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domingo, 29 de julho de 2007

Pelas fragas e pragas de uma Primavera acidentada...

No início da Primavera de 2007, a Serra de Ossa recebeu o grupo de Caminheiros, em Março. Depois foi a
"Lá em baixo é Pesqueiro"... 1.04.2007
vez da barragem do Divor, em Abril, da Lagoa de Óbidos e da minha velha Tapada de Mafra, em Maio. Mas no fim de Março e início de Abril, passámos 10 dias em Vale de Espinho, em que voltei ao vale de Pesqueiro ... agora com guias! Efectivamente, o valespinhense que me havia transformado o velho palheiro em casa, filho de mãe espanhola, tinha sido lá criado. E até a minha sogra, que conheceu bem o trabalho nos "ranchos", voltou a Pesqueiro naquele dia das mentiras de 2007 ... relembrando a verdade da faina do azeite, mais de 50 anos antes.

Antiga casa da prensa, Pesqueiro, 1.04.2007
Memórias perdidas no tempo, Prensa de Pesqueiro, 1.04.2007
E no dia 4 de Abril faço uma caminhada solitária às Ellas, a partir da Serra das Mesas. Pelos Llanos de Navasfrias, desci a serra de Figuerola, até à Ermida do Espírito Santo e ao Canchal de las Muelas. No início do ano seguinte, o fojeiro Joaquim Dias publicaria "A Pita do Ti Zé Plim", que ele próprio apelidou de "novela-croniqueta"; ao lê-la, viria a recordar bem esta minha "aventura" dos Foios às Ellas.
Serra das Mesas, 4.04.2007. Objectivo: Ellas
Regresso pelo Picoto, numa tarde fria e a ameaçar chuva
O regresso foi por Valverde del Fresno e pelo Picoto, numa tarde fria e a ameaçar chuva. Tinha o meu "burro" à espera, entre os Foios e o Lameirão ... e quando lá cheguei tinha feito 31 km a pé.

11 a 13 de Maio foi outro fim de semana de fragas ... e pragas. O UMM levou-nos de novo à Quinta do Major e a Pesqueiro; há longos anos emigrada em França, a tia que nos acompanhou reviveu igualmente aqueles lugares "perdidos", e mostrou-os ao filho. No dia seguinte, participei numa caminhada organizada pela Câmara do Sabugal, entre Malcata e Vale de Espinho. Mas esse dia 13 de Maio ficaria marcado por
Da Quinta do Major ao Cabeço do Pão e Vinho, TransMalcata, 2.06.07
um grave acidente de viação, em que a minha sogra perdeu o braço direito. Posteriormente reimplantado, nunca mais viria contudo a ter mobilidade. Paradoxalmente o acidente deu-se quando, com um casal de Vale de Espinho ... regressavam de Fátima!
Com os Caminheiros, em Junho foi a vez das terras de Proença-a-Nova ... mas também os levo pela segunda vez a Vale de Espinho, para uma caminhada extra, longa e mais dura que a média: a TransMalcata, numa extensão de quase 30 km, ligando Vale de Espinho à Carreira de Tiro da Meimoa, pela Quinta do Major, Concelhos e Monte do Salgueirinho. E no dia seguinte ... Foios - Valverde, pelo caminho da Figuerola, que havia conhecido em Abril, regressando depois a Lisboa.
E entrávamos no verão de 2007. Com os Caminheiros, estava programada nova "aventura" asturiana ... mas no dia 27 de Julho havia uma caminhada nocturna, entre os Foios e Navasfrias, revivendo as rotas do contrabando. Assim, parti sozinho para Vale de Espinho, nesse dia 27 de Julho, para viver as cenas dos "carregos", dos carabineiros e dos guardas fiscais ... já que não tinha vivido ao vivo esse jogo do gato e do rato, da luta pela vida e pela sobrevivência.
Dois dias depois, no meu velho "burro", desço o Piçarrão, passo Valverde, vou à descoberta do velho castelo de Trevejo, qual pog inexpugnável, dominando a planície estremenha a sul, guarda avançada da Serra da Gata e do Xalmas, Jálama, Xálima, ou Enxalma, consoante a variante linguística que se queira adoptar. Em Vale de Espinho e na raia, aquelas serranias são conhecidas por Serra da Enxalma.

