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sábado, 13 de março de 2010

Os campos e lameiros do Côa voltaram à vida!

As "aventuras" do ano de 2010 começaram com uma caminhada em Tremês, próximo de Santarém, no dia
A velha ponte vê de novo passar o Côa transbordando as margens, 19.01.2010
16 de Janeiro. Dois dias depois ... estava em Vale de Espinho. O Inverno de 2009/2010 foi bastante chuvoso ... e os campos e lameiros do Côa foram felizmente voltando à vida. Em Janeiro, Março e Abril, palmilhei aquelas minhas terras sagradas, do vale da Maria ao Alcambar e ao Espírito Santo, da Ervaginha aos Urejais e às Fontes Lares, às Braciosas, às Colesmas. Maravilhei-me com a maravilha das águas transbordando as margens, dando côr e vida às paisagens ribeirinhas. Com a minha "sócia" de sempre, subimos a velha quelhe das pedras, deliciámo-nos com a água divina das Fontes Lares, deixámo-nos embalar pela energia do barroco "sagrado", a energia que tinha voltado a dar vida àqueles campos, depois da tragédia que eu tinha contemplado meio ano antes.
Ribeira do Vale da Maria, 19.01.2010: impressionate!
Fontes Lares, no barroco "sagrado", 10.03.2010
"E de repente damo-nos conta que envelhecemos, a ver envelhecer estas pedras que não envelhecem" (Sérgio Paulo Silva)
O Côa no Moinho do Rato, Vale de Espinho, 26.04.2010
Contemplação a dois...    O Côa na açude junto ao moinho da Nogueira, 27.04.2010
(Álbum de fotos completo nest link)

Em Março, durante os dias em Vale de Espinho, a Serra da Gata chamava-me, para além do Xálima e da Cervigona. Há muito que queria ir à velha Torre Almenara, a velha torre árabe que domina a vila de Gata e que se vê destacada desde longe. Foi no dia 13 de Março. Deixando o carro entre Gata e Torre Don Miguel, esta curta caminhada proporcionou-me momentos belíssimos de contemplação e de sonho.
Vila de Gata e a Torre Almenara ao fundo, à direita, 13.03.2010
A caminho da Torre Almenara, Gata, 13.03.2010
E eis que chego à velha torre árabe, 13.03.2010
Do Alto da Almenara sobre a vila de Gata, 13.03.2010

Mas, para além do Côa, da Malcata e da Gata, em Janeiro tínhamos feito uma incursão ... a terras francesas do Loire! Apesar de se tratar de uma "excursão" urbana e familiar, em Tours ... também incluiu três caminhadas, ao longo do Loire e do Cher.
Tours, ao longo do Cher: Promenade de Ségovie, 27.01.2010
4/09/2011

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ouvindo velhos contos ... à lareira e com sabores

Regressados de Vale de Espinho e do inferno em que as mãos criminosas lançaram o concelho, eu tinha encontrado casualmente na net uma iniciativa que me pareceu bastante interessante e original. Organizado
Retiro da Fraguinha, 3.10.2009
pelo grupo "Criar Raízes", de S. Pedro do Sul, em conjunto com o parque de campismo da Fraguinha, na Serra da Gralheira, de 3 a 5 de Outubro realizava-se o evento "Estória, História...: encontro de contadores, lareiras e sabores". O encontro parecia apelativo: prometia "contos, percursos pedestres, petiscos, vidas partilhadas... uma forma diferente de descobrir a serra". Há 15 anos que não acampávamos propriamente, em tenda; era uma oportunidade para reviver a experiência e participar naquele encontro.
E assim, naquele início de Outubro, rumámos à Gralheira. O parque da Fraguinha é um camping rural, em plena serra. Que bela localização e que bela envolvência ... não fossem as muitas eólicas nas redondezas, zumbindo dia e noite.
Vamos descamisar o milho, Manhouce, 3.10.2009
Que aberrante "plantação" povoa agora muitas das nossas serras! Energia limpa? Esse é um conto mal contado...
Com base na Fraguinha, as duas aldeias que receberam o evento foram Manhouce e Candal. Aldeias alcandoradas na serra, cheias de histórias e de tradições. E dando vida aos objectivos pretendidos, o conto veio de novo para a lareira, para o sítio onde nasceu, nas longas noites de frio e de chuva, à volta do lume, em casa das pessoas. A ideia era que os participantes descubrissem as aldeias e as suas gentes, ao circular de casa em casa para ouvir um contador diferente e provando nelas os sabores tradicionais; foram assim as noites dos dias 3 e 4. Mas também tivemos a oportunidade de aprender saberes de outrora, de escutar vozes que ecoam dos recantos da serra ... como a voz de Isabel Silvestre, que ouvimos num esplêndido concerto na igreja de Manhouce.
Candal ... pedras que falam...  4.10.2009
Em Manhouce participámos no labor tradicional do descamisar do milho. Em Candal reunimo-nos na eira, para ouvir velhas histórias de lobos e de homens. Foram sem dúvida três belos dias e um belo evento. Um único reparo, que aliás fiz à organização: os "contadores de histórias" poderiam (deveriam...) ter sido recrutados entre a população das aldeias, ou seus descendentes ou a elas ligados ... em vez de contadores "profissionais", convidados, contando histórias que levam para muitos cantos e recantos, histórias que nada têm portanto a ver com aquelas aldeias, serras e gentes. Poderia ser difícil ... mas seria um desafio.
(Pode ver o álbum de fotos completo nest link)

