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sábado, 11 de agosto de 1990

De Gavarnie às brumas de Avalon...

Ao contrário do ano anterior, o verão de 1990 foi relativamente estável, permitindo sonhar com a reconstituição da "aventura gaulesa" interrompida 7 anos antes, com  o  assalto  em  Paris.  Assim,  a  19  de
Monasterio de Piedra, 19.07.1990
Cascata no Monasterio
de Piedra, 20.07.1990
Julho de 1990, estávamos de partida para França ... com os Pirenéus de permeio. Passada a fase do atrelado-tenda e da carrinha VW ... regressámos ao campismo em tenda...J!
A caminho dos Pirenéus, havia um monumento natural para conhecer: o Monasterio de Piedra, um "oásis" fabuloso no meio da meseta castelhana, entre Madrid e Zaragoza. O rio Piedra modelou a rocha, formando lagos, grutas e cascatas, por entre os densos, frondosos e frescos bosques.
Por Huesca e Ainsa, ao longo do já nosso bem conhecido vale do Cinca ... fomos matar saudades do Monte Perdido, embora só de passagem para França. E, nos Pirenéus franceses, o destino era Gavarnie, a mais famosa estância pirenaica da primeira metade do século XX.
Estar em Gavarnie é uma sensação indescritível. Apesar do peso do muito turismo, sente-se ali a ruralidade e a imponência da montanha. Na aldeia, estamos a pouco mais de 1300 metros de altitude, mas da aldeia vê-se a famosíssima cascata, a mais alta da Europa, com os seus 423 metros, despenhando-se das alturas do Circo de Gavarnie. Lá em cima, por trás do Circo, está o Monte Perdido ... e o Lago de Marboré, onde dois anos antes havia subido com os alunos, a partir do vale de Pineta!
À "sombra" do Monte Perdido, lado espanhol, 21.07.1990
E do lado francês, em Gavarnie, 22.07.1990
E ... aí vamos a pé à famosa Cascata de Gavarnie, 22.07.1990
Cascata de Gavarnie, 22.07.1990
Próximo do Puerto de Bujaruelo, sob a Brecha de Rolando, 22.07.90

Em Gavarnie, é obrigatório fazer a caminhada até ao Circo e à Cascata; são pouco mais de 10km, ida e volta. E é outro local "mágico", onde nos sentimos pequenos, onde nos sentimos parte da Natureza, da montanha que nos rodeia. Mas também é "obrigatório" ir até ao Col de Bucharo (em francês), ou Puerto de Bujaruelo (em espanhol), precisamente na linha de fronteira entre os dois países. As panorâmicas são espectaculares para ambas as vertentes; e não estamos longe da mítica Brecha de Rolando.
19 anos depois voltaria a Gavarnie, com o meu grupo de Caminheiros. E, precisamente pelo Puerto de Bujaruelo, atravessaríamos os Pirenéus a pé, no sentido França - Espanha.

A 23 de Julho estávamos a deixar para trás os Pirenéus ... viajando para norte. Uns dias em Tours, nas sempre belas margens do Loire, depois Paris. Desta vez não fomos assaltados ... e para quem "foge" das cidades e tanto ama o campo, a montanha, a água, o verde ... Paris é talvez a cidade simultaneamente mais acolhedora e imponente que conheço. Incluindo o Parque Asterix ... que fez as alegrias dos 4 viajantes...J!
Mas o destino principal deste périplo ... eram terras de brumas e mistérios: as terras da Normandia e da Bretanha. Em Arromanches, Omaha Beach, Utah Beach, Cherbourg ... sentimo-nos viver a epopeia do desembarque aliado, iniciando a libertação da Europa do jugo nazi. E pouco depois do célebre Monte de St. Michel ... entrámos em terra bretã.
Praias da Normandia, 1.08.1990 - A memória do Dia D
Pôr do Sol próximo de Vauville, 1.08.1990
Monte de St. Michel, 2.08.1990
Costa norte da Bretanha, 2.08.1990
A Bretanha é de certo modo um lugar mágico. Nas praias e nas falésias agrestes da costa ... quase recuamos 1500 anos no tempo, vendo desembarcar hordas de bretões, acossados pelos anglo-saxões na ilha da Grande Bretanha. Por entre as "brumas de Avalon" ... quase vemos chegar o Rei Artur e as suas tropas. Ou, recuando ainda mais no tempo ... assistimos aos grandes construtores dos megalitos "mágicos" que povoam estas terras de bruma.

