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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Primavera branca em terras de Somiedo

Se tínhamos feito um Outono raiano com o nosso "grupo dos sete" ... porque não uma Primavera somedana?... Os 5 grandes amigos da "equipa" foram ter connosco a Vale de Espinho  ...  e de  2  a  8 de
Puerto de Somiedo, 2.04.2009: Primavera branca
Abril de 2009 fui-lhes mostrar as "minhas" terras de Somiedo, no paraíso asturiano, terminando na capital, Oviedo. E Somiedo tinha uma surpresa à minha e à nossa espera: naquele início de Abril ... Somiedo estava pintado de branco, o branco imaculado da neve!
É assim que a meio da tarde de 2 de Abril lhes começo por apresentar La Peral e o miradouro Príncipe de Astúrias, sobre o vale de Somiedo. Ao sair do carro, em La Peral, recebi um elogio inédito: "tu pareces o meu Blacky, a sair do carro disparado e a abanar o rabo"! Tendo em conta que a alegoria respeita à paixão pelo ar livre, pela Natureza pura ... não me ofendi com a comparação canina... J.  E  no dia seguinte fazíamos  a primeira  de
Braña de Mumian, 3.04.2009
duas caminhadas na neve.
Quando em Julho de 2006 subi de Coto de Buenamadre ao Puerto de Somiedo, conheci a Braña de Mumian, mas ficou a faltar fazer uma caminhada clássica: de Llamardal, na estrada Pola - Puerto de Somiedo, a Mumian e Coto. Foi essa caminhada que escolhi para o dia 3 de Abril ... com o espectáculo grandioso do vale de Somiedo salpicado pelos cumes cobertos de neve. Grande parte da caminhada foi aliás em neve, incluindo Mumian. Só já na descida para o Coto deixámos o manto branco.

A visão mágica do vale do rio del Lago, 3.04.2009
Claro que fomos visitar a nossa amiga Rosalía, descendo depois até Pola de Somiedo ... e aos nossos amigos Herminio e Luz, da "Casa Miño", onde estávamos alojados.
O dia seguinte foi dia de descanso em Pola. Mas, à tarde ... tinha que apresentar aos nossos amigos a aldeia "mágica" de Saliencia. E lá fomos. Todo o vale do rio Saliencia era também um postal de maravilha, convidativo à poesia, à meditação. Soube que o velho Albergue de Saliencia tinha fechado, o amigo Roberto Menendez tinha emigrado para outras paragens.
Na aldeia mágica de Saliencia, 4.04.2009
Igreja de Saliencia, 4.04.2009
Dia 5 de Abril ... segunda caminhada. É claro que a caminhada dos lagos, além de impraticável pela neve, seria impensável para aqueles nossos amigos, sem treino de pedestrianismo. Mas dar-lhes a conhecer apenas o Lago del Valle, a partir de Valle de Lago ... devia ser possível. E lá fomos ... para uma paisagem de Somiedo como eu próprio não a conhecia!
O vale do rio del Lago, 5.04.2009
Lago del Valle ... gelado, 5.04.2009
Desde pouco acima do bairro de L'Auteiro, em Valle de Lago, quase tudo era uma imensidão branca, das encostas dos Picos Albos às colinas da Braña de Sousas e ao próprio Lago del Valle, cuja superfície se encontrava gelada. À hora de almoço, enquanto os restantes ficavam na margem do lago gelado ... ainda subi parte da encosta dos Albos, de onde a panorâmica era sublime.
Panorâmica da encosta dos Picos Albos para o vale do rio del lago, 5.04.2009
Regresso a Valle de Lago, 5.04.2009
No regresso, pela margem esquerda do rio del lago, diversas vezes nos enterrávamos na neve até acima do joelho! Foi sem dúvida uma caminhada "aventurosa" e espectacular.
No regresso a Valle de Lago, 5.04.2009
Dia 6 era dia de deixar as terras de Somiedo, rumo à capital asturiana. Mas ... até lá tínhamos os valles del oso para atravessar. Visitámos a Colegiata de San Pedro de Teverga, a Casa del Oso, em Proaza ... e fomos almoçar à nossa velha conhecida "Casa Generosa", em Pedroveya, a aldeiazinha términus da também já bem conhecida ruta de las xanas. Depois ... estávamos em Oviedo.
26/08/2011

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Mais um regresso às terras mágicas de Somiedo