Entretanto, ainda em Setembro tínhamos participado com os Caminheiros Gaspar Correia em mais uns Chocalhos, em Alpedrinha e na Serra da Gardunha, ligando no sábado as barragens do Pisco e da Marateca. A 17 de Outubro foi a vez de uma caminhada ... surpresa... J. E a 7 de Novembro, com quase 2
Um novo Caminheiro... J  7.11.2009
anos ... o neto mais velho estreou-se nos Caminheiros... J! Numa caminhada alusiva a S. Martinho, entre o Sardoal e Andreus, o estreante fez parte do percurso ... na mochila para o efeito, às costas do avô e do pai... J. E a última jornada caminheira do ano foi em terras de Sicó, no dia 12 de Dezembro.
Mas pelos Santos tínhamos regressado a Vale de Espinho. No dia 28 de Outubro fui ver como estavam as "minhas" Fontes Lares ... e felizmente fiquei maravilhado. A natureza é pródiga e regeneradora! O cenário dantesco de dois meses antes, tinha-se felizmente alterado substancialmente.
As Fontes Lares voltaram à vida!  28.10.2009
Ainda durante essa curta estadia, no dia 31 participei numa caminhada organizada pela Associação Recreativa de Malcata, palmilhando à noite os velhos trilhos da serra, do Alízio ao geodésico do Homem e regressando a Malcata. E de 17 a 20 de Dezembro ... lá estaria de novo na "minha" Vale de Espinho... J!

E numa visita há muito pretendida, Florença recebeu-nos no final de Novembro, depois de um dia e meio em Barcelona. Mas além das cidades, esta jornada permitiu ainda conhecer um pouco das belas paisagens da Toscânia ... bem como um espectacular panorama aéreo dos Alpes, na viagem de regresso.
Sobrevoando os Alpes, 26.11.2009
3/09/2011

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

E o inferno passou por ali...

