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domingo, 24 de setembro de 2006

Deambulações à volta de um tema: a raia...

A 7 de Agosto de 2006, uma semana depois de terminar as "aventuras" em Somiedo ... estava de regresso a Vale de Espinho, para 15 dias de férias ... e de deambulações nas minhas terras raianas. Logo no dia 8, o meu "burro" levou-me às mágicas Fontes Lares e à Serra do Homem de Pedra, mas também, cruzando os Foios, ao Piçarrão, ao Cabeço da Moira, à divinal água do Espigal. Logo no dia seguinte, uma longa jornada de mais de 70 km levou-me a mostrar as "minhas" terras raianas a familiares, nascidos em Vale de Espinho, mas há muito afastados da serra. Descemos à Quinta do Major, pelas Ginjeiras e Revoltas visitámos a minha amiga ti MariZé Salgueiro, que, à beira do Bazágueda, lá continuava no seu isolamento serrano. Regressámos pelo Meimão e Malcata.
No dia 13 foi a vez da envolvência da barragem do Sabugal. Com o filho mais velho e nora, atravessei o Côa na Estrajassola, do Cruzeiro das Peladas descemos às margens da barragem, visitámos o Moinho
A caminho de Aldeia da Dona, 14.08.2006
do Cascalhal e o ti Zé Martins, que eu havia incluído no meu filme das 4 estações. No dia seguinte o "burro" ficou a descansar e a jornada foi pedestre. Também com o filho e nora e um carro em cada extremo, ligámos Sacaparte à Ponte de Sequeiros, que imperdoavelmente eu ainda não conhecia. De construção provável no século XIII, esta ponte seria um marco de fronteira antes da incorporação  das  terras  de  Riba-Côa  no  território  nacional,  pelo
Ponte de Sequeiros, próximo de Valongo do Côa, 14.08.2006
Tratado de Alcanices.
Ainda no mesmo dia 14, à noite ... fui de propósito ao Rendo, assistir a um memorável concerto do Sebastião Antunes e da "Quadrilha". Em terra de fragas ... não podia perder estas "fragas e pragas"... J!
E nos dias 18 e 19, eu e o meu "burro" servimos de novo de guias a primos e amigos, mostrando-lhes a Serra Alta, a nascente do Côa, as Mesas, a Quinta do Major, o Espigal, a Capela do Espírito Santo. Alguns já me propunham largar o ensino e enveredar pela carreira do turismo rural e de guia de percursos...; fosse eu mais novo... J!
E em Setembro lá estamos de novo na nossa Vale de Espinho, no fim de semana de 23 e 24. De ambos os lados da raia, no dia 24 exploro, de "burro", a zona compreendida entre o Cabeço Vermelho, Navasfrias, Aldeia do Bispo e a Lajeosa da Raia.

Entretanto, em 16 de Setembro tinha estado com os Caminheiros nos Coutos de Alcobaça, numa caminhada em cuja preparação tinha colaborado no último dia de Agosto.
25 de Julho de 2011

domingo, 4 de junho de 2006

"Vale de Espinho, uma melodia a 4 estações" ...
em filme

Depois de ter levado os Caminheiros às minhas terras raianas, no fim de semana de 26 a 28 de Maio de 2006 ... regressámos ao nosso "retiro". Maio ... mês das maias ... a giesta! Os campos, as encostas da Malcata, tudo é um mundo amarelo cerrado, aqui e ali ainda salpicado pela giesta branca.  Dia 27 pego no
"burro" e vou precisamente explorar as encostas das Muretas e das Cortes, para o lado oposto contorno o cabeço do Colmeal, à volta do Alcambar e do regato dos Pradinhos. Mas na manhã do dia 28 lanço-me à descoberta de recantos perdidos da Malcata, faço quase 100km de "burro"! Passando o barroco branco, desço à Ventosa e à Malhada Medronheira, pelos Concelhos vou ao já meu conhecido Cabeço do Pão e Vinho, mas avanço à margem do Bazágueda, até onde o caminho o permite, frente à foz da Barroca da Moita do Padre. Se estas águas e estes lugares contassem as suas histórias e lendas...
Pelas Ginjeiras, descubro os antigos olivais da relva da Maria Mateus; do outro lado do Bazágueda é a Nogueira. Depois reentro por momentos em terreno conhecido, desço à Mouca e visito a ti MariZé, à beira dos moinhos do Bazágueda. Mas avanço para sul, e são precisamente velhos moinhos que se me revelam, contando histórias perdidas de um tempo há muito perdido. O Moinho da Marmita, o Moinho Conselheiro, o da Quarta do Vento, os moinhos do José Cavalheiro, o Moinho do Maneio, em todos parecia ouvir ainda o gemer das velhas mós, há muito paradas ... há muito perdidas. O Moinho do Maneio foi entretanto recuperado e transformado, actualmente, para turismo rural. Pena é que os restantes se encontrem no mais completo abandono ... tal como infelizmente a maioria dos moinhos do Côa.
Já na estrada Penamacor - Valverde, cruzo o Bazágueda e pouco depois entro em Espanha. Entre Valverde e a raia, perscruto novos caminhos, subo ao Labrado Alto em direcção a Corral Hidalgo, mas a dificuldade dos caminhos obriga-me a tomar o já conhecido trilho de Rascaderos e do Muro Julian. Entro pela Portela da Arraia, passo o Ribeiro Salgueiro ... e antes do meio dia estava em casa.