Com uma passagem por Vale de Espinho tanto à ida como à vinda, os últimos 10 dias de Julho de 2006 foram no paraíso dos valles del oso e de Somiedo, desta vez em versão de alojamento rural, só a dois.
Entre Aciera e Bermiego, Sierra del Aramo, 24.07.2006
A primeira parte foi em terras de Quirós, com uma "aventura" pedestre de 22 km no dia 24, pelos Puertos de Andruxas, na Sierra del Aramo. Da pequena aldeia de Aciera, onde estávamos alojados, passámos a Bermiego e ao seu teixo milenar, subimos às Andruxas e à Braña Buxana, voltámos a descer para La Rebollada e Pedroveya, esta última já nossa conhecida, já que ali iniciámos (pela 3ª vez...) a descida da Ruta de Las Xanas.
Bermiego: a Sierra del Aramo por entre a ramagem, 24.07.2006
Dois dias depois estávamos em Somiedo. Mas desta vez optámos por uma excelente casa de turismo rural em Coto de Buenamadre, logo acima de Pola de Somiedo. Ganhámos uma amiga na respectiva proprietária, Rosalía Garrido Álvarez. Tudo ali respi-ra o seu "mundo rural, afición, pasión, VIDA", tal como incluiu no título do blogue onde expressa a sua paixão pelas terras e tradições somedanas. Passámos a visitá-la cada vez que vamos a Somiedo.
Coto de Buenamadre, 27.07.2006
Casa rural Buenamadre, Coto, 27.07.2006
E a Casa Buenamadre foi a base para a descoberta de algumas das mais espectaculares panorâmicas de Somiedo. Um estudo prévio tinha-me levado a delinear um percurso circular que totalizaria mais de 30 km de montanha. A forma de o "partir" em dois ... seria deixar o carro por uma noite no Puerto de Somiedo; foi o que fizemos. E assim, dia 28, os horizontes abriram-se para a espectacular travessia Puerto de Somiedo - Alto del Moñón - Braña de Sousas - La Enramada - Coto. Que dia extraordinário e que extraordinária travessia! A paixão por Somiedo aumentava a cada caminhada ... e é claro que logo surgiu a ideia de ali levar segunda vez a minha "família" Caminheira!
Collada Putracón, 28.07.2006
Descida do Alto del Moñón para Sousas, 28.07.2006
No dia seguinte ... era preciso ir buscar o carro. A minha "sócia" ficou na Casa Buenamadre ... e eu saí pouco depois das 6h:30 da manhã, sozinho, pronto para fechar o idealizado percurso circular ... agora quase sempre a subir. Pelo Pico El Miro, cheguei às Brañas de Mumian e, depois, à Peña de Gúa. A Rosalía havia-me falado de um velho e incerto caminho que atravessava o bosque da Enramada, ligando Mumian à Braña de Sousas, de onde faria o retrocesso da véspera até ao Puerto de Somiedo.
Sobre Coto de Buenamadre e o bosque La Enramada, 29.07.2006
Não sei se efectivamente esse velho caminho ainda existia ou não; não o encontrei. Mas a alternativa foi espectacular, por um lado porque na procura desse caminho cheguei a um fantástico "miradouro" sobre a Enramada e todo o vale do rio del Lago, com Coto de Buenamadre aos meus pés (foto acima), e, por outro lado, porque o percurso me permitiu subir à Peña Salgada (1979m alt.), depois de passar as Brañas de Valdecuelabre, onde, como em tantos outros lugares "perdidos" ... as vacas "falavam" comigo.
Peña Salgada (1979m alt.), 29.07.2006
Ao chegar à Peña Salgada ... não estava sozinho. Vim
a encontrar ali um outro companheiro solitário, amante da Natureza e de Somiedo, vindo de Gijón ... e que me afirmou que todos os fins de semana vai caminhar para Somiedo! Estivesse eu lá mais perto...
E descendo de Peña Salgada estava já em terreno atravessado na véspera. Pela Collada Putracón e Machada Ordial, cheguei ao Puerto de Somiedo. O carro lá estava, tinha dormido uma noite na serra... J.
Praderas de Cebolleo, Sierra de la Mortera, Babia, 31.07.2006
Dois dias depois, no último dia de Julho, estávamos a deixar Somiedo de carro ... para voltar a Somiedo a pé. Somiedo confina com Babia, a zona montanhosa do norte leonês. Despedindo-nos da Rosalía, fomos fazer a última caminhada e a última noite na original casa de turismo rural El Rincón de Babia, próximo de La Cueta, a aldeia leonesa mais próxima de Somiedo. Subindo o Alto Sil, rumávamos à Sierra de la Mortera, paredes meias com a bacia glaciária do Lago del Valle. Transposto o Collado de la Paredina ... estava de novo em Somiedo, a descer para a Braña de Murias Llongas.
Braña de Murias Llongas, Somiedo, 31.07.2006
Morteras e Torre de Orniz, do Pico Cuetalbo (2074m alt.)
Com um transporte de cada lado, a ligação La Cueta - Valle de Lago seria fácil, por Murias Llongas; um dia...! Na falta de transporte de cada lado, havia que regressar a Leão. Mas esta jornada ainda me levaria ao Pico Cuetalbo, acima dos 2000 metros de altitude, à vista da imponente Torre de Orniz e das Morteras do Lago del Valle. Depois, descendo o jovem rio Sil, regressámos a La Cueta de Babia ... e estávamos no fim de mais uma jornada por terras do paraíso.

Na tarde do primeiro dia de Agosto ... estávamos em Vale de Espinho.
24 de Julho de 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2005

6 dias nos Valles del oso e no paraíso de Somiedo!

