases" da minha ligação à Natureza.
Milfontes, Estreia da Riviera, 29.10.1994
Em Serpa, 26.11.1994
E em Tomar, na caravana, 8.12.1994
 
"À sombra" do Castelo de Almourol, 10.12.1994
A estreia foi em Vila Nova de Milfontes, no último fim de semana de Outubro, na companhia dos dois casais com quem deambulávamos mais frequentemente ... um dos quais tinha igualmente comprado uma autocaravana nesse verão! Depois, no fim de Novembro, novo "acampamento", desta vez em Serpa ... com os tios que igualmente tinham uma autocaravana. Para terminar o ano, "acampámos" em Tomar, no fim de semana ... dos 21 anos de casados...J.
E 1995 começava também com uma "aventura" autocaravanística: a 8 de Janeiro, depois de um fim de semana em Monte Gordo ... a aventura de fazer voar a janela frontal ... quando o júnior a resolveu abrir em andamento...L!

Chegamos ao Carnaval de 1995. Que tal uns dias pelo Gerês ... os dois casais autocaravanísticos? O "projecto" foi rapidamente aprovado ... e a 24 de Fevereiro a Riviera e a Pilote estavam a partir rumo ao Gerês. Com uma primeira noite em Braga e a segunda no Parque da Cerdeira (então com pouco mais de 2 anos e meio de funcionamento), iria ser ... um Carnaval na neve! Efectivamente, neste final de Fevereiro a Serra Amarela e a do Gerês cobriram-se de branco. A neve começou a cair estávamos  ainda  na  Cerdeira,
de onde subimos à Portela do Homem ... onde o nevão chegou em força. O vento trazia a neve dos lados do vale do Alto Homem, num espectáculo de rara beleza, deixando prever como estariam as alturas dos Carris e da Nevosa. Como o "bichinho" dos filmes continuava (e continua, até aos dias de hoje) ... o nevão foi registado em vídeo...J.
Receando que a estrada da Portela do Homem acabasse por encerrar, descemos às Caldas do Gerês, onde "acampámos" as autocaravanas em plena vila. E como estaria Pitões das Júnias? Seria seguro lá chegar? Bem, se as estradas estivessem intransitáveis, a única consequência seria regressar. Por isso ... lá fomos ... e não nos arrependemos!
Pitões das Júnias, a "aldeia mágica" pintada de branco, 27.02.1995
A minha paixão pelo Gerês e por Pitões não a conhecia ainda com aquela dimensão de neve. As estradas estavam limpas ... mas tudo em redor era branco. Os Cornos das Alturas, toda aquela "minha" serra, a cumeada que tinha percorrido com os alunos 6 anos antes, os campos em redor da aldeia, tudo estava pintado de branco. Mas ... o Mosteiro de Pitões chamava por nós! E lá descemos ao vale do Campesinho. Junto àquelas paredes seculares, sentimo-nos recuar quase 5 séculos no tempo ... até àquele dia 2 de Fevereiro de 1501, em que Frei Gonçalo Coelho, Abade do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, encontra a morte por enregelamento, depois de surpreendido pela noite, neve e frio intenso, junto à Fonte Fria, entre a aldeia galega de A Cela e Pitões.
Mas, regressando ao nosso século ... as Sr.as Marias serviram-nos mais uma vez um esplêndido e retemperador almoço. E à tarde ainda fomos a Tourém, passando depois a barragem de Salas e reentrando por Montalegre, através das terras do antigo Couto Misto. A jornada iria acabar em Guimarães ... porque no dia seguinte tínhamos de regressar.

Um mês depois desta "aventura", de 24 a 26 de Março, passávamos mais um fim de semana autocaravanístico no Parque do Guincho, também com uma pequena volta pela Serra de Sintra. A Riviera ... subiu à Peninha.
 
17 de Março de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 1994

Por terras da Gardunha ... com regresso a Vale de Espinho!