Entretanto, a 4 de Junho de 2006 acabei a montagem do filme que mais gozo alguma vez me deu fazer: "VALE DE ESPINHO, Uma Melodia a 4 Estações". A minha carolice pelo vídeo tinha, obviamente, de ficar ligada a Vale de Espinho de uma forma diferente de a qualquer outro sítio. Não se tratava de uma mera "reportagem" de um percurso pedestre. Ao longo dos anos, eu tinha reunido imagens suficientes para pôr aquele projecto de pé. O filme, com uma duração de pouco mais de uma hora, é assim uma amostragem documental das terras raianas ao longo das 4 estações do ano, das mutações da Natureza e da minha paixão por todas aquelas cores e sensações ... ao mesmo tempo que é, também, uma outra homenagem deixada à memória do homem sem o qual eu não me teria ligado àquelas terras e gentes.









Terminado, como já referido, a 4 de Junho, evidentemente ofereci cópias do filme a familiares e amigos ... e vi o filme ter um "sucesso", em Vale de Espinho e não só, que nunca imaginei. Chegou a haver "sessões" em casa de uns e de outros, pedidos de cópias vindos das "sete partidas". Ao longo dos 5 anos que entretanto se passaram, o filme "VALE DE ESPINHO, Uma Melodia a 4 Estações" ... fez história na história de Vale de Espinho.

E Junho é o mês dos santos populares! Em Vale de Espinho, manda a tradição que o mais venerado seja o S. João! Por isso, no S. João ... lá estávamos; as tradições do S. João estão retratadas no filme.
Mas no próprio dia de S. João, o CAAL tinha uma caminhada em Aldeia da Ponte. Fui assim encontrar-me com o grupo, regressando à "minha" Vale de Espinho. Conheci os moinhos do rio Cesarão, conheci o Santuário da Sacaparte, a própria Aldeia da Ponte. Curiosamente, os organizadores desta caminhada, naturais de Aldeia da Ponte ... no ano seguinte viriam a "alistar-se" nos Caminheiros Gaspar Correia.
Mas entretanto, também em Junho, os Caminheiros haviam-me levado ... às terras transmontanas de Alfândega da Fé.
 
10 de Julho de 2011

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Quando atravesso a Malcata ...
e levo os Caminheiros às terras de Riba-Côa

