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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ouvindo velhos contos ... à lareira e com sabores

Regressados de Vale de Espinho e do inferno em que as mãos criminosas lançaram o concelho, eu tinha encontrado casualmente na net uma iniciativa que me pareceu bastante interessante e original. Organizado
Retiro da Fraguinha, 3.10.2009
pelo grupo "Criar Raízes", de S. Pedro do Sul, em conjunto com o parque de campismo da Fraguinha, na Serra da Gralheira, de 3 a 5 de Outubro realizava-se o evento "Estória, História...: encontro de contadores, lareiras e sabores". O encontro parecia apelativo: prometia "contos, percursos pedestres, petiscos, vidas partilhadas... uma forma diferente de descobrir a serra". Há 15 anos que não acampávamos propriamente, em tenda; era uma oportunidade para reviver a experiência e participar naquele encontro.
E assim, naquele início de Outubro, rumámos à Gralheira. O parque da Fraguinha é um camping rural, em plena serra. Que bela localização e que bela envolvência ... não fossem as muitas eólicas nas redondezas, zumbindo dia e noite.
Vamos descamisar o milho, Manhouce, 3.10.2009
Que aberrante "plantação" povoa agora muitas das nossas serras! Energia limpa? Esse é um conto mal contado...
Com base na Fraguinha, as duas aldeias que receberam o evento foram Manhouce e Candal. Aldeias alcandoradas na serra, cheias de histórias e de tradições. E dando vida aos objectivos pretendidos, o conto veio de novo para a lareira, para o sítio onde nasceu, nas longas noites de frio e de chuva, à volta do lume, em casa das pessoas. A ideia era que os participantes descubrissem as aldeias e as suas gentes, ao circular de casa em casa para ouvir um contador diferente e provando nelas os sabores tradicionais; foram assim as noites dos dias 3 e 4. Mas também tivemos a oportunidade de aprender saberes de outrora, de escutar vozes que ecoam dos recantos da serra ... como a voz de Isabel Silvestre, que ouvimos num esplêndido concerto na igreja de Manhouce.
Candal ... pedras que falam...  4.10.2009
Em Manhouce participámos no labor tradicional do descamisar do milho. Em Candal reunimo-nos na eira, para ouvir velhas histórias de lobos e de homens. Foram sem dúvida três belos dias e um belo evento. Um único reparo, que aliás fiz à organização: os "contadores de histórias" poderiam (deveriam...) ter sido recrutados entre a população das aldeias, ou seus descendentes ou a elas ligados ... em vez de contadores "profissionais", convidados, contando histórias que levam para muitos cantos e recantos, histórias que nada têm portanto a ver com aquelas aldeias, serras e gentes. Poderia ser difícil ... mas seria um desafio.
(Pode ver o álbum de fotos completo nest link)

Entretanto, ainda em Setembro tínhamos participado com os Caminheiros Gaspar Correia em mais uns Chocalhos, em Alpedrinha e na Serra da Gardunha, ligando no sábado as barragens do Pisco e da Marateca. A 17 de Outubro foi a vez de uma caminhada ... surpresa... J. E a 7 de Novembro, com quase 2
Um novo Caminheiro... J  7.11.2009
anos ... o neto mais velho estreou-se nos Caminheiros... J! Numa caminhada alusiva a S. Martinho, entre o Sardoal e Andreus, o estreante fez parte do percurso ... na mochila para o efeito, às costas do avô e do pai... J. E a última jornada caminheira do ano foi em terras de Sicó, no dia 12 de Dezembro.
Mas pelos Santos tínhamos regressado a Vale de Espinho. No dia 28 de Outubro fui ver como estavam as "minhas" Fontes Lares ... e felizmente fiquei maravilhado. A natureza é pródiga e regeneradora! O cenário dantesco de dois meses antes, tinha-se felizmente alterado substancialmente.
As Fontes Lares voltaram à vida!  28.10.2009
Ainda durante essa curta estadia, no dia 31 participei numa caminhada organizada pela Associação Recreativa de Malcata, palmilhando à noite os velhos trilhos da serra, do Alízio ao geodésico do Homem e regressando a Malcata. E de 17 a 20 de Dezembro ... lá estaria de novo na "minha" Vale de Espinho... J!

