A 15 de Julho de 1993, iniciava um périplo europeu de quase sete mil quilómetros. 3 anos antes, tínhamos percorrido as costas da Normandia e Bretanha; agora, o destino era o centro e sul da Europa ... com
Parque Strunfs, Metz, 28.07.1993
especial destaque para as fragas da região alpina. Esta "aventura" teve também várias fases e intervenientes: uma primeira fase foi de convívios e encontros familiares, em Tours (onde igualmente havíamos estado em 90) e no Luxemburgo (onde, em casa do meu irmão, havíamos também passado o Natal de 1990). Nesta viagem até Tours e Luxemburgo, acompanhou-nos um sobrinho ... e ao Luxemburgo foram ter o filho mais velho (vindo de Londres, de avião) e os cunhados e outro sobrinho (vindos de Portugal, de carro). Depois de uma visita ao Parque dos Strunfs, em Metz, França ... reunida estava a "equipa" para partir no último dia de Julho rumo aos Alpes.
De Portugal a Tours e ao Luxemburgo
Suiça, região dos lagos, 1.08.1993
Vevey, 3.08.93 - Em restaurante com empregada portuguesa
Saarbrücken, Estrasburgo e a floresta negra foram as primeiras passagens, com Schaffhausen e as cascatas do Reno como primeiro destino. Seguiu-se Zürich, Lucerna, Interlaken, Faulensee, Lausanne e Montreux; o paraíso dos lagos da Suiça ... a caminho de Chamonix e do Monte Branco!
No dia 4 de Agosto, estávamos a quase 4 mil metros de altitude, na Aiguille du Midi ... envolvidos pela magia da montanha e pelo branco das neves eternas. A minha tentação era passar para Itália ao longo da montanha ... mas passámos por baixo da montanha, no túnel do Monte Branco. Seis anos depois, um incêndio de grandes proporções provocaria a morte a 39 pessoas e o encerramento do túnel até 2002.
Dos lagos da Suiça ao Monte Branco
Caminhada no Parque Nacional Gran Paradiso, 5.08.1993
Do outro lado do túnel do Monte Branco, tínhamos o vale de Aosta ... e o Parque Nacional Gran Paradiso, o mais antigo e mais importante parque nacional italiano. Acampámos em Pont-Breuil, no vale de Valsavarenche, a principal via de acesso ao maciço do Gran Paradiso. E o dia 5 de Agosto foi dedicado àquele ... grande paraíso da montanha. De Pont, subimos ao Refúgio Vittorio Emanuele II, a 2732 metros de altitude, e daí até praticamente aos 3 mil metros, aos pés do imponente Gran Paradiso ... embora perdendo alguns desistentes pelo caminho; restaram 4 "heróis": este carola das fragas, dois filhos e um sobrinho...J. Mas depois da descida e apesar do esforço da caminhada ... ainda houve energias para uma "guerra" na tenda dos 4 jovens, todos entre os 11 e os 15 anos...J!
Deixando para trás os altos cumes dos Alpes, seguiu-se Turim ... e a Côte d'Azur. A 7 e 8 de Agosto
Monte Carlo, 8.08.1993
Na Camargue selvagem, 11.08.1993
Há vida na Camargue
Há vida na Camargue
estávamos em Nice e em Monte Carlo, e a 9 em Cannes e St. Tropez. E os dois dias seguintes foram dedicados à Camargue, o espectacular delta do Ródano, a "Doñana francesa". É um mundo de água e terra, de cavalos e bandos de aves aquáticas, numa planura a perder de vista.
O pog de Montségur, último refúgio cátaro, 13.08.1993
Últimas etapas deste périplo: a medieval Carcassonne, o pog de Montségur, último refúgio dos cátaros, Andorra e Barcelona, sem dúvida a mais monumental cidade espanhola ... mas também onde apanhámos a mais monumental tromba de água nas tendas...J!
15.08.1993: Barcelona ... quando
ficamos "de molho"...
