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quarta-feira, 15 de março de 1989

Pitões das Júnias - Fonte Fria - Carris - Portela do Homem - Vidoeiro: a grande travessia do Gerês!

Desde a primeira descoberta do Gerês - e já tinham passado quase 14 anos! - que aquelas serras, terras e gentes me cativavam, me chamavam, como se fossem efectivamente minhas. As anteriores "aventuras" com alunos tinham aumentado essa paixão ... mas também tinham fomentado o desejo de correr mais e conhecer mais! Na "aldeia mágica" de Pitões das Júnias, conversas à lareira falavam-me da Fonte Fria, das muitas fragas da serra, da aldeia esquecida do Juriz, da Capela do S. João da Fraga, de histórias de lobos, da Brazalite, do correr das águas do Ribeiro dos Fornos, ou das muitas outras Corgas que descem da serra, da raia galega. Conversas à lareira falavam-me de velhos trilhos, falavam-me das Minas dos Carris, da labuta de mineiros por vezes isolados pela neve e pelo frio, "perdidos" nos altos cumes ou nas entranhas daquela Serra do Gerês. Como Torga, a lareira da "Casa do Preto", em Pitões, cada vez mais me ensinava que ...

Há sítios do mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição. Este Gerês é um deles.
(Miguel Torga, "Diário VII")

Não tínhamos ainda chegado à era dos GPSs,  mas o estudo dos mapas e cartas militares  permitia  sonhar
Barragem da Venda Nova, a caminho
de Pitões das Júnias, 14.03.1989
com uma travessia pedestre que unisse os dois pontos a que até aí mais vezes havia levado os alunos: Pitões das Júnias às Caldas do Gerês, pela Serra! A Srª Maria dizia-me que era possível, contava-me histórias de quem já a tinha feito, mas o mesmo estudo e um cálculo empírico mostrava-me tratar-se de um projecto completamente diferente dos "passeios" feitos até aí com alunos: seria uma jornada seguramente superior a 40 km, de todo não aconselhável a pessoas sem qualquer treino de pedestrianismo, fossem elas alunos ou professores. Mas ... não tinham diversos alunos meus chegado ao Lago de Marboré, nos Pirenéus, no verão de 1988, vencendo um desnível superior a 1300 metros?...
Pitões das Júnias: ao fundo... os cumes da grande travessia!
Contactado o Parque Nacional da Peneda-Gerês, disponibilizou este de imediato um guia para nos acompanhar, homem bem conhecedor do terreno. Regras, metodologias e percepções bem diferentes daquelas que actualmente infelizmente se praticam... Assim, em Março de 1989 estavam reunidas as condições para uma "aventura" que ficou histórica. No dia 14 de Março, estava em Pitões das Júnias com um grupo de cerca de 50 alunos e professores, agora no âmbito do Clube "Amigos da Natureza". Nessa tarde ainda fomos ao velho Mosteiro e à cascata ... preparando-nos para a grande travessia do dia seguinte. A selecção dos participantes já ia mais ou menos feita de Lisboa, consoante as opções individuais, a resistência que eu já conhecia daqueles alunos ... e até consoante o calçado com que cada um se propunha meter pés à serra.
E começa a grande aventura, 15.03.1989
Não havia, como agora, helicópteros para ir buscar turistas ... e, mesmo que os houvesse, eu não queria ser notícia de televisões e de jornais...
Pouco passava das 6 e meia da manhã de 15 de Março de 1989, um grupo de 25 alunos estava a partir de Pitões rumo à serra, acompanhados por mim e por outro professor e grande amigo ... e "comandados" pelo guia do Parque Nacional, que havia sido pastor, quase dançando no cajado ao longo dos trilhos e fragas da serra. Como em tantas outras ocasiões, apoderou-se de mim uma sensação
Fornos, a caminho da Brazalite, 1200m alt.
de libertação e de êxtase, de catarse. Eu pertenço às serras, às fragas, às águas que correm cintilantes, ao azul do céu ou à alvura da neve. Sim, da neve, que, não muita, mas ainda existia nalguns pontos da nossa histórica travessia.