A costa selvagem do oeste da Bretanha, 5.08.1990
Notre-Dame-des-Naufragés,
P.te du Raz, 5.08.1990
Marie-Jeanne-Gabrielle
Entre la mer et le ciel
Battu par tous les vents
Au raz de l'océan
Ton pays
S'est endormi
Sur de belles légendes
Illuminant son histoire
Gravées dans la mémoire
Des femmes qui attendent
Les marins
D'île de Sein
P.te du Raz, frente à ilha de Sein ... a ilha de todas as lendas
("Marie-Jeanne-Gabrielle", do álbum "Marines", Tri Yann)

À volta da baía de Douarnenez e, principalmente, na Pointe du Raz, o vento, o mar e a bruma envolviam-nos nas lendas e na música bretãs. A ilha de Sein não se via, a lendária ilha de Is muito menos ... mas víamos, talvez, aquela Marie-la-Bretonne, ou a Marie-Jeanne-Gabrielle esperando os marinheiros da ilha de Sein...
Seguiu-se Carnac e o seu núcleo megalítico. Segundo o nosso júnior ... Obélix faria melhor...J! Depois ... foi descer toda a costa ocidental francesa, até às Landes ... e à Ibéria.
Carnac, 6.08.1990 - Obélix faria melhor...J!
Campismo na floresta das Landes, 8.08.1990
Baía de San Sebastian, País Basco, 10.08.1990


E no dia 11 de Agosto ... chegávamos a Santa Cruz, para, como habitualmente ... passar o resto das férias.
25 de Fevereiro de 2011

segunda-feira, 18 de junho de 1990

1990: Regresso a Doñana, S. Jacinto ... e Berlengas

1990! Tínhamos entrado na última década do século! Com o Clube "Amigos da Natureza", os próprios alunos escolhiam agora os destinos onde todos íamos, em conjunto, viver e partilhar a Natureza, as áreas protegidas da nossa Península Ibérica. O programa de actividades era delineado por todos, de acordo com as idades e as experiências anteriormente vividas. A equipa de professores tornava-se  também  mais unida,
Praia de Matalascañas, 20 de Fevereiro de 1990
constituindo um núcleo dinamizador. E da colaboração com o Clube de Áudiovisuais resultou não só a consolidação de amizades, mas também o início das "brincadeiras" em vídeo: as nossas "aventuras" passaram a ser filmadas!
A 20 de Fevereiro de 1990, estava assim a partir pela 4ª vez, com alunos, rumo ao Parque Nacional de Doñana: 4 dias de são convívio, observação e aprendizagem, com alunos ... desde o 7º ao 12º ano! Um dos alunos deste grupo era aliás ... o filho mais velho do autor destas linhas, no seu primeiro ano na Escola Secundária de Sacavém (7º Ano de escolaridade).
Acampámos no já velho conhecido Camping Rocío Playa, permitindo o tradicional fogo de campo e convívio nocturno, na praia. O Clube tinha pedido a eventual colaboração da Câmara de Loures, para esta e outras actividades ... colaboração que veio sob a forma de salsichas, assadas na fogueira da primeira noite na praia...J!
El Acebuche, Doñana, 21.02.1990 - à porta do Centro
Esta visita a Doñana ficaria também assinalada por uma alegre e divertida "canção", composta pelos alunos e dedicada aos professores, que se tornaria "célebre" durante todas as actividades seguintes dos "Amigos da Natureza". O refrão rezava assim:

Olhem só a cambada
com que a gente se meteu!
É Roques p'ra cá,
Callixtos p'ra lá,
e Boavida, é o que isto dá,
e mais um Canhão...
p'ra aumentar a confusão

E a música propriamente dita:

Aí vem o Roque,
o Roque da pequenada;
parece chanfrado
mas no fundo não é nada...
É o Roque, Roque da pequenada!
Roque, Roque, Roque...
Roque da pequenada!

