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quarta-feira, 25 de outubro de 2000

Açores, ano 2000 (2): quando subo pela 2ª vez a montanha do Pico

24 de Outubro de 2000. Estamos em Madalena do Pico, preparados para a grande "aventura" da subida à montanha. Pela minha parte, era a segunda vez que a subia ... depois de 4 anos antes o ter feito também com alunos. Agora é o Cláudio Gonçalves, então aluno, a descrevê-la para o Clube "Amigos da Natureza":

"Às 7h45 lá partimos, cheios de ansiedade, rumo ao local onde se ia iniciar a grande aventura da viagem: a escalada ao Pico! Quando chegámos ao sopé do Pico, abandonámos o autocarro, que logo deu meia volta, regressando a Madalena do Pico, e que só nos viria buscar no fim da aventura. Fomos então ao encontro do nosso guia, o Joaquim Nené, que tinha vindo no seu próprio carro. A euforia e a adrenalina eram bastantes, porque o nevoeiro matinal teimava em não levantar, impossibilitando que conseguíssemos um contacto visual com o cimo do Pico, para podermos fazer uma estimativa do percurso que estávamos prestes a iniciar. Terminadas as últimas instruções e trocadas palavras de encorajamento, começámos a nossa escalada por aquilo que se chama um "caminho de cabras". O caminho era escorregadio, pois por entre a terra húmida existiam "paletes" de musgo encharcado pelo orvalho da manhã. Muitos arbustos ladeavam o pequeno trilho, não nos deixando alternativas de percurso. Depois de pouco andarmos, chegámos a umas elevações que pareciam pequenas montanhas e que foram facilmente identificados como cones secundários. Um deles permitia que se entrasse e, lá dentro, lugar onde nem todos foram, sob a protecção de um muro edificado pela mão humana, podia-se apreciar uma grande fenda escura e húmida, com plantas nas suas paredes. A escalada continuou e o caminho foi-se tornando mais íngreme, mas ao mesmo tempo mais livre, porque à medida que subíamos os arbustos iam rareando, deixando-nos a possibilidade de fugir um pouco ao caminho seguido pelo guia e, dentro do possível, sermos como pioneiros, inaugurando um novo trilho para alcançar o topo do Pico."

Foi por esta altura que se deram as primeiras desistências, tal como tinha acontecido 4 anos antes. Mas continuemos a acompanhar a descrição:

"O resto do grupo, agora mais pequeno, prosseguiu a viagem mais apreensivo e consciente do perigo. À medida que subíamos,  repetíamos tentativas frustradas de avistar a paisagem  encoberta  por  "resmas"  de
Subida à montanha do Pico, 24.10.2000
"nuvens que, além de não nos deixarem aproveitar a vista panorâmica da ilha, nos banhavam com salpicos quando as atravessávamos. No entanto, por pequenas abertas entre as nuvens, era possível vislumbrar campos cultivados, pedaços da costa onde se notava a zona da rebentação das ondas e alguns pequenos cones como os que tínhamos visto de perto lá em baixo. Aquela não era definitivamente uma simples neblina matinal. Finalmente alcançámos a nossa primeira meta, estávamos a 2280m de altitude, na borda da cratera do Pico. A cratera era enorme, de forma circular, e bastante funda, com cerca de 80m de altura, da qual irrompia o Piquinho, ao qual estávamos destinados a chegar. Perante esta magnificente "miragem", resolvemos parar para almoçar e assim juntar o útil ao agradável, pois ao mesmo tempo que enchíamos a barriga aliviávamos o peso das mochilas.
Como não podia deixar de ser, as nossas fieis perseguidoras (as nuvens) acharam que era também uma altura propícia para aliviar a carga e, para mal dos nossos pecados, começou a chover. Aconchegámo-nos todos na tentativa de nos protegermos daquela chuva persistente, que era tocada pelo vento, mas de nada adiantou. E assim, terminada a refeição, o grupo prosseguiu, deixando mais uma jogadora do nosso “plantel” naquele local, que por si só era prémio suficiente de uma escalada ao Pico, a descansar do percurso já feito e à espera de dar umas boas risadas à custa dos nossos tropeções na última e mais difícil etapa da escalada. Descemos até à cratera por um caminho íngreme e iniciámos a subida ao Piquinho. Esta subida foi muito difícil, porque as pedras estavam soltas e à medida que um subia ia deixando atrás de si uma chuva de calhaus para os outros.