Em Março do ano anterior, tínhamos almoçado na sempre simpática vila de Alpedrinha,  terra  adoptiva  de
Alpedrinha, 10.06.1994
um dos professores da "equipa" que levou os alunos à Serra da Estrela. Em Junho de 1994, aproveitando o feriado de dia 10, o homem da poesia e da literatura proporcionou ao resto da "equipa" 4 espectaculares dias em Alpedrinha e na Serra da Gardunha.
Na Serra da Gardunha, 10.06.94
Casa da floresta de Alcongosta
Éramos três casais e filhos, instalados na vetusta casa de pedra da família Boavida,  no  centro  da  vetusta vila de Alpedrinha. A piscina, a velha vinha, e, claro, a Serra da Gardunha, preencheram o feriado. Pelo Fundão e Alcongosta, subimos de carro à casa florestal e à Penha; não os consegui cativar para uma jornada pedestre...L.
No sábado, o destino foram as terras de Idanha, bem como o "pog" de Monsanto; e no domingo, 12 de Junho, tinha de ser o regresso.
Nas muralhas de Monsanto, 11.06.1994
"Ressuscitarei dos mortos"...J
Palácio do Picadeiro, Alpedrinha, 12.06.94
 
A 29 de Julho estava a partir para férias. Passados uns tempos, nem nós próprios acreditávamos: seria possível que ... há 7 anos que não íamos a Vale de Espinho?!  Como tinha sido possível?  Mais  ainda  do
que naquela época, hoje parece-me impensável que tivessem passado 7 anos sem ir à "minha" terra, à "minha" Vale de Espinho, à "minha" Malcata, aos "meus" campos e lameiros. A terra já havia levado o velho Zé Joaquim Malhadas, pai de meu sogro, bem como as duas avós da minha arraiana, as velhas "ti Guta" e a "ti Maria Clementa". Mas principalmente o ramo familiar emigrado em Tours continuava a ter lá casa ... uma das quais tinha sido e iria continuar a ser o nosso "poiso".
E de Vale de Espinho partimos um dia à descoberta das Serras da Gata e da Penha de França, atravessando a região de Alberca e de Las Hurdes. Las Hurdes, onde Luís Buñuel encontraria em 1933 a matéria-prima para as suas idéias cinematográficas; as lentes da câmara captam de maneira crua a vida miserável dos hurdanos, os seus costumes e tradições, as doenças, as migrações, a precariedade da agricultura, a distância que os habitantes precisam percorrer para levar os seus mortos ao cemitério mais próximo; um lugar esquecido, retratado no célebre documentário "Las Hurdes, tierra sin pan".
Cume da Penha de França, 26.07.1994
Paisagem, Malcata, 1.08.1994
Torre da Machoca, Malcata, 1.08.1994
 
É também pela primeira vez que, a partir de Vale de Espinho, nos embrenhamos a sério no paraíso da Malcata. A partir da velha estrada da carreira de tiro da Meimoa, chegamos às margens da barragem, passamos o Meimão, subimos ao alto da Machoca ... e maravilhamo-nos com a paisagem a perder de vista: da Serra da Estrela às Mesas, com o vale do Côa aos pés ... aquelas eram efectivamente as "minhas" terras!
Mas as férias prosseguiriam a sul: uma volta pelas praias do Sudoeste Alentejano fez-nos recordar a excursão com alunos. E, no fim ... Santa Cruz uma vez mais ... e mais uma vez uma ida às Berlengas.
 
15 de Março de 2011

sábado, 26 de março de 1994

Nos Parques Naturais do Alvão e de Montesinho ... com um "desvio" a Mérida

Nas infelizmente contínuas mudanças curriculares do Ensino, a disciplina de Ecologia desapareceu do Secundário e a componente geológica voltou a surgir, numa disciplina com o bonito nome de Ciências da Terra e da Vida. Em 1994, leccionava duas turmas daquela disciplina; numa delas ... um dos alunos era sobrinho da minha mulher. A integração da geologia e as noções de geodinâmica deram o mote para conhecer, como actividade de campo, paisagens de caos graníticos, de vales glaciários. E assim surge pela primeira vez a ideia do Parque Natural do Alvão como potencial objectivo de "aventuras" com alunos, podendo sempre associá-lo ao Gerês ou a Montesinho. Programa-se assim para Março de 1994 uma
Mar de nuvens no Alvão, 12.02.1994
visita aos Parques Naturais do Alvão e de Montesinho. Dado que não conhecia o Alvão, antes de levar os alunos entendi fazer o reconhecimento prévio do que lhes ia mostrar, pelo que em 11 de Fevereiro partia com a família para 3 dias no Alvão, com "base" em Vila Real, para preparação daquela visita. A aldeia de Lamas de Olo, as Fisgas de Ermelo, a serra do Alvão em geral ... passaram desde logo a fazer parte da minha lista de espaços naturais a recomendar, dar a conhecer, partilhar. Nesses dias de Fevereiro, grande parte da serra estava aliás debaixo de neve, testemunhando espaços, gentes e vivências perdidas no tempo e calejadas pela labuta tradicional.
Fisgas de Ermelo,
12.02.1994
O Alvão com neve, 12.02.1994
No regresso destes 3 dias, fomos também conhecer o Parque Biológico de Gaia, excelente local para dar a conhecer aos alunos espécies emblemáticas da nossa fauna e flora, para além de aspectos ligados à desejável harmonia Homem / Natureza.