Em Julho de 2005, eu estava nos Caminheiros Gaspar Correia há já quase 3 anos ... e não se tinha proporcionado ainda levá-los a nenhuma das minhas "terras natais"! Já tinha estado no Gerês com eles, mas não por minha orientação. A Vale de Espinho e às terras da raia, já várias vezes tinha feito a proposta, mas, sendo uma actividade de vários dias, não tinha ainda sido "eleita" para o calendário do Grupo. Assim, acabou por ser mais fácil que Somiedo fosse a primeira das "minhas" terras a dar a conhecer à minha "família" Caminheira, numa actividade extra, de verão. 6 dias, de 23 a 28 de Julho.



Tierra de leyendas, de vaqueiros, de osos, de bosques y lagos, de montañas, de buena gente...

No dia 23 de Julho, a já bem conhecida A66 leva-nos até à barragem do rio Luna. Já no final da "etapa", entrámos nas Asturies pelo Puerto Ventana (1586m de altitude), muito justamente também chamado
Sobre Villanueva de S.to Adriano, Ruta de las Xanas, 24.07.2005
a “Ventana del Paraíso”. Logo aí todos se começaram a maravilhar com as magníficas paisagens. Foram quase 800 Km até ao nosso primeiro destino, San Martín de Teverga, que partilha com os concelhos de Quirós, Proaza e Santo Adriano os chamados Valles del Oso (vales do urso), limítrofes com o Parque Natural de Somiedo. As instalações foram as camaratas do meu já conhecido Albergue San Martín, onde havíamos ficado com alunos 5 anos antes. De certo modo ... estava a transpor para os Caminheiros aquilo que havia feito com alunos durante mais de 20 anos!...
Onde levei portanto os Caminheiros, em 2005? Aos mesmos paraísos e às mesmas "aventuras" que tinham maravilhado os alunos! No dia 24 estávamos a fazer a Ruta de Las Xanas, a almoçar na Casa Generosa de Pedroveya, a visitar o Museu Etnográfico de Quirós. E, para grande orgulho meu, os Caminheiros estavam a começar a conhecer e a admirar aquelas paisagens deslumbrantes, a alma daquele povo que ama a terra, a vida,  o  ar  que respira,
Ruta de las Xanas, 24.07.2005
os bosques e as montanhas, de onde saem xanas e nuberus, através dos costumes e das tradições ancestrais, da cultura popular, da música, da gastronomia.
Ruta de las Xanas
O segundo dia nos valles del oso foi para a Senda del Oso, o trilho cilista igualmente feito com os alunos. Os ciclo-caminheiros fizeram cerca de 22 km e os pedestres 16,5 km. No fim, faltava uma bicicleta, quando já todos as tinham entregue.
Barragem de Valdemurio, Rio Trubia, 24.07.2005
Todos? Não! Um nosso amigo tinha passado pelo grupo como um OVNI e continuaria ainda a pedalar, se entretanto não lhe disséssemos que não era para ir até Lisboa de bicicleta...J! Lá vimos o cercado das ursas Paca e Tola, mas a Paca e a Tola estavam à sombra do arvoredo e não nos obsequiaram com a sua presença. E terminámos a tarde na Colegiata de San Pedro de Teverga, onde tivemos a prevista visita guiada ... seguida de uns bons momentos de convívio e degustação da sidra, no bar em frente...J!
Senda del Oso, 25.07.2005
Senda del Oso, 25.07.2005
Dia 26 partimos cedo de Teverga para Somiedo. 13 km depois estávamos no Puerto de San Lorenzo, onde começámos o percurso pedestre do Cordal de la Mesa ... que eu havia percorrido a solo no ano anterior. A dificuldade moderada que eu havia divulgado foi considerada um pouco mais do que moderada, mas toda a gente encheu as vistas e apreciou as espectaculares panorâmicas deste percurso. Em Saliencia, fim do percurso, o bar do Albergue foi também ricamente apreciado, já na companhia do meu "velho amigo" Roberto Menéndez. E às 6 e pouco da tarde estávamos no Hotel “Castillo del Alba” e no Camping “La Pomarada de Somiedo”, em Pola de Somiedo.
Cordal de La Mesa, 26.07.2005
Cordal de La Mesa, 26.07.2005
Braña de La Mesa, 26.07.2005
Veigas de Camayor, 27.07.2005
Dia 27, o grupo dividiu-se em dois: os mais resistentes, partiram comigo para o percurso dos Lagos de Saliencia. Em 2002, o Roberto tinha-me guiado com o grupo de alunos neste percurso. Agora, em 2005 ... guiei eu os Caminheiros, com base também no GPS e no estudo das cartas, com uma derivação em relação ao percurso feito 3 anos antes: em vez dos Picos Albos, para suavizar um pouco o percurso optei pelas Veigas de Camayor, "conquistando" assim o Lago del Valle por noroeste. Às três da tarde estávamos em Valle de Lago (e que bem souberam as cañas e os gins...J), terminando próximo de Villarin. Alguns ligeiros salpicos souberam até bem (e que saudades tínhamos de chuva...), em nada dificultando as extraordinárias panorâmicas daquelas paragens somedanas.
O Vale do Rio del Valle, desde sobre o Lago del Valle, Somiedo
Entretanto, a partir de Villar de Vildas, o grupo mais soft fez o percurso de La Pornacal, guiado pelo Roberto Menéndez, e daí à Braña Vieja, na base do espectacular vale de Cerezales e ao longo do rio Pigueña, um dos principais habitats do urso pardo cantábrico. A braña de la Pornacal é a maior e melhor conservada de Somiedo.
Braña de la Pornacal, vale do Pigueña, 27.07.2005
O sénior do grupo, com o guia Roberto Menéndez, 27.07.2005
A "Taberna Folk" que tinha servido de cenário a uma noite celta, em 2000, com alunos, tinha infelizmente mudado de gerência e deixado de fazer espectáculos. Mas ... eu tinha de arranjar uma noite com música asturiana...J! E pegando precisamente na pesquisa sobre os contactos de um dos membros dos Dubram, que haviam actuado em Santa Marina de Quirós em 2000 ... consegui uma actuação exclusiva do grupo folk asturiano La Bandina'l Tombo, no Camping, em Pola de Somiedo. E assim, a última noite destas "Astúrias 2005" foi de música, alegria ... e baile.
O último dia começou com o percurso à braña vaqueira de La Peral e ao Miradouro Príncipe de Astúrias, sobre o imponente vale de Somiedo. Depois ... foi o adeus às Astúrias e a estas terras de sonho. O regresso foi recheado de discursos emotivos, de histórias e de estórias que ficarão para sempre na história dos Caminheiros e de cada um dos que viveram aqueles dias.
4 de Julho de 2011