PÁTRIA
(Miguel Torga, "Diário II")
Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma...
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
E alma.

Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
- sob a garra dos pés a fraga dura,
e o bico a picar estrelas verdadeiras...

Os restantes alunos e professores permaneceram em Pitões até depois do almoço, seguindo depois no autocarro para as Caldas do Gerês e o Vidoeiro ... onde esperávamos chegar ao fim do dia, sãos, salvos ... e purificados pela serra!
Há que subir...
... para atingir a cumeada
Por alturas da Fonte Fria, 1370m alt.
A jornada prossegue, ao longo da raia galega
O primeiro troço levou-nos ao Outeiro do Grosal, para atravessar depois o carvalhal de Fornos, em direcção à Fraga de Brazalite e à Fonte Fria. Só aí ganhámos a cumeada e a raia galega. Até lá, tínhamos andado para NW, para ganhar altitude, só então inflectindo para SW, rumo aos Carris ainda distantes. Restos de neve lembravam-nos que faltavam ainda uns dias para a Primavera. À hora do almoço ... uma fogueira saída por magia das mãos do nosso guia, serviu para aquecer as almas; o friozinho era de respeito.
Restos de neve de um Inverno ainda presente
"Serra! E qualquer coisa dentro de mim se acalma..."
E, já ao fundo, os Cornos da Fonte Fria
Horas de almoço ... mas o frio aperta...
... pelo que a fogueira é arte providencial
"Eu sou um homem de granito..."










Cabeços de Mação, Fraga do Paul, umas vezes do lado português, outras do lado galego, íamos progredindo ao longo de uma paisagem de cortar a respiração. A leste, Pitões das Júnias continuava-nos a aparecer no horizonte, com a alva Capelinha do S. João da Fraga como guarda avançada; a sul, o vale do Cávado, a barragem de Paradela; a nordeste, o rio Salas e a sua barragem, deixando adivinhar Tourém; a norte, a encosta do Xurés galego, com as cicatrizes do rio Mao e do rio de Lobios, correndo para o Lima; e, a sudoeste, percebe-se já o Pico da Nevosa, tecto do Gerês e do norte de Portugal. Estamos já aos 1500 metros de altitude, mas contornamos a Nevosa pelo lado galego, à vista do Sobreiro e do mítico Altar de Cabrões, ziguezagueando ao longo da fronteira, entre o Curral de Marabaixo e a Garganta das Negras ... para chegarmos enfim aos Carris!
Chegamos à Lagoa dos Carris, 1470m alt., 15.03.1989
Minas dos Carris, 15.03.1989: à direita, o nosso guia
A sensação de estar nos Carris é uma experiência fantástica. É um lugar mágico, em que a energia telúrica toca os céus, as nuvens, o vento. Por entre as ruínas, quase se ouvem e se sentem os sons da "multidão que minava as fragas à procura de volfrâmio, por conta da guerra e de quem a fazia". E também, tal como a Torga, "Pitões acenava-me lá longe", já não tanto "de tectos colmados e de chancas ferradas", mas a "aldeia mágica" lá estava no horizonte, naquela tarde em que pela primeira vez subi aos Carris, na atmosfera límpida de uma tarde fria de fim de Inverno ... naquele "Reino Maravilhoso" em que estávamos.
Mas ... era preciso chegar ao Vidoeiro de dia! O nosso guia e mestre daquela fantástica "aventura" alertava: "temos de descer, temos de descer". E descemos! Descemos às Abrótegas, ao encontro do jovem Rio Homem, agora ao longo do velho estradão mineiro, por onde circularam tantos e tantos homens e máquinas. E entrámos no fantástico vale do alto Homem, o mesmo que Miguel Torga subiu, em sentido inverso, a caminho dos Carris. Entre as alturas do Madorno ou do Cantarelo, a sul, e as da Encosta do Sol, a norte, o jovem rio Homem desce abruptamente, recebendo as águas do Cagarouço, da Água da Pala, de muitas outras ribeiras e torrentes. Em 1989, o velho estradão ainda se subia ou descia muito razoavelmente; hoje ... está transformado numa torrente de pedra solta.
E assim, com mais de metade daquela tarde de 15 de Março passada, chegámos às já velhas conhecidas piscinas naturais do Rio Homem, junto à Ponte de S. Miguel. Ponte e piscinas velhas conhecidas ... inclusivamente de alguns daqueles "heróicos" alunos, que haviam lá estado havia um ano. Os outros, os que não conheciam ... estavam longe de saber que ainda faltavam mais de 10 km para o Gerês! Alguns pés já estavam bastante sofridos, mas a camarata do Vidoeiro e os outros camaradas de "aventura" esperavam-nos. Muitas das curvas da velha estrada Portela do Homem - Gerês - que os autocarros não sobem - foram feitas a corta mato ... e a luz do dia já praticamente se tinha esvaído quando entrei, acompanhando os mais retardatários, na "nossa" Casa-Abrigo do Parque Nacional, no Vidoeiro.
E a caminho do Gerês e do Vidoeiro, passando o cruzamento da Bouça da Mó. Já "só" faltavam ... 10 km
Esta travessia do Gerês foi uma "aventura" memorável. Exaustos, mas felizes, as instalações da Casa-Abrigo do Vidoeiro pareceram-nos o mais confortável dos hotéis! Era preciso descansar ... até porque ainda iríamos viver mais "aventuras", para os lados do Soajo e de Castro Laboreiro!
Andávamos a percorrer ... um "Reino Maravilhoso"!

"Sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade".       (Miguel Torga)


A travessia do Gerês no Wikiloc / Google Earth:



17 de Fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de março de 1988

1988 ... um "ano louco" (2): regresso ao Gerês...

A organização da área de estudos científico-naturais do curso complementar englobava entretanto, no 10º ano, uma disciplina de Ecologia. Ora, mais do que qualquer outra vertente, a Ecologia não se estuda nem se ensina dentro de 4 paredes. A 22 de Março de 1988, pouco mais de um mês depois de Doñana e de S. Jacinto ... estava a sair para o Gerês com os meus alunos de Ecologia! Embora só por 3 anos (10º ao 12º),
Tourém, forno comunitário, 22.03.1988
estes alunos constituiriam aliás mais um grupo a acompanhar quase sem alterações, com muitas e diversas "aventuras" partilhadas em conjunto. Por outro lado, a visita ao Gerês de Março de 1988 foi a primeira actividade que contou também com a participação de dois outros professores e grandes amigos, que daí para a frente viriam a fazer parte de uma espécie de "núcleo duro" das actividades de campo organizadas na Escola Secundária de Sacavém. Mais do que nunca, tinha nascido uma equipa interdisciplinar, permitindo fazer destas "viagens" verdadeiras aulas vivas, em que os saberes partilhados   se   cruzavam   com   os  sabores  da  amizade,   da   sã
Nas ruas de Tourém, 22.03.1988
camaradagem, da alegria de viver.
E assim, levei estes novos alunos a Tourém e a Pitões. Aprenderam que a Ecologia também engloba a vertente humana, que as populações humanas fazem parte integrante do meio ambiente; aprenderam histórias de comunitarismo nestas pequenas aldeias, visitaram o forno comunitário e a fonte das solteiras; ouviram histórias sobre  o  boi  do  povo  e a sua função como reprodutor;  conviveram
Na fonte das solteiras, Tourém, 22.03.88
com a população; aprenderam o que não vem nos livros nem nos programas...
A Srª Maria e a "Casa do Preto", em Pitões das Júnias, receberam este novo grupo com o calor habitual: o calor da hospitalidade ... mas também o calor da lareira, ao crepitar da qual nos reuníamos à noite. E, num esplendoroso dia de uma Primavera há pouco iniciada, a "aldeia mágica" de Pitões recortava-se contra as alturas da Serra do Gerês. A fraga de Brazalite, os cornos da Fonte Fria ... como que nos chamavam para uma fantástica travessia ... há muito sonhada!
Pitões das Júnias ... a "aldeia mágica", com as alturas da Serra do Gerês como pano de fundo - 22.03.1988
Mas para já, em 1988, os percursos efectuados - ao Mosteiro e à Cascata de Pitões - eram novos para todos menos para mim. Houve lugar, pelo caminho, à aprendizagem de regras básicas de orientação no campo; mas também houve lugar à história do Mosteiro e dos eremitas que se estabeleceram nesta região, presumivelmente nos finais do século IX.
E, como já vinha sendo habitual, de Pitões "mudámo-nos" para o Vidoeiro, mas agora para as camaratas da casa-abrigo do Parque Nacional. Esta casa-abrigo, estas camaratas e o salão anexo passaram a ser o poiso principal na maioria das minhas idas ao Gerês com alunos. Quantas histórias, anedotas, músicas, brincadeiras, ali contámos, cantámos e brincámos, todos! Quantas amizades, convivência ... crescimento!
Mata da Bouça da Mó, 24.03.1988
Marcos miliários, ao longo da geira romana
A geira romana foi mais uma vez percorrida, de S. João do Campo à Portela do Homem. E mais uma vez descemos às piscinas naturais do rio Homem ... aliás local mais que convidativo para o almoço...J
Na Portela do Homem, era obrigatória a foto de grupo ... em terra galega.
Junto às piscinas do rio Homem
Fronteira da Portela do Homem, lado galego, 24.03.1988
Fronteira da Portela do Homem
Para não variar, as "etapas" seguintes foram a Pedra Bela e a Cascata do Arado, pois claro! Para eles eram novidade, para mim não ... mas nunca até hoje me cansei de ali ir, de partilhar aquela Natureza, aquela comunhão.
Pedra Bela, 24.03.1988
Cascata do Arado, 24.03.1988
Junto à Cascata do Arado, 24.03.1988
O Gerês deixa sempre saudades. Com alguns dos alunos que participaram nesta 4ª visita, e alguns outros, um ano depois estaríamos a concretizar um sonho...! Mas também com alguns destes mesmos alunos e outros ... 3 meses depois estávamos nos Pirenéus!
14 de Fevereiro de 2011