E numa visita há muito pretendida, Florença recebeu-nos no final de Novembro, depois de um dia e meio em Barcelona. Mas além das cidades, esta jornada permitiu ainda conhecer um pouco das belas paisagens da Toscânia ... bem como um espectacular panorama aéreo dos Alpes, na viagem de regresso.
Sobrevoando os Alpes, 26.11.2009
3/09/2011

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

E o inferno passou por ali...

Regressados dos Pirenéus a 9 de Agosto ... dia 11 estávamos em Vale de Espinho,  para  passar  grande
Na Serra do Espiñazo, sobre San Martín de Trevejo, 13.08.2009
parte do resto do mês. E logo dois dias depois, participo numa caminhada organizada por um grupo de pessoas dos Foios, nas chamadas Torres das Ellas, os espigões rochosos da Serra do Espiñazo, sobre Valverde del Fresno e as Ellas. Já conhecia a zona, mas a caminhada foi orientada por fojeiros muito conhecedores daquelas rotas, o que é sempre uma mais-valia importante. Histórias de barrocos cortados por um raio, de fontes que guardam tesouros escondidos, foram animando e alimentando esta belíssima caminhada. Obrigado Tó e Xico Lei!
Agosto foi também o mês em que pela primeira vez os netos, agora ambos com pouco mais de ano e meio, passaram uma temporada maior na raia.
Ao longo do Espiñazo, 13.08.2009
Subida às Torres das Ellas, 13.08.2009
No dia 20 vou de Vale de Espinho à Gardunha e regresso, para participar com outro caminheiro na prospecção da que viria a ser a caminhada de Setembro dos Caminheiros Gaspar Correia. Mas o fim de Agosto e os primeiros dias de Setembro de 2009 ficariam para sempre marcados nas memórias de Vale de Espinho e de todo o concelho do Sabugal. Naqueles dias ... o inferno passou por ali! A mão criminosa dos incêndios, que todos os anos varre as nossas florestas, sacudiu todo o concelho do Sabugal com uma onda
Clique para ver o álbum no Picasa
de fogo como nunca naquela zona se havia visto! Entre Vale de Espinho e os Foios, o incêndio começou no Regordo ... junto ao Côa! Como é possível começar num baixio, junto à água, e rapidamente subir às Cortes e às Balsas, ao cimo da Serra de Aldeia Velha ... envolvendo as novas torres eólicas que infelizmente povoam a cumeada?!...
Já tinha regressado a Lisboa ... mas não me contive. Os campos ainda fumegavam...! Na zona do Terreiro das Bruxas ... tudo havia sido carbonizado! Entre o dia 30 de Agosto e o dia 1 de Setembro, mais de 60% do concelho do Sabugal foi devastado pelas chamas!
No dia 2 meto os pés ao caminho ... e o "filme" que se me revelou foi um cenário dantesco. Ao avançar das Balsas para as Fontes Lares, por momentos alimentei a esperança de que a serpente de fogo tivesse poupado aquele "santuário". Mas rapidamente a esperança se foi desvanecendo ... e as lágrimas corriam-me soltas quando me sentei no meu barroco sagrado. Qual ilha num mar de cinzas, o barroco jazia isolado, perdido na negritude que o rodeava. As ruínas da velha casa, ocupadas nas últimas décadas por silvas impenetráveis ... estavam agora mais vazias do que nunca, esventradas, comidas pelo fogo até nas velhas paredes interiores. Próxima, da velha casa do Ti Zé Tomé ainda se soltavam grossas colunas de fumo...
O barroco "sagrado" jaz como ilha num mar de cinzas...  2.09.2009
Uma dolorosa caminhada ao inferno... 2.09.2009
E o inferno passou por aqui...  2.09.2009
Que arda no fogo dos infernos quem provoca esta miséria que todos os anos se repete ... quem lucra com a destruição do nosso património natural ... quem deixa impunes os crimes que nos corroem o mais íntimo de nós mesmos! Ao longo desta caminhada de dor e sofrimento, testemunhei outra "coincidência" dos "fenómenos" que provocam os incêndios florestais: 90% ou mais do que vi queimado foram áreas de pinhal; as áreas de carvalhos e de outras caducifólias estavam praticamente intactas, mesmo que ao lado de extensas áreas devastadas. Porquê?...
Mas os (ir)responsáveis pela gestão florestal teimam em reflorestação com resinosas...! Porquê?...