sábado, 27 de abril de 2002

Ruta de los lagos: no paraíso dos Picos Albos e dos Lagos de Somiedo

25 de Abril de 2002. Vindos das "aventuras" no maciço central dos Picos de Europa, ao fim da tarde eu e o meu grupo de "aventureiros" estamos a entrar nas terras mágicas de Somiedo! A estrada é a de Belmonte de Miranda ... a estrada mágica que me havia cativado em 1997. Tal como em 2000, o destino era agora o Albergue de Saliencia; e, tal como nesse ano, o nosso anfitrião ia ser o seu gerente e guia de montanha, Roberto Menendez. O objectivo era fazer a Ruta de Los Lagos, que a rigorosa Primavera de 2000 não nos tinha permitido, devido à neve. Agora, em 2002, a Primavera era muito mais amena ... e percorremos a ruta de los lagos num espectacular dia de Sol e numa espectacular caminhada de 21 km, por aquelas terras de sonho. As terras de Somiedo eram, definitivamente, uma das minhas "terras natais"...
E Saliencia cativou também desde logo as jovens mentes que lá levei. O mundo ali é outro. É o mundo da paz, da serenidade, das águas que correm para o vale, das montanhas imponentes d'"Onde l'agua ñaz".
Alto de la Farrapona, 26.04.2002 - ia começar a ruta de los lagos
A expectativa era grande ... os receios de alguns perante uma caminhada grandinha também eram ... mas a vontade era muita. No dia 26, cedinho, estávamos a subir no autocarro até ao limite Astúrias / Leão, no alto da Farrapona, a 1800 metros de altitude. Era aí que começava a "aventura" ... foi aí que vimos o autocarro ir-se embora. O nosso "mestre" Roberto fez as apresentações do que íamos fazer e ver ao longo do dia e começámos a caminhada. Não demorámos muito a abeirarmo-nos do primeiro lago, o Lago de la Cueva. Estes lagos são lagos de origem glaciária, salpicando as montanhas com o cintilar de águas tranquilas e límpidas. Estávamos ... no paraíso...J!
Lago negro, ou de Calabazosa, 26.04.2002
O descanso de uma "guerreira"...J!
Revelando ainda as mazelas de antigas explorações mineiras, seguiu-se o Lago Negro, ou de Calabazosa. E, se já tínhamos subido um pouco em altitude ... a seguir o nosso guia Roberto aponta-nos para a "parede" que tínhamos à nossa frente: íamos subir o maciço dos Picos Albos, ao longo de uma vertente pedregosa que permitia ziguezaguear ... mas de muito razoável inclinação. Experiente nestas lides, o Roberto ia observando o comportamento do seu "rebanho", gerindo o ritmo de subida e as paragens de descanso em função do que observava. E assim, perto dos 2000 metros de altitude e do topo daqueles símbolos de Somiedo, extasiámo-nos primeiro com o espectáculo de diversas camurças em liberdade, correndo alegremente por aquelas montanhas (nos Picos de Europa tínhamos visto uma) e, pouco depois, com o espectáculo grandioso do Lago del Valle e do vale que dele parte ... vistos de cima!
O vale glaciário que parte do Lago del Valle, desde os Picos Albos, Somiedo, 26.04.2002
Lago del Valle, Somiedo, 26.04.2002
A descida dos Picos Albos para o lago pareceu vertiginosa! Descemos dos 1975 metros aos 1560 em menos de 1,5 km. Junto ao lago, uma das típicas cabanas de montanha de Somiedo - os teitos - recortava-se contra as águas. Autênticos quadros de uma beleza incomparável.
E do Lago del Valle descemos para a aldeia de Valle de Lago. Este era o percurso que eu e a minha "sócia" já conhecíamos, quando da segunda "incursão" em Somiedo, de autocaravana, em 1999. As autocaravanas vão a Somiedo ... mas os autocarros não. O nosso autocarro esperava-nos perto de Villarín, na estrada de Saliencia ... para a qual portanto ainda havia que passar. Pouco abaixo de Valle de Lago, um trilho ao longo de um desfiladeiro permite ligar os dois vales ... mas os pés da maioria do pessoal
Veigas de Villarín, Ecomuseu, 26.04.2002
já estavam um pouco massacrados. A água do rio Saliencia, ao chegar perto da estrada ... ainda foi assim mais divinal...J!
Veigas de Villarín, Ecomuseu, 26.04.2002
A ruta de los lagos no Wikiloc / Google Earth
 
