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terça-feira, 27 de julho de 1982

Quatro meses depois ... regresso ao Gerês!

Para  além da  primeira  visita com alunos ao Parque Nacional da Peneda-Gerês,  a  Primavera  de 1982  foi
Abril de 1982 - o Rui em Santa Cruz
preenchida com o "baptismo" de Santa Cruz do nosso segundo pimpolho. Já em Junho, voltámos a acampar no Portinho da Arrábida (com alunos e colegas de Sacavém) e no Guincho, onde o "rebento" se estreou no atrelado-tenda.
E, no início das férias de 1982, a caminho como veremos do norte peninsular ... voltámos ao Gerês! A atracção permanente estava consolidada! Além disso, na altura não leccionando ainda na mesma escola, a minha "sócia" não tinha participado na visita com alunos, 4 meses antes.
Passámos assim 3 dias nas agora já nossas bem conhecidas Pedra Bela e Cascata do Arado, mas alargando o raio até Castro Laboreiro e ao Santuário da Senhora da Peneda. A estrada da Peneda para sul, para o Mezio e Soajo ... era ainda uma aventura.
Pedra Bela, Gerês, 24 de Julho de 1982
Barragem da Caniçada vista da Pedra Bela, 24.07.1982
Nas rochas junto à Cascata do Arado, 24.07.1982
Senhora da Peneda, 25 de Julho de 1982
Estrada Senhora da Peneda - Mezio, 25.07.1982
Garranos próximo do Mezio, 25.07.1982
O pimpolho mais velho, então com 4 anos, teve aqui o seu primeiro grande "banho" de Natureza, inclusive nalguns pequenos percursos pedestres, junto à cascata do Arado e na própria vila do Gerês, no Parque Tude de Sousa.
Caldas do Gerês, Parque Tude de Sousa, 26 de Julho de 1982
Conjunto de miliários romanos na encosta galega, 27.07.1982
Esta "romagem" ao Gerês, contudo ... foi apenas o início das férias de 1982...
2 de Fevereiro de 2011

segunda-feira, 22 de março de 1982

E levo os meus alunos ao Gerês...

Em 1975 descobri o Gerês, pela mão do Professor Carlos Almaça. Quando, dois anos depois, iniciei a minha carreira docente ... prometi a mim mesmo que tinha de levar lá os meus alunos! E assim foi: entre 1982 e 2001, organizei 12 visitas ao Parque Nacional, de Castro Laboreiro a Pitões das Júnias, com grupos de alunos do 7º ao 12º ano de escolaridade. Privilegiando sempre os percursos a pé, muitos foram os trilhos percorridos, as fragas galgadas, as experiências vividas e partilhadas, transmitindo conhecimentos e
Parque de campismo do Vidoeiro, Gerês, 19.03.1982
ensinamentos, à mistura com convívio e sã camaradagem ... como eu aprendera a viver. Afinal ... ainda só tinham passado 10 anos desde que eu saíra dos bancos do Passos Manuel...

A primeira "aventura no Gerês" decorreu de 19 a 22 de Março de 1982, com as turmas de 8º ano que comigo tinham ido à Arrábida no ano anterior. O velho parque de campismo da Albergaria - onde
Chamas, noite, alegria, juventude...
havia ficado em 1975 - já tinha sido encerrado, pelo que acampei com parte dos alunos e uma professora no então recente parque do Vidoeiro, enquanto que outra  professora  e  os  restantes
Mata da Bouça da Mó, 20 de Março de 1982
alunos se instalaram na Pensão Baltazar, na vila. Mas todos os dias, à noite, reuníamo-nos perto do parque de campismo, à volta da tradicional fogueira, entoando cantigas, contando estórias, vivendo a juventude que era a deles ... mas também ainda a nossa.
O autocarro levou-nos ao S. Bento da Porta Aberta, a Covide, a S. João do Campo. A barragem de Vilarinho das Furnas espelhava a Serra Amarela.  E,  a  pé,  subimos a geira romana,
Piscinas naturais no rio Homem
extasiados, alunos e professores, com a imponência da vegetação, das águas, da história que parecia brotar dos marcos miliários, daquela Natureza que nos rodeava e nos fazia sentir pequenos. Da ponte de S. Miguel, o rio Homem convidava-nos ao sonho.
Pouco depois, chegávamos à fronteira da Portela do Homem ... onde nos esperava um "confortável" transporte do Parque Nacional, para nos levar de regresso ao Vidoeiro e ao Gerês.
No transporte do Parque Nacional... :-)
Miradouro da Pedra Bela, 21.03.1982
Nesta primeira "aventura", não podiam faltar dois locais emblemáticos: as grandes panorâmicas da Pedra Bela ... e a cascata do Arado, palco, esta última, de uns excelentes banhos naquele primaveril dia 21 de Março de 1982, dia mundial das florestas ... em que começava a Primavera.
Ponte do Arado, 21 de Março de 1982
Nas piscinas naturais da Cascata do Arado, 21.03.1982
Aspectos da Cascata do Arado, 21 de Março de 1982
Quando saímos do Gerês, no dia 22, vínhamos seguramente todos mais ricos. Mas ... não era um adeus, era só um até breve!...
22 de Março de 1982 - Despedida do Gerês ... até para o ano!
1 de Fevereiro de 2011

quinta-feira, 20 de agosto de 1981

Em busca dos verdes castros...