As férias da Páscoa de 2006 foram passadas ... em Vale de Espinho. Claro que quase todos os dias houve percursos, a pé ou de "burro", pela Malcata e pelas Mesas, descobrindo a linha de fronteira sobranceira ao Lameirão dos Foios, os barrocos negros, a Carambola, a Quinta das Vinhas (Quadrazais), descobrindo novos cantos e recantos do Côa, na Fontanheira, nas Colesmas, nas Bracio-
sas ... tudo era comunhão e entrega.
Mas, para o dia 13 de Abril de 2006 ... eu tinha um projecto mais arrojado. Quantas vezes eu ouvira contar ao meu saudoso sogro, o Zé "Malhadinhas", as suas travessias da Serra da Malcata, de e para o quartel, em Penamacor. Em 1952, casado e na tropa, ir e vir a casa nas licenças do serviço militar implicava, para poupar uns cobres, percorrer as bredas da Malcata, de Vale de Espinho ao quartel, com as sombras, as luzes, as cores e os sons da serra por companhia. Não necessariamente pelos mesmos trilhos, mas há muito que pensava numa travessia solitária da Malcata, que constituísse uma singela homenagem à sua memória. A oportunidade chegou naquele dia 13 de Abril, em que tanto os meus pais como o meu filho mais novo vinham ter connosco a Vale de Espinho ... pelo que portanto me podiam apanhar em Penamacor, para o regresso.
A partida simbólica para esta travessia solitária ... foi do cemitério da aldeia, do jazigo onde ele descansa o sono eterno, faltavam 5 minutos para as 6 da manhã, ainda noite escura. A lua reflectia-se no Côa, e foi já a subir a Malcata que vi nascerem os primeiros raios de um Sol revigorante. Uma hora depois, com quase 5km percorridos, estava no Cabeço do Passil, na cumeada da Malcata, limite entre as Beiras Alta e Baixa. Depois foi a descida à confluência das ribeiras do Poço do Inferno e das Ferrarias, a subida à linha de fronteira, a descida à Quinta do Major, a subida ao Pão e Vinho e às Ginjeiras,  a descida às Revoltas  e
de novo ao Bazágueda, junto à foz da Ribeira da Mouca. Velhos vestígios de velhos moinhos - os moinhos do Bazágueda - pareciam querer falar-me da noite dos tempos. Mas naquele lugar "perdido", à beira do Bazágueda e isolada do mundo ... encontrei a ti MariZé Salgueiro, da qual já tinha lido notícias, a única habitante da Reserva da Malcata. Viúva, ali sozinha com as suas cabras e cães, fazendo deliciosos queijos de pura cabra, era o exemplo vivo de uma gente simples, que dorme em paz e sem sonhos ... por quem Freud jamais teria existido e inventado a psicanálise!
Do Bazágueda e da ti MariZé a Penamacor faltavam pouco mais de 8km. Passando a sul da carreira de tiro da Meimoa e pelo Vale Longo, a "etapa" levou cerca de duas horas. Às 16h45 estava, assim, à beira da estrada que sai de Penamacor para o Sabugal. Com uma cronometragem quase "milimétrica", poucos minutos depois via chegar o filho e os pais ... que me deram "boleia" de regresso a Vale de Espinho. A travessia estava cumprida, tinha a certeza que o Zé "Malhadinhas" me tinha acompanhado...
Mas ainda nas férias da Páscoa, nos dias 14 e 16 de Abril - o próprio domingo de Páscoa - o meu velho "burro" levou-me ainda a mostrar um cheirinho da "minha" serra aos meus pais. Na altura com 81 e 83 anos ... lá andaram "aos tombos" dentro do UMM, apreciando as sempre belas panorâmicas da Pelada, da Machoca, da serra do Homem de Pedra, os lameiros do "meu" Côa, junto ao Espírito Santo, no Alcambar, na Ponte Nova, no Moinho do Rato.