Em Villarín, íamos ainda visitar um polo do Ecomu-seu de Somiedo. O nosso autocar-ro e motorista lá estavam na estrada, à nossa espera ... mas o Museu era em Veigas, mais abaixo ... e o autocarro estava virado para cima, para Saliencia. Assim ... houve que fazer quase 2 km em marcha atrás, naquela estradinha de curvas ... comigo e o nosso guia Roberto a fazer de "batedores", atrás do autocarro, para sinalizar relativamente a carros que vinham no mesmo sentido. Felizmente não apareceu mais nenhum carro pesado...J! Mas o esforço valeu a pena, a visita ao Ecomuseu foi interessantíssima, revelando muito dos costumes, tradições e cultura somedanos.

E assim regressámos a Saliencia ... para a última noite desta semana memorável! No dia seguinte foi o regresso a Lisboa, pelo Puerto de Somiedo e por Salamanca. As "aventuras" tinham ficado para trás ... e tinham deixado histórias e estórias...:

“Se o paraíso existe, nós estivemos lá!”
Daniela Mendes

“Natureza, convívio e amizade são por si 3 factores que desde logo tornam esta viagem única. Foi fantástico!”
Hugo Cunha

“A cada dia que passava mais eu amava cada dia que vivia ali ...”
Tânia Vieira

“Foi uma semana inesquecível. Conhecemos novas pessoas, convivemos, e acima de tudo aprendemos, tudo pela natureza.”
Marco António Faleiro

“É incrível como em 8 dias pode acontecer tanta coisa !”
Nuno Santos Oliveira
Fotos: Telo Ferreira Canhão
Mais fotos desta viagem, da autoria de Filipe Coelho
24 de Maio de 2011

sexta-feira, 14 de abril de 2000

No paraíso de Somiedo ... no fim de uma semana mágica!

Após dois dias nos valles del oso, o périplo asturiano de 2000 ia levar-nos às terras de Somiedo. Contrariamente aos anteriores, o dia 11 de Abril amanheceu soalheiro, e saímos de Teverga para sul, em direcção ao Puerto Ventana e à "fronteira" leonesa. É que na ponte de La Riera, por onde no verão de 1999
passámos na caravana ... nessa altura não passavam ainda autocarros.
No Puerto Ventana, a 1600 metros de altitude ... o avanço só foi possível atrás do limpa-neves! As panorâmicas e a sensação de comunhão com a montanha e a neve eram indescritíveis ... e eram também o prenúncio dos dias que estavam para vir! Por momentos em terras leonesas, do Puerto Ventana passámos ao Puerto de Somiedo - esse já bem conhecido... - para em seguida descermos o espectacular vale de Somiedo. A braña de La Peral, envolta num manto branco, dava-nos as boas vindas.
Em Pola de Somiedo visitámos o Centro de Interpretação do Parque Natural. Mas não, o nosso destino não era Pola de Somiedo, nem a aldeia mítica de Valle de Lago. Durante a preparação desta actividade com alunos, tive conhecimento da existência de outro Albergue, na aldeia de Saliencia, bem no coração das montanhas de Somiedo, a quase 1200 metros de altitude. Este Albergue tinha múltiplos atractivos: a completa ruralidade do meio em que estava envolvido, o facto de ter sido adaptado a partir da antiga escola da aldeia, permitir fazer múltiplas caminhadas a partir das proximidades ... e ter o respectivo gerente, Roberto Menéndez, como guia de montanha, com quem contratei a grande Ruta de Los Lagos.
De Teverga a Saliencia, pelos Puertos Ventana e de Somiedo
O objectivo era fazer o circuito dos Lagos de Saliencia, um conjunto de lagos glaciários de altitude, acima do Lago del Valle ... aquele que tinha ficado "encantado" em 1997 mas que se tinha deixado conquistar no verão de 99. Desceríamos para o Lago del Valle a partir dos Picos Albos, aqueles que nesse verão tinham, nitidamente ... chamado por mim! Após a visita a Pola de Somiedo, foi portanto para Saliencia que nos dirigimos. A estradinha, a partir do vale do rio Somiedo, também era nova para mim ... e dava-nos a todos a sensação de estarmos, mais uma vez ... a entrar no paraíso do paraíso!
Saliencia é uma daquelas a que eu chamo uma aldeia mágica. Completa ruralidade, ruas estreitas, casas de pedra e telhados de colmo, uma capela minúscula (em frente ao Albergue!), gente simples, transparecendo tradições, amor pela terra, pelo ar que se respira, pela água pura do rio Saliencia, pelas montanhas que a rodeiam. É impossível não sermos tocados pela magia daquele lugar perdido! E, uma vez chegados, rapidamente o Roberto passaria a nosso amigo. A meteorologia, essa é que teimava em não ser muito amiga ... ou melhor, dadas as circunstâncias até estava a ser bastante. Na televisão e no jornal, em Saliencia soubemos das inundações que estavam a ocorrer um pouco por todo o lado nas Astúrias, inclusive em locais por onde já tínhamos passado, como em Tuñon, no fim da Senda del Oso.
Mas a meteorologia ia alterar completamente os planos delineados para esta "aventura". Situando-se acima dos 1700 metros de altitude, o previsto percurso dos lagos ... estava completamente coberto de neve. Mais do que isso ... a previsão era de queda de neve durante todo o dia! Pela 2ª vez, Somiedo escondia-me os seus segredos...! Mas o nosso guia Roberto, experiente conhecedor de toda a zona, rapidamente nos delineou um programa alternativo. E assim, numa manhã chuvosa do dia 12 de Abril, fomos conhecer o vale do alto Pigueña, a aldeia perdida de Villar de Vildas e a maior braña de Somiedo, La Pornacal.
Braña de La Pornacal, vale do Pigueña, Somiedo, 12 de Abril de 2000
A partir de Saliencia, em vez de subir ... descemos ao vale de Somiedo, à mítica estrada de Belmonte de Miranda, até Aguasmestas, onde subimos o curso do Pigueña, ao longo de novo vale paradisíaco, um dos últimos redutos do urso pardo em Somiedo. Passadas as aldeias de Santullano e Cores, deixámos o autocarro um pouco antes de Villar de Vildas e seguimos a pé ... e à chuva! Villar de Vildas é outra "aldeia mágica", onde o tempo parecia ter parado ... até porque a aldeia não tinha tido ainda o desenvolvimento que veio a ter 4 anos depois, ao ganhar o prémio Príncipe de Astúrias, como Pueblo Ejemplar.
Com o nosso guia Roberto, na ruta de La Pornacal, 12.04.2000
Ruta de La Pornacal, 12.04.2000
                 