No Piquinho (2351m alt.), 24.10.2000
Após muitas escorregadelas, chegámos enfim ao ponto mais alto de Portugal (2351 m de altitude). Olhámos em volta e não pudemos deixar de nos sentir bem e satisfeitos, pois apesar de as nuvens nos impossibilitarem uma panorâmica da ilha, proporcionavam-nos um espectáculo igualmente belo. Tudo abaixo de nós era branco, só com uns farrapos de azul do mar, e, acima de nós, o céu estava limpo e o sol brilhava, despertando arco-íris pela cratera. Depois de muitas fotografias e muitos risos de alegria, voltámos pelo mesmo caminho até ao local onde antes tínhamos estado a almoçar. Pegámos nas mochilas que aí tinham ficado e começámos a grande descida do Pico, que era talvez mais perigosa mas mais divertida, pois o esforço era menor e sempre podíamos dar uma corridinha de vez em quando e uns espalhos engraçados, sempre sem nos afastarmos muito do Nené (o nosso guia), pois o nevoeiro veio para ficar e não nos podíamos perder.


Quando chegámos ao sopé do Pico, o autocarro ainda não tinha chegado. O Nené levou no seu carro alguns de nós que se tinham lesionado e todo o resto do grupo seguiu a pé estrada fora, conversando, contando anedotas e ouvindo histórias que os "profs" tinham para contar. Já nem a chuva que caía nos perturbava, tínhamos conseguido o nosso objectivo. Por fim apareceu o autocarro, entrámos todos molhados como uns pintos e sentámo-nos confortavelmente como nunca tínhamos estado nas últimas horas. Eram então 16h45 e estávamos de volta a Madalena do Pico, cansados mas realizados, por termos conseguido enfrentar um desafio, com a companhia e a ajuda sempre agradavelmente presente dos nossos amigos e dos nossos professores (que também são, sem dúvida, nossos amigos)! Quando regressámos, e após uma banhoca reconfortante no Quartel dos Bombeiros, que ficava mesmo em frente às nossas instalações (porque não se podia tomar banho nos nossos balneários...), seguiu-se o jantar no mesmo restaurante do dia anterior. À entrada do restaurante, a luz não era muita e como não havia nuvens, fomos brindados com um céu no mínimo espectacular! Dava a sensação de que se estendêssemos um pouco mais o braço poderíamos tocar nas estrelas, porque elas estavam ali para nós!!
Como era a nossa última noite naquela ilha, os professores permitiram uma pequena escapadela às horas, ou seja, fomos divertir-nos para um barzinho junto ao mar, onde dançámos, rimos, brincámos... Chegámos aos nossos confortáveis aposentos e quando chegou a hora do recolher, as melgas voltaram ao ataque, o calor também (porque para não entrarem mais melgas “kamikazes”, fecharam-se as janelas, o que tornou o ambiente mais abafado), e, claro, o nosso lindo “coro” privativo!! Até houve pessoas que preferiram ir dormir para o átrio do que enfrentar toda aquela cena de filme, com aviadores, climas quentes e banda sonora (?!) !!