(Este artigo foi escrito e publicado a 2 de Setembro de 2011 ... 2 anos depois desta dolorosa caminhada)

sábado, 12 de novembro de 2005

A pé e de "burro", nos trilhos da Malcata e das Mesas

Regressado de Somiedo a 28 de Julho, com os Caminheiros, no dia seguinte parto para uma estadia de quase um mês em Vale de Espinho. Agora que tínhamos casa e "burro" (o UMM...), natural seria que as férias se passassem naquele que era já o nosso "retiro espiritual".  Ao longo desse quase  mês,  sucederam-
No bosque do Rio Bazágueda, junto
à Quinta do Major, 31.07.2005
se filhos e noras, irmão, cunhada, primos, amigos ... a quem eu tinha de mostrar as "minhas" terras!
Logo na manhã do dia 31, o "burro" levou-nos a nós e ao filho mais novo e nora à Quinta do Major. Naquele verão bastante seco, o Bazágueda praticamente não tinha água, mas a mancha florestal que encerra a Quinta, com a sua história e os seus segredos, é sempre aprazível e inspira carinho e respeito. Quantos homens e mulheres não labutaram naquelas terras toda a sua vida?  Quantas recordações gravadas nas memórias...

Nós vamos à Quinta,
da Quinta pois vimos.
Rio Bazágueda, 31.07.2005
Eu amo a Quinta
com todo o carinho!
.....................
Quando vou à Quinta
esqueço paixões...
Lembro-me velhos tempos,
lindas recordações!
.....................
Fui ali criado,
fui ali crescido,
que nunca me esqueci
do tempo antigo.
.....................
No tempo antigo
não havia carrinhos...
Mas Deus ajudava
Quinta do Major, 31.07.2005
a andar o caminho.
.....................
Desses lindos tempos,
dessa boa idade...
Agora de velho
é que chega a saudade!
.....................
Adeus LINDOS TEMPOS
e adeus BOA IDADE...
Eu morro de desgosto
com tanta saudade!!!

José Manuel F. Andrade,
natural de Vale de Espinho,
in http://andrade-ve.blogspot.com/

No primeiro dia de Agosto, a digressão foi até à barragem do Sabugal ... e até à primeira "doença" do "burro"...J! Fora as avarias ... o velho UMM trepou sempre onde o mandaram! Nos dias 8 e 10, foi a vez da Serra das Mesas, incluindo a nascente do Côa e o ponto mais alto da serra, já do lado de lá da raia ... para onde supostamente não há caminhos transitáveis para veículos motorizados.
De "burro" no alto da Serra das Mesas (1256m), 10.08.2005
De "burro" no alto da Serra das Mesas (1256m), 10.08.2005
Sobre o barroco "ratchado", na linha de fronteira, 10.08.2005
A fronteira "ratchou" o barroco...J, 10.08.2005
Caseta de Carabineiros e panorâmica para a Extremadura
Antiga caseta dos carabineiros, 10.08.2005
No dia 13 subi à Machoca, pela Pelada e Cabeço da Moira. E de 16 a 24 de Agosto sucederam-se mais 6 périplos pelos montes e vales daquelas minhas terras e serras. As Fontes Lares, claro, não podiam faltar. Mas também conheci as ruínas do Sabugal velho, na serra da Senhora dos Prazeres, sobre Aldeia Velha, "descobri" os recantos perdidos do Alcambar, conheci o Espigal e a sua água puríssima!
Opções na Malcata, 20.08.2005
No dia 20 de Agosto faço quase 80 km na Serra da Malcata, com o filho mais velho e nora. Cruzo a Ventosa e desço ao Bazágueda, procurando um outro caminho para a Quinta do Major. Passo os Basteiros e a Malhada Medronheira, subo aos Concelhos e ao Cabeço do Pão e Vinho, desço à barragem da Meimoa e ao Meimão, volto a subir ao Alízio e ao Espigal ... e dois dias depois rumo a Valverde!