A partir de Villar de Vildas, a nossa ruta levava-nos ao longo do curso do alto Pigueña, até à braña de La Pornacal, a 1200 metros de altitude ... e onde começou a nevar! O nosso guia Roberto explicava-nos tudo, os bosques do lado de lá do rio onde ainda existem ursos, as plantas carnívoras que encontrávamos no caminho, a origem vaqueira das brañas somedanas, o significado dos brasões nas portas dos teitos, tudo. Que extraordinária lição, que extraordinário professor! Obrigado, Roberto Menéndez!
A Ruta de La Pornacal no Wikiloc / Google Earth, 12.04.2000
Um dia na aldeia mágica de Saliencia, 13.04.2000
                                  
Dia 13, penúltimo dia, 8 da manhã. Abrimos as janelas ... e está a nevar em Saliencia! E são mais momentos mágicos, numa semana mágica! As encostas verdejantes desapareceram no nevoeiro, a aldeia parece fazer parte de um conto saído da mitologia, as águas do rio Saliencia correm turbulentas. Impedidos de fazer seja o que for, cada um dá liberdade à sua imaginação, introspecção, meditação. Uns deambulam pelas ruas estreitas da aldeia, outros contemplam o correr das águas, outros recolhem-se na capela frente ao Albergue. Depois do almoço, com uma ligeira aberta dos céus, proponho subirmos a encosta da margem direita do rio, pelo caminho que nos poderia levar ao Cordal de La Mesa, a cumeada que separa terras de Saliencia das terras de Teverga. A maioria do grupo vem comigo, alguns, poucos, preferem o descanso no Albergue. Subimos então aquela encosta íngreme ... ao encontro da neve. Na braña das Morteras de Saliencia, a 1450 metros de altitude ... todos extravazámos a nossa alegria de viver, de conviver, de brincar, de comungar com aquela Natureza virgem, branca e pura!
E na última noite desta semana mágica ... até houve magia mesmo! O nosso anfitrião Roberto brindou-nos com um número de ilusionismo ... em que transformou um sumo de frutos vermelhos em cerveja...J!
E chegava o dia do regresso. Dia 14 de Abril, um dia sem história ... ou melhor ... com as muitas histórias vividas, para contar e recordar!

