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segunda-feira, 28 de junho de 1993

De Doñana em versão familiar ... a Santa Cruz, Estuário do Sado ... e Arrábida

Englobando embora algumas actividades com alunos, como as descritas no capítulo anterior, a Primavera de 1993 foi caracterizada por "aventuras" em estilo familiar, e/ou com os amigos que, ao longo das fragas e pragas da vida, se iam tornando nos nossos fiéis confessores e companheiros. Ou não é esse o sabor da amizade e da vida?...
A 12 de Abril, poucos dias depois de regressados do Gerês, partíamos para Doñana com pais, filhos, tios, dois casais amigos e filhos dos amigos. Como várias outras vezes sucedeu ... eu ia fazer de "cicerone", mostrar-lhes os paraísos que já conhecera e dera a conhecer...J!  E,  claro,  lá  ficámos  no camping "Rocío
Camping Rocío Playa, Matalascañas, 13.04.1993
Playa", em Matalascañas, uns em bungalows e outros, os tios, na respectiva autocaravana. Ponto alto, mais uma vez, a visita ao coração do Parque Nacional, nos jipões que nos levam a fazer 80 km sem estradas. Mas desta visita a Doñana, uma história ficou também para sempre gravada na memória de um dos nossos amigos...! O meu pai é, por natureza, uma pessoa "acelerada" e "despachada; no Palácio del Acebrón, quando íamos todos em amena cavaqueira, prontos a começar a ver a exposição temática ali patente ... vinham os meus pais já a descer a escada, com a exposição vista...J!

Camping Rocío Playa, 13.04.1993
Estuário do Sado,
28.04.1993
Ainda em Abril, a 28, levava os alunos de Ecologia (10º Ano) à Reserva Natural do Estuário do Sado.
 
Entretanto, o Clube de Áudio-Visuais da Escola, "morto" pela "doença" que vitimou a experiência pedagógica que os tinha criado ... tinha-me deixado o "bichinho" das montagens em vídeo, que havia de ficar até hoje. Todas as "aventuras" passaram a ter a sua "reportagem"...
Santa Cruz,
12.06.1993
A 11 de Junho passávamos 3 dias em Santa Cruz, com a mesma "equipa" de amigos. E a 28 de Junho, a Escola organizava um passeio de professores ... onde tantas vezes tinha levado já alunos: a costa da Arrábida, do Espichel ao Portinho.
10 de Março de 2011

domingo, 4 de abril de 1993

Das Serras do Caramulo e Estrela ... ao Gerês...

A 6 de Março de 1993 estava a partir rumo à Serra da Estrela, com alunos ... como acompanhante. Efectivamente, a organização era, desta vez, do colega responsável pelo Clube de  Áudio Visuais;  a  equipa
Serra do Caramulo,
6.03.1993
de professores era contudo a mesma. Com turmas que, neste caso, eram consideradas problemáticas ... esta saída de campo foi a prova provada de que, quando se faz algo mais do que cumprir programas e se dá liberdade com responsabilidade ... tudo corre sem problemas.
A caminho da Estrela, passamos primeiro pela Serra do Caramulo,
Objectivo pretendido: neve ... com fartura! Serra da Estrela, 6.03.1993
incluindo a visita ao respectivo Museu Automóvel. E, na Estrela, receberam-nos as instalações da velha Pousada de Juventude das Penhas da Saúde.
A manhã do dia seguinte foi dedicada às muitas brincadeiras na neve ... e o regresso ainda contou com um almoço na sempre simpática vila de Alpedrinha ... terra "adoptiva" de um dos professores da equipa.

Menos de um mês depois, em dia tradicionalmente dedicado à mentira, partia de verdade para mais uma actividade no Gerês, com alunos da disciplina de Ecologia. O Clube "Amigos da Natureza", tendo sobrevivido vários anos à morte da experiência pedagógica que o criou, foi perdendo condições para subsistir como tal, voltando as actividades de campo, como outras, a fazer-se no âmbito das turmas a cargo dos professores que as dinamizavam.
Esta sétima visita ao Gerês contou com a colaboração de dois novos professores nestas "andanças" ... um deles pouco mais velho que os alunos...J. Pitões das Júnias e as Sr.as Marias voltaram a receber-nos, depois da também habitual visita a Tourém. E de novo a neve brindou as terras do Barroso durante a nossa estadia, para gáudio de quem nem queria acreditar no que via, ao acordar em terras de Pitões.