Regressados dos Pirenéus a 9 de Agosto ... dia 11 estávamos em Vale de Espinho,  para  passar  grande
Na Serra do Espiñazo, sobre San Martín de Trevejo, 13.08.2009
parte do resto do mês. E logo dois dias depois, participo numa caminhada organizada por um grupo de pessoas dos Foios, nas chamadas Torres das Ellas, os espigões rochosos da Serra do Espiñazo, sobre Valverde del Fresno e as Ellas. Já conhecia a zona, mas a caminhada foi orientada por fojeiros muito conhecedores daquelas rotas, o que é sempre uma mais-valia importante. Histórias de barrocos cortados por um raio, de fontes que guardam tesouros escondidos, foram animando e alimentando esta belíssima caminhada. Obrigado Tó e Xico Lei!
Agosto foi também o mês em que pela primeira vez os netos, agora ambos com pouco mais de ano e meio, passaram uma temporada maior na raia.
Ao longo do Espiñazo, 13.08.2009
Subida às Torres das Ellas, 13.08.2009
No dia 20 vou de Vale de Espinho à Gardunha e regresso, para participar com outro caminheiro na prospecção da que viria a ser a caminhada de Setembro dos Caminheiros Gaspar Correia. Mas o fim de Agosto e os primeiros dias de Setembro de 2009 ficariam para sempre marcados nas memórias de Vale de Espinho e de todo o concelho do Sabugal. Naqueles dias ... o inferno passou por ali! A mão criminosa dos incêndios, que todos os anos varre as nossas florestas, sacudiu todo o concelho do Sabugal com uma onda
Clique para ver o álbum no Picasa
de fogo como nunca naquela zona se havia visto! Entre Vale de Espinho e os Foios, o incêndio começou no Regordo ... junto ao Côa! Como é possível começar num baixio, junto à água, e rapidamente subir às Cortes e às Balsas, ao cimo da Serra de Aldeia Velha ... envolvendo as novas torres eólicas que infelizmente povoam a cumeada?!...
Já tinha regressado a Lisboa ... mas não me contive. Os campos ainda fumegavam...! Na zona do Terreiro das Bruxas ... tudo havia sido carbonizado! Entre o dia 30 de Agosto e o dia 1 de Setembro, mais de 60% do concelho do Sabugal foi devastado pelas chamas!
No dia 2 meto os pés ao caminho ... e o "filme" que se me revelou foi um cenário dantesco. Ao avançar das Balsas para as Fontes Lares, por momentos alimentei a esperança de que a serpente de fogo tivesse poupado aquele "santuário". Mas rapidamente a esperança se foi desvanecendo ... e as lágrimas corriam-me soltas quando me sentei no meu barroco sagrado. Qual ilha num mar de cinzas, o barroco jazia isolado, perdido na negritude que o rodeava. As ruínas da velha casa, ocupadas nas últimas décadas por silvas impenetráveis ... estavam agora mais vazias do que nunca, esventradas, comidas pelo fogo até nas velhas paredes interiores. Próxima, da velha casa do Ti Zé Tomé ainda se soltavam grossas colunas de fumo...
O barroco "sagrado" jaz como ilha num mar de cinzas...  2.09.2009
Uma dolorosa caminhada ao inferno... 2.09.2009
E o inferno passou por aqui...  2.09.2009
Que arda no fogo dos infernos quem provoca esta miséria que todos os anos se repete ... quem lucra com a destruição do nosso património natural ... quem deixa impunes os crimes que nos corroem o mais íntimo de nós mesmos! Ao longo desta caminhada de dor e sofrimento, testemunhei outra "coincidência" dos "fenómenos" que provocam os incêndios florestais: 90% ou mais do que vi queimado foram áreas de pinhal; as áreas de carvalhos e de outras caducifólias estavam praticamente intactas, mesmo que ao lado de extensas áreas devastadas. Porquê?...
Mas os (ir)responsáveis pela gestão florestal teimam em reflorestação com resinosas...! Porquê?...

(Este artigo foi escrito e publicado a 2 de Setembro de 2011 ... 2 anos depois desta dolorosa caminhada)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Caminheiros ... e terras raianas...
(Agosto de 2008 a Março de 2009)

Depois da "aventura" no Gerês e do Intercéltico de Sendim ... regressámos a Vale de Espinho. E o segundo semestre de 2008, bem como a Primavera de 2009,  foram  caracterizados  por  sucessivas  fugas
Torres das Ellas, Serra do Espiñazo, 12.08.2008
para o nosso retiro arraiano, intervaladas pelas actividades com os Caminheiros Gaspar Correia ... uma delas na raia... J!
A 12 de Agosto de 2008 parto do Lameirão dos Foios e da nascente do Côa para os Llanos de Navasfrias, passando pela nascente do Águeda, para depois cruzar a Serra do Espiñazo (as Torres das Ellas) e terminar no Puerto de Santa Clara, sobre San Martín de Trevejo. 14 km de panorâmicas fabulosas, que eu já conhecia de outras "andaduras", mas que dei a conhecer à minha "colega especial", ao sobrinho dela mais novo ... e ao filho que, menos de um mês antes, tinha protagonizado a "aventura" no Gerês.
Numa caminhada muito mais acessível ... ele lá se redimiu em parte... J!
Dia 21 de Agosto guiei outra "equipa familiar" numa jornada de quase 20 km pela Serra Alta e Matança, sobre Aldeia do Bispo. No dia seguinte, estabeleço aquele que é ainda hoje o meu record pessoal de distância percorrida num dia: atravesso a Serra da Malcata pelo Espigal, Espiguinho e Forninhos, do Meimão subo à cumeada do Muro de Facas, sobrancei-
ro a Santo Estevão, a noroeste, e à barragem da Meimoa, a sudeste. Desço à Feiteira e ao Vale da Senhora da Póvoa. Com 33 km já percorridos, o plano era apanhar boleia do meu filho mais novo no Terreiro das Bruxas, já que era dia de ele vir para Vale de Espinho. Mas ... quando passei no terreiro das Bruxas ainda ele estava no caminho ... e eu segui o caminho de regresso. Apanhou-me quase no Sabugal, com quase 46 km percorridos em 12 horas e meia J.
A 14 de Setembro faço mais uma romagem ao vale da ribeira dos Urejais ... e às Fontes Lares.  E  no fim  de
Castanhal de Ojesto, San Martín de Trevejo, 25.10.2008
Outubro levamos mais uma vez o nosso "grupo dos sete" a Vale de Espinho, para um Outono na raia. Do lado espanhol, no dia 25 fazemos com eles a fabulosa descida do castanhal de Ojesto, do Puerto de Santa Clara a San Martín de Trevejo.
Entre San Martín de Trevejo e as Ellas, em data "especial", de 5 a 8 de Dezembro entregamo-nos ao luxo da "Almazara de San Pedro", na base da Serra da Gata. Com Vale de Espinho ali tão perto, mas foi uma maneira de comemorar, em plena Natureza ... 35 anos de vida em comum...J! E até o fim de ano foi raiano; de 26 de Dezembro a 2 de Janeiro ... Vale de Espinho.