No fim de Setembro e no fim de Outubro voltamos ao nosso retiro, aproveitando a ligação respectivamente ao feriado do 5 de Outubro e aos Santos. E lá vai o desbravar do Alcambar, do Nabo da Cresta, do vale da Maria, da Fonte Moura, dos Urejais, de cantos e recantos de uma serra cada vez mais minha.

Em Setembro levo de novo os Caminheiros à Gardunha, no fim-de-semana do Festival "Caminhos da Transumância". A caminhada de domingo ... é a caminhada transumante, do Fundão a Alpedrinha, acompanhando os rebanhos. E com os Caminheiros percorro a Mata Nacional dos Medos, da Caparica à Fonte da Telha, em 15 de Outubro, e a zona de Mação e Cardigos, em 12 de Novembro.
 
6 de Julho de 2011

domingo, 29 de maio de 2005

Era uma vez uma casa em Vale de Espinho...

2005 foi o ano da "inauguração" da casa de Vale de Espinho. Os meus "instantâneos de ar livre", na raia Sabugalense, passavam a ter uma base! A primeira noite foi a de 25 de Fevereiro de 2005, mas 3 semanas antes tínhamos lá passado o Carnaval, assistindo por exemplo à montagem das mobílias. O Carnaval de 2005, em Vale de Espinho e na raia ... foi um Carnaval branco, como há muito não havia memória!
Mesmo assim, dia 7 ainda desafiei uns primos para me acompanharem na "minha" serra; subimos ao cabeço redondo e à raia, descobri a velha casa florestal do Canto da Ribeira, descemos às Braciosas ... e fizemos quase 15 km naquela tarde.
E temos uma casa em Vale de Espinho!
Vale de Espinho em tons de branco, 6.02.2005
Nunca desejei tanto um "objecto" como aquela casa! Do outro lado da vida, o nosso saudoso Zé "Malhadinhas" tinha também certamente acompanhado a sua construção, na terra onde nasceu e na qual quis ficar. A sua memória permanecerá para sempre, no granito das espessas paredes de pedra, na brancura da neve daquele primeiro inverno, no sussurrar do vento, no frio daquele gélido Fevereiro...