quinta-feira, 1 de janeiro de 1987

Uma jornada invernal ... em UMM

Para além da casa de Lisboa, os amigos com quem  em 1985  tínhamos  vivido  a  "aventura  Sahariana"  ...
Vale da Torre, Lardosa, 27.12.1986
tinham mais duas casas: uma na aldeia de Vale da Torre, Castelo Branco ... e outra, em obras, na aldeia de Cristelo Covo, Valença, Alto Minho. Nos dias entre o Natal e a passagem de ano de 1986 ... convidaram-nos para as duas...J! E o meio de transporte? Um jeep UMM da empresa para a qual ele trabalhava...J! Reunidas estavam as condições, portanto, para uma pequena "aventura" invernal, que passou por Penha Garcia, pela Serra da Estrela, e, até, por uma curta passagem nocturna pelo "meu" Gerês! Nesta "aventura" ... os "rebentos" de ambos os casais podiam participar...
Vale da Torre - os pequenos aprendem a tirar água...J

No Vale da Torre ... o frio apertava. Mas havia lenha! Não me esqueço que 2 dias e 2 noites que lá estivemos ... a lareira esteve permanentemente acesa! A parede por cima ... "fervia"!
Monsanto visto de Penha Garcia, 29 de Dezembro de 1986
    E no dia 29 de Dezembro lá fomos.  Até  a  Serra da
    Estrela  parecia  diferente  ...  metendo  o  UMM nos
    caminhos  serranos.  Na altura,  não podia imaginar
    que, quase 20 anos depois ... eu viria a ter um igual!