Entretanto claro que continuavam em pleno as nossas andanças com a "grande família" Caminheira - os Caminheiros Gaspar Correia. De Setembro a Janeiro, da Arruda dos Vinhos ao curso do Trancão, passando por terras de Mora e de Grândola, as actividades sucediam-se, sempre em ambiente de franca e sã camaradagem. Por sinal, as actividades de Dezembro, Janeiro e Fevereiro foram de minha responsabilidade: as de Dezembro e Janeiro à descoberta do curso do Trancão, da Póvoa da Galega a Bucelas e a Sacavém; a de Fevereiro ... nas terras raianas dos Foios, Navasfrias e Serra da Enxalma, no fim de semana de 14 e 15 de Fevereiro. Sábado começamos a caminhada na praia fluvial dos Foios, subindo à nascente do Côa e atravessando depois a raia pelas antigas bredas do contrabando. Tanto nos Foios como em Navasfrias, fomos recebidos pelos respectivos Presidente da Junta e Alcalde, visitando a seguir o Centro de Interpretação da Natureza, junto à área de El Bardal, em cujas instalações o grupo ficou alojado ... e onde fizemos a tradicional festa de Carnaval Caminheiro.
Domingo era o dia da "grande caminhada" do Xalmas, que nos brindava com o manto branco da neve a partir de meia encosta. O espectáculo da progressão na neve, as extraordinárias panorâmicas do cume e a descida para a encosta estremenha fizeram desta caminhada uma jornada memorável. O autocarro esperava-nos na pequena aldeia de Trevejo, cujo castelo medieval, dominando a planície de Valverde, com a Marvana ao fundo, constituiu um excelente quadro final de actividade. Dali regressámos a Lisboa.
Subida ao cume do Xálama, com Payo ao fundo, 15.02.2009
Rumo ao cume do Xálama (1493m alt.), 15.02.2009

Entretanto, a 6 de Fevereiro, o jornal "Cinco Quinas", do Sabugal, publicara uma entrevista onde surjo como "filho adoptivo e adoptado da raia"... J
E no último dia de Fevereiro ... a minha "colega especial" recebia a sua "carta de alforria" e chegava também ao fim do "nosso" Ensino. Estávamos os dois aposentados! Agora passávamos a ter "todo o tempo do mundo" para nós, para os filhos e netos, para as nossas paixões. Em Vale de Espinho, passaríamos a estar mais tempo em cada "fuga"; a primeira foi no fim de Março de 2009, para no início de Abril partirmos da raia ... para as terras mágicas de Somiedo!
25/08/2011

sábado, 15 de dezembro de 2007

Do Iberfolk ao Douro e ao Marão ... e quando sou avô numa caminhada!

