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sábado, 14 de agosto de 2010

O Parque Nacional da Peneda - Gerês em chamas,
no trágico mês de Agosto de 2010

Nos primeiros dias de Setembro de 2009, tinha chorado pela tragédia que se abateu sobre o concelho do Sabugal, inclusive nas terras de Vale de Espinho. Em 2010, ainda nos Açores, a 7 de Agosto começo a ouvir notícias de uma calamidade que se viria a revelar trágica: o Parque Nacional da Peneda - Gerês estava em chamas! A praga dos incêndios florestais e as mãos criminosas que todos os anos os provocam iriam, em Agosto de 2010, transformar aquelas "minhas" terras sagradas em cenários dantescos.
Vale e Mata do Cabril, 15.08.2010
(Foto do blogue "Portugal Nature")
Regressado dos Açores, é principalmente no refúgio de Vale de Espinho que assisto, de longe, à tragédia que iria devorar vastíssimas zonas essencialmente da Serra do Soajo e da Serra Amarela; que assisto à guerra de informação e desinformação que a comunicação social veiculava; que procuro acompanhar, por fontes fidedignas, o evoluir da situação no terreno, inteirando-me da completa descoordenação de forças operacionais, da completa incompetência das instituições que tinham a obrigação de há muito ter prevenido a catástrofe, do completo desconhecimento dos (ir)responsáveis de gabinete do que se estava a passar e, muitas vezes, de onde se estava a passar. Mais do que nunca ... este foi um país do "faz de conta"...
Muito mais do que através dos jornais ou televisões, passo aqueles dias de Agosto a acompanhar a tragédia através dos diversos blogues e sítios na net de outros apaixonados pelo Gerês, que lá vivem perto, que estavam a viver a catástrofe por dentro, a sofrer in loco como eu tinha sofrido em Setembro do ano anterior. Apenas para citar alguns exemplos de entre os que mais acompanhei, os blogues "Carris" e "Monte Acima" fizeram um excelente trabalho de informação, com pontos da situação por vezes de hora a hora. Também o site "bordejar" e o blogue "Portugal Nature" acompanhou a triste realidade que se abateu sobre o nosso único Parque Nacional. Permito-me transcrever algumas frases retiradas do post de 14 de Agosto do blog "Monte Acima":

"Das Caldas até à Calcedonia, passando pela barragem de Vilarinho até Brufe, Germil, Soajo, Cabril... tudo preto! As manchas verdes são agora a mais rara e fugidia virtude do PNPG!
Toda a zona da (ex) Amarela virada à albufeira, até Brufe e Germil o cenário é quase pós nuclear, preto, preto, preto e mais preto... Ao longe as enormes colunas de fumo a sair do Mezio e do Soajo e depois outra coluna de fumo tão ou mais espessa a sair da Mata de Cabril.
Antes ainda, na zona do Vidoeiro (toda a encosta Oeste está queimada) o fumo continuava a sair por entre as árvores já queimadas e onde apenas a largura da estrada tinha, na noite anterior, separado o fogo das casas.
.....
Chegados a Entre Ambos os Rios, as colunas de fumo do Soajo e Mezio preenchiam o ceu, a do Soajo era qualquer coisa de assustador, enorme, de fumo preto e com labaredas visiveis a km´s, preenchiam a sua base.
.....
Paragem seguinte: onde desse para ver alguma coisa da Mata de Cabril... só possivel no viaduto sobre o Rio Cabril já junto à fronteira. O fumo era tão ou mais assustador que no Soajo, só diferente na cor, menos preto mas sempre com as labaredas visiveis no pouco que se conseguia "espreitar".
.....
quem conhecia o PNPG já não conhece!"
A 27 de Agosto, o "Público" noticia que "Durante o mês de Agosto arderam 8162 hectares no Parque Nacional da Peneda-Gerês, correspondendo a 11,7 por cento da área total daquela área protegida."
12.06.2010, Serra Amarela  /  A 12 de Agosto publico esta foto no Facebook, com a legenda ... " Esta paisagem já não existe ! "
A Serra do Soajo foi fustigada sucessivas vezes. A zona da Calcedónia foi devorada, dobrando mesmo o fogo a serra e passando para a encosta sobre a barragem da Caniçada. Diversos focos surgiram no Gerês, nas zonas de FafiãoLapela. Mas a Serra Amarela e, particularmente, a mata do Cabril, da albufeira de Vilarinho da Furna ao Ramisquedo e descendo deste ao vale do Cabril, foi talvez a área mais martirizada. A Mata do Cabril esteve mais de 15 dias a arder!
A paisagem que eu respirei na minha caminhada solitária de Maio, a paisagem que, com os Caminheiros, havíamos visto e vivido 2 meses antes, durante a TransGerês, a paisagem que nos havia levado ao minuto de silêncio em louvor à Natureza ... tinha deixado de existir! Como é possível? Em que país vivemos?...

Anacronicamente, escrevo e publico este post quando mais uma vez as chamas deflagraram no Parque Nacional da Peneda-Gerês! Ontem e hoje, um incêndio de origem quase seguramente criminosa consumiu áreas de mato na Serra da Peneda. Mais uma vez, o blogue "Carris" esteve e está em cima do acontecimento.
17 de Setembro de 2011

terça-feira, 4 de maio de 2010

Polos camiños do fín da terra ... e das terras de Montemuro à Serra Amarela

Com  os amigos  a que chamávamos o  "grupo dos sete"  e  depois dos  cruzeiros no  Douro, das terras de
Ria de Muros, 10.04.2010
Freixo de Espada-à-Cinta, de um Outono na raia e de uma Primavera em Somiedo, em Abril de 2010 rumámos a Santiago de Compos-tela e às terras galegas de Fisterra, da costa da morte e das rías baixas. De 8 a 11 de Abril ... esta xira galega proporcionou-nos o relembrar das belas paisagens celtas da Galiza.
Uma semana depois estávamos no Algarve, com os Caminheiros Gaspar Correia, numa actividade de fim de semana que contou com duas belas caminhadas, na Serra de Monchique e no litoral de Portimão
. 
Os camiños do fín da terra entran polo mar adentro!   Cabo Fisterra, fim da terra galega, 10.04.2010
Montemuro, 1.05.2010

Nos primeiros dias de Maio rumámos à Serra de Montemuro ... e ao Gerês! Para Junho, eu ia ser responsável, nos Caminheiros, por uma actividade em cada uma daquelas serras, para parte das quais se impunha um reconhecimento prévio. Nos dois primeiros dias de Maio, eu, a "sócia" e dois outros caminheiros fizemos esse reconhecimento em Montemuro ... para ainda na tarde do dia 2 nós dois seguirmos de Montemuro para o Gerês; vantagens de estarmos ambos em "férias eternas"... J. 
Aldeia abandonada de Levadas, Montemuro, 1.05.2010
Os "guardiões" da aldeia de Levadas... J
Cume da Serra de Montemuro (1382m alt.), 2.05.2010