25.10 - Quarta-feira. 7h30... hora de despertar, fazer as últimas arrumações e partir rumo a S. Roque, onde tomámos o pequeno-almoço e onde nos esperava o navio “Golfinho Azul”, para uma aventura marítima até à ilha Terceira!
6 de Maio de 2011

terça-feira, 24 de outubro de 2000

Açores, ano 2000 (1): S. Miguel e Pico

Em Setembro de 2000, inicia-se um ano lectivo que entrará no novo milénio. E, com ele, os alunos que haviam vivido a semana mágica de Somiedo e dos valles del oso, estavam no 12º ano. Embora apenas com um grupo mais restrito ... os Açores esperavam por nós. Dois professores "batidos" e duas professoras "estreantes" nestas andanças, 17 alunos, 7 das 9 ilhas açoreanas percorridas! Embora S. Jorge e a Graciosa apenas com uma pequena escala, de resto só não fomos a Santa Maria e ao Corvo, a esta última pela simples razão ... de que não cabíamos todos no avião...J
Deixemo-nos levar pelas descrições da Cristiana Franco, então aluna, escritas em Novembro de 2000 para o site do Clube "Amigos da Natureza":

"Aeroporto de Lisboa, 21 de Outubro, 5 horas da manhã. A noite estava estrelada, como que a dar um toque de magia ao começo da viagem, que se esperava inesquecível (no mínimo). Aos poucos, a zona das partidas ia ficando mais composta, com alunos, professores e famílias... Sim, porque os papás, as mamãs, os manos, as manas e até os filhos deslocaram-se ao aeroporto para se despedirem e desejarem boa viagem. (....) A conversa era mais que muita, uns para disfarçar o sono, outros para controlar a ansiedade e outros ainda, para conter o nervosismo da viagem de avião. (....) Finalmente, por volta das 8 horas (hora local), o avião aterrou em terras açoreanas – Aeroporto João Paulo II, Ponta Delgada, ilha de S. Miguel.
Sobre a Lagoa das Sete Cidades, 21.10.2000
Depois da recolha das malas (uff, chegaram todas!), partimos de autocarro a caminho do centro da cidade, mais propriamente da Pousada de Juventude de Ponta Delgada, que nos iria acolher nas 2 noites seguintes. Assim que lá chegámos, colocámos as malas numa sala e partimos à descoberta da ilha. Um dos primeiros sítios visitados foi a famosa Lagoa das Sete Cidades. Primeiro, do alto de uma colina, estávamos novamente sobre as nuvens, com a lagoa aos nossos pés, mas desta vez em chão firme. As fotografias não poderiam faltar, como faltam as palavras para descrever a paisagem... Todos queriam registar cada momento, cada paisagem, cada pormenor... Ficarmos com uma recordação de tudo aquilo, para além das que ficarão para sempre gravadas nos nossos corações!
Bom, após as primeiras impressões, descemos até junto das lagoas... Sim, é verdade que uma é azul e a outra verde... Tentámos encontrar uma explicação lógica, mas a beleza era tão grande que preferimos imaginar, sonhar, inventar explicações sem nexo, mas que fizessem perdurar a magia... Uma magia que só existe nalguns sítios e que só algumas pessoas as conseguem ver! Porquê?! Bem, porque o paraíso é onde nos sentimos bem e abrimos o nosso coração para o que a vida tem de mais puro... Logo, estávamos perante uma paisagem idílica, que fotografávamos com os olhos e tentávamos captar fragmentos da sua beleza numa máquina... O que nós não sabíamos, era que essa sensação se iria repetir por muito mais vezes ao longo daqueles 10 dias... Quando a fome apertou, encontrámos um local simpático e fomos retirando das mochilas os petiscos que as “mamãs” carinhosamente tinham preparado para que os seus meninos se alimentassem bem fora de casa (ou seja, comida a mais!).