Nas encostas do Xálima, com Trevejo à vista, 29.07.2007
Castelo e aldeia de Trevejo, 29.07.2007
No dia seguinte, manhã cedo, parti à boleia com o filho da padeira para Vilar Formoso ... onde duas horas depois apanhei o autocarro dos Caminheiros ... para mais 8 dias no paraíso de Somiedo e dos valles del Oso.
7 de Agosto de 2011

quinta-feira, 15 de abril de 1999

Da arriba fóssil da Costa da Caparica à Serra d'Aire
... e à Serra de Gredos

Duas semanas depois das "aventuras" no Gerês, juntávamos as turmas do 10º ano que nelas tinham participado com uma turma de  8º  ano  do  meu  núcleo  de  estágio.  Uma  "mistura explosiva"?  Não ...  um
Praia dos Lagosteiros,
Cabo Espichel, 17.03.99
saudável dia de camaradagem entre jovens de idades diferentes, nas arribas fósseis da Caparica e na velha Arrábida. Próximo da Fonte da Telha, assistimos à cena caricata do autocarro enterrado na areia ... tendo de ser substituído por outro! E no Cabo Espichel, descemos à praia dos Lagosteiros ... para depois subirmos a Pedra da Mua. Só no início do século XX as pegadas ali existentes foram reconhecidas como sendo de dinossáurios; segundo a lenda, em 1410 teria sido avistada a Virgem Maria a subir a arriba montada numa mula, cujas pegadas teriam ficado impressas na rocha...!
Esta "escalada" da Pedra da Mua, até à Ermida ... seria épica...J! E do Cabo Espichel passámos ao Portinho da Arrábida ... onde ainda houve lugar a banhos...J!
Ainda nesse mesmo mês de Março, no dia 24 foi a vez de levar as 3 turmas do 7º ano e a turma de 8º ano do núcleo de estágio à Serra d'Aire, incluindo as Grutas de Mira d'Aire. De Mira d'Aire subimos ao alto de Alvados, depois descemos o vale a pé. O autocarro esperava-nos ... junto ao velho "Café da Bica". Quantos anos se haviam passado, desde os velhos acampamentos da Espeleologia...
Arriba Fóssil da Caparica e Arrábida, 17.03.99
Serra d'Aire, 24.03.99
No final de Março e início de Abril de 1999, já em férias da Páscoa, pegámos na autocaravana (sem alunos...J) e fizemos 6 dias a dois pela Serra de Gredos. A caminho de Plasencia, começámos por recordar  Monfragüe,  terminando essa primeira jornada  em  Jarandilla de la Vera,  bem  à  vista  já  dos
A caminho do Almanzor, 1.04.99
cumes de Gredos. Próximo, visitámos o histórico Mosteiro de Yuste, onde morreu Carlos V.
Até hoje, sem nenhuma razão especial, foi a única vez que nos entregámos à Serra de Gredos ... mas no dia 1 de Abril de 1999 fizemos ambos uma fabulosa caminhada, maioritariamente em neve, bem no coração de Gredos. Tínhamos contornado a serra por Arenas de San Pedro e Hoyos del Espino, povoação a partir da qual avançámos à "conquista" do Pico Almanzor. No alto dos seus quase 2600 metros de altitude, o Almanzor era visível de quase todo o lado.  Claro que não era provável  atingi-lo  naquela  altura  do
Na imponência de
Gredos, 1.04.1999
ano ... mas não ficámos longe. O percurso a pé levou-nos do fim da estrada até ao Refúgio Elola, a 2100m, no trilho para o Almanzor e para a Laguna Grande de Gredos. A sensação de pertencermos à montanha era completa. Sobre um manto branco, a contrastar com um céu por vezes cinzento chumbo, à medida que avançávamos sentíamo-nos quase transportados para os Himalaias. Ao longo do trilho, pouco perceptível na neve, numerosos grupos de montanhistas altamente equipados passavam por nós em ambos os sentidos. O Refúgio Elola tem, pelos vistos, uma procura assídua no início de Primavera. Limitámo-nos a ir até lá, daí para a frente e naquelas condições de neve ... era "areia" demais para nós. O Pico Almanzor ficaria para outras "núpcias" ... que contudo ainda não se concretizaram. Vê-lo-íamos de novo no dia seguinte, ao descer já a Serra pelo lado norte, pelo Puerto de Tornavacas.

A caminhada da Serra de Gredos no Wikiloc / Google Earth ... e em vídeo:
                
O regresso a casa fizemo-lo por Valencia de Alcantara, Marvão, Castelo de Vide ... e ainda pela alentejana Serra de S. Mamede. No dia 3 de Abril estávamos em casa.