Depois do périplo asturiano, o segundo semestre de 2007 caracterizou-se por sucessivas actividades cami-nheiras ... sempre com Vale de Espinho e as terras raianas no horizonte... J!
De 7 a 9 de Setembro, o II Iberfolk mobilizou o concelho do Sabugal, para uma mística que englobou música tradicional, caminhadas, contos tradicionais, tudo à sombra das velhas muralhas do Castelo de Sortelha.  É  claro  que  tínhamos de lá estar,  eu e a minha musa,  assistindo aos bailes e concertos,  mas
Chegada a Barca de Alva pelo Douro, 6.10.2007
participando também nas caminhadas de descoberta da Malcata: no percurso da "Patada da Mula", junto à barragem da Meimoa, no dia 8; nos trilhos do Espírito Santo e da Serra das Mesas, no dia 9.
Aproveitando o feriado de 5 de Outubro, o nosso "grupo dos sete" fez nova incursão ao Douro e à Invicta, incluindo o cruzeiro da Régua a Barca de Alva, a continuação do que tínhamos feito em 1999. Nesta subida do Douro ... pude portanto ver a foz do "meu" Côa a partir do Douro que o recebe, bem como a foz do seu "irmão" Águeda, limitando com terras castelhanas.
Cruzeiro no Douro: Foz do Côa, 6.10.2007
Rio Águeda, fronteira, na antiga linha internacional, 6.10.2007
Uma semana depois, participo na Marcha dos Fortes, organizada pela Câmara de Loures e o Clube "Ar Livre" (CAAL): 44 Km a pé, de Runa a Bucelas, pelos Fortes das Linhas de Torres. Até então o meu record pessoal de distância percorrida num dia.
Também com o CAAL, a 27 e 28 de Outubro participo na actividade "Nas Faldas do Marão": três caminhadas, em duas belas jornadas pela serra, com pernoita no parque de campismo de Amarante.
Nas Faldas da Serra do Marão, 28.10.2007
Menos de uma semana depois ... Vale de Espinho, nos Santos. Na tarde do próprio dia 1, levo uns primos há muito afastados dos campos e das serras a recordarem as Fontes Lares, a Serra Alta, a nascente do Côa, o Piçarrão. E no dia seguinte parto "à conquista" do Xálima,  que há muito  me cativava.  Do  alto  dos
Torre de Vigia do Xálima, até onde o "burro" pode ir, 2.11.2007
seus quase 1500 metros de altitude, tem-se dali uma vista deslumbrante. Os horizontes abrangem da serra da Penha de França à Marofa, à Estrela e à Gardunha; percebe-se o vale do Côa; por trás da serra de Penha Garcia, ressalta o morro de Monsanto.
No topo do Xálima, 1493m alt., 2.11.2007
Em tempos pré-romanos, estas terras eram habitadas pelos vetões, parentes próximos dos lusitanos. A origem etimológica do termo Xálima parece derivar de uma divindade pré‐romana que habitava estas montanhas, o deus Xalmas, deus da água. Os romanos deram à região o nome de Transcudânia, designação que perdura até hoje de ambos os lados da fronteira.
Um mês depois ... estava de novo na raia. A manhã do feriado de 1 de Dezembro foi preenchida com um raid pela Malcata, no meu "burro". Pelo Espigal, Ventosa, Malhada Medronheira e Concelhos, desci à barragem da Meimoa e ao Meimão. Deste, quis explorar o vale da Ribeira do Arrebentão, segui-o até à barragem do Sabugal, passei o Côa no Moinho do Cascalhal. No dia seguinte, o "burro" saltou pela Quinta das Vinhas, subiu ao Homem de Pedra, regressou pelas Fontes Lares ... sempre as Fontes Lares.
Salir do Porto, sobre a baía de S. Martinho...
... em caminhada "especial"... J, 15.12.2007
Entretanto, as caminhadas com a "família" Caminheira claro que também continuavam. Em Setembro, tínhamos estado no Parque de Santa Margarida, em Constância; em Outubro foi a vez do Pinhal do Rei; e no dia 10 de Novembro foi a caminhada do magusto, ao longo do meu velho Alviela. A caminhada de Dezembro, no dia 15, era de minha responsabilidade, na zona de Salir do Porto, entre o Paúl de Tornada e o mar. Com dois outros caminheiros, fiz o respectivo reonhecimento e preparação ainda em Novembro. Mas esta caminhada viria a tornar-se especial. A meio da caminhada, pouco antes da paragem para almoço, recebi uma notícia também especial: era, pela primeira vez ... avô! O meu neto mais velho nasceu nesse mesmo dia 15 de Dezembro ... o que naturalmente foi saudado e festejado na caminhada! Nascido com o avô em acção ... pode ser que venha a ser caminheiro... J! Pelo menos já participou entretanto em pequenas caminhadas... J
11/08/2011