Regresso pela Côte d'Azur, Andorra e Barcelona
A 17 de Agosto estávamos de regresso a casa. Santa Cruz completou o mês, como quase sempre.
A caminhada do Gran Paradiso no Wikiloc / Google Earth:
Englobando embora algumas actividades com alunos, como as descritas no capítulo anterior, a Primavera de 1993 foi caracterizada por "aventuras" em estilo familiar, e/ou com os amigos que, ao longo das fragas e pragas da vida, se iam tornando nos nossos fiéis confessores e companheiros. Ou não é esse o sabor da amizade e da vida?...
A 12 de Abril, poucos dias depois de regressados do Gerês, partíamos para Doñana com pais, filhos, tios, dois casais amigos e filhos dos amigos. Como várias outras vezes sucedeu ... eu ia fazer de "cicerone", mostrar-lhes os paraísos que já conhecera e dera a conhecer...J! E, claro, lá ficámos no camping "Rocío
Camping Rocío Playa, Matalascañas, 13.04.1993
Playa", em Matalascañas, uns em bungalows e outros, os tios, na respectiva autocaravana. Ponto alto, mais uma vez, a visita ao coração do Parque Nacional, nos jipões que nos levam a fazer 80 km sem estradas. Mas desta visita a Doñana, uma história ficou também para sempre gravada na memória de um dos nossos amigos...! O meu pai é, por natureza, uma pessoa "acelerada" e "despachada; no Palácio del Acebrón, quando íamos todos em amena cavaqueira, prontos a começar a ver a exposição temática ali patente ... vinham os meus pais já a descer a escada, com a exposição vista...J!
Camping Rocío Playa, 13.04.1993
>>>>
Estuário do Sado,
28.04.1993
Ainda em Abril, a 28, levava os alunos de Ecologia (10º Ano) à Reserva Natural do Estuário do Sado.
> >
Entretanto, o Clube de Áudio-Visuais da Escola, "morto" pela "doença" que vitimou a experiência pedagógica que os tinha criado ... tinha-me deixado o "bichinho" das montagens em vídeo, que havia de ficar até hoje. Todas as "aventuras" passaram a ter a sua "reportagem"...
Santa Cruz,
12.06.1993
A 11 de Junho passávamos 3 dias em Santa Cruz, com a mesma "equipa" de amigos. E a 28 de Junho, a Escola organizava um passeio de professores ... onde tantas vezes tinha levado já alunos: a costa da Arrábida, do Espichel ao Portinho.
A 6 de Março de 1993 estava a partir rumo à Serra da Estrela, com alunos ... como acompanhante. Efectivamente, a organização era, desta vez, do colega responsável pelo Clube de Áudio Visuais; a equipa
Serra do Caramulo,
6.03.1993
de professores era contudo a mesma. Com turmas que, neste caso, eram consideradas problemáticas ... esta saída de campo foi a prova provada de que, quando se faz algo mais do que cumprir programas e se dá liberdade com responsabilidade ... tudo corre sem problemas.
A caminho da Estrela, passamos primeiro pela Serra do Caramulo,
Objectivo pretendido: neve ... com fartura! Serra da Estrela, 6.03.1993
incluindo a visita ao respectivo Museu Automóvel. E, na Estrela, receberam-nos as instalações da velha Pousada de Juventude das Penhas da Saúde.
A manhã do dia seguinte foi dedicada às muitas brincadeiras na neve ... e o regresso ainda contou com um almoço na sempre simpática vila de Alpedrinha ... terra "adoptiva" de um dos professores da equipa.
Menos de um mês depois, em dia tradicionalmente dedicado à mentira, partia de verdade para mais uma actividade no Gerês, com alunos da disciplina de Ecologia. O Clube "Amigos da Natureza", tendo sobrevivido vários anos à morte da experiência pedagógica que o criou, foi perdendo condições para subsistir como tal, voltando as actividades de campo, como outras, a fazer-se no âmbito das turmas a cargo dos professores que as dinamizavam.