“Astúrias, afinal de contas um verdadeiro paraíso bem perto de nós, onde o meio rural, a neve e a natural tranquilidade tiveram um plano de destaque.”
Bruno Belchior

"Estes dias deram­-me a oportunidade de conhecer novas pessoas, tradições e locais. E só por isso tornaram-­se inesquecíveis. Gostei particularmente da forma como fomos recebidos."
Carla Pinto
"Foi uma experiência única. Gostei particularmente do espírito em que a vivemos."
Ana Pinto

"Foi excelente. Que outros alunos também venham a ter a oportunidade que todos nós tivemos nesta viagem."
Tiago Sabino
"Soberbo ... no mínimo."
Nelson Rosário

30 de Abril de 2011

sábado, 14 de agosto de 1999

À redescoberta de Somiedo ... e de outros paraísos naturais asturianos

A 26 de Julho de 1999, partíamos para as nossas segundas férias a dois ... para o norte peninsular...J! Desta vez começámos pela Galiza.  A Península do Morrazo,  frente às ilhas Cíes,  ocupou-nos os quatro
Cabo Home, Morrazo, 28.07.1999
primeiros dias, numa de mar e de céu, dos cortes e recortes daquela costa escarpada. Moaña, o Cabo Home, Hío, Aldán, são nomes que soam a liberdade, a uma Natureza ainda quase no seu estado mais puro ... antes do Prestige! Depois, rumámos a Lugo, Fonsagrada ... e entrámos nas Astúrias, por Grandas de Salime e pela Serra do Rañadoiro. Por Cangas de Narcea e pelo Puerto de Leitariegos, passámos por momentos ao norte de Leão, para reentrarmos nas Astúrias ... no Puerto de Somiedo! Descemos a Pola de Somiedo,  subimos a Valle de Lago ... e  o Camping Lagos
Camping "Lagos de Somiedo", Valle de Lago, 1.08.1999
de Somiedo esperava por nós. É verdade: dois anos depois, estávamos de novo no paraíso perdido de Somiedo, a minha 3ª "terra natal"! Desta vez ... nada nem ninguém me tiraria de lá...J!
Ao contrário do dia 5 de Agosto de 1997, o dia 1 de Agosto de 99 amanheceu esplendoroso! O Sol iluminava o vale onde estávamos, encaixado entre as encostas que dois anos antes nem sequer tínhamos visto. Os folhetos fornecidos pelo parque e as consultas numa internet ainda relativamente incipiente falavam-me das brañas vaqueiras, da Braña de Sousas, ali relativamente perto de Valle de Lago, dos Picos Albos ... e de tantos e tantos possíveis percursos a pé por aquelas montanhas, onde pareciam ecoar os acordes dos Llan de Cubel, aqueles que ainda hoje continuam a ser a minha referência na folk asturiana.
O dia 1 de Agosto foi assim o da descoberta do Lago del Valle, o maior lago glaciário da cordilheira cantábrica. Era a caminhada que teríamos feito dois anos antes ... e uma das muitas que viria a fazer nas terras mágicas de Somiedo. Saindo da aldeia pelo bairro de Auteiro, vamos ganhando altitude, subindo o vale do rio del lago. Surgem-nos os primeiros teitos. Os teitos são cabanas típicas do ocidente das Astúrias e noroeste leonês, construídas em pedra, com cobertura vegetal, normalmente de palha de centeio ou giesta. Os aglomerados de teitos caracterizam as brañas, ligadas à transumância entre as pastagens de altitude, para onde em Maio os vaqueiros subiam em busca dos frescos prados, regressando para passar o inverno nos campos e pastagens mais baixos. As brañas correspondem às nossas brandas e inverneiras, típicas por exemplo das Serras da Peneda e do Soajo.
À redescoberta de Somiedo, 31.07 e 1.08.1999
O percurso do Lago del Valle no Wikiloc / Google Earth, 1.08.99
                  