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Da última caminhada com alunos ... aos olivais de Pesqueiro

19 de Outubro de 2006: mais de 3 anos depois, volto a organizar uma excursão com alunos, à Arriba Fóssil da Costa da Caparica, e da Lagoa de Albufeira ao Cabo Espichel. Alunos de duas turmas do 10º
Arriba Fóssil da Caparica, 19.10.2006
Ano, minha e da minha ... colega especial. Uma jornada agradável, sem dúvida, de que os (poucos) alunos gostaram ... mas que em nada se comparava com as "aventuras" vividas durante mais de 20 anos. Os diversos "males" a que me referi no artigo "O princípio do fim do "meu" Ensino" continuavam e tinham-se agravado ... a começar por nova transformação dos próprios programas curriculares. O ensino que eu conhecera, pelo qual me apaixonara e ao qual me dedicara ... já não era o "meu" ensino.
Esta foi definitivamente a última actividade de campo com alunos ... e menos de 2 anos depois estava aposentado, voluntariamente e ante-
Da Lagoa de Albufeira ao Cabo Espichel
cipadamente. As actividades com os Caminheiros, essas sim claro que continuavam e continuariam. Cinco dias antes tinha estado em terras de Montemor-o-Novo e do Escoural; em Novembro, de Óbidos à Foz do Arelho; e, em Dezembro, por terras do Sobral de Monte Agraço. Já em 2007, a 13 de Janeiro caminhamos à beira Tejo, de Cacilhas à Trafaria, num percurso organizado por dois jovens caminheiros, menores de 16 anos.
Com os Caminheiros em terras do Sobral de Monte Agraço, 16.12.2006

As escapadelas no nosso retiro espiritual de Vale de Espinho claro que também continuavam ... sempre complementadas com "aventuras" maiores ou mais pequenas, a pé ou no velho UMM, por toda a zona raiana, de ambos os lados da fronteira. Voltando a 2006, o dia 9 de Dezembro foi o de uma peregrinação solitária, de "burro", pela vertente espanhola do Piçarrão, sobre Valverde. E no dia seguinte redescobri a nascente do Águeda, que apenas tinha mal visto quando da passagem com o CAAL, em dia quase de tempestade. Nascido na vertente oposta da Serra das Mesas, a menos de 1 km da nascente do Côa, o Águeda é bem o seu irmão gémeo, em terras de nuestros hermanos. A seguir ao Natal, passamos também 5 dias em Vale de Espinho  ...  e  no
A caminho de Pesqueiro, com a Marvana ao fundo, 29.12.2006
dia 29 parto à descoberta dos vales de Pesqueiro, contornando também a Marvana, pela Nogueira e o Madrão. Pesqueiro é um vale "sagrado" para os Valespinhenses. Muitos tinham ali olivais, em terras mais baixas, mais quentes e férteis. Muitos labutavam nos "ranchos" dos trabalhos agrícolas. Dada a distância, dormiam normalmente lá semanas, numa faina e em vivências tão bem relatadas, entre tantas outras, no recente livro do Valespinhense Dr. Manuel Martins Fernandes, "Memórias de infância… Raízes do coração". Durante a guerra civil de Espanha, o velho José Joaquim Malhadas, pai do meu saudoso sogro, que eu ainda conheci em 1973, e não só, foi preso em Pesqueiro, quando andava na lide das oliveiras, levado para Cáceres na onda da guerra. Libertado algum tempo depois, o cárcere valeu-lhe contudo a bronquite que havia de o acompanhar para o resto da vida.
Nos olivais de Pesqueiro,
29.12.2006
As velhas casas da Florida,
Pesqueiro, 29.12.2006
Memórias de um tempo perdido, mas não esquecido
Pesqueiro, 29.12.2006
No fim de semana de 2 a 4 de Fevereiro de 2007 estávamos de novo em Vale de Espinho, com o filho e nora mais novos ... e com uma jornada de mais de 50 km para mostrar a "minha" serra a um casal visitante. Levei-os, de "burro", ao Piçarrão e ao Picoto, ao Homem de Pedra, aos Urejais, ao Espírito Santo. Curiosamente, nunca levei ninguém às Fontes Lares, a não ser familiares que já as conheciam e que a elas estavam ligados. Aquele é um lugar só nosso ... um lugar mágico...
27 de Julho de 2011

domingo, 24 de setembro de 2006

Deambulações à volta de um tema: a raia...