No Gerês, tomámos Lobios como base. Lobios, no Xurés galego, é uma excelente base para qualquer ponto do Gerês, já que fica perto de tudo. E viemos a conhecer nesta xira o seu excelente Hotel Lusitano; com óptimo serviço e excelentes preços, o Lusitano passou a ser a nossa base de referência ... e até para o grupo de Caminheiros, das duas vezes que já lá os levei. E sabe sempre bem conhecer a história do avô paterno dos seus actuais gerentes, que procedente do vizinho concelho de Amares foi trabalhar nas minas das Sombras e por ali se radicou. Assim nasceu, por iniciativa daquele português e duma galega de Lobios, a Fonda Lusitano, como também é conhecido ainda hoje.
Sobre o vale do Cabril, Serra Amarela, 3.05.2010
O objectivo desta deslocação ao Gerês era fazer um reconhecimento na Serra Amarela, com vista à caminhada complementar da travessia do Gerês, prevista como actividade extra para o mês seguinte. Tive inicialmente prevista a travessia no sentido Portela do Homem - Lindoso, pelo que no dia 3 de Maio fizemos uma caminhada ao longo do vale do Cabril, partindo do estradão do Muro e tentando chegar aos geodésicos do Rebordo e da Louriça. As características e a inclinação do terreno e da vegetação não me aconselharam contudo a levar o grupo por ali, mesmo tratando-se de uma caminhada extra. Ainda subimos à Louriça, mas como descer sempre pelo estradão seria monótono, teria de encontrar alternativas.
E as alternativas foram-se esboçando no dia seguinte. Deixando o carro na Portela do Homem, fiz uma caminhada solitária na Serra Amarela, subindo à Chã da Broca, Cruz do Touro, Ruivas e Ramisquedo. Que caminhada fabulosa! Os Caminheiros não podiam perder aquela maravilha! E do Ramisquedo avancei até ao ponto onde havia estado na véspera, no estradão que desce da Louriça, já que ainda não tinha posto de lado a ideia de, no mês seguinte com o grupo, completar a travessia até ao Lindoso.
Serra Amarela, à vista da albufeira de Vilarinho da Furna, 4.05.2010
Serra Amarela, 4.05.2010 (clique para ver o álbum completo)

Mas, naquele dia, havia que voltar à Portela do Homem. Procurando sempre não repetir caminho, contornei as Ruivas pelo sul, desci ao vale do Azevinheiro, voltei a subir já a leste da Cruz do Touro e, depois de um pequeno troço comum, desci o estradão do Cortado do Calvo, com espectaculares panorâmicas sobre a albufeira de Vilarinho das Furnas.
O programa estava delineado para a actividade caminheira dos feriados de Junho...
6/09/2011

terça-feira, 10 de junho de 2008

... e no Parque Nacional da Peneda - Gerês

De 7 a 10 de Junho de 2008, levei os Caminheiros Gaspar Correia ao Parque Nacional da Peneda-Gerês. Já os tinha levado a dois dos meus três "berços": a Malcata e Somiedo. Faltava o Gerês!
Mas a organização de uma actividade para a minha "família" Caminheira implicava algumas dificuldades e desafios: por um lado, a maioria dos percursos mais belos e "selvagens" implica uma extensão e/ou um grau
Chã do Monte, Serra da Peneda, 7.06.2008
de dificuldade que não é acessível a diversos elementos do grupo; por outro lado, o acesso às zonas mais recônditas dificulta ou inviabiliza de todo as deslocações em autocarro. Assim, naquela actividade, quis dar-lhes de certo modo uma amostragem das diversas zonas do Parque Nacional, nas suas duas principais vertentes: a paisagística e natural (a fauna e flora típicas, a geologia) e a etnográfica (a ruralidade, as tradições, a cultura). Para aqueles 4 dias, elegi 4 caminhadas em áreas distintas do Parque Nacional: a Serra da Peneda, a Serra do Soajo, o vale da Teixeira, como "postal" da Serra do Gerês, e, por fim, em área limítrofe, a Ponte da Misarela.
Pouco depois da hora do almoço do dia 7 de Junho, estávamos assim em plena Serra da Peneda, para fazer a travessia da branda da Bouça dos Homens à Senhora da Peneda, pela Chã do Monte e descendo junto à fraga da Meadinha. Uma caminhada curta, de menos de 5 km, mas fabulosa, baseada na caminhada que eu havia feito em Março de 2007.


Começando sensivelmente aos 1000 metros de altitude, ascendemos por um carreteiro por onde antes passavam os carros de bois que ligavam a Bouça dos Homens à Senhora da Peneda. Rapidamente o carreteiro transforma-se num antigo caminho de pé-posto, de romeiros devotos à imagem da Senhora da Peneda.  Dois  quilómetros depois  (e já acima dos 1100 metros),  estávamos aos pés da  Penameda,  com
A caminho de Bostelinhos, Serra do Soajo, 8.06.2008
uma panorâmica que se estende da branda que deixámos para trás ao vale da Gavieira, a sul. Aí começou a descida, aproximando-nos da Chã do Monte; esta represa servia uma mini-hídrica que, há anos atrás, fornecia a energia eléctrica ao povoado da Peneda. Cruzado o lago, a descida é espectacular, observando-se lá no fundo a igreja e o aldeamento da Peneda, assim como, do lado esquerdo, a Fraga da Meadinha, procurada por inúmeros escaladores nacionais e estrangeiros.
O Hotel da Peneda recebeu-nos nessa noite, para no dia seguinte rumarmos à Serra do Soajo, por Rouças, Tibo e Adrão, direitos ao núcleo megalítico do Mezio, onde íamos iniciar a 2ª caminhada: do Mezio à branda de Bostelinhos e desta a Vilela de Lajes e Boimo.
Iniciámos o trilho por entre um bosque misto de vidoeiros, pinheiros bravos, pinheiros silvestres e cedros, que rapidamente nos conduziu a um planalto coberto de vegetação rasteira, constituída por urzes e tojos.