Rio Côa, com o CAAL, 2.04.2005
Em Março, passámos a Páscoa em Vale de Espinho. E eu acabo por passar lá quase duas semanas, já que o CAAL - Clube Ar Livre - tinha uma actividade programada ... a passar em Vale de Espinho. É claro que eu não podia perdê-la...J! Foi no dia 2 de Abril, uma jornada de Quadrazais até aos Llanos de Navasfrias, totalizando quase 25 km e cruzando a Serra das Mesas. Mas, dado que o grupo chegava a Quadrazais pelo Soito ... manhã bem cedo fiz 7 km suplementares, pela Có Pequena e Malhada Alta, até ao Soito.
Chegamos à velha ponte de Vale de Espinho, 2.04.2005
Grande parte do percurso foi feito com chuva, nomeadamente a subida ao marco geodésico das Mesas e a descida para os Llanos, pela nascente do Águeda, o rio irmão do Côa. Rio Águeda que no dia seguinte iria encontrar de novo, na segunda caminhada deste fim de semana com o CAAL, entre a castelhana San Felices de los Gallegos e Escarigo, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. De 2 para 3 de Abril, fiquei com o CAAL na aldeia de S. Sebastião, perto de Vilar Formoso ... onde uns anos depois levaria os "meus" Caminheiros Gaspar Correia. E regressei a Lisboa com o CAAL.
Casualmente, é durante a breve passagem pelos Foios, com o CAAL, que conheço o respectivo Presidente da Junta de Freguesia. Apaixonado pela sua terra e pelas suas gentes, a iniciativa e a dinâmica deste carismático autarca é conhecida em toda a raia; daquele encontro casual, no bem conhecido "El Dorado", resultou uma amizade e um contacto permanente, veiculando-me também o conhecimento e o contacto com outros autarcas, escritores, jornalistas e outras forças vivas das terras de Riba-Côa.
Quadrazais - Llanos de Navasfrias, com o CAAL, 2.04.2005
Alto da Serra das Mesas, com o CAAL, 2.04.2005
Mas o mês de Abril de 2005 seria pródigo em idas a Vale de Espinho: o fim de semana de 16 e 17, passamo-lo lá com os meus pais ... 31  anos  depois  de lá  terem ido a  primeira vez.  Uma  semana  depois,
aproveitando o feriado do 25 de Abril, é a vez do nosso "grupo dos seis": os dois casais que connosco partilham tantas "aventuras" vividas, vão conhecer o nosso retiro espiritual, como lhe comecei a chamar. Numa manhã chuvosa, vamos com eles à nascente do Côa, descemos aos Foios feitos "num pinto". Com eles, percorremos os lameiros do Côa ... que volto a percorrer na manhã de 25 de Abril, sozinho, enquanto os 5 dormem...J!
Entretanto as caminhadas sucedem-se, todos os meses, com os Caminheiros e/ou com o CAAL: no Paul de Tornada, Salir do Porto e Santiago do Cacém, em Março; em Porto de Mós e pela serra da Lua (Serra d'Aire), em Abril; no Castelo do Bode, Lorvão e Penacova, em Maio ... e de 25 a 29 de Maio voltamos a Vale de Espinho! Nas manhãs dos dias 27 e 29 faço mais de 45 km a pé e de bicicleta, desbravando a minha Malcata, saindo de casa pouco depois das 6 da manhã. Pela Pelada e Moura, revela-se-me a Malhada do Barroso, o comedouro de abutres da Ventosa; pelo Clérigo, desço a Lomba, o Poço do Inferno, a Casa do Preto.
Cruzamento de trilhos da Ventosa, 27.05.2005
O verde da Malcata salpicado pela chara e rosmaninho, 27.05.04
Ruínas da "Casa do Preto", 29.05.2005
Cabeço da Moura, 29.05.2005
Vale de Espinho, da Pelada, 29.05.2005
Lameiros de beira Côa, 29.05.2005
Os cantos e recantos da minha Malcata vão passando a ser cada vez mais meus, vou passando a conhecê-los como se com eles tivesse sempre vivido e convivido. E precisamente para conhecer melhor a minha Malcata ... em Junho de 2005 comprei um velho UMM, um heróico resistente às "aventuras" em que o meti, por trilhos e ladeiras de raposas e de javalis! Eu chamava-lhe "o meu burro" ... embora ele fosse menos teimoso que os asnos. O meu "burro" conheceu Vale de Espinho no dia 25 de Junho de 2005, quando o levei de Lisboa, aproveitando para uma passagem pelas terras da Gardunha, em prospecção para uma futura caminhada. E foi "baptizado" logo no dia seguinte, com uma travessia de 25 km ao longo da raia, da nascente do Côa a Vale de Espinho, pelo Lameirão dos Foios, Pedra Monteira e Cabeço da Moura.
O meu "burro" no Moinho do Rato, 26.06.2005
Aos comandos..., 26.06.2005
Cabeço da Pelada, 26.06.2005
Sobre os Foios, 26.06.2005
Enquanto durou ... creio que o meu "burro" também se apaixonou por Vale de Espinho, pelas bredas e veredas da Malcata, das Mesas e até de Espanha!
 