A 7 de Agosto de 2006, uma semana depois de terminar as "aventuras" em Somiedo ... estava de regresso a Vale de Espinho, para 15 dias de férias ... e de deambulações nas minhas terras raianas. Logo no dia 8, o meu "burro" levou-me às mágicas Fontes Lares e à Serra do Homem de Pedra, mas também, cruzando os Foios, ao Piçarrão, ao Cabeço da Moira, à divinal água do Espigal. Logo no dia seguinte, uma longa jornada de mais de 70 km levou-me a mostrar as "minhas" terras raianas a familiares, nascidos em Vale de Espinho, mas há muito afastados da serra. Descemos à Quinta do Major, pelas Ginjeiras e Revoltas visitámos a minha amiga ti MariZé Salgueiro, que, à beira do Bazágueda, lá continuava no seu isolamento serrano. Regressámos pelo Meimão e Malcata.
No dia 13 foi a vez da envolvência da barragem do Sabugal. Com o filho mais velho e nora, atravessei o Côa na Estrajassola, do Cruzeiro das Peladas descemos às margens da barragem, visitámos o Moinho
A caminho de Aldeia da Dona, 14.08.2006
do Cascalhal e o ti Zé Martins, que eu havia incluído no meu filme das 4 estações. No dia seguinte o "burro" ficou a descansar e a jornada foi pedestre. Também com o filho e nora e um carro em cada extremo, ligámos Sacaparte à Ponte de Sequeiros, que imperdoavelmente eu ainda não conhecia. De construção provável no século XIII, esta ponte seria um marco de fronteira antes da incorporação  das  terras  de  Riba-Côa  no  território  nacional,  pelo
Ponte de Sequeiros, próximo de Valongo do Côa, 14.08.2006
Tratado de Alcanices.
Ainda no mesmo dia 14, à noite ... fui de propósito ao Rendo, assistir a um memorável concerto do Sebastião Antunes e da "Quadrilha". Em terra de fragas ... não podia perder estas "fragas e pragas"... J!
E nos dias 18 e 19, eu e o meu "burro" servimos de novo de guias a primos e amigos, mostrando-lhes a Serra Alta, a nascente do Côa, as Mesas, a Quinta do Major, o Espigal, a Capela do Espírito Santo. Alguns já me propunham largar o ensino e enveredar pela carreira do turismo rural e de guia de percursos...; fosse eu mais novo... J!
E em Setembro lá estamos de novo na nossa Vale de Espinho, no fim de semana de 23 e 24. De ambos os lados da raia, no dia 24 exploro, de "burro", a zona compreendida entre o Cabeço Vermelho, Navasfrias, Aldeia do Bispo e a Lajeosa da Raia.

Entretanto, em 16 de Setembro tinha estado com os Caminheiros nos Coutos de Alcobaça, numa caminhada em cuja preparação tinha colaborado no último dia de Agosto.
25 de Julho de 2011

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Das terras do Demo à Serra de S. Mamede ... com um inverno raiano pelo meio

"Uma vez um homem travou do bordão e partiu a correr as sete partidas do Mundo. Andou, andou, até que foi dar a uma terra de que ninguém faz ideia."
(Aquilino Ribeiro, "Terras do Demo")

No fim de semana de 26 e 27 de Novembro de 2005, uma actividade do CAAL (Clube Ar Livre) nas "Terras do Demo", próximo de Moimenta da Beira, aliciou-nos a ambos a participar.

"Era o tempo das madrugadas nevoentas de Novembro e dos nevões prestes a cair, da aldeia embiocada no burel, dos lobos saindo a medo dos seus fojos, dos caçadores furtivos do defeso, dos medronhos silvestres já maduros sobre os cómoros."
(Alberto Correia, in Jornal do Centro)