Desta vez, trocámos o Vidoeiro pela Pousada de Juventude de Vilarinho das Furnas. E à chegada, no final da tarde do dia 2, o pessoal teve uma grata surpresa: a Pousada ... até tinha Discoteca! Foi uma festa! Não foi festa foi o tempo: o dia 3 de Abril de 1993 foi dos dias mais chuvosos de que há memória no Gerês. Não chegámos sequer a fazer o percurso completo da Geira romana ... recolhendo assim mais cedo à Pousada de Juventude.
O dia 4 era o regresso a casa...
7 de Março de 2011

sexta-feira, 24 de julho de 1992

1992 ... um "ano morno"

Tal como 89, e pelas mesmas razões, 1992 foi um ano complicado. A maioria dos refúgios e "escapadelas" foram familiares. Na escola, com o Clube "Amigos da Natureza", o ano foi nitidamente um ano "morno": apenas duas actividades de campo ... uma delas de apenas um dia. Eram as fragas e pragas do destino...! Aliás ... um jovem agrupamento musical, procurando a fusão entre a tradição portuguesa e as sonoridades celtas, lança em 1992 o seu primeiro álbum ... que inspirou o título deste blog! Sebastião Antunes, mentor do que no fim da década de 80 tinham sido os "Peace Makers", lança em 1992 o primeiro álbum da "Quadrilha", intitulado ... "Contos de Fragas e Pragas".

De lendas perdidas do pó das pedras ou de contos aprendidos à lareira quase apagada, nasceu uma boa parte da inspiração para este trabalho que dedicamos, com um abraço forte, a quem acredita na nova música popular portuguesa.
(Sebastião Antunes, "Contos de Fragas e Pragas")

A minha paixão pela Natureza começava a alimentar-se também da música tradicional, das "lendas perdidas no pó das pedras", de contos aprendidos em lareiras quase apagadas. A música popular traduz as tradições, a cultura, as memórias de um povo, música, tradições e memórias sem as quais se perde a identidade cultural, a alma desse mesmo povo. À medida que aumentava e amadurecia a minha paixão pela
Natureza, pelo mundo rural, pelos grandes espaços naturais, começava a amadurecer também a minha paixão pela música folk, pelos grupos e bandas que, um pouco por todo o lado, faziam e fazem excelentes trabalhos de recolha, divulgação e revivificação da música tradicional, ou popular. Por inerência dos meus locais "de eleição", esse meu conhecimento foi-se aprofundando fundamentalmente em relação aos grupos do norte e centro da Península Ibérica, com especial relevo para os grupos portugueses, claro, bem como do "arco celta" que vai da Galiza à Cantábria, passando pelo norte de Leão e de Castela.

Mas regressemos a 1992 ... o ano do "Contos de Fragas e Pragas". No dia 22 de Fevereiro, faço com os "Amigos da Natureza" uma marcha pedestre na Serra de Sintra, de comboio na ida e na vinda. Mês e meio depois, a 9 de Maio, levo-os também à Arrábida, para um acampamento de fim de semana que incluiu a subida ao topo do Formosinho, o ponto mais alto daquelas paragens.
Acampamento na Arrábida ...
... 9.05.1992
Entretanto, a rodagem de um novo VW Golf foi o mote para um passeio pelo Alentejo, no último dia de Junho. E, precisamente 20 anos depois ... voltei aos campos da Godinha, onde em 1972 tinha estado no campo de trabalho da apanha de tomate.

A 20 de Julho iniciámos umas férias em família. À beira do Rio Alva, os apartamentos do Camping de S. Gião deram descanso e ar puro. De lá, voltámos a Piódão e à Serra da Estrela. E, numa fase de muitas e tortuosas "fragas", terminámos mais uma vez em Santa Cruz.
5 de Março de 2011
S. Gião, Rio Alva, 21.07.1992
Piódão, 22.07.1992
Serra da Estrela, 23.07.1992