Almoço junto às Sete Cidades, 21.10.2000
Em seguida, de novo no autocarro, rumámos a uma praia como nunca tínhamos visto... Água muito azul, alguma ondulação... Até aqui tudo normal... Só que a areia era muito escura, quase preta! Estranho?! Nem por isso! Natural em ilhas vulcânicas, como é o caso de todo o arquipélago. Após esta pequena paragem, seguimos rumo a Ponta Delgada, fazendo ainda outras paragens em pontos mais ou menos emblemáticos, mas sempre deslumbrantes, como por exemplo, falésias arrepiantes onde, se nos abstraíssemos de tudo o resto, parecia que flutuávamos por cima daquela água transparente!
Chegados à Pousada, procedemos à distribuição dos quartos, arrumámos as malas e visitámos a cidade de Ponta Delgada (onde se destacam as famosas Portas da Cidade) (....) Como ainda era cedo (e o sono ainda estava escondido pela excitação do dia), alguns ficaram em frente à Pousada, num muro não muito confortável, mas que se torna um dos melhores sítios do mundo, quando se está em boa companhia, e a conversa surgiu... Uns diziam como tinham gostado do dia, outros já acusavam o cansaço, e outros diziam que iriam ter muitas saudades dos mimos das mães!...

Visita à ilha de S. Miguel, 21 a 23.10.2000

22.10 - Domingo. Por volta das 7 horas, o professor Callixto encarregou-se do nosso despertar (como já é habitual nestas viagens). O dia amanheceu tristonho mas nem isso desanimou o grupo, que já tinha recuperado as forças e estava preparado para mais um dia de descobertas! O pequeno almoço foi tomado na Pousada e em seguida partimos de autocarro para uma visita à parte oriental da ilha de S. Miguel.
A primeira paragem foi num local bastante peculiar... Deparámo-nos com uma cascata e uma pequena lagoa
"(Caldeira Velha)" , só que o cenário era deveras especial porque a água, para além de estar a ferver, apresentava uma coloração acastanhada e um cheiro não muito agradável (devido ao enxofre). A própria terra em redor da lagoa estava quente e em pequenos orifícios podia observar-se lama a borbulhar. Este foi o nosso primeiro contacto com a realidade de que a terra é um sistema vivo, em constante renovação e actividade! Seguidamente, partimos para um local de onde se poderia observar a Lagoa do Fogo... Só que quando lá chegámos, o cenário não era dos mais favoráveis, ou seja, encontrámos um nevoeiro cerrado que não nos permitia ver um palmo à frente dos nossos narizes curiosos!! Daí, um pouco desiludidos, partimos à descoberta de alguns miradouros e das suas vistas impressionantes (é quase indiscritível a beleza das paisagens que vimos... Um misto de verde e azul, com algum casario e uma imensidão de água, que tanto pode parecer um lençol calmo, como uma criança endiabrada!). A visita à vila de Ribeira Grande permitiu-nos ter um contacto mais próximo com os habitantes daquela zona, mas também nos proporcionou estar num local que, no Inverno, quando algumas tempestades assolam aquela área, tudo aquilo fica inundado e destruído.
Depois dessa pequena visita, dirigimo-nos para o vale e caldeiras das Furnas. Aí, e com a Lagoa das Furnas como cenário, observámos a forma como o típico cozido das Furnas é cozinhado, em pleno solo vulcânico. Também aqui o calor era mais que muito e o próprio chão fervilhava, tal a actividade que percorria o subsolo, bem debaixo dos nossos pés. O estômago já acusava a falta de alimento e rumámos à vila das Furnas, onde almoçámos o célebre cozido. Opiniões?! Bem, uns gostaram muito, outros acharam picante, outros nem por isso... Enfim, foi uma experiência nova!
A parte da tarde foi preenchida com a visita a mais alguns miradouros (como o miradouro de Stª. Iria) e a Cascata dos Caldeirões, que nos proporcionou mais uma visão que se ía tornando habitual aos nossos olhos: água translúcida que parecia mergulhar numa imensidão de verde!
Chegados à Pousada, e após algum descanso, a próxima paragem seria nas Instalações Militares de S. Gonçalo, onde o jantar esperava por nós. A noite decorreu de forma semelhante à do dia anterior. (....) no dia seguinte partiríamos para outra ilha...