Vale de Espinho, Agosto de 1980
Depois das viagens feitas com os pais, na adolescência, os anos 80 assinalariam o regresso às "aventuras" além-fronteiras. Em 1980 e 1982, percorremos toda a Galiza, Astúrias, Cantábria e País Basco; a magia das terras do norte peninsular começava a atrair-me!
Assim, a 6 de Agosto de 1980, partimos de Vale de Espinho para uma volta à Galiza. Este primeiro périplo revelar-nos-ia logo uma natureza bastante virgem; os vales dos rios Minho e Eo, por exemplo, mostravam-nos paisagens que pareciam saídas de contos de fadas ... ou das muitas figuras da mitologia celta.
O rio Minho próximo de Chantada, 7 de Agosto de 1980
Rio Eo, 7 de Agosto de 1980
Ribadeo, na "fronteira" Galiza / Astúrias, 7.08.1980
El Barquero, na costa norte da Galiza, 8 de Agosto de 1980
Mas se a zona montanhosa e os vales do interior galego nos mostraram essas belas paisagens, o litoral não lhe fica atrás. O mítico Fisterra, o fim da terra galega, era um local que há muito queria conhecer.
10.08.1980 - No "fim do mundo" ...
... Fisterra, o fim da terra galega!
Chegar a Santiago de Compostela é sempre uma sensação "mágica". A Praça do Obradoiro, naquele dia 10 de Agosto de 1980, rejubilava de gente ... e de música. Naquela altura ainda pouco desperto para a música folk ibérica, a magia que vinha de uma das muitas lojas perto da praça tocou-me logo fundo; viria a saber, mais tarde, que se tratava da "Fis terra", do então recém editado 2º álbum dos Milladoiro.
Vigo, praia de Samil: a magia das ilhas Cíes, 12.08.1980
Depois, descendo a "costa da morte", as Rías Baixas ofereciam-nos panorâmicas de excepcional beleza. Mas, sempre à procura do menos conhecido, do mais selvagem ... tínhamos de ir ao paraíso natural das ilhas Cíes, em frente de Vigo e Baiona. Mais tarde classificadas como Parque Nacional das Ilhas Atlânticas da Galiza, estas ilhas são um autêntico santuário de fauna e flora, destacando-se inúmeras espécies de aves marinhas, como o albatroz e o corvo marinho.
Este primeiro tour  galego  terminou num dos locais onde a cultura celta mais vestígios deixou: o Monte de Santa Tecla (ou Tecra), frente a Caminha e à foz do "nosso" Minho.
No paraíso natural das ilhas Cíes, 13 de Agosto de 1980
E a foz do Minho, do alto do Monte de Sta Tecla, 14.08.1980
Esta primeira xira pelas terras e pela Natureza galega desde logo me cativou. A própria língua, a música e as tradições galegas, rapidamente transformaram essas nossas terras gémeas em paixão ... alargada dois anos depois às restantes comunidades do norte da Península Ibérica. A Galiza e o norte de Portugal são pobos irmaus, porque...

No fondo da ialma
do noso pobo,

Santa Cruz, Agosto de 1980 - Adeus
Armando ... onde quer que estejas!
latexa a forza dun mundo novo.
Por eso queremos cantar...

("Fuxan os Ventos", grupo folk galego)

E o fim de férias deste primeiro ano da década de 80 foi, de novo, em Santa Cruz, mais uma vez com os amigos do Arquivo de Identificação ... agora já todos com filhos...J!
Também com eles, em Janeiro de 1981 vivi a ruralidade de duas aldeias do concelho de Proença-a-Nova - Vale de Urso e Galisteu - de onde um dos casais era natural.

No ensino, em Novembro de 80 e em Fevereiro de 81 a Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais e a Comissão Nacional do Ambiente proporcionaram-me dois cursos de formação e actualização; velhos tempos...! Entretanto, tinha regressado à "minha" Escola Secundária de Sacavém, já como professor do quadro de efectivos. E, nesse longínquo ano de 1980/81, comecei a acompanhar uma turma que seguiria quase intacta do 7º ao 11º ano! Em 27 de Maio de 1981, mais uma visita ao Parque Natural da Arrábida assinalaria a primeira de muitas "aventuras" vividas com esses alunos.
27 de Maio de 1981, em visita de Estudo à Arrábida
Litoral da Arrábida, 27.05.1981
A Nauticampo de 1981 "ofereceu-nos" uma nova modalidade de desfrutar da Natureza: comprámos um atrelado-tenda. Estreado em Julho no Parque de Campismo do Guincho, as férias de 1981 foram nele; umas férias por terras alentejanas, Vale de Espinho, Serra da Estrela, Viseu, Aveiro e Santa Cruz. No parque de campismo do Fontelo, em Viseu, uma trovoada monumental ia sendo responsável ... pelo nascimento antecipado do nosso segundo filho ... que nasceria em Novembro...J!
Serra da Estrela, 12.08.1981 - Estrada Manteigas - Torre
Parque de Campismo de S. Gião, 14.08.1981
1 de Fevereiro de 2011