Agora o Callixtinho,
tão pequenininho,
tem uma passada
que não lhe chega a nada.
É o Callixto...
o nosso Callixtinho!


No fim, seguia-se o refrão ... e ainda a estrofe à direita:
Aí vem o Canhão,
com o seu bonezinho.
Toca bem violão,
é um coroa enxutinho.
Canhão ... bum!
É o nosso Canhãozinho!

Há um bem baixinho
e mais caladinho.
É bom na bebida:
é o prof Boavida!
Ai sim, sim, sim, sim...
isto é que é vida!

Ai que Boavida
é esta a dos "Profes"
Começa nos Callixtos...
e acaba nos Roques



Esta deslocação a Doñana foi ainda objecto ... do primeiro "documentário" em vídeo das actividades de campo realizadas na Escola Secundária de Sacavém, pela mão do Clube de ÁudioVisuais. A "Canção dos Profes" ... pode portanto ser vista e ouvida.

Dois  meses depois,  a 22  e  23 de Abril  de 1990,  estávamos na Reserva  das  Dunas de S. Jacinto,  em
Dunas de S. Jacinto, 23.04.1990
Chapim na mão do guia de S. Jacinto
modalidade inédita: um carro particular e uma carrinha VW alugada! Éramos apenas 14 ... 10 rapazes, 2 raparigas e 2 professores. Receberam-nos as já conhecidas camaratas da casa-abrigo. E mais uma vez novos alunos conheceram aquela área protegida. Com as explicações do guia, ficaram a conhecer os chapins, os mergulhões, várias espécies de patos, visitaram a estação de recuperação de aves de rapina.

E, a 14 de Junho, voltava a estar de partida da Escola, com os "Amigos da Natureza" ... rumo às Berlengas. A base foi no Parque de Campismo de Peniche, onde passámos três noites. Como "prémio" de final do ano lectivo, esta actividade foi fundamentalmente de praia para aquela rapaziada ávida, mas fizemos o percurso pedestre de volta à Península de Peniche, do Baleal ao Cabo Carvoeiro e deste de regresso à vila, incluindo a visita ao Forte, de tenebrosas memórias. Junto ao Cabo, o Santuário dos Remédios lá estava ... recordando-me a estadia feita 17 anos antes ... acampado à porta da amada...J!
A caminho da Berlenga, 17 de Junho de 1990
Berlenga à vista!
A Berlenga também mereceu a volta à ilha, claro. As gaivotas com as suas crias já então eram donas e senhores. A maioria dos alunos não conhecia aquele pedaço de Portugal afastado da costa, tendo ficado maravilhados com tudo ... menos com os balanços do velho "Cabo Avelar Pessoa"!
Ao fim destes 4 dias, as vivências e a camaradagem entre todos ficaram, como sempre, nas memórias.

23 de Fevereiro de 2011

sábado, 16 de dezembro de 1989

O vento das Cíes...

Em Março de 1989, com o Clube "Amigos da Natureza", tínhamos feito a maior "aventura" de sempre até aí. Aquela travessia do Gerês e aquele acampamento no Mezio ... foram históricos! Mas seguiram-se tempos difíceis; o destino lançaria nuvens negras sobre os 10 anos seguintes da minha vida. Tempos em que a companhia e o apoio dos Amigos foram, também, fundamentais. Por vias e formas diferentes, os alunos - tanto os meus como os da minha "colega" e companheira - estiveram, também eles, entre esses amigos.
15.06.1989 - Portalegre, do castelo
Com oscilações entre fases depressivas e fases de euforia extrema, mas os intervalos entre as crises tinham de permitir aqui e ali alguns escapes, algum contacto com a "minha" Natureza.
No impacto inicial, o verão de 1989 foi o mais difícil. Em Junho, a  "Quinta
Quinta do Galo, Junho de 1989
do Galo", um monte de um casal amigo, próximo de Portalegre, foi o primeiro "retiro"; depois, em Agosto, foi Valença do Minho, com o apoio dos amigos da "aventura Sahariana", na casa que, em Dezembro de 1986 ... tínhamos ido de UMM ver as obras.
E, a partir de Valença ... voltámos às ilhas Cíes, aquele autêntico paraíso natural onde tínhamos estado 9 anos antes e onde, querendo ... quase podíamos estar longe dos problemas, no espaço e no tempo. Podia ser que as fragas abruptas da costa norte e o vento d'as Cíes * levassem as pragas más...
Praia de Moledo, com o Monte de Santa Tecla ao fundo, Agosto 1989
A caminho das ilhas Cíes, Agosto 1989
A abrupta costa norte das Cíes
Na praia da ilha principal, ilhas Cíes
Depois, a "velha" Santa Cruz foi também "retiro", no fim de férias. E em Setembro iniciei "sozinho" novo ano lectivo, já que a minha companheira só retomaria o serviço, sem mais interrupções ... 10 anos depois.
Mas ainda em 1989, a 16 de Dezembro, finalizando o primeiro período escolar, organizei uma visita à Arriba Fóssil da Costa da Caparica e ao Parque Natural da Arrábida, para os mais jovens elementos do Clube "Amigos da Natureza".