Ao alcançarmos uma pequena elevação, a panorâmica abre-se até ao rio Lima e a Arcos de Valdevez. Iniciámos então uma descida por um carreteiro que nos conduziu a Vilela de Lajes, para depois seguirmos para montante da ribeira de Vilela por um denso bosque de carvalhos. Seguiu-se a subida para Bostelinhos; ao alcançar os primeiros cortelhos do lugar, atravessámos a ribeira e entrámos na branda, onde invertemos caminho em sentido descendente, por entre os socalcos,  para  atravessarmos novamente
Barragem da Caniçada, da Pedra Bela, 9.06.2008
a ribeira de Vilela, à beira da qual almoçámos. Depois, do rústico e bucólico lugar de Vilela de Lajes, a partir do núcleo de espigueiros, seguimos por um caminho que, por entre muros de pedra solta, nos conduziu até ao pequeno lugar de Boimo … onde nos esperava o autocarro, na estrada para Arcos de Valdevez. As duas noites seguintes foram na Pousada de Juventude de Vilarinho das Furnas. Na porta do Parque Nacional, visitámos a exposição etnográfica alusiva à aldeia "perdida" de Vilarinho da Furna.
Mas a caminhada mestra desta actividade com os Caminheiros foi a do dia 9 de Junho. Ligando dois dos pontos mais turísticos do Gerês - o miradouro da Pedra Bela e a Cascata do Arado - levei o grupo ao coração da Serra do Gerês, a um dos mais recônditos e desconhecidos lugares deste paraíso natural: o vale da ribeira de Teixeira!
Por entre pinhais, começámos por acompanhar parte do PR3, até ao Curral da Carvalha das Éguas, onde os horizontes se abrem para oeste, numa panorâmica que tem por pano de fundo as alturas da Junceda e da Calcedónia. Continuando a ziguezaguear em permanente sobe e desce (mais sobe do que desce…), o nosso destino inflectiu depois para leste. Já acima dos 1000m de altitude … eis que os nossos olhos descobrem o autêntico "Shangri-la" do vale da Teixeira. Como no “Horizonte Perdido” de James Hilton ... "o tempo parece deter-se em ambiente de paz e felicidade". Aqui habitualmente pastam garranos em liberdade. E, como pano de fundo, por trás do vale, a mole imensa do maciço do Borrageiro.
Descida para o Shangri-la do Vale da Teixeira, 9.06.2008
Descida a encosta e atravessada a ribeira,  estávamos  junto  à cabana que me havia protegido  em  Março.
Prado e cabana da Teixeira, local de almoço, 9.06.2008
Foi aí o almoço ... e foi aí também a opção para quem quis aventurar-se a subir ao Borrageiro! Em Março não tinha chegado ao Borrageiro, devido à chuva, mas tinha o registo GPS da descida com o CAAL, em Julho de 2005. Um grupo de quase 20 "destemidos" seguiu-me então pelo vale da Teixeira, subindo ao Curral do Camalhão e deste à Chã da Presa. No início da subida, ainda junto ao rio do Camalhão, por momentos perdi o trilho ... e obriguei os meus seguidores a um "aventuroso" corta-mato ascendente... J! Contudo, mesmo depois de reencontrado o trilho, o grupo teve algumas "baixas". Da Chã da Fonte ao Borrageiro já só éramos 14 ... que às 14:40h daquele dia 9 de Junho "conquistámos" os 1430 metros de altitude do Borrageiro.
Subida ao Borrageiro, 9.06.2008
Os 14 "destemidos" no cume do Borrageiro, 1430m alt., 9.06.2008
A panorâmica do alto do Borrageiro é sempre espectacular, estendendo-se das serras da Peneda, Soajo e Amarela, a oeste, às moles graníticas do Gerês, a leste e nordeste; para sul e sueste, o maciço das Rocas, próximo, e a serra da Cabreira, ao fundo.
Cascata do Arado, 9.06.2008
Regressando ao Camalhão e ao prado da Teixeira, reunimo-nos com os que tinham ficado no repouso, seguindo depois caminho rumo ao Arado. Uma vez chegados à "mariola gigante" … dava-nos vontade de voar! Atrás de nós, para norte, tínhamos o vale da Teixeira, o "Shangri-la" acabado de atravessar; aos nossos pés, para sul, a vertente abrupta do vale do Arado. Ziguezagueando ao longo de cerca de 2 Km, ora nos aproximávamos das primeiras "piscinas" e cascatas do rio Arado, ora cruzávamos pequenos afluentes, como a Corga da Giesteira. Lá em baixo, começámos a ver a ponte do Arado ... e estávamos no final da caminhada!
Restava o quarto e último dia, 10 de Junho. Em dia de regresso a Lisboa, impunha-se uma caminhada curta. Programei a pequena caminhada de descoberta da Ponte da Misarela, em versão mais curta do que a que tínhamos feito em Março. Começámos na aldeia de Frades, abaixo de Ruivães, no vale do Cávado. Na outra margem, avistavam-se pequenas povoações da encosta sul do Gerês, como Fafião e Pincães. É um muito bonito troço rural, entre muros cobertos de musgos e campos de cultivo. Com pouco mais de 2 km percorridos, cruzámos a estrada e apontámos então à Ponte da Misarela, ou Ponte do Diabo, sobre o rio Rabagão, ligando terras minhotas a terras transmontanas … e contando-nos velhas lendas cheias de história, de crenças e de tradições populares, a que já aludi quando da primeira incursão, em Outubro de 2006.
Ponte da Misarela, ou do Diabo, 10.06.2008
As águas revoltas do Rabagão, junto à Ponte da Misarela
É tradição muito antiga nas populações circunvizinhas que, quando algo ia mal na gravidez, a mulher se dirigisse à ponte e debaixo dela pernoitasse, na expectativa de ajuda celeste para o seu problema. Na sequência da operação, a primeira pessoa que atravessasse a ponte no dia seguinte seria o padrinho ou madrinha da criança, à qual seria posto o nome de Gervaz, se rapaz viesse ao mundo, ou de Senhorinha, se de rapariga se tratasse. E isto para que, por obra e graça do pré-baptismo, a mulher tivesse um bom sucesso na sua gravidez.
A caminhada terminou em Sidrões. Uma boa costeleta barrosã foi o prato principal de um almoço que encerrou a actividade caminheira, despedindo-nos do Parque Nacional junto à estreita ponte sobre o rio Cávado, entre Sidrões e Cabril.
Despedida do Parque Nacional da Peneda-Gerês, 10.06.2008

15/08/2011

sábado, 28 de junho de 2003

Entre os fojos da Cabreira ... e do Gerês

Em Junho de 2003, a minha "colega" e companheira decide entrar igualmente nos Caminheiros Gaspar Correia. A ampulheta do tempo leva-nos os entes queridos, mas a vida continua ... e cada vez mais é para ser vivida! A 7 de Junho, partimos ambos para terras de Vieira do Minho, para uma actividade Caminheira de 4 dias, com duas caminhadas na Serra da Cabreira e uma terceira ... em terras do "meu" Gerês!