E pouco mais de uma semana depois, a 15 de Abril, estava de novo "em campo", com as turmas do Núcleo de Estágio, na Tapada de Mafra e no Penedo de Lexim, ensinando-lhes a reconhecer a disjunção colunar naquela chaminé vulcânica, próxima também de Mafra.
      
23 de Abril de 2011

quarta-feira, 7 de fevereiro de 1996

"Raízes" de novo grupo de alunos ... na Tapada de Mafra e Serra d'Aire

Depois do périplo britânico, o Outono/Inverno de 1995/96 não foi muito rico em "aventuras": apenas três fins de semana autocaravanísticos, em Monte Gordo, em Setembro, em Tomar, em Novembro ... e em Santa Cruz, no Carnaval de 1996.
Mas o ano lectivo de 1995/96 trouxe-me de novo o contacto com alunos do 7º Ano de Escolaridade. Há anos que leccionava apenas secundário (10º ao 12º), mas em boa hora me surgiram estas duas turmas de mais jovenzinhos. Alguns ... foram meus alunos do 7º ao 12º ano! Muitos ... viveram várias "aventuras" comigo, da Tapada de Mafra ao Gerês, à Cordilheira Cantábrica, à Madeira e aos Açores! Como tantos outros grupos anteriores ... deixaram saudades!


É assim que, a 13 de Dezembro de 1995, regresso à Tapada de Mafra. Foi a primeira saída de campo das minhas duas turmas de 7º ano. Ante os olhos esbugalhados de quem nunca tinha visto nada de semelhante, logo se proporcionou ser uma das vezes em que vimos maior quantidade de gamos, javalis, e até veados! Menos de dois meses depois, em 7 de Fevereiro de 96, a Serra d'Aire e as Grutas de Mira de Aire complementaram a primeira abordagem de campo de uma "maltinha" que, salvo raríssimas excepções, nunca tinha saído de Sacavém, Catujal, Camarate...
Aquele dia 7 de Fevereiro foi um dia chuvoso ... não impedindo mesmo assim uma caminhada de cerca de 7 km, em que conduzi estes jovens pelos trilhos palmilhados 25 anos antes, descendo das grutas de Alvados ao vale de Alvados, até Zambujal de Alcaria. Era verdade: o "meu" velho Café da Bica ainda lá estava! Contei aos meus jovens pupilos algumas das "aventuras" vividas nos meus velhos tempos da Espeleologia. Como esses tempos estavam já longe no tempo! Como o dia estava chuvoso ... contei-lhes por exemplo o meu gélido fim de semana acampado naquela serra ... em Dezembro do longínquo ano de 1970.


Esta abordagem na Tapada de Mafra e na Serra de Aire criou realmente raízes que viriam a frutificar nos anos seguintes. Logo no 1º período do 8º ano ... a maioria destes alunos estavam comigo no Gerês! Mas antes ... havia uma "aventura açoreana" para viver com os que, no secundário, tinham ido já ao Alvão, a Montesinho, a Mérida e aos Pirenéus!
26 de Março de 2011