* - Alusão ao grupo de gaiteiros galego "Vento das Cíes" (anos 50) e à faixa do mesmo nome do álbum "Mayo Longo", de Carlos Núñez (2002)

22 de Fevereiro de 2011

domingo, 19 de março de 1989

Do Gerês a Castro Laboreiro ... com um gélido acampamento na Serra do Soajo

15 de Março de 1989, Casa-Abrigo do Vidoeiro, Gerês. A extraordinária "aventura" da travessia da Serra do Gerês tinha acabado há pouco. Desde a "aldeia mágica" de Pitões das Júnias, pelos píncaros serranos e pelas Minas dos Carris, tínhamos percorrido sensivelmente 41 km; os pés e as pernas acusavam-nos...
Sobre a Barragem da Caniçada, 16.03.89
No castelo do Lindoso, 16.03.1989
Mas ... esta digressão pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês estava apenas no começo! No dia seguinte, partimos de autocarro rumo à zona central e ocidental do Parque Nacional. A Serra Amarela vigiava a nossa progressão. Ainda tinha alimentado levemente a ideia de fazer a ligação Portela do Homem - Lindoso, pela serra ... mas depois da travessia do Gerês acabada de realizar ... convenhamos que seria demasiado exigente para as pernas daquela jovem gente. Por ironias do destino, só vim a fazer essa travessia ... 21 anos mais tarde!
A visita ao Lindoso foi, assim, mais ou menos "turística". O Castelo e o conjunto de típicos espigueiros receberam o grupo, bem como as espectaculares panorâmicas sobre o vale do Lima, com a Serra do Soajo do outro lado ... para onde nos dirigíamos.
Castelo do Lindoso, 16.03.1989
Conjunto de espigueiros do Lindoso, 16.03.1989
    