A primeira foi uma caminhada curta, de apenas 4 km, entre as aldeias serranas de Agra e Lamedo, ao longo do jovem rio Ave, aqui despoluído e bem límpido, que aliás permitiu saborosos e bem refrescantes banhos. Agora a dois, íamos ampliando e consolidando as amizades, na agora nossa família Caminheira!
No dia seguinte, o programa era o de uma espectacular caminhada de 19 km, na rota dos castanheiros da
Percursos na Serra da Cabreira, 7 e 8.06.2003
encosta sul da Serra da Cabreira. Começando próximo da aldeia de Pinheiro, contornámos a cabeceira do Ave e da ribeira da Laje, terminando em Agra, onde tínhamos começado a da véspera. E que espectaculares panorâmicas admirámos ao longo do percurso, ora atravessando as faldas da serra - com vestígios de velhos fojos de lobos - ora entre castanheiros seculares, ou cruzando pequenas represas que permitiam bons momentos de frescura.
No dia 9, mudámo-nos da Cabreira ... para o "meu" Gerês. E no "meu" Gerês ... claro que havia (e ainda há) muito para descobrir...! As fotos de grupo foram na "porta" de S. João do Campo, mas a caminhada começou na Carvalheira, num percurso cuja fase inicial me era completamente desconhecida ... e que me abriu perspectivas completamente novas sobre a barragem de Vilarinho da Furna. Paralelamente ao rio Homem, de SW para NE, chegámos à albufeira pouco antes da hora do almoço. Cruzando o paredão, seguimos a margem pelo lado norte ... e almoçámos na "praia" que em tempos foram os campos e lameiros da aldeia afundada! O dia convidava a banhos...


Mas esta era uma caminhada multiactividades...J! À tarde esperavam-nos diversas "aventuras". De novo
Percurso no Gerês, 9.06.2003
na margem sul da albufeira, nas faldas próximas ao Campo do Gerês, a organização tinha montado um esquema que incluía um cheirinho de escalada, rapel, slide, tiro ... e até uma sessão de karaoke, já no fim da actividade...J! O último dia foi o de uma visita a Guimarães, onde almoçámos ... e o regresso.

Pouco mais de duas semanas depois, em 28 de Junho, participo pela primeira vez no habitual "encontro gastronómico" dos Caminheiros, outra forma de o Grupo
Prémio "Caminheiro Revelação do Ano 2002 / 2003, 28.06.2003
se reunir, conviver, "agraciar" os mais assíduos, etc. Para minha surpresa ... recebo o prémio de "Caminheiro Revelação do Ano 2002 / 2003"! Uma lindíssima e original peça em pedra, de autoria de um dos veteranos do Grupo, que claro que guardo religiosamente. Mas mais ainda do que a originalidade da obra, é um símbolo da amizade e companheirismo que encontrei naquela "família".
2 de Junho de 2011

sábado, 28 de abril de 2001

Novas visitas a Doñana ... e ao Gerês!

No início do século XXI e do 3º milénio, as actividades de campo com alunos continuavam. Tendo optado por não renovar a orientação de estágios, tanto eu como a minha "colega" e companheira de vida tínhamos turmas de 10º ano, com um grupo de alunos mais uma vez prometedores para as "aventuras" já tradicionais na Escola Secundária de Sacavém. Eu tinha também os alunos do 11º ano que, no ano anterior, tinham ido ao Gerês. Os planos não foram portanto difíceis de delinear: estes últimos foram conhecer Doñana … e os do 10º ano foram conhecer as "terras mágicas" do Gerês...J
É assim que, de 8 a 10 de Março de 2001, o Parque Nacional de Doñana recebe mais um grupo de alunos. Nós dois e duas colegas novas na escola, acompanhamo-los ao longo desses três dias. Como habitualmente, o Camping Rocío Playa, em Matalascañas, foi o local de pernoita, desta vez nos bungalows, mas também o local das muitas brincadeiras e até, embora numa época do ano pouco propícia, dos banhos de mar.
O percurso pelo coração de Doñana, nos grandes jeeps da Cooperativa Marismas del Rocío, constituiu mais uma vez o principal motivo da visita, com um dos melhores motoristas/guias que já ali conheci. Mas fizemos igualmente os percursos pedestres de El Acebuche e de La Rocina, onde as aves aquáticas dominam as atenções.
No regresso, dia 10, entrámos por Vila Real de Santo António – onde ainda houve um "baile" de rua...J – e até a viagem para Lisboa foi bem animada, com excelentes "exibições" musicais e de dança, no autocarro … como se pode ver no vídeo...J!

Pouco mais de um mês depois, o 25 de Abril seria comemorado e cantado a caminho do Gerês, pelos alunos do 10º ano que, comigo e a minha "sócia", participaram no habitual programa de 4 dias naquelas terras de encanto. Tourém, o relógio de Sol, a fonte das solteiras,   o forno  comunitário.  Depois  … Pitões
Pitões das Júnias, 26.04.2001
das Júnias, o velho mosteiro perdido no vale do Campesinho, a cascata, a serra agreste e imponente como pano de fundo. E, claro … a “velha” Casa do Preto, a hospitalidade das Sr.as Marias, os sabores e os saberes transmitidos.
Descendo o Cávado, ao fim da tarde do dia 26 estávamos no Vidoeiro. As camaratas tinham sofrido algumas obras de restauro e melhoramento, recebendo o grupo nas duas noites seguintes. Num mês de Abril bastante ameno e soalheiro, esta terá sido a visita ao Gerês com maior número de banhos e de banhistas...J! Nas piscinas naturais do Rio Homem, na Cascata do Arado, nas piscinas sobre esta última, a caminho já do vale da Teixeira … que eu próprio só conheceria uns anos mais tarde. A tradicional subida a pé da geira romana, de Vilarinho da Furna à Portela do Homem, o não menos tradicional transporte do Parque Nacional para a Pedra Bela e Arado,
tudo terá ficado gravado nas memórias daqueles jovens … bem como a igualmente tradicional última noite, de brincadeiras, jogos, passatempos … e "levitação"...J
No último dia, o Parque Biológico de Gaia constituiu mais uma vez a quebra da monotonia da viagem de regresso a casa. Mas quis o destino que estas tivessem sido … as últimas vezes que levei alunos a Doñana e às "terras mágicas" do Gerês. Ao longo de 20 anos, tinham sido 12 "aventuras" no Gerês, que ficaram na história da Escola Secundária de Sacavém … e segura-mente na história e nas memórias de quantos nelas participaram.
 