15 de Junho de 2011

domingo, 13 de junho de 2004

Dos trilhos da Gardunha aos senderos de Galicia e de Valença

Nos Caminheiros Gaspar Correia, Maio e Junho de 2004 foram meses de actividades de mais de um dia. Em Maio, levo-os às terras de Alpedrinha e da Gardunha, à actividade que havia preparado dois meses antes. O fim de semana de 15 e 16 de Maio foi aliás um prenúncio de um verão anunciado: dois dias de Sol e calor em que, para além das caminhadas, o grupo teve a calorosa recepção dos queridos amigos que, por tantas vezes já, nos haviam feito de alguma forma pertencer também àquelas terras, que agora dava a conhecer. Castelo Novo, a travessia da serra, a subida à Penha, a descida sobre Alpedrinha, a história e a cultura em cada esquina desta secular vila, que já foi sede de concelho, tudo cativou a "família" Caminheira que ali levei. Depois, nos feriados de Junho, rumámos a Valença, também pela mão de uma filha da terra, para vivermos 4 espectaculares dias em terras do Minho e da Galiza.
Atravessando o Minho em Caminha, o primeiro objectivo foi o Monte de Santa Tecla, onde a história e as lendas da respectiva citânia celta estavam envoltas em denso nevoeiro, junto com toda a paisagem. Depois, foi a visita a Valença e às suas históricas muralhas. À noite, ainda fomos brindados com as festas de Valença e com um espectáculo com o grupo folk galego "A Roda". E a primeira caminhada viria no dia seguinte; primeira caminhada ... que eram três caminhadas! No paraíso natural do Monte Aloia, próximo de Tui, fizemos três lindíssimos percursos, diversificados, de temáticas diferentes: o trilho do Rego da Pedra, acompanhando as pequenas levadas de água construídas em granito; o trilho dos miradouros, com espectaculares panorâmicas sobre o vale do Minho, Tui e Valença, principalmente do Alto de San Xoan; e o
trilho dos Muiños do Tripes, revivendo a vida dos velhos moinhos de água. À noite ainda regressámos a Tui ... para um "concerto" nas escadarias da catedral...J!
O dia 12 de Junho foi dedicado a uma caminhada nas serras de Valença, entre as aldeias de Bade e Boivão, a leste do Monte Faro,o "farol" de Valença. Num dia finalmente mais limpo, este percurso ofereceu-nos passagens quase constantes de denso arvoredo para panorâmicas a perder de vista. O "castelo" de Boivão, amontoado de blocos graníticos na parte final da caminhada, foi local de contemplação. E estavam assim terminadas as actividades caminheiras, naqueles belos dias de Junho de 2004.
13 de Junho de 2011

domingo, 11 de abril de 2004

Das margens do Minho a Vale de Espinho ... com outras terras de permeio

No início de Dezembro de 2003, conseguimos uma "aberta" de 6 dias para uma comemoração especial. Não
Vila Nova de Cerveira, Rio Minho, 4.12.2003
é todos os dias que se completam 30 anos de uma vida em comum...J. A  paixão pelo campo e pelo mundo rural leva-nos ao Alto Minho, à freguesia de Lanhelas e à "Casa da Anta", depois de um primeiro dia e noite na Invicta. Debruçados sobre o Rio Minho, os dias na "Casa da Anta" foram de descanso, mas também de passeios, tanto em terras lusas como por terras dos nossos irmãos galegos. As panorâmicas do alto do Monte de Santa Tecla são sempre espectaculares. Mas espectaculares foram também as paisagens rurais de Vilar de Mouros - recordando o mítico festival - e da Serra de Arga. Agora que já não tínhamos autocaravana, na "Casa da Anta" estreámo-nos no chamado turismo rural; e a "experiência" foi para continuar ... principalmente nas Astúrias.
Lanhelas, Rio Minho, 5.12.2003
Vilar de Mouros, 5.12.2003
Foz do Minho, do Monte de Santa Tecla, 7.12.2003
Pôr-do-Sol na praia de Moledo, 7.12.2003
As caminhadas com aquela que cada vez mais era a nossa "família" caminheira - os Caminheiros Gaspar Correia - também claro que continuavam: Rio Maior, os arrozais de Santo Estevão, a barragem de Pêgo
21 km na Serra da Gardunha, 25.03.2004
do Altar, sucederam-se, de Outubro a Dezembro. Já em 2004, os lapiás da Granja dos Serrões, o sudoeste alentejano - com um Carnaval Caminheiro em Almograve - Portel e a barragem de Alvito, a minha velha Serra d'Aire ... as caminhadas sucedem-se. Em 25 de Março de 2004 faço 21 km a pé, sozinho, na Serra da Gardunha, em prospecção para aquela que viria a ser a actividade de Maio com os Caminheiros. No dia seguinte, junta-se a mim a habitual "equipa de Alpetrinenses"; passamos mais um fim de semana em Alpedrinha e fazemos, agora todos, mais duas caminhadas de preparação para aquela actividade.