E assim acampámos duas noites no "Parque de Campismo" do Mezio, em plena Serra do Soajo. As condições não eram muitas (diríamos mesmo que nenhumas...), mas permitiam sentir ... aquela "agradável orvalhada matinal no blastóporo"! Mais à frente perceberão a origem desta citação...J!
Mezio, Serra do Soajo, 16.03.1989
O grupo na "porta" do Parque Nacional, no Mezio, 17.03.1989
Acampamento no Mezio, 17.03.1989
Acampamento no Mezio, 17.03.1989
Durante o quase dia e meio no Mezio ... quase "vivemos" como druidas, recordados pela presença da Anta do Mezio e conjunto megalítico, ali bem perto de nós. Mas também metemos pés ao caminho e fizemos os 7 km que nos separavam do Soajo ... até mesmo para aquecer, já que aqueles dias de Março quiseram deixar bem claro que o Inverno não tinha ainda acabado: de manhã, ao acordarmos, o pano das tendas estava firme e hirto, qual chapa sólida, com a humidade transformada em placas de gelo! Mesmo assim, um tanque próximo servia para as higienes matinais ... e para alguns divertimentos!
Na anta do Mezio, 17.03.1989
No tanque do "Parque de Campismo"...
E no dia 18 ... metemos o autocarro ao caminho, em direcção à Senhora da Peneda e a Castro Laboreiro. Passámos a aldeia de Adrão ... e as panorâmicas iam-nos enchendo as vistas. A leste, percebem-se os vales dos rios Peneda e Laboreiro; para lá da mistura das águas é terra galega. E continuámos por Tibo, Rouças e Gavieira, por uma estrada que, na altura, era ainda quase integralmente de macadam. Mas o nosso "maquinista", Sr. Américo ... era realmente "um espectáculo". Já "velho" conhecido de anteriores "aventuras", parece que estou a ouvi-lo dizer ... "eu com o professor Callixto vou a todo o lado"...J! E fomos! Fomos ao Santuário da Senhora da Peneda e, de lá, a Castro Laboreiro.
18.03.1988 - Aldeia de Tibo (em baixo, à esquerda) e o vale da Peneda,
com a Penameda ao fundo, à esquerda
No Santuário da Senhora da Peneda
Em Castro Laboreiro, claro que era obrigatória a caminhada ao castelo e às muitas fragas "misteriosas" que o rodeiam. O quinto dia desta jornada pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês estava a terminar. No sexto, e último ... havia que regressar.
Na "tartaruga" de Castro Laboreiro, 18.03.1989
No cimo do castro de Castro Laboreiro, 1036m alt., 18.03.1989
Castelo de Castro Laboreiro, 18.03.1989
Em fim de jornada, o grupo no Castelo de
Castro Laboreiro, 18.03.1989
Esta "aventura" por terras do nosso único Parque Nacional, ficaria para sempre gravada nas memórias de todos. Pela "grande travessia" da Serra do Gerês, pela imponência das paisagens vividas e sentidas, pela grandeza das vivências na serra, nas aldeias, no nosso "campismo" - onde quase íamos congelando... - pela espectacular camaradagem e solidariedade ... por tudo.
Histórico ficou também um "discurso", lido ao microfone do autocarro e posteriormente escrito e assinado pelos alunos do 12º ano ... e que faz luz sobre as citações utilizadas acima...J:

Queridos e prezados colegas, professores e Sr. Américo:

É com profunda e solene saudade que chegou a hora da despedida. Uma hora fúnebre que nos toca profundamente a alma e que escurece grandes espíritos como os nossos.
O pragmatismo excursionista e o tecnocratismo horárico tão peculiar e profundamente marcante da personagem Calistiana, revelou-se numa hegemonia estética e inoperante sobre o fantasma da anarquia e da confusão mefistofélica.
Desde os inopinados 55 Km*, vencendo tão imponentes barreiras geo-biológicas e, quiçá, obstáculos neuro-psíquicos, descobri-mos a arte de vencer os receios intrínsecos, brotando de dentro das nossas almas adormecidas o espírito pedestre, e permitiu os relutantes devaneios do prazer do rendez-vous.
Agradecemos profundamente a experiência altamente promíscua e selvagem do pseudocampismo e o belo prazer de mictar e defecar ao ar livre, sentindo uma agradável orvalhada matinal no blastóporo. Isto sem falar no singelo prazer de nos sentirmos rodeados da agradável companhia de excrementos semi-ressequidos de artiodáctilos.
Concluímos que o saldo foi francamente positivo (agora para atinar), embora algo friorento, e o “maquinista”, Sr. Américo, é um espectáculo.

P.S.: É com profunda mágoa que não desfrutamos da presença super-heróica do Zé-man, no entanto acreditamos cegamente na sua omnipresença, visto que foi avistado várias vezes a cruzar o céu à velocidade da luz, sendo apenas visível o seu rasto de infravermelhos.

Temos dito ! ...

(*) Na altura, ficou na ideia que teríamos feito cerca de 55 km a pé, na travessia do Gerês; a realidade corresponde contudo a cerca de 41 km

As fragas e pragas do destino lançariam contudo nuvens negras sobre os 10 anos seguintes da minha vida. Pouco depois desta "aventura", a minha companheira de tantas fragas vividas começou a manifestar distúrbios psicóticos, no quadro do que hoje se chama doença bipolar. Foram anos difíceis, outro tipo de fragas a vencer, até atingir a desejada estabilidade, 10 anos depois ... e sem "garantias vitalícias". Mas nada na vida é vitalício...

19 de Fevereiro de 2011