18 de Maio de 2011

terça-feira, 27 de fevereiro de 2001

3º milénio! Por terras do Larouco ... e do Gerês

O relógio do tempo não pára! E, às 0h:00 do dia 1 de Janeiro de 2001 ... o mundo entrou no século XXI e no 3º milénio! Eu tinha vivido 47 anos e uns meses no século XX. Eu próprio me aproximava a passos largos do meio século...! Muitas fragas tinham ficado para trás ... mas eu queria e quero continuar a trilhá-las.
E as primeiras fragas do século XXI, os primeiros instantâneos de ar livre do 3º milénio, foram vividos "pela mão" da nossa então autocaravana, durante 4 dias de um Fevereiro frio e nevoso, por terras do Larouco ...
Livre como o vento ... Serra do Larouco, 25.02.2001
e do meu amado Gerês. Estes 4 dias tiveram também a particularidade da companhia do nosso herdeiro mais velho ... saudoso da companhia dos "papás" em "aventuras" de ar livre.
Assim, por Vila Real e Chaves, chegámos à raia transmontana, a Soutelinho da Raia e à mítica e mística Vilar de Perdizes. Pena é que não tenha sido em altura do célebre congresso de medicina popular. Depois, subimos aos 1525 metros da Serra do Larouco ... onde assistimos ao "baile" nos ares de vários praticantes de parapente. Ainda um dia gostava de voar assim, de preferência até em asa delta, livre como o vento, livre como as aves, vigiando das alturas as serras e os vales, os bosques e os rios a que pertenço!
Do Larouco descemos a Montalegre ... e rumámos ao Gerês! Desta vez não fomos a Pitões, fui e fomos conhecer pela primeira vez as aldeias serranas do sul do Gerês, Cela, Lapela, Cabril. Em Lapela, a velha "Casa Cabrilho" recorda-nos aquele nosso navegador e explorador do século XVI; 7 anos depois, em 2008, Lapela viria a ser a base para mais "aventuras" no Gerês "profundo", com os filhos, sozinho ... e nessa altura até já com os netos...
Descendo o Larouco, 25.02.2001
Lapela, Casa Cabrilho, 25.02.2001
Por Salamonde, Caniçada e Covide, chegámos ao Parque de Campismo da Cerdeira ... onde no dia 27 de Fevereiro acordámos com a neve a cair copiosamente. Sobre a barragem de Vilarinho da Furna, a Serra Amarela estava pintada de branco! Mas a então recente estrada de Brufe estava desimpedida. Conhecer Brufe e toda a imponência da encosta da serra foram mais uma vez, como tantos outros ... momentos de êxtase. No século XVIII, a população de Brufe estava isenta de fornecer soldados, palha e éguas, por estar encarregada de defender precisamente a área fronteiriça da Serra Amarela, protegendo a fronteira de qualquer ataque castelhano ... e pagando do próprio bolso a pólvora, balas e outros utensílios bélicos!
A Serra Amarela pintada de branco, 27.02.2001
Brufe, 27.02.2001
Por Germil,  chegámos ao vale do Lima,  e  daí subimos ao Mezio ...  lugar do histórico  acampamento  com
Sobre a barragem do Lindoso, 27.02.2001
alunos, no já longínquo ano de 1989! Claro que o Soajo e o Lindoso também foram pontos obrigatórios desta "peregrinação". E depois ... entrámos na Galiza, para subir, por Lobios, à fronteira da Portela do Homem.
Estrada Lindoso - Lobios, 27.02.2001
9 anos depois almoçaria aqui ... a pé e de mochila às costas
A descida para o Gerês foi debaixo de intenso nevão ... felizmente a tempo de a estrada permitir a passagem em condições de segurança. E ... acabava mais um périplo por terras nortenhas e do "meu" Gerês, de onde regressámos em viagem nocturna, naquele dia 27 de Fevereiro de 2001.
Estrada Portela do Homem - Gerês, 27.02

Pouco mais de 15 dias depois, a autocaravana estaria de novo em acção, mas apenas para um fim de semana no Porto, no velho parque da Prelada, com a "equipa" de amigos ... a que já chamávamos o "grupo dos seis"...! E em Abril voávamos para o Luxemburgo, numa jornada familiar mas que também incluiu momentos de ar livre e de Natureza. As margens vinhateiras do Mosela foram uns deles.
 
12 de Maio de 2011

sexta-feira, 28 de abril de 2000

E ... mais um regresso ao Gerês!

Regressado havia pouco mais de uma semana das terras mágicas de Somiedo, a 25 de Abril de 2000 parto ... para as terras mágicas do Gerês! Aos valles del oso e a Somiedo, tinha ido com os meus alunos do 11º ano e com turmas de Humanísticas. Mas eu estava de novo a orientar um núcleo de estágio, cujas turmas de 10º ano ... também precisavam de actividades de campo! Com apenas 3 professores - este "carola", a sua colega e companheira e uma das duas estagiárias - 40 alunos viveram portanto os habituais 4 dias no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
No primeiro dia, o destino habitual: Pitões das Júnias. Tal como Miguel Torga ...

"Gosto de rever certas paisagens, ainda mais do que reler certos livros. São belas como eles e nunca envelhecem. O tempo não degrada a linguagem que as exprime. Pelo contrário. Enriquece-a, até, num esforço de perfeição constante que, embora involuntário, parece intencional. (...)
E eu olho, olho, e não me canso de admirar uma placidez assim permanentemente movimentada (...)."
(Miguel Torga, Gerês, 3 de Agosto de 1959, Diário VIII)
Mais  uma  visita a  Tourém,  portanto,  à  sua fonte  das
Pitões das Júnias, sempre Pitões...   26.04.2000
solteiras, ao forno do povo, ao "alcatrão" cada vez menos derretido das ruas. Depois Pitões, a velha "Casa do Preto", as Sr.as Marias ... e a magia da serra. No dia seguinte de manhã lá fomos ao Mosteiro e à cascata, regressando a tempo de um saboroso almoço e de uma tarde a caminho do Gerês ... e da velha camarata do Vidoeiro, palco mais uma vez de brincadeiras e convívio.
E o programa do dia 27 também não foi diferente: o cenário de Vilarinho da Furna e do Rio Homem, a geira romana, a explicação dos marcos miliários, da orientação no campo, o viver os sons e os silêncios, o respirar daquela Natureza agreste.