quinta-feira, 29 de agosto de 1991

Do Gerês à Costa Vicentina

Março de 1991. Nova "geração" de alunos tinha-se estreado, em Dezembro, nas "andanças" e "aventuras" do Clube "Amigos da Natureza", na Tapada de Mafra. Gente muito novinha, basicamente de sétimos e oitavos anos sem grandes "percalços" escolares, falar-lhes em 4 dias no Gerês ... era falar-lhes numa história em que dificilmente imaginavam poder participar! Mas, no dia 19 de Março, dia do pai, juntamente com a já habitual "equipa" de professores ... lá fizemos de pais e mães de mais um grupo "expedicionário" às terras do Gerês! Pela 6ª vez...!
Casa-abrigo do Vidoeiro, Gerês, 19 de Março de 1991
O circuito escolhido não podia ser muito diferente do já tantas vezes realizado com outros grupos. Mas desta vez começámos pela zona das Caldas do Gerês, alojando-nos, mais uma vez, nas camaratas do Vidoeiro, cujo salão foi, também mais uma vez, ponto de encontro de cantorias e de divertimentos.
A Barragem de Vilarinho da Furna, o percurso da geira romana, os marcos miliários, tudo fez as delícias dos muitos que pouco mais conheciam do que o perímetro casa-escola. O almoço foi nas piscinas naturais do rio Homem ... e até houve aventureiros que mergulharam naquelas águas geladas e verde-azuladas.
O autocarro do Parque Nacional foi-nos buscar à Portela do Homem. Contei-lhes a história de que anteriores grupos de alunos não tiveram transporte tão cómodo...J! Seguiu-se a Pedra Bela e a Cascata do Arado. A processionária do pinheiro chamou-lhes a atenção ... e deu o mote a uma "aula" sobre parasitas e infestantes.
E depois de um jantar na vila do Gerês, o serão foi à chama da fogueira no cruzamento do Vidoeiro. Por entre anedotas e cantigas ... aprende-se a localizar estrelas e constelações, fala-se da velocidade da luz, da viagem no tempo que é a simples contemplação do céu estrelado.
E o dia seguinte, 21 de Março, era Dia da Árvore. Mas, a caminho de Pitões das Júnias, o céu cinzento ameaçava chuva ... ou neve! Visitámos Tourém ... e no regresso ao Planalto da Mourela a neve começou a cair. Que festa para todos!
Almoçados na nossa boa amiga Srª Maria, as ruínas do Mosteiro de Pitões receberam o grupo ... debaixo de uma mistura de chuva e neve e de muito nevoeiro. O regresso foi assim antecipado, a deslocação à cascata tornava-se perigosa naquelas condições. E foi assim ao calor da lareira da "Casa do Preto" que passámos o fim de tarde e noite, ouvindo histórias perdidas no tempo, contando também àquela jovem gente a "aventura" da travessia da serra, feita dois anos antes com colegas deles. Mas o serão à lareira ainda proporcionou uma experiência de concentração e de "transmissão de energias", conduzida por uma aluna brasileira supostamente com essa capacidade. Outros, também artistas, deixaram o emblema dos "Amigos da Natureza" desenhado a canivete no madeiro da lareira da Srª Maria. O emblema perdurou ali durante largos anos, até à transformação da lareira e à substituição do madeiro. E no dia seguinte ... era o regresso.

Pouco mais de dois meses depois, a 28 de Maio de 1991, acompanhei uma actividade organizada pelo grupo de História da Escola, num passeio de bote fragateiro, no Tejo, seguido de visita aos moinhos de maré de Corroios e ao EcoMuseu do Seixal. Estando a componente natural e ecológica incluída ... eu tinha de estar lá...J! E dois dias depois estava a levar o Clube "Amigos da Natureza" para novas actividades. Pela primeira vez na Paisagem Protegida do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina,  percorremos  todo
Milfontes, 31.05.1991 - Emblema do Clube "Amigos da  Natureza"
o litoral, do Cabo de S. Vicente a Porto Covo. Na viagem para sul, dia 30 de Maio de 1991, subimos à Foia, ponto mais alto da Serra de Monchique e do Algarve, almoçando já em Sagres. No Cabo de S. Vicente, aliámos a natureza à história, na contemplação do mar impetuoso e na evocação dos Descobrimentos Marítimos.
Já quase verão, os primeiros banhos foram na praia da Arrifana e na Zambujeira do Mar, em cujo camping montámos as tendas para a primeira noite. Seguiu-se o Cabo Sardão e Vila Nova de Milfontes. O emblema do Clube tinha sido desenhado num grande pano branco que, entre estacas de madeira, se erguia orgulhoso na praia, identificando a nossa presença...J!
A segunda noite foi já em Porto Covo, frente à ilha do Pessegueiro. Assim, o dia seguinte (que viria a ser o último...) foi de caminhada até à vila, pelas falésias, e, também, na praia frente à ilha ... à qual ainda levei mais 4 "nadadores". Demos uma grande volta pela ilha, subimos à fortaleza ... mas não encontrámos o Pessegueiro na ilha...J!
Ao fim da tarde havia nuvens ameaçadoras. Vinha lá chuva. E o regresso seria no dia seguinte ... quase de certeza com as tendas encharcadas. Assim ... resolvemos levantar o acampamento e regressar antecipada-
mente ... com a promessa de que viriam todos passar a noite em minha casa...J! E assim foi. Já passava da uma da manhã quando os "Amigos da Natureza" "acamparam" na minha garagem e sala, espalhados por colchonetes, cobertores, etc...J! Foi uma noite memorável! Ouvimos música, vimos filmagens de "aventuras" anteriores ... e vimos o Sol nascer sobre o Tejo! A propósito de filmagens ... as nossas técnicas iam evoluindo, com novos equipamentos adquiridos pelo Clube de Audiovisuais, como ilustra o exemplo ao lado. As legendas e créditos finais (mesmo sobre as imagens do "acampamento" em minha casa...) já não precisavam de ser escritas em folhas de acetato...J!

O verão de 1991 foi marcado pelo desaparecimento de um meu carismático Tio, irmão de meu Pai, a quem muito estava ligado. São as fragas e pragas também da vida. Quanto às oscilações da minha companheira, uma estabilidade não duradoura, mas significativamente melhor que em 89, permitiu umas férias relativamente calmas, com um regresso a Valença do Minho e à casa dos amigos que nos haviam recebido naquele difícil verão. E no fim de Agosto ... Santa Cruz.

3 de Março de 2011