No sábado 26, a Casa-Museu Aquilino Ribeiro, em Soutosa, onde viveu, ajudou-nos a compreender o mundo retratado pelo mestre. Mas logo aí fomos brindados por alguns farrapos de neve, como cartão de visita de um inverno a aproximar-se, que se iria revelar gélido. Depois visitámos Ariz, com as suas tradicionais casas de granito, onde iniciámos o percurso pedestre pela Serra da Nave, por caminhos que serpenteiam pelo meio das penedias, junto a um conjunto de moinhos de água recuperados, pelo castro do "Castelo", penedo da Fonte Santa e capela da Senhora dos Aflitos, terminando em Pêra Velha. No dia seguinte, o percurso foi a partir do Santuário da Senhora da Lapa e pelas cristas da Serra da Lapa, com magníficas vistas dos vales dos rios Paiva, Vouga e Távora, a barragem do Vilar e as serras da Nave e Leomil,  com  a  Estrela no horizonte.
Vale de Espinho, do Areeiro, 10.12.2005
Terminámos na aldeia de Penso.

Menos de 15 dias depois ... estávamos em Vale de Espinho J. E no dia 11 de Dezembro saio de casa antes das seis da manhã, sozinho, a pé ... com 7ºC negativos! O objectivo era ir ver o nascer do Sol na Casa dos Carabineiros, no Picoto da raia. E assim foi. O frio e a noite escura foram recompensados com o espectáculo grandioso dos primeiros raios do astro rei sobre aquela paisagem grandiosa, a perder de vista sobre a Extremadura espanhola, com a Marvana a sudoeste.
Um esplendoroso nascer do Sol no Picoto da raia,
sobre as ruínas da antiga Casa dos Carabineiros, 11.12.2005
" Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse... "
Janela aberta para outro dia que amanhece, 11.12.2005
Os primeiros raios de Sol sobre Valverde, 11.12.2005

"Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
"

    (Alberto Caeiro, "O Guardador de Rebanhos")
E o "guardador de rebanhos" passou à encosta extremeña
Aquele nascer do Sol na Casa dos Carabineiros acabou por ser o mote para uma caminhada em que desci à estrada de Valverde, percorri o Picoto e o Piçarrão, reentrei pela Portela da Arraia, Ribeiro Salgueiro ... e à hora do almoço estava em casa, em Vale de Espinho, com 27km percorridos.

E os últimos dias do ano de 2005 foram de novo na raia! Nos dias 29 e 30, o meu "burro" levou amigos, filhos, sobrinhos, à Serra Alta, à nascente do Côa, à cumeada das Mesas e da Malcata. Os céus pressagiavam neve ... que se veio a concretizar!

Serra Alta e Aldeia Velha, num dia a pressagiar neve, 30.12.2005
Marco geodésico da Serra Alta, 1144m alt., 30.12.2005
Naquele inverno de 2005 / 2006 ... até na grande Lisboa nevou, no dia 29 de Janeiro. Paradoxalmente, não vi esse nevão na capital ... porque estava mais uma vez em Vale de Espinho. Nesse dia 29 de Janeiro de 2006 vi neve sim, mas na cumeada do Coxino e do Cabeço da Moira ... e nas "minhas" Fontes Lares. A magia daquele local continuava a mostrar-me as suas faces ... numa autêntica melodia das quatro estações.
E Vale de Espinho pintada de branco,
29.01.2006

Fontes Lares em tons de branco, 29.01.2006
Nas férias de Carnaval de 2006 voltamos lá, de 23 a 28 de Fevereiro. 6 dias ... 7 caminhadas, a pé e "de burro", quase 200km percorridos, por "bredas feitas à sorte", ao longo das fragas, bebendo as águas, as cores, os sons e os cheiros da "minha" Malcata, do Côa, do Bazágueda, das lendas perdidas da Marvana, dos barrocos, das terras e gentes raianas.
Rio Côa,  no Moinho  do  Rato,
Vale de Espinho,  26.02.2006

Torre de vigia da Machoca, Serra da Malcata, 26.02.2006
Paisagem "siberiana", Serra da Malcata, 26.02.2006
Paisagem "siberiana", Serra da Malcata, 26.02.2006
Travessia da Serra de S. Mamede com o CAAL, 5.02.2006
Entretanto, no fim de semana de 4 e 5 de Fevereiro, tinha estado com o CAAL na Serra de S. Mamede. Sábado, 16km entre Marvão e Castelo de Vide. Domingo foi a travessia completa da serra, no sentido SE/NW, 24km entre Alegrete e a barragem da Apartadura, passando pelo ponto mais alto da serra, a 1027 metros de altitude. Sem dúvida um belo fim de semana de ar livre.
7 de Julho de 2011