Regresso às terras mágicas do Gerês, versão ano 2000
A Portela do Homem e as piscinas naturais ficaram gravadas em mais umas dezenas de olhos jovens, que a seguir desceram ao Vidoeiro, na carrinha do Parque Nacional, para subir à Pedra Bela, à Cascata do Arado, à aldeia de Ermida. Era a 11ª vez que levava alunos ao Gerês!...
Rio Homem, albufeira de Vilarinho da Furna, 27.04.2000
No Xurés galego, Portela do Homem, 27.04.2000
4º e último dia, 28 de Abril. Como em muitas das últimas visitas ao Gerês, o regresso incluiu o almoço e uma visita ao Parque Biológico de Gaia. E ao fim da tarde estávamos em Sacavém, com mais histórias para contar. Com esta visita ao Gerês, muitos destes alunos iniciaram aqui um ciclo que, nos anos seguintes, os levaria à Cordilheira Cantábrica e à Madeira ... mas antes ainda voltaria aos Açores com o grupo que tinha ido a Somiedo e aos valles del oso...
2 de Maio de 2011

sábado, 6 de março de 1999

Regresso ao Alvão e ao Gerês ... como orientador de estágio

No ano lectivo de 1998/1999 - 22 anos depois do Estágio Pedagógico, no então Liceu Padre António Vieira, e de me ter tornado professor - aceito uma proposta para orientar estágios do ramo educacional da Licenciatura em Biologia e Geologia. São então colocados 3 estagiários na Escola Secundária de Sacavém, sob minha coordenação, em estreita ligação com a Faculdade de Ciências de Lisboa.
Lamas de Olo (Alvão), 3.03.1999
Evidentemente que um dos valores que desde logo quis transmitir aos meus jovens estagiários, foi a concepção de escola aberta, de uma escola para além da escola, da íntima ligação com o mundo real e com a Natureza "apregoada" e "esquematizada" nos programas curriculares. Assim, no âmbito do núcleo de estágio, recuperámos a ideia do velho Clube "Amigos da Natureza", em que tanto as minhas turmas como as dos meus estagiários funcionaram como polo dinamizador de diversas actividades de campo, da Arrábida à Serra d'Aire, ao Alvão, ao Gerês ... aos Picos de Europa!
A primeira foi de 3 a 6 de Março. Destino: Alvão e Gerês! Turmas: 10º1A e 10º1C. Alguns destes alunos e alunas vinham de trás, tinham
Pitões das Júnias, 4.03.1999
sido meus no 7º e 8º anos, tinham participado nas "aventuras" na Tapada de Mafra e Serra d'Aire, em 95/96, e no Gerês em 96/97. Mais um conjunto de alunos que fez história na Escola ... e nas minhas recordações!
No dia 3 de Março de 1999, partíamos portanto para Trás-os-Montes, bem cedo, que o dia era longo. Primeira escala: o Parque Natural do Alvão. Numa tarde muito cinzenta e meio chuvosa, a aldeia "perdida" de Lamas de Olo parecia mais perdida ainda ... principalmente para olhos que nunca tinham visto aquele outro mundo. "É uma daquelas aldeias que parecem perdidas no tempo, com as ruas de pedra cobertas dos "presentes" das vaquinhas e das cabrinhas!! Estava imenso frio e uma chuva que até doía!! ......
Por volta das 18h45 chegámos a Pitões das Júnias, uma aldeia serrana, situada no planalto da Mourela, frente aos picos mais altos da Serra do Gerês, os Cornos das Alturas e... estava a nevar!! É verdade!! Alguns de nós nunca tinham visto nevar e pudemos confirmar que é uma experiência única!! Chegámos àquela aldeia serrana e deparámo-nos com um lindo manto branco que nos veio cumprimentar!!"
Regresso do Mosteiro de Pitões, 4.03.1999
(descrito por Cristiana Franco, aluna, no site do Clube "Amigos da Natureza", Março de 1999)

E mais uma vez a Sr.ª Maria, na sua "Casa do Preto", recebeu um grupo de alunos, a somar aos tantos outros que já lhe havia levado.
No dia 4 de manhã ... o espectáculo era grandioso. Tinha nevado toda a noite! "Ao abrirmos as janelas dos quartos, não podíamos ser surpreendidos com melhor espectáculo: as ruas, os telhados, os campos... tudo coberto de neve!! Completamente indescritível!!" (idem)
E foi sob pequenos nevões intervalados com pequenas abertas que descemos ao Mosteiro e à Cascata de Pitões. Um ou dois bonecos de neve ficaram durante algum tempo a marcar a passagem do nosso grupo...
Em tantas e tantas "aventuras", este foi o único ano em que tivemos de cancelar a visita a Tourém. A estrada que desce da Mourela àquela aldeia "perdida" estava completamente coberta pela neve. Tourém estava isolada. Assim, mais cedo do que previsto, descemos o curso do Cávado, em direcção às Caldas do Gerês e à "velha" camarata do Vidoeiro.
O  "programa",  mais uma vez,  não diferiu do habitual: brincadeiras e convívios  e,  no dia 5,  o percurso  da
Próximo da Pedra Bela, 5.03.1999
geira romana, passando por S. Bento da Porta Aberta e Covide, até Vilarinho da Furna. "Foi aí que iniciámos um percurso a pé de cerca de 12 Km, ao longo do Rio Homem, por vezes com a companhia da chuva! Atravessámos as Matas da Bouça da Mó e de Albergaria, onde vimos os chamados marcos miliários romanos, junto à estrada romana (geira romana) que ligava "Bracara Augusta" (Braga) a Astorga, em Espanha. Ao longo do percurso, e particularmente na parte final, admirámos as sucessivas cascatas do rio Homem. .... Continuámos a andar (agora sempre a subir) e a paragem seguinte foi numa ponte junto à cascata onde há uns anos alguns corajosos tinham tomado banho, só que desta vez não houve nenhum corajoso!! Andámos mais cerca de 2 km e chegámos ao nosso destino – Portela do Homem. .... Às 14h partimos em transporte do Parque Nacional em direcção ao miradouro da Pedra Bela, um dos mais importantes do Parque e que proporciona uma vista sobre todo o vale, avistando-se daí todas as serranias em redor. Daí seguimos para a Cascata do Arado e alguns ainda se aventuraram a seguir o professor Callixto (as duas professoras também se aventuraram...) por aquelas pedras acima até às piscinas naturais do Arado. Da cascata do Arado seguimos para a aldeia de Ermida, outra aldeia típica, cujas ruas, assim como Lamas de Olo, também estão cobertas de "alcatrão derretido"!!""
(descrito por Cristiana Franco, aluna, no site do Clube "Amigos da Natureza", Março de 1999)
Lamas de Olo e Pitões das Júnias, 3 e 4.03.1999
Gerês e regresso, 5 e 6.03.1999
Regressados ao Gerês e jantados, esta última noite ainda teria uma história que ficou para os anais da Escola, das nossas "aventuras" ... e das memórias de todos. "Foi assim: o Cláudio, do 10º1A, perguntou o que é que íamos fazer nessa noite e a Patrícia, da mesma turma, respondeu: "Vamos caçar gambuzinos!". Então não é que o rapaz acreditou?! Passado algum tempo, já estava o pessoal todo a falar dos gambuzinos e a arranjar maneiras de os ir caçar!! Até o professor Callixto disse que era uma espécie protegida pelo WWF (World Wildlide Fund)!! Mas é que não foi só o Cláudio a acreditar... Também a Sara e a Mafalda, da mesma turma, caíram que nem uns "patinhos"!!! Arranjámos uns sacos e lanternas e fomos à caça dos ditos bichinhos!! Andávamos a gritar "Oh gambuzino, gambuzino, gambuzino!!", ou então "Gambuzino ao saco!"!! O Carlos até fingiu que lhe tinham mordido (sim, porque os gambuzinos mordem, são como os gafanhotos só que maiores, assustam-se com a luz e gostam de locais mais ou menos húmidos...)... Às tantas, até o Cláudio afirmava que tinha visto um a saltar da mão do Carlos!!! A Sara tremia, mas continuava à procura com o saco na mão, a Mafalda estava mais calma mas sempre na expectativa...
A professora Ana é que nos chamou à realidade (a nós e ao professor Callixto...), dizendo que já bastava de caçadas!! Dirigimo-nos para o salão das camaratas e aí, com a professora Ana a filmar, o professor Callixto fez uma espécie de discurso! Disse que os gambuzinos eram uma espécie em vias de extinção e que daquele tipo só existiam no Gerês ("Gambuzius geresinus"). No final, agradeceu a todos a forma como participaram ... especialmente ao Cláudio, à Sara e à Mafalda ... porque foram apanhados para os "Apanhados"!!!"
(descrito por Cristiana Franco, aluna, no site do Clube "Amigos da Natureza", Março de 1999)