Ao longo de um vale majestoso, caminhávamos em direcção aos Picos Albos e à parede por trás do Lago del Valle, que separa as Astúrias de Leão. O lago, que neste trajecto só se vê praticamente quando lá chegamos, situa-se a 1570 metros de altitude, rodeado dos altos picos que fecham aquele circo glaciar, ultrapassando os 2000 metros, a sul. Que melhor sítio para almoçarmos? A sensação de ter "conquistado" aquele lugar, que dois anos antes tinha estado perdido nas nuvens e chuvas, é indescritível. E as montanhas à volta chamavam-me para mais "aventuras", para palmilhar os trilhos que se percebiam possíveis. Mas ... os carros e caravanas ainda não têm telecomando para os teletransportar para outro lado. É uma das vantagens de fazer caminhadas em grupo: o autocarro vai-nos buscar a outro destino. Assim, descemos de novo o vale, de regresso a Valle de Lago e ao parque de campismo. A visão no sentido descendente é também extraordinária, com a aldeiazinha a perceber-se desde meio caminho, ao lado da Peña Furada, o grande bloco rochoso a sudoeste, furado de lado a lado por um grande "olho" natural. Menos de um ano depois ... estaria em Somiedo com alunos!
Mas Somiedo não acaba no Lago del Valle, muito pelo contrário. Dia 2 de Agosto, descemos a Pola de Somiedo e descemos o curso do rio Somiedo até à central de La Malva e a La Riera. Era a estrada que 2 anos antes havíamos feito em sentido contrário, quando pela primeira vez eu tinha sido tocado pela magia
Puerto de S. Lorenzo, 2.08.1999
de Somiedo. Agora, em mais um esplendoroso dia de Sol, as encostas e os montes pareciam rejubilar de vida. E em La Riera rumámos a leste, voltando a subir, desta vez para o Puerto de San Lorenzo ... e para as nuvens. O Puerto de San Lorenzo divide as comarcas de Somiedo e de Teverga e, com elas, separa as terras somedanas dos chamados Valles del Oso, por neles se encontrarem ainda alguns dos últimos ursos pardos cantábricos, se bem que do lado de Somiedo também, principalmente no vale do Pigueña.
Mas à medida que nos aproximávamos do Puerto de San Lorenzo ... os céus fechavam-se num imenso nevoeiro que não deixava ver nada. Somiedo tem os seus mistérios, os seus dias de glória, mas também os seus dias de misticismo, em que as nuvens escondem as montanhas, realimentando as águas que escorrem pelas encostas verdejantes. Dali, do Puerto de San Lorenzo, apenas víamos as placas indicadoras de um trilho ... e os primeiros metros dele. Uns anos mais tarde lá estaria ... para fazer o Cordal de La Mesa, o trilho naquela altura perdido nas nuvens.
Naranjo de Bulnes, visto do miradouro de Camarmeña, 3.08.1999
E assim descemos a Teverga, simpática vila no vale do rio Trubia, que descemos ao longo do desfiladeiro de Peñas Juntas e da Senda del Oso, velha linha mineira transformada em trilho pedestre e ciclista. Claro que logo nasceu a ideia de ali levar também alunos ... tanto mais que em Teverga tínhamos visto a existência de um Albergue. E em Proaza visitámos a Casa del Oso, exposição sobre o habitat do urso pardo e a sua história na cordilheira cantábrica. Depois ... do ocidente rumámos ao oriente das Astúrias: por Oviedo e Cangas de Onís, fomos passar dois dias ao "nosso" velho Camping "Naranjo de Bulnes", em Arenas de Cabrales. Basicamente de descanso, o primeiro desses 2 dias foi dedicado a uma curta caminhada à  aldeia de  Camarmeña  e
Camping "Naranjo de Bulnes", 4.08.1999
ao miradouro do Naranjo de Bulnes, o mítico torreão rochoso, emblema dos Picos de Europa e do montanhismo, sobre a pequena aldeia de Bulnes e aos pés da já nossa conhecida Senda del Cares.
Continuando para leste, no dia 5 cruzámos a Sierra del Cuera, a norte de Arenas, para descermos depois o desfiladeiro de La Hermida, em direcção a Potes. Em tantas vezes que já atravessámos este desfiladeiro, ao longo do rio Deva, foi sempre ficando para trás uma caminhada mítica, que ainda um dia quero fazer: a Ruta de Tresviso, ligando a aldeia do mesmo nome, nos cumes próximos de Sotres, ao rio Deva e ao vale. E sendo o vale de Liébana também já nosso velho conhecido, o dia 6 foi igualmente de completo descanso, no camping das nossas "amigas" cunhadas, o velho "La Isla - Picos de Europa".
De Arenas de Cabrales a terras de Sobrescobio, 5 a 9.08.1999
Pelo Puerto de Piedrasluengas, passámos depois para terras palentinas e leonesas, contornando a Reserva de Fuentes Carrionas, por Cervera de Pisuerga e Guardo. Em Boca de Huérgano, próximo de Riaño ... estivemos um dia e meio "retidos" na caravana, no Camping "Alto Esla" ... à espera que a chuva parasse! E no dia 9 a chuva parou...J!
O percurso da Ruta del Alba no Wikiloc / Google Earth
Reentrámos nas Astúrias pelo Puerto de Tarna, atravessando o recém criado Parque Natural de Redes, ao longo do jovem rio Nalón. O destino eram agora as terras de Sobrescobio e a Ruta del Alba, mais  uma das  maravilhas naturais do paraíso natural
Ruta del Alba e Hoces del Rio Aller, 9.08.1999
de Astúrias. É o reino do verde e da água, 14 km a pé a partir da aldeia de Soto de Agues, um reino de magia e de encanto.
Por Pola de Laviana e Cabañaquinta, inflectimos de novo para sul, em direcção ao Puerto de San Isidro e a outra maravilha desta zona sul de Astúrias, as Hoces del Rio Aller. Embora sem percurso pedestre, atravessámos na caravana mais este paraíso verde, no limite mesmo entre Astúrias e Leão. Já em Leão, atravessámos a Reserva de Mampodre ... e despedimo-nos das montanhas cantábricas, neste glorioso ano de 1999.
O dia 11 de Agosto era especial: no camping da cidade de Leão, assistimos ao maior eclipse solar do século, na Europa. Pouco depois do meio dia ... o Sol escondeu-se e parecia que ia anoitecer! Mas as trevas afastaram-se e a luz voltou de novo...
Leão, 11.08.1999 - Quando do dia se fez noite
Lago de Sanabria, 12.08.1999
Estas férias contariam ainda, no regresso, com uma breve passagem pelo Lago de Sanabria, entrando em Portugal por Montesinho, e com um dia de descanso final no camping de Pomares, perto de Avô ... de onde regressámos a casa.
 
27 de Abril de 2011