sexta-feira, 14 de dezembro de 1990

Jornada pelos Picos de Europa ... com regresso por Montesinho

8 a 14 de Setembro de 1990. Início de mais um ano lectivo. Para os "Amigos da Natureza", antes de começarem as aulas propriamente ditas ... estava  reservada  uma  "aventura"  nos  Picos de Europa,  com
8.09.1990 - Vilar Formoso,
quando ainda havia fronteiras
regresso pelo Parque Natural de Montesinho! Para a maioria dos alunos, era a última actividade vivida na Escola; antes das 6 da manhã já havia gente à porta, para uma jornada de 700 km sem história até ao Camping de Cubillas, para lá de Valladolid. A primeira aventura foi montar as tendas; é que o chão ... parecia de cimento! Mas no dia seguinte a paisagem mudava radicalmente: o árido planalto castelhano dava lugar à magnífica paisagem verdejante das montanhas. Estávamos na Cordilheira Cantábrica!
Ainda nesse segundo dia, Santander e Santillana del Mar foram visitas obrigatórias. Estava a levar os alunos à Espanha verde, que havíamos conhecido oito anos antes. Ao longo do desfiladeiro de La Hermida e do Rio Deva, fomos percorrendo aquele maravilhoso cenário natural, terminando em Potes e no Camping "La Isla - Picos de Europa", onde igualmente havíamos ficado em 1982. Este Camping seria aliás base para várias "expedições" aos Picos de Europa, nos anos seguintes. À beira do Deva, o parque fica num verdejante vale rodeado de montanhas, atrás das quais o Sol se preparava já para desaparecer, naquele fim de tarde. O solo relvado contrastava com o de Cubillas. O café e esplanada, junto ao rio, construídos em madeira, prendiam-nos àquele recanto saído como que de um conto de fadas.
E a primeira "aventura" foi a subida de teleférico ao Balcón del Cable, em Fuente De, 22 km a oeste de Potes e no coração do maciço oriental dos Picos de Europa. Rodeados pelos altos Picos Tesorero, Peña Vieja e Torre Cerredo, estávamos também bem perto do mítico Naranjo de Bulnes. E o almoço foi no Refúgio de Aliva, na parte inicial de um percurso de 16 km a pé, que nos havia de levar de regresso ao vale e à aldeia de Espinama, onde nos aguardava o Sr. Agostinho e o seu autocarro. Este motorista, não muito mais velho que os alunos mais velhos ... havia de ficar para a história das nossas "aventuras".
Maciço central dos Picos de Europa, 10.09.1990
Percurso a pé Balcón del Cable - Espinama, 10.09.1990
Mais um dia ... e saímos de Potes, contornando os maciços oriental e central dos Picos. Deixávamos a Cantábria  para  entrar  nas Astúrias. Seguiu-se Covadonga e os seus Lagos Enol e Ercina ... não sem alguns arrepios ao longo dos 12km da estrada estreita e íngreme que leva do Santuário àqueles lagos de altitude.
Covadonga, Gruta Santa, 11.09.1990
Lago Enol, Covadonga, 11.09.1990
Uma visita a Cangas de Onís e à sua medieva ponte e, ao fim da tarde, estávamos no Camping de Ribadesella. Preparados para montar tendas por uma noite ... soubemos que podíamos ficar em bungalows pelo mesmo preço! Foi uma festa! Tão grande que o grupo comprou todos os frangos do supermercado do parque, para um churrasco nocturno de convívio e camaradagem. No dia seguinte ... soubemos que um "utente" de um beliche superior tinha vindo parar ao chão...J!
Em Ribadesella, situam-se as grutas de Tito Bustillo. À falta das de Altamira, que em 1990 já não se podiam visitar, Tito Bustillo ilustrou a arte paleolítica que os alunos haviam aprendido nas aulas de História.
Ribadesella marcava o ponto de inflexão para sul: por Oviedo e León, o destino seguinte ... era já em Portugal: o Parque Natural de Montesinho, em terras transmontanas.  E íamos ficar  em  plena  serra, na
Casa-abrigo da Lama Grande, perfeitamente  integrada na rocha e na espectacular paisagem que nos rodeava.
A Lama Grande foi a nossa "base" para exploração da zona de Bragança, incluindo a própria cidade. É claro que não podia faltar a visita a Rio de Onor; o guia do Parque Natural que nos acompanhou falou-nos das vezeiras para a guarda do gado, à vez, pelos diferentes habitantes; falou-nos mais uma vez do boi do povo, do forno e de outros hábitos comunitários destas aldeias perdidas no tempo. Falou-nos também do Rio-de-Onorês, o dialecto local, com alguma mistura de português e leonês.
O almoço desse dia foi em Gimonde ... e ficou histórico. A tradicional e deliciosa posta mirandesa foi o prato escolhido ... e foi a primeira vez, em tantas e tantas "aventuras" com gente jovem e normalmente "esfomeada" ... que vi carne ir para dentro em relativa quantidade ... porque aquela gente já não conseguia comer mais posta..J!
Mas o nosso guia falou-nos também da riqueza florestal e faunística de Montesinho, das manchas de carvalhos, das maiores da Europa e dos trabalhos para a preservação do lobo, do corço e de outras espécies. Tal como em 84, visitámos também o picadeiro e viveiro de trutas, na aldeia de França.
A última noite, como tradicionalmente acontece, foi "liberalizada": uma fogueira, música, conversas, convívio ... nalguns casos até às 6 da manhã. Porque a seguir era o regresso a casa, sem história.
E esta história teve ainda uma estória original: à chegada a Sacavém ... porque não irmos todos jantar ao "famoso" bacalhau assado, na Bobadela? É que o restaurante ... era e ainda é da família de um dos alunos que participaram nesta actividade!