Mas voltemos a Dezembro de 2003. Passado o Natal ... regressámos a Vale de Espinho, onde passámos três
Vale de Espinho: casa e palheiros viram casas, Dez.2003
dias. Desta vez não houve caminhadas, mas houve, claro, o respirar daqueles ares "mágicos" ... e houve a assistência às primeiras obras de transformação de uma casa velha e dois palheiros ... em casas...J. Essa assistência repetiu-se na Páscoa de 2004 ... bem como no fim de Maio ... em Junho, no S. João ... em Julho...
O nosso futuro retiro espiritual ia crescendo...J!
Na velha quelhe das pedras, 11.04.2004
A água divina das Fontes Lares, 11.04.2004
Regresso a Vale de Espinho, pelo Areeiro, 11.04.2004
Mas Junho e Julho foram também ricos em caminhadas. Para além de 4 dias em terras do Minho e da Galiza, que serão objecto de post específico, a 3 de Julho participamos numa caminhada nocturna com os Caminheiros, do Cabeço de Montachique ao Tojal.
 
8 de Junho de 2011

segunda-feira, 20 de dezembro de 1999

Do Douro à Gardunha ... no fim dos anos de 1900

No último trimestre de 1999, duas "aventuras" assinalariam o fim do penúltimo ano do século, ambas em ronda de amigos. Em Outubro, subimos o Douro até à Régua, e, em Novembro, voltámos à Gardunha e às terras de Alpedrinha.
Assim, no dia 8 de Outubro à tarde, o nosso "grupo dos seis" estava a partir para o Porto, 2 casais na nossa autocaravana e o outro no respectivo Passat. "Acampámos" no velho parque da Prelada ... e a primeira "aventura" foi meter os 6 no Passat, à noite, para ir jantar...J!
No dia seguinte de manhã estávamos na bela Ribeira, prontos para o cruzeiro. O Douro ia mostrar-nos as suas belezas naturais, numa paisagem humanizada pelos seus famosos vinhedos, mas também pelas sucessivas barragens e respectivas eclusas. Em Entre-os-Rios, passámos sob a Ponte Hintze Ribeiro ... mundialmente conhecida menos de 2 anos depois, quando um dos pilares desabou, levando à queda de parte do tabuleiro no Rio Douro, levando consigo um autocarro e três carros e matando cerca de 60 pessoas.
O regresso da Régua ao Porto foi de comboio, na velha linha do Douro, quase sempre à beira rio. Sem dúvida um belo passeio, que anos mais tarde completaríamos até Barca de Alva.

Um mês depois, à semelhança do ano anterior,  a  4 de Novembro voltávamos  a  Alpedrinha,  para  passar
Alpedrinha, Palácio do Picadeiro, 4.11.99
outros 4 dias em terras da Gardunha. Nestes dias, ainda houve um passeio a Idanha-a-Nova - visitando o seu Museu Etnográfico raiano - e ao Santuário da Srª do Almurtão ... e um apelo da serra: os três "machos" do grupo calcorrearam a velha calçada romana de Alpedrinha, atravessaram a serra, desceram por Alcongosta ... e foram até ao Fundão a pé; são apenas uns curtos 7 km. De resto, estes dias foram de puro descanso, convivência ... amizade vivida.
Três "bodes" na Serra da Gardunha, 6.11.1999
Pastores e pastorinhas...J, 6.11.1999
E chegava a data "mágica"...! Não era ainda o fim do século e do milénio, mas era a data mais "mística" e "enigmática". Como me lembro, como se fosse hoje, de com 13 ou 14 anos, ou até mais, pensar ... "ano 2000? ainda falta tanto! ". O tanto havia-se contudo transformado em tão pouco, o ano 2000 estava ali mesmo a chegar! Até sobre as primeiras "aventuras" relatadas neste blog ... já se tinham passado 30 anos!
28 de Abril de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 1994

Por terras da Gardunha ... com regresso a Vale de Espinho!