23.10 - Segunda-feira. 6 horas da manhã... O habitual despertar do professor Callixto (....). Por volta das 7h30 partimos de táxi até ao aeroporto de Ponta Delgada, a fim de embarcarmos rumo à ilha do Pico, o nosso próximo destino. Cerca das 9 horas o avião descolou e uma hora depois aterrámos em Santa Luzia, no aeroporto do Pico. (....) Quando o autocarro finalmente chegou, qual não foi o nosso espanto quando constatámos que a carrinha não tinha porta bagagens!! Resultado: éramos 21, numa carrinha com 19 lugares, o corredor atravancado com malas, bagagens nos bancos e pessoas sentadas em cima... Foi uma aventura!! Primeiro entraram uns quantos para a parte de trás da carrinha, em seguida começaram a entrar malas que iam sendo literalmente atiradas e empurradas umas por cima das outras, e os últimos a entrar tinham que pedir licença às malas!!

Ilha do Pico, 21 a 23.10.2000
Chegados a Madalena do Pico, a aventura continuou! (....) As instalações eram, no mínimo, curiosas... As famosas instalações do Futebol Clube de Madalena do Pico eram constituídas por um edifício de 2 andares, fachada normalíssima, átrio onde começavam as escadas e 2 corredores. No 1º andar ficavam os nossos aposentos que eram, nada mais nada menos, que uma sala, com mesas e cadeiras encostadas às paredes e uma mesa de “snooker” no meio. No rés-do-chão encontravam-se os balneários do Clube que, para se falar com sinceridade, não estavam nas melhores condições... Até aqui tudo bem, mas uma pergunta começava a dominar as nossas mentes: “onde vamos dormir?!” Todos tinham levado sacos-cama, mas não serviam para dormir directamente no chão!! Pois era... Essa foi uma ideia que se alojou em nós durante todo o dia... Tentávamos encontrar soluções minimamente viáveis mas nada... Restou-nos esperar!
Depois de deixarmos as bagagens nas nossas “suites”, dirigimo-nos à Escola Secundária Cardeal Costa Nunes, onde almoçámos na cantina, juntamente com os alunos, que nos olhavam de forma intrigada (ou parecíamos extraterrestres, ou então já éramos famosos!). Findo o almoço, partimos de autocarro para uma visita de volta à ilha do Pico, com passagem por S. Roque (onde existem as antigas instalações para onde se transportavam as baleias pescadas), na costa norte, e Lages, na costa sul, onde se destaca o Museu dos Baleeiros, onde se podem encontrar instrumentos da pesca à baleia, bem como pinturas emblemáticas em ossos de baleia, entre outros.

Objectivo ... a montanha do Pico, 23.10.2000
Após a visita à ilha, regressámos às nossas instalações e demos um pequeno passeio pela Madalena do Pico, uma vila pequenina, mas muito acolhedora. Do seu porto é possível observar-se a ilha do Faial, mesmo em frente e a cidade da Horta que, de barco, dista cerca de 25 minutos do sítio onde nos encontrávamos. Ainda durante este pequeno passeio, compraram-se os almoços para o dia seguinte, que, para a maioria, iria ser passado na montanha. Seguiu-se o jantar num restaurante da vila e uma conversa com o guia de montanha sobre o dia seguinte.
Com todas estas visitas, tínhamo-nos esquecido de algo importante: os colchões!! Eram 22 horas, estávamos quase todos à porta dos nossos aposentos, o professor Callixto já tinha contactado várias pessoas a fim de saber o que se passava... E eis que chega uma carrinha de caixa aberta com as nossas caminhas!! Colchões com cerca de 6 cm de espessura mas que para o nosso cansaço seriam as melhores camas de sempre! Apressámo-nos a transportá-los, arrumámo-los todos juntos uns aos outros, numa ponta da sala, preparámos o almoço para o dia seguinte, apagámos as luzes e caminha (ou melhor, colchãozinho!)! Durante a noite, não se pode dizer que todos tenham dormido muito... As melgas invadiram o salão! Era verem-se braços no ar, cabeças tapadas com os sacos-cama, mãos a perseguir zumbidos... Mas não era só isso... Algumas pessoas tinham um sono um pouco mais sonoro, formando um desafinado coro não muito agradável a ouvidos mais sensíveis, principalmente durante a noite!!