Esta actividade nos Picos de Europa e Montesinho inspirou também a "construção" de um genérico do Clube "Amigos da Natureza", para os respectivos vídeos. E que gozo deu essa montagem! Naqueles tempos ... funcionava a imaginação e o improviso; o efeito de focagem do emblema do Clube sobre a paisagem ... foi conseguido com uma folha de acetato que se deslocava em peças de LEGO, puxadas com cordéis, frente à projecção de um slide com a paisagem...! Mais tarde, já na era do digital, viríamos a montar um segundo genérico do Clube.

E ainda em 1990, no dia 14 de Dezembro, nova "geração" de alunos se estreava nas "andanças" e "aventuras" do Clube "Amigos da Natureza". O cenário ... foi mais uma vez a Tapada de Mafra.

A caminhada Balcón del Cable / Espinama no Wikiloc / Google Earth:


2 de Março de 2011

segunda-feira, 13 de maio de 1985

Regresso ao Gerês e à Tapada de Mafra ... com novos alunos

Ano lectivo de 1984 / 1985: o grupo de alunos que eu começara a acompanhar 5 anos antes, estava agora no 11º ano. E, claro, outras turmas e outros alunos tinham começado também a aprender comigo as Ciências da Natureza. Para uns e outros ... no meu pensamento estava sempre o desbravar de horizontes, o viver o campo e a Natureza. É assim que, a 21 de Março de 1985, parto para novos 4 dias no Gerês, com turmas do 8º ano, minhas ... e da minha "colega", que entretanto já se encontrava igualmente efectiva na Escola Secundária de Sacavém.
Acampamento em Chaves,
a caminho do Gerês, 21.03.1985
Desta vez acampámos em Chaves, para depois fazermos uma curta visita a Montalegre ... e nos demorarmos em Tourém e Pitões das Júnias. O "alcatrão derretido" nas ruas de Tourém fez de novo sensação, mas desta vez tínhamos até uma aluna cuja avó era de Tourém. Com a hospitalidade típica das  gentes  simples  e  sãs,  quis
Ruas de Tourém, 22.03.1985
oferecer-nos da sua melhor broa de centeio ... olhada com alguma apreensão por aquela "maltinha", apenas acostumada aos usos e costumes urbanos, ou da periferia da grande cidade ... principalmente quando a avó referiu que a broa tinha um mês na arca...! Não fora a neta comer um pedaço ... e ninguém provavelmente lhe teria tocado. Depois ... provaram e gostaram; mais uma forma de aprender...J!
Nas águas do rio Homem,
23.03.1985
Como já vinha sendo tradicional, da zona de Pitões e Tourém passámos ao Gerês, acampando de novo no Vidoeiro. E não foi cansativa nem monótona a segunda das muitas vezes que já subi a geira romana com alunos, de Vilarinho da Furna à Portela do Homem, nem as sempre fascinantes panorâmicas da Pedra Bela ou a contemplação da cascata do Arado. Junto a esta, subimos pela primeira vez a encosta a nascente da mesma, ao longo das sucessivas piscinas naturais. Nessa altura, estava longe de saber que, anos mais tarde, iria conhecer o autêntico Shangri-La do vale da Teixeira!

Entretanto, poucos dias antes, a 3 de Março do mesmo ano de 1985, um grupo de amigos inicialmente ligados à Escola Gaspar Correia, na Portela de Sacavém, dava os primeiros passos do que viria a ser um Grupo de Caminheiros ... que 17 anos e meio mais tarde viria a ser a minha "família" Caminheira!

E ... com os alunos do 11º ano? A maioria já tinha ido à Arrábida, ao Gerês (muitos por duas vezes), a Doñana,  à  Serra da Nogueira ... mas não tinham ido  à  Tapada de Mafra.  Assim,  a 13 de Maio de 1985,
Na Tapada de Mafra,
13.05.1985
fizemos uma visita à Tapada, não menos apreciada do que as restantes "aventuras" em que já tinham participado.
Família de javalis na Tapada, 13.05.85
Na Tapada de Mafra, 13.05.1985