Com os meus três estagiários, 6.03.1999
Nesta história, é impagável a altura em que, no decorrer da "caçada" nocturna, toca o telemóvel de um dos que foram "apanhados". Era o pai dele ... que lhe pergunta o que está a fazer. Resposta: "estou a apanhar gambuzinos"!!! E ... resposta do pai: "estás a gozar comigo?"...J!
Mas chegava o último dia. Visitámos ainda o Parque Biológico de Gaia, sempre uma muito agradável forma de terminar estas actividades fora da escola.
E ... "Assim terminaram aqueles quatro dias de ar puro e paisagens bucólicas, que transpiram paz e tranquilidade!! Foi sem dúvida uma viagem inesquecível!!!" (Cristiana Franco)
21 de Abril de 2011

sábado, 14 de março de 1998

Da Arrábida ao Gerês ... passando pela Serra da Estrela

Monte Gordo, 20.09.1997
Depois da "descoberta" de Somiedo, no Outono e Inverno de 1997/1998 sucederam-se pequenos passeios na autocaravana, intervalados por actividades de campo com alunos. Em 20 e 21 de Setembro passámos um fim de semana em Monte Gordo, pouco mais de um mês depois em Alpiarça.
Com duas turmas de novos alunos do 10º ano, num cinzento e chuvoso dia 17 de Novembro levo-os à Arriba Fóssil da Costa da Caparica e ao Parque Natural da Arrábida. Seria o treino para, 4 meses depois, levar esses mesmos alunos ... ao Alvão e ao Gerês. Estava a nascer mais um grupo, entre tantos, a ficar para sempre na memória, nas memórias de uma escola vivida muito para além da escola, mais um grupo a viver, durante os 3 anos do secundário, as "aventuras" e os muitos momentos de convívio e camaradagem que lhes proporcionámos.
Lagoa de Albufeira, 17.11.1997
Cabo Espichel, 17.11.1997
Vale do Zêzere,
Serra da Estrela, 22.02.1998
No Carnaval de 1998, a caravana leva-nos a uma volta pela Serra da Estrela, com passagem pela Sortelha. O vale glaciar do Zêzere, as aldeias serranas de Melo e Linhares da Beira e a vetusta  cidade  da
Camping Quinta das Cegonhas, Melo, 22.02.1998
Quando se atropela um carro... (24.02.1998)
Guarda recebem-nos por 4 dias. E na Guarda ... vejo o meu júnior entrar pelo pára-brisas de um carro, ao atravessar uma rua! Felizmente sem consequências de maior.

A 11 de Março de 1998 parto com os alunos do 10º ano para o Alvão e Gerês. O programa não foi muito diferente do que havíamos feito quatro anos antes, mas os alunos eram outros, claro,  e  outros  olhos  têm
Na ruralidade de Lamas de Olo, 11.03.1998
sempre novas visões, novas percepções, novos testemunhos de novas vivências. O rio Olo, as Fisgas de Ermelo, o caos granítico de Muas, a aldeia de Lamas de Olo, perdida no tempo, levaram estes alunos, a sua professora de inglês e o de Química, estreantes como eles nestas andanças, a um outro mundo, completamente desconhecido da maioria.
À noite, na Pousada de Juventude de Vila Real, houve lugar à música, à camaradagem entre todos, à alegria de viver e de conviver.
Erguer a voz e cantar
Pousada de Juventude de Vila Real, 11.03.98
No dia seguinte partíamos para norte, rumo às terras do Barroso e do Gerês. O velho Mosteiro de Pitões, a cascata e, claro ... a Srª Maria! Mas desta vez não dormimos lá, a "Casa do Preto" serviu apenas o almoço do grupo ... e que almoço! À tarde seria a visita a Tourém, para depois descermos o curso do Cávado ... e chegar à Pousada de Juventude de Vilarinho das Furnas já ao pôr-do-Sol. Mas na Pousada de Juventude ... havia uma discoteca à espera...J!
13 de Março, dia dedicado ao Gerês. Saímos a pé da Pousada de Juventude, atravessamos S. João do Campo, abeiramo-nos do rio Homem. A albufeira está cheia, não se vê a aldeia submersa. Subimos a velha geira romana, chegamos à Mata de Albergaria e à Portela do Homem. Aí, espera-nos como habitualmente o transporte do Parque Nacional, desta vez o "cómodo", a carrinha fechada, para nos levar à Pedra Bela e à Cascata do Arado ... e a um "brinde" extra, a aldeia de Ermida. Mais uma vivência rural de montanha, onde inclusivamente se testemunhou o quão cedo na vida começa a labuta dos campos, como se pode ver no segundo vídeo que acompanha este texto.
Parque Natural do Alvão, 11.03.1998
Parque Nacional da Peneda-Gerês, 12 e 13.03.1998
 
No último dia, de regresso à cidade, visitámos ainda pela segunda vez o Parque Biológico de Gaia, onde este prometedor grupo de alunos terminaria as suas "aventuras" ... deixando-nos testemunhos como estes:

“Cada passo, cada árvore, cada flor, eram novidade para mim”
Sónia Cordeiro

“Senti uma calma interior como nunca sentira antes; toda aquela força inofensiva, a beleza virgem mas mutável das terras altas, o respeito do Homem pela Natureza, fizeram-me pensar que talvez exista uma esperança, um caminho para tudo. O contacto com a Natureza fazia-­me sentir cada vez mais pequena em relação à sua grandiosidade."
Ana Pepe
“Muito obrigado por nos ter dado a conhecer aquele outro lado da vida, com o desejo de regressar e encontrar novos mundos"
Sandra Nunes
“Ao estarmos em contacto directo com a Natureza, aprendemos a respeitá­-la e a admirá­-la. Também acho importante a realização deste tipo de visitas, para que valores como a solidariedade, o companheirismo e a amizade possam transparecer."
Ana Isabel Barão
“Que estrondo! Que será isto?! Um terramoto? Um furacão? Gente não é certamente e a chuva não bate assim. Fomos ver. Ups, era o nosso naturalista a bater à porta! Rapidamente (que remédio) tivemos que nos arranjar, para mais um passeio ao ar livre...J!"
Ana, Brigite, Susana e Vanessa

17 de Abril de 2011

domingo, 10 de novembro de 1996

Mais uma "aventura" no Gerês...