24.10 - Terça-feira. Acordámos por volta das 7 horas e foi nessa altura que se tornaram visíveis os ataques dos nossos inimigos voadores! Todos vermelhos e inchados, tal foi o banquete!! As meninas que não se aventuraram ainda ficaram mais um bocadinho no quentinho, enquanto viam a azáfama de todos os outros, a ultimarem os preparativos.
"

Os preparativos de que fala a Cristiana eram, obviamente, para a grande "aventura" da subida ao Pico do Pico! Pela minha parte, ia subir pela segunda vez à montanha mais alta de Portugal ... ambas as vezes em actividades com alunos...J
5 de Maio de 2011

sexta-feira, 3 de maio de 1996

Nas ilhas da bruma ... quando pela primeira vez subi o Pico

Com base no grupo de alunos que tinham ido ao Alvão, Montesinho, MéridaPirenéus ... em Abril de 1996 "lançámo-nos" no Atlântico! Nove dias em S. Miguel, Terceira, Faial e Pico! Numa organização fundamentalmente do colega de História, a equipa de "profs" era quase a habitual; só a minha "colega especial", nessa altura com medo dos aviões, foi substituída por outra professora de Biologia.
Costa norte de S. Miguel, 26.04.1996 - Grande parte do grupo
Assim, no dia 24 de Abril estávamos a partir da Portela, rumo a Ponta Delgada. A ilha de S. Miguel era o primeiro destino ... e para muitos era também o baptismo de voo.
Em Ponta Delgada ficámos alojados ... no quartel! E os dois dias e meio seguintes foram dedicados à maior ilha dos Açores, a "ilha verde". Em terras açoreanas, diz-se que o S. Pedro nos manda as 4 estações num dia ... e testemunhámos bem isso. Chuva, nevoeiro, Sol, frio, calor ... tivemos de tudo um pouco.
Com a colaboração da Câmara de Ponta Delgada, percorremos praticamente toda a ilha, das Sete Cidades ao Nordeste, da Lagoa do Fogo à Caldeira Velha e às Furnas ... onde comemos o seu típico e "aromatizado" cozido.
Mas se o quartel de Ponta Delgada foi ponto de "recolha" ... também o foi de convívio, camaradagem, brincadeiras. E dia 27 voávamos para a Terceira ... onde nos esperava um "Hotel" de 5 estrelas!
Lagoa das Sete Cidades, 26.04.1996
Pousada de Juventude de
Angra do Heroísmo, 29.04.1996
A Pousada de Juventude de Angra do Heroísmo era, de certeza, uma das melhores então existentes, num paraíso à beira mar. E na Terceira tivemos a colaboração da Câmara de Praia da Vitória, que nos proporcionou a visita aos principais atractivos da ilha. Desde a bela cidade de Angra do Heroísmo, património mundial, ao Museu do Vinho e às piscinas naturais dos Biscoitos, ao Algar do Carvão, a praticamente toda a costa da ilha e à cidade de  Praia  da  Vitória,  a ilha Terceira deixou também belas recordações.
Seguia-se o Faial. O voo Terceira - Faial foi o mais bonito, sobrevoando S. Jorge e quase sempre com o Pico do Pico à vista. A montanha chamava-nos para a grande aventura...! A Caldeira do Faial e, claro, a zona dos Capelinhos, foram os principais atractivos. A aridez dos Capelinhos, passados quase 40 anos das grandes erupções, testemunha o que foi a violência daquele  fenómeno  vulcânico.  A  cidade  da  Horta
Horta, Faial, 30.04.1996: o Pico chama-nos...
ficaria para depois do regresso do Pico.
E no último dia de Abril, à noite, na Horta ... "namorávamos" a montanha que nos chamava do outro lado do canal. De vez em quando soltava-se uma nuvem fumegante. Quando o Pico "fumega" ... é bom sinal. Por isso, no dia seguinte de manhã, cruzávamos o canal do Pico; uma travessia um pouco épica, tanto pelo revoltado do mar ... como pelos que pregaram com a cabeça na trave de entrada da lancha...J!