Em Março do ano anterior, tínhamos almoçado na sempre simpática vila de Alpedrinha,  terra  adoptiva  de
Alpedrinha, 10.06.1994
um dos professores da "equipa" que levou os alunos à Serra da Estrela. Em Junho de 1994, aproveitando o feriado de dia 10, o homem da poesia e da literatura proporcionou ao resto da "equipa" 4 espectaculares dias em Alpedrinha e na Serra da Gardunha.
Na Serra da Gardunha, 10.06.94
Casa da floresta de Alcongosta
Éramos três casais e filhos, instalados na vetusta casa de pedra da família Boavida,  no  centro  da  vetusta vila de Alpedrinha. A piscina, a velha vinha, e, claro, a Serra da Gardunha, preencheram o feriado. Pelo Fundão e Alcongosta, subimos de carro à casa florestal e à Penha; não os consegui cativar para uma jornada pedestre...L.
No sábado, o destino foram as terras de Idanha, bem como o "pog" de Monsanto; e no domingo, 12 de Junho, tinha de ser o regresso.
Nas muralhas de Monsanto, 11.06.1994
"Ressuscitarei dos mortos"...J
Palácio do Picadeiro, Alpedrinha, 12.06.94
 
A 29 de Julho estava a partir para férias. Passados uns tempos, nem nós próprios acreditávamos: seria possível que ... há 7 anos que não íamos a Vale de Espinho?!  Como tinha sido possível?  Mais  ainda  do
que naquela época, hoje parece-me impensável que tivessem passado 7 anos sem ir à "minha" terra, à "minha" Vale de Espinho, à "minha" Malcata, aos "meus" campos e lameiros. A terra já havia levado o velho Zé Joaquim Malhadas, pai de meu sogro, bem como as duas avós da minha arraiana, as velhas "ti Guta" e a "ti Maria Clementa". Mas principalmente o ramo familiar emigrado em Tours continuava a ter lá casa ... uma das quais tinha sido e iria continuar a ser o nosso "poiso".
E de Vale de Espinho partimos um dia à descoberta das Serras da Gata e da Penha de França, atravessando a região de Alberca e de Las Hurdes. Las Hurdes, onde Luís Buñuel encontraria em 1933 a matéria-prima para as suas idéias cinematográficas; as lentes da câmara captam de maneira crua a vida miserável dos hurdanos, os seus costumes e tradições, as doenças, as migrações, a precariedade da agricultura, a distância que os habitantes precisam percorrer para levar os seus mortos ao cemitério mais próximo; um lugar esquecido, retratado no célebre documentário "Las Hurdes, tierra sin pan".
Cume da Penha de França, 26.07.1994
Paisagem, Malcata, 1.08.1994
Torre da Machoca, Malcata, 1.08.1994
 
É também pela primeira vez que, a partir de Vale de Espinho, nos embrenhamos a sério no paraíso da Malcata. A partir da velha estrada da carreira de tiro da Meimoa, chegamos às margens da barragem, passamos o Meimão, subimos ao alto da Machoca ... e maravilhamo-nos com a paisagem a perder de vista: da Serra da Estrela às Mesas, com o vale do Côa aos pés ... aquelas eram efectivamente as "minhas" terras!
Mas as férias prosseguiriam a sul: uma volta pelas praias do Sudoeste Alentejano fez-nos recordar a excursão com alunos. E, no fim ... Santa Cruz uma vez mais ... e mais uma vez uma ida às Berlengas.
 
15 de Março de 2011