O 11º ano era, na altura, o último ano existente na Escola. Para culminar a sequência de áreas naturais que aqueles alunos conheceram ... tínhamos de pensar numa actividade "em grande"...J! Excursões de finalistas para Benidorm ou Marbella ... felizmente não lhes agradavam nem a eles nem a mim.
Pelo que ... os planos foram outros...
8 de Fevereiro de 2011

sexta-feira, 20 de abril de 1984

À descoberta de Doñana ... com passagem por Castro Marim

Em Fevereiro de 1984 voltei à Tapada de Mafra, com novos alunos de Ciências da Natureza,  do 7º ano de
Tapada de Mafra, rio Celebredo,
Fevereiro de 1984
escolaridade. Para além da visita propriamente dita, ali realizaram os respectivos trabalhos de campo ... e ali nasceriam algumas paixões, também neles, pela vida, pelos animais, pela Natureza.
Entretanto, a enciclopédia "A Fauna" e a série "Fauna Ibérica", do saudoso Félix Rodríguez de la Fuente, há anos que me vinham alimentando a vontade de conhecer Doñana ... o paraíso animal da Europa! No regresso do Gerês, em Março de 1983, alguns alunos me sugeriram igualmente uma visita àquele Parque Nacional, na Andaluzia, junto à foz do Guadalquivir. Em boa hora o fizeram, já que, depois de uma primeira visita em Abril de 84 ... voltei lá mais 5 vezes com alunos e outras duas em família e com amigos!
Com o mesmo núcleo base de alunos que já havia levado duas vezes ao Gerês - agora no 10º ano - a 16 de Abril de 1984 estávamos portanto a sair de Sacavém ... desta vez rumo ao sul. Se íamos visitar uma das
Sapal de Castro Marim, 17.04.1984
Parte do grupo, no Sapal, 17.04.1984
principais zonas húmidas da Europa ... porque não passar primeiro por uma das principais em Portugal, o Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António? Ao longo do Guadiana, o sapal constitui habitat de numerosas populações de aves aquáticas, nomeadamente flamingos e andorinhas-do-mar,
Nos esteiros de Castro Marim, 17.04.1984
albergando também diversas invernantes, como os graciosos pilritos. Como introdução para o que iríamos ver em Doñana, cruzámos o sapal a pé ... e a vau...J!
Dois dias depois estávamos a cruzar o Guadiana, a passar o porto de Huelva, a recordar Cristovão Colombo e as Américas ... e a chegar à Playa de Mazagón, onde na altura se situava o camping mais próximo de Doñana. Ali nos instalámos para as duas noites seguintes.
Camping Playa de Mazagón, 18.04.1984
O Parque Nacional de Doñana engloba uma fabulosa diversidade de ecossistemas, que vão dos cordões dunares litorais às marismas e aos cotos interiores. Visitar Doñana era, na Europa, há 27 anos, o sonho da maioria dos apaixonados pela Natureza e pela vida selvagem. Era a oportunidade de conhecer uma área protegida ao estilo dos grandes parques selvagens africanos, no que respeita nomeadamente a Mamíferos selvagens ... como o mítico e lendário lince ibérico. Já que na Malcata eles estavam infelizmente em regressão, com alguma sorte podia ser que víssemos algum.
Parque Nacional de Doñana, 19.04.1984
As visitas a Doñana já então eram visitas guiadas, a partir do Centro de El Acebuche, próximo de Matalascañas. Em veículos todo-o-terreno, percorremos cerca de 80 km completamente sem estradas, atravessando as zonas mais carismáticas daquele santuário natural.
Litoral do Parque Nacional de Doñana, 19.04.1984
Nas marismas do Guadalquivir, Doñana, 19.04.1984
Nos cotos de Doñana, 19.04.1984
Primeiro ao longo da praia, a caravana atravessou depois os chamados "corrales", onde os pinheiros mansos e as azinheiras vão sendo engolidos pelas areias. E chega-se ao grande pântano: Las Marismas; a água calma brilha como um espelho na extensão inundada. E, de novo no litoral, o percurso levou-nos à foz do Guadalquivir ... para fazermos os 30 km finais acompanhando o pôr-do-Sol, sempre ao longo da praia, da foz do Guadalquivir a Matalascañas, por vezes com bandos de aves aquáticas recortando-se sobre o disco dourado!

Foz do Guadalquivir, frente a Sanlúcar de Barrameda
Despedida de Doñana, 19.04.1984
Nesta jornada andaluza, levaria ainda os meus alunos a subirem o Guadalquivir ... para uma curta visita a Sevilha, no dia 20 de Abril. Um mês depois ... estaria de novo com parte deles noutras paragens...J!
5 de Fevereiro de 2011

sábado, 3 de junho de 1978

E um dia eu sou professor ... das Ciências da vida ao ar livre!