A Covilhã sob as nuvens, 29.12.1986
Torre, Serra da Estrela, 29.12.1986
Lagoa Comprida, Serra da Estrela, 29.12.1986
Cabeça da Velha, Serra da Estrela, 29.12.1986
O rio Minho e o Monte de Santa Tecla,
30 de Dezembro de 1986

O dia 29 terminou no Gerês. Desta vez o poiso foi na Pensão da Ponte ... adormecendo ao som das águas do rio. E no dia seguinte lá fomos ver as obras da casa de Valença ... onde 3 anos depois passaríamos parte das férias. Na manhã do penúltimo dia do ano, o Rio Minho estava esplendoroso; o Monte de Santa Tecla recordava-nos a volta pela Galiza de há 6 anos atrás.
Regressados do Minho ... a passagem do ano 1986 / 1987 foi também ao sabor de alguma Natureza: Roliça, Bombarral ... com outros amigos!
Primeiro dia do ano de 1987 ...
... no cruzeiro da Roliça
13 de Fevereiro de 2011

segunda-feira, 13 de maio de 1985

Regresso ao Gerês e à Tapada de Mafra ... com novos alunos

Ano lectivo de 1984 / 1985: o grupo de alunos que eu começara a acompanhar 5 anos antes, estava agora no 11º ano. E, claro, outras turmas e outros alunos tinham começado também a aprender comigo as Ciências da Natureza. Para uns e outros ... no meu pensamento estava sempre o desbravar de horizontes, o viver o campo e a Natureza. É assim que, a 21 de Março de 1985, parto para novos 4 dias no Gerês, com turmas do 8º ano, minhas ... e da minha "colega", que entretanto já se encontrava igualmente efectiva na Escola Secundária de Sacavém.
Acampamento em Chaves,
a caminho do Gerês, 21.03.1985
Desta vez acampámos em Chaves, para depois fazermos uma curta visita a Montalegre ... e nos demorarmos em Tourém e Pitões das Júnias. O "alcatrão derretido" nas ruas de Tourém fez de novo sensação, mas desta vez tínhamos até uma aluna cuja avó era de Tourém. Com a hospitalidade típica das  gentes  simples  e  sãs,  quis
Ruas de Tourém, 22.03.1985
oferecer-nos da sua melhor broa de centeio ... olhada com alguma apreensão por aquela "maltinha", apenas acostumada aos usos e costumes urbanos, ou da periferia da grande cidade ... principalmente quando a avó referiu que a broa tinha um mês na arca...! Não fora a neta comer um pedaço ... e ninguém provavelmente lhe teria tocado. Depois ... provaram e gostaram; mais uma forma de aprender...J!
Nas águas do rio Homem,
23.03.1985
Como já vinha sendo tradicional, da zona de Pitões e Tourém passámos ao Gerês, acampando de novo no Vidoeiro. E não foi cansativa nem monótona a segunda das muitas vezes que já subi a geira romana com alunos, de Vilarinho da Furna à Portela do Homem, nem as sempre fascinantes panorâmicas da Pedra Bela ou a contemplação da cascata do Arado. Junto a esta, subimos pela primeira vez a encosta a nascente da mesma, ao longo das sucessivas piscinas naturais. Nessa altura, estava longe de saber que, anos mais tarde, iria conhecer o autêntico Shangri-La do vale da Teixeira!

Entretanto, poucos dias antes, a 3 de Março do mesmo ano de 1985, um grupo de amigos inicialmente ligados à Escola Gaspar Correia, na Portela de Sacavém, dava os primeiros passos do que viria a ser um Grupo de Caminheiros ... que 17 anos e meio mais tarde viria a ser a minha "família" Caminheira!

E ... com os alunos do 11º ano? A maioria já tinha ido à Arrábida, ao Gerês (muitos por duas vezes), a Doñana,  à  Serra da Nogueira ... mas não tinham ido  à  Tapada de Mafra.  Assim,  a 13 de Maio de 1985,
Na Tapada de Mafra,
13.05.1985
fizemos uma visita à Tapada, não menos apreciada do que as restantes "aventuras" em que já tinham participado.
Família de javalis na Tapada, 13.05.85
Na Tapada de Mafra, 13.05.1985