No dia 6 de Novembro de 1996, com as turmas do 8º ano iniciadas no ano anterior na Tapada de Mafra e Serra d'Aire, parto para mais uma romagem às minhas terras "sagradas" do Gerês; 32 jovens alunos, 3 professores. Primeiro destino ... Pitões das Júnias! Agora há quase 3 anos que as Sr.as Marias não nos recebiam...! Mas antes, em Tourém, a fonte das solteiras, o forno, o relógio de Sol, e, claro ... o "alcatrão derretido", tinham de ser motivo da curiosidade daqueles jovens e das explicações "científicas" dos profs.
Em Pitões das Júnias,  os quartos da Sr.a Maria voltaram a  levar aos 3 e aos 4 rapazes ou  raparigas  em
Tourém e Pitões das Júnias, 6 e 7.11.1996
cada. E, no dia seguinte de manhã, o esplendor da serra chamava-nos para mais uma descida ao velho Mosteiro e à ainda mais velha cascata de Pitões. Algum nevoeiro, mas que rapidamente se dissipou ... mostrando-nos mais uma vez o palco e o cenário natural por onde 7 anos antes tínhamos feito a travessia da serra. Para onde é o Norte? Surgiram respostas em quase todas as direcções...! Mas a posição do Sol, a cobertura de líquenes e musgos, nas rochas e nos troncos das árvores, ditou a verdadeira direcção. Estavam transmitidas algumas bases de orientação no campo.
À tarde, a viagem para o Gerês foi sonolenta. Nem toda a gente tinha dormido a noite inteira anterior... A camarata do Vidoeiro ia-nos mais uma vez receber para as duas noites seguintes.
Dia 8.  Pelo  S. Bento da Porta Aberta  dirigimo-nos a  Covide e a  Vilarinho da Furna.  Em  ano  de  pouca
Na Cascata do Arado, 8.11.1996
E na Pedra Bela, 8.11.1996
chuva, a barragem estava bem em baixo ... deixando bem à vista a aldeia perdida nas águas. Como habitual-mente, fizemos o percurso da geira romana, subindo o curso do rio Homem. As cores outonais estavam no seu máximo esplendor! E as águas do Homem não estavam suficientemente frias para impedir uns banhos, nas piscinas junto à ponte de S. Miguel...
Depois da também habitual visita à vertente galega, na Portela do Homem, esperava-nos o não menos habitual transporte do Parque Nacional ... de carga. Para além da maravilha dos elementos naturais, a Cascata do Arado proporcionou igualmente um banho improvisado nas águas cristalinas. E, na Pedra Bela, ao "desespero" da perda de um pelos vistos bem amado boné ... seguiu-se a alegria de saber que alguém o tinha recuperado...J.
Geira romana e Gerês, 8 e 9.11.1996
A um jantar na vila do Gerês, seguiu-se ... um momento muito pedido e prometido: uma horita de discoteca, na vila. Depois, subindo a pé para o Vidoeiro, a temperatura amena e uma tradicional fogueira alimentaram uma "directa", também prometida para a última noite ... caso tudo corresse bem ao longo destes 4 dias ... e como felizmente sempre correu...J!
Os sonos foram postos em dia no regresso, no dia seguinte.
1 de Abril de 2011

domingo, 4 de abril de 1993

Das Serras do Caramulo e Estrela ... ao Gerês...

A 6 de Março de 1993 estava a partir rumo à Serra da Estrela, com alunos ... como acompanhante. Efectivamente, a organização era, desta vez, do colega responsável pelo Clube de  Áudio Visuais;  a  equipa
Serra do Caramulo,
6.03.1993
de professores era contudo a mesma. Com turmas que, neste caso, eram consideradas problemáticas ... esta saída de campo foi a prova provada de que, quando se faz algo mais do que cumprir programas e se dá liberdade com responsabilidade ... tudo corre sem problemas.
A caminho da Estrela, passamos primeiro pela Serra do Caramulo,
Objectivo pretendido: neve ... com fartura! Serra da Estrela, 6.03.1993
incluindo a visita ao respectivo Museu Automóvel. E, na Estrela, receberam-nos as instalações da velha Pousada de Juventude das Penhas da Saúde.
A manhã do dia seguinte foi dedicada às muitas brincadeiras na neve ... e o regresso ainda contou com um almoço na sempre simpática vila de Alpedrinha ... terra "adoptiva" de um dos professores da equipa.

Menos de um mês depois, em dia tradicionalmente dedicado à mentira, partia de verdade para mais uma actividade no Gerês, com alunos da disciplina de Ecologia. O Clube "Amigos da Natureza", tendo sobrevivido vários anos à morte da experiência pedagógica que o criou, foi perdendo condições para subsistir como tal, voltando as actividades de campo, como outras, a fazer-se no âmbito das turmas a cargo dos professores que as dinamizavam.
Esta sétima visita ao Gerês contou com a colaboração de dois novos professores nestas "andanças" ... um deles pouco mais velho que os alunos...J. Pitões das Júnias e as Sr.as Marias voltaram a receber-nos, depois da também habitual visita a Tourém. E de novo a neve brindou as terras do Barroso durante a nossa estadia, para gáudio de quem nem queria acreditar no que via, ao acordar em terras de Pitões.


Desta vez, trocámos o Vidoeiro pela Pousada de Juventude de Vilarinho das Furnas. E à chegada, no final da tarde do dia 2, o pessoal teve uma grata surpresa: a Pousada ... até tinha Discoteca! Foi uma festa! Não foi festa foi o tempo: o dia 3 de Abril de 1993 foi dos dias mais chuvosos de que há memória no Gerês. Não chegámos sequer a fazer o percurso completo da Geira romana ... recolhendo assim mais cedo à Pousada de Juventude.
O dia 4 era o regresso a casa...
7 de Março de 2011