Esta sétima visita ao Gerês contou com a colaboração de dois novos professores nestas "andanças" ... um deles pouco mais velho que os alunos...J. Pitões das Júnias e as Sr.as Marias voltaram a receber-nos, depois da também habitual visita a Tourém. E de novo a neve brindou as terras do Barroso durante a nossa estadia, para gáudio de quem nem queria acreditar no que via, ao acordar em terras de Pitões.
Desta vez, trocámos o Vidoeiro pela Pousada de Juventude de Vilarinho das Furnas. E à chegada, no final da tarde do dia 2, o pessoal teve uma grata surpresa: a Pousada ... até tinha Discoteca! Foi uma festa! Não foi festa foi o tempo: o dia 3 de Abril de 1993 foi dos dias mais chuvosos de que há memória no Gerês. Não chegámos sequer a fazer o percurso completo da Geira romana ... recolhendo assim mais cedo à Pousada de Juventude.
O dia 4 era o regresso a casa...
Tal como 89, e pelas mesmas razões, 1992 foi um ano complicado. A maioria dos refúgios e "escapadelas" foram familiares. Na escola, com o Clube "Amigos da Natureza", o ano foi nitidamente um ano "morno": apenas duas actividades de campo ... uma delas de apenas um dia. Eram as fragas e pragas do destino...! Aliás ... um jovem agrupamento musical, procurando a fusão entre a tradição portuguesa e as sonoridades celtas, lança em 1992 o seu primeiro álbum ... que inspirou o título deste blog! Sebastião Antunes, mentor do que no fim da década de 80 tinham sido os "Peace Makers", lança em 1992 o primeiro álbum da "Quadrilha", intitulado ... "Contos de Fragas e Pragas".
De lendas perdidas do pó das pedras ou de contos aprendidos à lareira quase apagada, nasceu uma boa parte da inspiração para este trabalho que dedicamos, com um abraço forte, a quem acredita na nova música popular portuguesa.
(Sebastião Antunes, "Contos de Fragas e Pragas")
A minha paixão pela Natureza começava a alimentar-se também da música tradicional, das "lendas perdidas no pó das pedras", de contos aprendidos em lareiras quase apagadas. A música popular traduz as tradições, a cultura, as memórias de um povo, música, tradições e memórias sem as quais se perde a identidade cultural, a alma desse mesmo povo. À medida que aumentava e amadurecia a minha paixão pela
Natureza, pelo mundo rural, pelos grandes espaços naturais, começava a amadurecer também a minha paixão pela música folk, pelos grupos e bandas que, um pouco por todo o lado, faziam e fazem excelentes trabalhos de recolha, divulgação e revivificação da música tradicional, ou popular. Por inerência dos meus locais "de eleição", esse meu conhecimento foi-se aprofundando fundamentalmente em relação aos grupos do norte e centro da Península Ibérica, com especial relevo para os grupos portugueses, claro, bem como do "arco celta" que vai da Galiza à Cantábria, passando pelo norte de Leão e de Castela.
Mas regressemos a 1992 ... o ano do "Contos de Fragas e Pragas". No dia 22 de Fevereiro, faço com os "Amigos da Natureza" uma marcha pedestre na Serra de Sintra, de comboio na ida e na vinda. Mês e meio depois, a 9 de Maio, levo-os também à Arrábida, para um acampamento de fim de semana que incluiu a subida ao topo do Formosinho, o ponto mais alto daquelas paragens.
Acampamento na Arrábida ...
... 9.05.1992
Entretanto, a rodagem de um novo VW Golf foi o mote para um passeio pelo Alentejo, no último dia de Junho. E, precisamente 20 anos depois ... voltei aos campos da Godinha, onde em 1972 tinha estado no campo de trabalho da apanha de tomate.
A 20 de Julho iniciámos umas férias em família. À beira do Rio Alva, os apartamentos do Camping de S. Gião deram descanso e ar puro. De lá, voltámos a Piódão e à Serra da Estrela. E, numa fase de muitas e tortuosas "fragas", terminámos mais uma vez em Santa Cruz.