As nossas instalações no Pico foram as mais "confortáveis" de todas...; o ginásio de um colégio e os colchões da ginástica...J! E o primeiro dia no Pico ... foi de uma longa espera por essas instalações (não tinha havido comunicação da nossa chegada...) ... e também pela clemência do tempo, para a subida ao Pico. É também neste dia de espera que me dirijo à caixa Multibanco da Madalena do Pico e leio a informação de que está fora de serviço; como habitualmente, "Dirija-se ao Multibanco mais próximo" ... no Faial...J!
Só dia 2 de Maio, portanto, com os nomes registados na Protecção Civil e acompanhados por dois guias especializados de montanha ... partíamos em direcção ao topo de Portugal! Num "confortável" transporte de carga, fomos da Madalena até à base do trilho, a 1200m de altitude. Tínhamos, portanto ... 1150 metros de desnível para subir ... em menos de 5km; inclinação média ... de quase 25%!
Não sendo uma aventura, nem sequer propriamente uma escalada, subir a montanha do Pico vale, só por si, uma ida aos Açores. Mas requer um bom treino de pedestrianismo e boa preparação física. A "selecção" de quem ia ou não à "aventura" foi feita pelos próprios, de acordo também com os conselhos dos guias de montanha, em reunião prévia connosco, na véspera. E, dos 30 que se inscreveram para subir ... houve várias baixas, com desistências nos troços mais inclinados. A neve começou a acompanhar-nos por volta dos 1700 metros, bem como o nevoeiro quase sempre persistente. A esperança de irmos ter boa visibilidade era pouca...! Quase três horas depois, contudo, atingíamos o bordo da cratera principal, a 2200m ...  e eis que  os céus se abrem num esplendoroso azul, para nos deixar ver o Piquinho,  o  espigão
Cume do Pico, 2351m alt., 2.05.1996
de lava que culmina aquela montanha mágica ... e que lá continuava a fumegar de vez em quando. Para lá chegar, é preciso descer ao interior da cratera principal, para voltar a subir a íngreme ladeira do cone vulcânico. Almoçados ... lançámo-nos então à conquista dessa última etapa ... e poucos minutos antes do meio dia estávamos a 2351 metros de altitude, no cume da montanha mais alta de Portugal! É uma sensação de êxtase e de contemplação, de entrega! No reduzido espaço à volta da pequena "torre" que encima o Piquinho, parecia podermos abraçar toda a ilha e o mar em redor. A visibilidade havia diminuído de novo, mas percebia-se o litoral de S. Jorge e, com algum esforço e "imaginação", a Terceira. Depois ... depois havia que regressar ... e o regresso foi quase permanentemente debaixo de chuva, por vezes copiosa! A descida não é menos épica do que a subida, mas é bem menos demorada: 4 horas para subir ... e menos de duas para descer. Continuando já no transporte de carga debaixo de chuva ... de repente vemo-nos a sair das nuvens e a chegar à Madalena do Pico ... onde estava um bonito dia do Sol e até de algum calor! A roupa secou rapidamente! Realmente os Açores são um álbum meteorológico.
A meio da tarde estávamos de regresso ao Faial. O Pico ficava para trás ... à espera de um dia lá voltar. De novo no Faial, o último dia desta jornada açoreana foi dedicado à cidade da Horta. A marina - célebre em todo o mundo do yachting - e o celebérrimo Peter Café Sport foram os principais pontos de visita, convívio ... e despedida. Nessa altura ... o pai Peter era ainda vivo e lá o cumprimentámos no seu apaixonado posto.
E ao início da tarde daquele dia 3 de Maio de 1996 ... estávamos a voar de regresso a Lisboa! A nossa "equipa" tinha pela primeira vez levado os alunos às ilhas atlânticas ... às ilhas da bruma.
29 de Março de 2011

S. Miguel
Terceira
Faial
Pico e regresso