A paixão pelo Ensino, pela docência, pelo lidar com os jovens ... ganhou! Tanto mais que a minha companheira, "saída na rifa" das lides académicas, também perspectivava a carreira do ensino. Assim, num
Na Tapada de Mafra, a caminho da
Tojeira, com o primeiro de muitos
grupos de alunos - 28.05.1977
ano lectivo ainda meio agitado pelas turbulências (1976 / 77), em Janeiro de 1977 iniciámos a última "etapa" da licenciatura em Biologia: o estágio educacional, no ainda Liceu Padre António Vieira. Íamos começar a tentar transmitir a sucessivas gerações de jovens a nossa paixão pelas Ciências da Vida, pela Natureza, pelos grandes espaços naturais!
28 de Maio de 1977 assinalaria a primeira de muitas actividades de campo realizadas com alunos. Pequena, modesta ... mas demos a conhecer aos nossos alunos de estágio a Tapada de Mafra, que nos havia sido revelada dois anos antes.
E a 20 de Julho terminávamos a Licenciatura. Éramos, doravante ... professores...J!
Santa Cruz, Agosto de 1977

O estágio educacional, tal como aliás a maior parte do curso, tinha sido  feito em paralelo com o emprego,  que,  desde  Agosto  de 1974,
Cabo Carvoeiro, Peniche, 4.08.1977
tinha sido no Arquivo de Identificação de Lisboa. Ali fiz bons amigos ... e com eles passámos os verões de três anos consecutivos, em Santa Cruz e "arredores". Como já se nota na foto à esquerda, a Natureza ía-nos também trazer ... o primeiro filho! Na primeira quinzena de Outubro de 1977 deixei o Arquivo de Identificação, fomos colocados como professores ... e nasceu o João...J!

A Escola Secundária de Sacavém ia começar a fazer parte da minha vida, constituindo também ela origem e fim, em si mesma, da minha paixão pela Natureza, pelo pedestrianismo, pelo desbravar dos grandes espaços. Ao longo de 31 anos - apenas com 3 anos intermédios noutras escolas - largas centenas de alunos deixaram-me recordações as mais gratificantes. Se lhes transmiti a minha paixão pela Natureza e pelos seres vivos, o meu amor pelos campos, montanhas e vales - do  estuário  do  Tejo  aos  Pirenéus,  de
Trabalhos de campo nos jardins do
Seminário dos Olivais, 20.02.1978
Castro Marim e de Doñana ao Gerês e à Cordilheira Cantábrica, a quase todas as ilhas dos Açores e da Madeira - também com eles aprendi de certo modo a viver e a conviver, a revivificar as minhas experiências e vivências. Muitos deles são, ainda hoje, bons amigos. A lição do Ribau tinha sido, creio ... bem aprendida.

Logo no primeiro ano de docência "a sério", o programa de Ciências da Natureza do 7º ano de escolaridade apontava para a realização de trabalhos de campo, fora dos muros da escola. Os jardins do Seminário dos Olivais, na Portela, estavam ali mesmo à mão para esses trabalhos. Mas, na manhã do dia 18 de Março de 1978, os noticiários disseram-me que a "minha" Faculdade de Ciências, na Rua da Escola Politécnica, tinha sido consumida pelo fogo! As lágrimas correram-me fáceis e, à tarde, depois das aulas, não me contive sem ir ver o que restou da tragédia, naquela que tinha sido a minha "casa", durante 5 anos.
E ainda nesse mesmo ano, dois locais "de culto" tinham de receber os meus alunos: a Arrábida ... e a Tapada de Mafra!
Em excursão à Arrábida, 27.05.1978
Tapada de Mafra, 3.06.1978