sábado, 1 de março de 1980

Os primeiros anos de ensino

1977 / 78 foi o primeiro ano lectivo da minha carreira,  após  o  estágio.  E,  já com um filho,  claro  que  tudo
16.07.1978 - Num dia de festival aéreo ... nova forma de ver
Santa Cruz e toda a costa, da Ericeira às Berlengas!
concorreu para que se seguissem alguns anos "mornos", em termos de "aventuras" e do sempre  desejado  contacto com  a  Natureza.  As
Agosto de 1978 - o João em Santa
Cruz ... em contacto com a Natureza...J!
férias dividiam-se entre San-ta Cruz - de novo com os amigos feitos no Arquivo, meu primeiro emprego - ou acampando, na Arrábida, no Guincho, onde se proporcionava.
17.08.1978 - De novo no Portinho de Arrábida
19.08.1978 - No Tejo, de regresso da Arrábida
Só em fins de 78, início de 1979, surgiu a carta de condução e o primeiro carro. O "ensaio" ... tinha de ser numa área protegida, numa comunhão natural! A Reserva Natural do Estuário do Tejo era a que estava mais próxima.
22.04.1979 - Em Pancas, Estuário do Tejo
22.04.1979 - a estreia natural do 1º automóvel...J!














Nas aulas, claro que as saídas de campo continuavam, fermentando as grandes excursões que mais tarde viria a organizar. As arribas fósseis do litoral da Caparica, até ao Cabo Espichel - e a "velha" Arrábida, claro - foram destino de várias destas saídas de campo, sempre num misto de aprendizagem e de são convívio entre todos, alunos e professores ... como me ensinara o Ribau.
26.05.1979 - Cabo Espichel, com alunos do 8º ano
02.06.1979 - Cabo Espichel, com alunos do 10º ano














Nas primeiras férias "automobilizadas" ... "corremos" para Vale de Espinho!  Mais ar puro,  mais Côa,  mais
Em Vale de Espinho, no Freixial,
em amena cavaqueira - 05.08.1979
Malcata, mais verde ... mais vida! Mas infelizmente, ao fim de poucos dias, tivemos de bater em  retirada,  já que o nosso pimpolho resolveu entrar em "greve da fome"...L!
É por esta altura que um biólogo, como nós, e que bem conhecíamos dos tempos da Faculdade, lança a famosa campanha "Salvemos o Lince e a Serra da Malcata". A campanha e os estudos de Luis Palma sobre a espécie conduziriam à criação da Reserva Natural da Serra da Malcata, da qual contudo, infelizmente, o lince acabou mesmo por desaparecer.

Saídos "às pressas" de Vale de Espinho, rumámos a sul; o rebento precisava de praia ... e lá rumámos aos Algarves. 5 anos depois da última "aventura", quem havia de encontrar na praia de Lagos? O meu "guia" de tanto do que eu fui e sou na vida ... o Dr. Ribau! E os velhos tempos lá vieram à conversa, as recordações reavivaram-se. Que será feito de toda aquela boa gente dos campos, que sempre nos recebeu de braços abertos, quando nos instalávamos próximo, para "desvendar os buracos" das suas terras? Tinham sido realmente belos tempos, dias excepcionais, recordações que o tempo não apagará nunca da memória!
À "conquista" dos Algarves, Agosto de 1979
Praia de Portimão, Agosto de 1979
Ponta da Piedade, Lagos, Agosto de 1979
Parque de Campismo de Milfontes, Agosto de 1979













No ano lectivo de 1979 / 1980,  passei  ao  quadro efectivo  de  uma  escola  secundária  ...  na  "terra  dos
Acção de Educação Ambiental para a
Escola do Entroncamento, 1.03.1980
fenómenos". Mas, se a minha efectivação no Entroncamento me obrigava a quase 4 horas de comboio diárias ... por outro lado proporcionou-me o contacto diário com a beira-Tejo, com o espectáculo grandioso do nascer do Sol sobre os mouchões, por vezes com o voo dos flamingos a preencher um cenário que me passou a ser familiar.
Para a Escola do Entroncamento, organizei a primeira de três acções sobre Educação Ambiental, para professores, dinamizadas pela então Comissão Nacional do Ambiente (CNA). A sessão de campo foi na Barragem do Castelo do Bode ... e na "minha" Serra d'Aire.
30 de Janeiro de 2011