Mas antes da visita ao Alvão e Montesinho com alunos, no início de Março acompanhei colegas e turmas da área de humanísticas numa visita às ruínas romanas de Mérida. Curiosamente, destas turmas de humanísticas e das minhas turmas de ciências, havia de vir a formar-se um grupo interdisciplinar que, nos anos seguintes ... se iria "aventurar" nos Pirenéus e nas ilhas atlânticas dos Açores!
Para além da visita e dos conhecimentos transmitidos e adquiridos, esta excursão a Mérida ficaria também nas memórias por alguns acontecimentos "insólitos": acampados no parque de campismo local, o pessoal acorda de manhã ... sem saber dos ténis ou botas que havia deixado junto à entrada das tendas. Mas, começando a olhar em redor ... apercebemo-nos de umas estranhas árvores que tinham por "frutos" ... ténis pendurados! Quem havia sido? Bem ... o motorista do autocarro! O mesmo que inicialmente, de vassoura em punho, limpava os pés ao pessoal antes de entrar no autocarro...! É também neste parque de campismo que se assiste, talvez pela única vez na vida, à tentativa de um professor de Literatura e grande amigo ... de prender a atenção de um gato para a poesia que ele pacientemente lhe lia! Bem ... e tudo isto depois de, na tenda dos professores, termos ficado os 4, até altas horas da noite, a filosofar à volta do fio que nos conduz, da probabilidade da origem e evolução da matéria por uma sucessão de acasos, da inteligência do universo ... ou daquilo que se lhe queira chamar ou crer.

E, a 23 de Março, os meus alunos de Ciências da Terra e da Vida partem então para a visita ao Alvão e Montesinho. Os meus dois filhos, já ambos alunos da Escola, embora não daquelas turmas, acompanham-nos nessa qualidade, a única que sempre tiveram no que respeita à escola: alunos.
Sobre as Fisgas de Ermelo, 23.03.1994
O primeiro dia foi dedicado à zona de Ermelo, no Parque do Alvão, incluindo um pequeno percurso a pé entre as cascatas das Fisgas de Ermelo e a ponte romana do Rio Olo ... onde houve lugar a banhos naquelas águas límpidas mas gélidas. Em Vila Real, alojámo-
nos na Pousada de Juventude, para no dia seguinte partir "à descoberta" do caos granítico de Muas e da aldeia de Lamas de Olo. Para a maioria dos alunos - que haviam de ser meus durante 3 anos seguidos - era mais uma vez a descoberta do mundo rural, de um mundo completamente diferente daquele que conheciam e em que cresceram. Em 94, o velho aqueduto de Lamas de Olo ainda levava a água ao seu moinho...
Depois, foi uma tarde de viagem, entre o Alvão e Montesinho. Pela segunda vez, íamos ficar na casa da Lama Grande, "perdida" na imensidão da serra, quase na raia espanhola. E o terceiro dia começaria por uma "aventura" a cavalo, no Centro hípico da aldeia de França. Acompanhados por uma guia do Parque Natural, seguiu-se um percurso ao longo do vale do alto Sabor,  no seio de carvalhais  ainda  quase únicos
na Europa.
À semelhança de 1990 ... a posta mirandesa de Gimonde fez as delícias ao almoço...J! E à tarde seguiu-se Rio de Onor. Desta vez com guia, pudemos assim inclusivamente conversar com duas simpáticas aldeãs, ouvindo um pouquinho do seu Rio-de-Onorês ... e aprendendo a fazer meia.
O fim de tarde foi dedicado ao Castelo e Domus de Bragança ... e a última noite na Lama Grande ficaria memorável. Desde uma caminhada nocturna até à raia espanhola aos cantares ao desafio, houve de tudo um pouco ... até mesmo uma sessão de "levitação"...J!
A manhã do último dia ... foi para pôr os sonos em dia! Entre Montesinho e o Porto, o autocarro mais parecia uma camarata ambulante...J! Mas ainda havia uma visita: ao Parque Biológico de Gaia, onde aliás almoçámos. E assim, ao longo de 4 dias, se juntou mais uma vez juventude, alegria de viver, vivências e aprendizagens, numa escola muito para além das matérias e das paredes da Escola.