30 de Janeiro de 2011

sábado, 23 de outubro de 1976

Os anos revolucionários (2): 1975 / 76

A "descoberta" do Gerês, no "verão quente" de 1975, acentuou definitivamente a revolução que me transformaria no amante da montanha, das serras e dos vales, das florestas. Não, não tinha ainda carro, nem carta de condução, que os magros salários não davam para esses luxos. Por isso ... até as idas a Vale de Espinho eram de comboio ou de autocarro ... ou as duas coisas. Em Agosto de 1975, grande parte das férias lá foi de novo na aldeia arraiana que já começava a ser minha. O Freixial era sempre o ponto de convívio, de brincadeiras, dos banhos nas águas gélidas mas límpidas do Côa. Mas as "minhas botas, velhas, cardadas" já começavam também a palmilhar as "léguas sem fim" da Serra da Malcata. Contemplei pela primeira vez Vale de Espinho do Cabeço da Pelada, subi ao Cabeço da Moura, à raia de Espanha ... e extasiei-me ante a imponência das panorâmicas a perder de vista! Lá ao fundo, para sul, o cabeço de Monsanto destacava-se; a oeste e sudoeste,  a Estrela e a Gardunha altaneiras;  a nascente,  as  serranias
Acampamento nas nascentes do
Alviela, 12 de Setembro de 1975
de onde vem descendo o Côa ... cuja nascente só me seria revelada muitos anos mais tarde.
Mas ... a Espeleologia tinha deixado raízes ... e saudades! Na continuação dos trabalhos para a cadeira de Ecologia, porque não levar o Dr. Magalhães e os colegas que quisessem alinhar ... aos Olhos de Água do Alviela? O fim de semana de 12 a 14 de Setembro de 1975 foi o primeiro de vários ali passados, acampados junto ou dentro da gruta dos Amiais, em trabalhos de recenseamento das populações de morcegos ali existentes.
17 de Junho de 1976 -
a caminho da Serra da Nogueira
Já em Junho de 1976, levei-os também às grutas de Leceia. E voltámos à Tapada de Mafra ... no regresso da qual passámos uma memorável noite de Santo António em casa do Dr. Magalhães!

17 a 19 de Junho de 1976: também pela mão do Dr. Carlos Magalhães, conheço outra importante área natural de montanha, a Serra da Nogueira, lá nas terras de Trás-os-Montes. Ficámos todos alojados na Casa Florestal da Nogueira, participando e acompanhando trabalhos de recenseamento de lobos e de cervídeos, mas também num mais uma vez excepcional ambiente de convívio e camaradagem.
Na Casa Florestal da Nogueira,
18 de Junho de 1976
Nos carvalhais da Nogueira,
18 de Junho de 1976
Casa da Nogueira, 18 de Junho de 1976 - uma cria de lobo cuja mãe havia sido abatida
A viagem Bragança - Lisboa, feita numa velha Portaro dos Serviços Florestais ... foi uma aventura. Mas, mesmo assim ... "desviámos" a Portaro: a família Magalhães foi conhecer Vale de Espinho!

E as cadeiras do curso de Biologia iam avançando; no verão de 1976, estávamos a completar o 4º ano ... e
17.07.1976 - Nos salgados de Corroios, com o Professor
Fernando Catarino
a precisar de férias...J! 1ª semana de Agosto: uma semana acampados no Portinho da Arrábida! Depois ... Santa Cruz e o regresso às Berlengas!
13.08.1976 - Praia de Santa Rita, ruínas do
antigo mosteiro de Penafirme
No dia 13 fizemos uma jornada a pé  ao  longo  das arribas, de Santa Cruz à praia da Corva, a norte de
Porto Novo.
13.08.1976 - Praia de Porto Novo
















E na 3ª semana voltámos a acampar no paraíso das Berlengas, com 3 amigos feitos ainda no velho "Cabo Avelar Pessoa".
No paraíso da Berlenga, 18 de Agosto de 1976
Acampamento na Berlenga

Em Setembro/Outubro de 1976 ... nova "revolução"! Como todas as revoluções, implicava uma decisão: ia fazer  o  final  do curso  de Biologia com Formação Científica ou  Educacional ?  A chama da Espeleologia
Acampamento junto às grutas de Assafora, Sintra,
2 de Outubro de 1976
estava ainda acesa e os trabalhos com morcegos tinham-na reactivado.
Colónia de morcegos nas grutas do
Amiais, Alviela, 23 de Outubro de 1976


Com o objectivo de uma possível especialização científica na ecologia e comportamento daqueles nossos parentes cavernícolas, em Outubro de 1976 acampámos nas grutas de Assafora, Sintra, e, dois fins de semana depois, de novo nas minhas velhas conhecidas nascentes do Alviela. Ainda comecei, aliás, um estágio científico no Instituto de Medicina Tropical, precisamente sobre parasitologia em Quirópteros.

Mas outra chama tinha estado também sempre latente: porque não ... tornar-me um Ribau? Cativar os jovens para as Ciências da Vida, para os grandes espaços naturais que eu aprendera a amar? A paixão pela docência começou a fermentar ... e viria a ocupar-me ao longo de 3 décadas!
26 de Janeiro de 2011