O 11º ano era, na altura, o último ano existente na Escola. Para culminar a sequência de áreas naturais que aqueles alunos conheceram ... tínhamos de pensar numa actividade "em grande"...J! Excursões de finalistas para Benidorm ou Marbella ... felizmente não lhes agradavam nem a eles nem a mim.
Pelo que ... os planos foram outros...
8 de Fevereiro de 2011

terça-feira, 5 de abril de 1983

No Gerês com alunos ... pela 2ª vez

A 31 de Março de 1983, saí da Escola Secundária de Sacavém, com os meus alunos do 9º ano, para uma actividade de 6 dias no Parque Nacional da Peneda-Gerês! Adultos ... apenas eu e uma das duas professoras que tinha participado na visita do ano anterior. Muitos dos alunos eram aliás os mesmos, agora no 9º ano; eles tomariam conta de nós...J!
Em 1975, quando da visita pela mão do Professor Almaça, tínhamos almoçado um dia em Pitões das Júnias. O almoço, o local, a casa rústica onde no-lo serviram, a simplicidade e afabilidade da simpática aldeã que geria a casa ... não me tinham saído da memória.  Tinha  de lá voltar ... tanto  mais que a senhora
Pitões das Júnias, 31.03.1983
alugava quartos a quem visitava a aldeia e a serra! E é assim que conheço pela primeira vez a Sr.ª Maria e a sua "Casa do Preto" ... minha amiga em Pitões há quase 30 anos ... bem como a sua filha Maria ... e, mais tarde, a sua neta Sandra! E é assim que centenas de alunos meus passaram pela "Casa do Preto", ao longo de 20 anos, convivendo à sua lareira, adquirindo experiências e vivências inimagináveis para a maioria deles, para quem a aldeia, a serra, o gado, a lavoura, a vida dura ... só existiam quando muito num imaginário remoto. Ficavam por vezes 4 e 5 em cada quarto, porque mais quartos não havia. E que náuseas lhes davam quando descobriam que o "alcatrão derretido" de que eu lhes falara previamente ... eram as ruas cobertas do esterco das vacas! Rapidamente concluíam, no entanto ... que era bem melhor e mais saudável do que o cheiro ao Trancão dos anos 80...
A primeira "aventura" foi a descida ao Mosteiro e à cascata de Pitões. Mas também a visita a Tourém, perdida lá no fundo, entre o planalto da Mourela e a Barragem galega de Salas. E, naquele primeiro dia de Abril ... a nevar ... foi uma festa para quem quase não sabia o que era neve! Mas o relógio de Sol, o forno comunitário, a fonte das solteiras ... tudo era novo e deslumbramento para aqueles rapazes e raparigas que, comigo ... estavam a descobrir a vida. Não sei porquê ... mas não houve nenhuma rapariga do grupo que não bebesse água da fonte das solteiras; reza a tradição que, se não o fizesse ... nunca mais se casaria!
Mosteiro de Pitões, ou de Sta Maria das Júnias, 1.04.1983
No Mosteiro de Pitões, 1.04.1983
Cornos das alturas, vistos de Pitões, 1 de Abril de 1983
Estrada Pitões - Tourém, a nevar, 1 de Abril de 1983
Parte do grupo no Gerês, 2.04.1983
mais alguns...

De Pitões passámos ao Gerês, nos mesmos moldes do ano anterior: campismo no Vidoeiro e Pensão Baltazar. Dois dias, em que subimos a pé até à Pedra Bela e à cascata do Arado e, no segundo, à Junceda. Ao contrário de 1982, o tempo não estava convidativo a banhos; aliás à noite, no Vidoeiro ... quase se ouviam os dentes a bater...J! Mas nada que uma boa fogueira não aquecesse...
Pedra Bela, Gerês, 2 de Abril de 1983
Subida do Gerês à Junceda, 3 de Abril de 1983
Na Pedra Bela, 2 de Abril de 1983
Junceda, 3 de Abril de 1983
Perto da Junceda, 3 de Abril de 1983
Vigo: praia de Samil e ilhas Cíes, 4 de Abril de 1983
  
Esta segunda "romagem" escolar ao Gerês teve ainda um complemento galego, com uma pequena visita a Vigo ... e a contemplação das "mágicas" ilhas Cíes. E, no regresso ... já todos trazíamos ideias para próximas "aventuras", com este mesmo grupo de alunos.
3 de Fevereiro de 2011