“Estes foram, sem dúvida ... os melhores dias da minha vida !”
(Ana Patrícia Santos, 10º Ano, Visita aos Parques Naturais de Alvão e Montesinho, Março de 1994)
 
13 de Março de 2011

terça-feira, 17 de agosto de 1993

Do Luxemburgo à Camargue ... com os Alpes de permeio!

A 15 de Julho de 1993, iniciava um périplo europeu de quase sete mil quilómetros. 3 anos antes, tínhamos percorrido  as  costas  da  Normandia e Bretanha;  agora,  o  destino  era  o  centro  e sul da Europa ... com
Parque Strunfs, Metz, 28.07.1993
especial destaque para as fragas da região alpina. Esta "aventura" teve também várias fases e intervenientes: uma primeira fase foi de convívios e encontros familiares, em Tours (onde igualmente havíamos estado em 90) e no Luxemburgo (onde, em casa do meu irmão, havíamos também passado o Natal de 1990). Nesta viagem até Tours e Luxemburgo, acompanhou-nos um sobrinho ... e ao Luxemburgo foram ter o filho mais velho (vindo de Londres, de avião) e os cunhados e outro sobrinho (vindos de Portugal, de carro). Depois de uma visita ao Parque dos Strunfs, em Metz, França ... reunida estava a "equipa" para partir no último dia de Julho rumo aos Alpes.
De Portugal a Tours e ao Luxemburgo
Suiça, região dos lagos, 1.08.1993
Vevey, 3.08.93 - Em restaurante com empregada portuguesa
Saarbrücken, Estrasburgo e a floresta negra foram as primeiras passagens, com Schaffhausen e as cascatas do Reno como primeiro destino. Seguiu-se Zürich, Lucerna, Interlaken, Faulensee, Lausanne e Montreux; o paraíso dos lagos da Suiça ... a caminho de Chamonix e do Monte Branco!
No dia 4 de Agosto, estávamos a quase 4 mil metros de altitude, na Aiguille du Midi ... envolvidos pela magia da montanha e pelo branco das neves eternas. A minha tentação era passar para Itália ao longo da montanha ... mas passámos por baixo da montanha, no túnel do Monte Branco. Seis anos depois, um incêndio de grandes proporções provocaria a morte a 39 pessoas e o encerramento do túnel até 2002.
Dos lagos da Suiça ao Monte Branco
Caminhada no Parque Nacional Gran Paradiso, 5.08.1993
Do outro lado do túnel do Monte Branco, tínhamos o vale de Aosta ... e o Parque Nacional Gran Paradiso, o mais antigo e mais importante parque nacional italiano. Acampámos em Pont-Breuil, no vale de Valsavarenche, a principal via de acesso ao maciço do Gran Paradiso. E o dia 5 de Agosto foi dedicado àquele ... grande paraíso da montanha. De Pont, subimos ao Refúgio Vittorio Emanuele II, a 2732 metros de altitude, e daí até praticamente aos 3 mil metros, aos pés do imponente Gran Paradiso ... embora perdendo alguns desistentes pelo caminho; restaram 4 "heróis": este carola das fragas, dois filhos e um sobrinho...J. Mas depois da descida e apesar do esforço da caminhada ... ainda houve energias para uma "guerra" na tenda dos 4 jovens, todos entre os 11 e os 15 anos...J!

Deixando para trás os altos cumes dos Alpes, seguiu-se  Turim ...  e  a  Côte d'Azur.  A  7  e  8  de  Agosto
Monte Carlo, 8.08.1993
Na Camargue selvagem, 11.08.1993
Há vida na Camargue
Há vida na Camargue
estávamos em Nice e em Monte Carlo, e a 9 em Cannes e St. Tropez. E os dois dias seguintes foram dedicados à Camargue, o espectacular delta do Ródano, a "Doñana francesa". É um mundo de água e terra, de cavalos e bandos de aves aquáticas, numa planura a perder de vista.
O pog de Montségur, último refúgio cátaro, 13.08.1993
                     Últimas etapas deste périplo: a medieval Carcassonne, o pog de Montségur, último refúgio dos cátaros, Andorra e Barcelona, sem dúvida a mais monumental cidade espanhola ... mas também onde apanhámos a mais monumental tromba de água nas tendas...J!
15.08.1993: Barcelona ... quando
ficamos "de molho"...


Regresso pela Côte d'Azur, Andorra e Barcelona
A 17 de Agosto estávamos de regresso a casa. Santa Cruz completou o mês, como quase sempre.


A caminhada do Gran Paradiso no Wikiloc / Google Earth:


       
11 de Março de 2011