Entretanto, desde que entrei para os Caminheiros Gaspar Correia,  em Outubro de 2002,  Vale de Espi-
Um "burro" manco..., 25.03.2006
... e a "perna" que ele perdeu... J
nho, a Malcata e as terras de Riba-Côa não podiam deixar de constar, em lugar de destaque, nas minhas propostas de caminhadas. Depois de 3 anos consecutivos em que tinha sido adiada, por haver outras actividades de vários dias na calha, a "minha" Malcata veio a constar, finalmente, no programa de actividades de 2006. Assim, no fim de semana de 25 e 26 de Março, tinha "convocado" duas amigas e um amigo caminheiros para fazerem comigo a habitual prospecção dos percursos a realizar. Seria complicado prospeccionar três caminhadas em apenas dois dias, mas o meu velho UMM, que dormia sempre em Vale de Espinho, seria teoricamente um apoio de prospecção, até porque ele estava bem habituado a trilhar os caminhos da serra, por vezes bem penosos. Acontece, contudo, que ninguém pode prever o imprevisível: o meu velho "burro", nesta prospecção, limitou-se a levar-nos para jantar nos Foios, na 6ª feira à noite. No sábado de manhã, quando já íamos de novo "a bordo", notei que algo de estranho se passava; pareceu-me ter perdido a tracção, ou a caixa de velocidades; na mesma fracção de segundo, diz um companheiro no banco de trás: "olha que perdeste uma roda, vai ali a andar sozinha"! Pois é, mas a roda até nem estava sozinha: levava com ela todo o semi-eixo traseiro do lado direito! Lá parámos, sem problemas ... e só praticamente quando parou é que o meu pobre "burro" tombou para o lado manco! O apoio de jeep estava, pois, finalizado! Felizmente estávamos ainda em alcatrão, o reboque levou-o para o Sabugal, e nós, que tínhamos arranjado as mochilas com o farnel para o caminho ... acabámos por almoçar em minha casa, depois de cravar um cunhado para nos ir buscar ao local
Valdedra e Bazágueda, 29.04.2006
do incidente. Depois ... fizemos as prospecções a pé...; apenas duas ... mas o meu conhecimento da "minha" Malcata dispensava a terceira...J
Assim, no fim de semana grande de 29 de Abril a 1 de Maio, os Caminheiros Gaspar Correia estavam pela primeira vez na Malcata, pela minha mão! A primeira caminhada iniciou-se no fim do alcatrão da antiga estrada do Meimão, cortada pela barragem da ribeira da Meimoa. Ao longo da cumeada sobranceira à ribeira de Valdedra, subimos depois às Revoltas, descemos à ribeira da Mouca ... e almoçámos nas margens do Bazágueda, onde os mais afoitos até foram ao banho. Depois ... depois os Caminheiros conheceram a ti MariZé e o isolamento em que vivia ... e conheceram os seus queijos. E que bem os apreciaram! E a caminhada
Da nascente do Côa a Vale de Espinho, 30.04.2006
terminou nas Quelhinhas, já na estrada Penamacor - Valverde del Fresno.
As duas restantes caminhadas tiveram Vale de Espinho como ponto de referência. Dia 30, a jornada começou no estradão (ainda não estava alcatroado) que levava à nascente do Côa. Da nascente subimos às Mesas, percorrendo depois toda a cumeada Mesas / Malcata, pela "minha" casa dos Carabineiros, barroco ratchado, Pedra Monteira, Canto da Ribeira, Colesmas, Braciosas, Moinho dos Pecas, Engenho, Ponte, e enfim Vale de Espinho ... terminando em minha casa J. O jantar desse dia foi nos Foios, onde a costeleta de vitela da Ramitos (a gerente do "El Dorado" local) encheu as medidas a todos.
E de Vale de Espinho a Malcata, 1.05.2006
A terceira e última caminhada ... começou em Vale de Espinho, no mesmo ponto onde terminara a da véspera. Ao longo do Côa até ao Moinho do Rato, subimos depois ao Cabeço da Moira, passámos o barroco branco, fomos almoçar ao Espigal, subimos à Machoca ... e fomos terminar em Malcata.

Não me cabe a mim fazer a apreciação do que foram estes três dias "por terras de riba-Côa e Malcata"... mas o que é facto é que os Caminheiros já voltaram à zona raiana por mais três vezes, depois desta primeira abordagem... J.
9 de Julho de 2011

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Das terras do Demo à Serra de S. Mamede ... com um inverno raiano pelo meio

"Uma vez um homem travou do bordão e partiu a correr as sete partidas do Mundo. Andou, andou, até que foi dar a uma terra de que ninguém faz ideia."
(Aquilino Ribeiro, "Terras do Demo")

No fim de semana de 26 e 27 de Novembro de 2005, uma actividade do CAAL (Clube Ar Livre) nas "Terras do Demo", próximo de Moimenta da Beira, aliciou-nos a ambos a participar.

"Era o tempo das madrugadas nevoentas de Novembro e dos nevões prestes a cair, da aldeia embiocada no burel, dos lobos saindo a medo dos seus fojos, dos caçadores furtivos do defeso, dos medronhos silvestres já maduros sobre os cómoros."
(Alberto Correia, in Jornal do Centro)

No sábado 26, a Casa-Museu Aquilino Ribeiro, em Soutosa, onde viveu, ajudou-nos a compreender o mundo retratado pelo mestre. Mas logo aí fomos brindados por alguns farrapos de neve, como cartão de visita de um inverno a aproximar-se, que se iria revelar gélido. Depois visitámos Ariz, com as suas tradicionais casas de granito, onde iniciámos o percurso pedestre pela Serra da Nave, por caminhos que serpenteiam pelo meio das penedias, junto a um conjunto de moinhos de água recuperados, pelo castro do "Castelo", penedo da Fonte Santa e capela da Senhora dos Aflitos, terminando em Pêra Velha. No dia seguinte, o percurso foi a partir do Santuário da Senhora da Lapa e pelas cristas da Serra da Lapa, com magníficas vistas dos vales dos rios Paiva, Vouga e Távora, a barragem do Vilar e as serras da Nave e Leomil,  com  a  Estrela no horizonte.
Vale de Espinho, do Areeiro, 10.12.2005
Terminámos na aldeia de Penso.

Menos de 15 dias depois ... estávamos em Vale de Espinho J. E no dia 11 de Dezembro saio de casa antes das seis da manhã, sozinho, a pé ... com 7ºC negativos! O objectivo era ir ver o nascer do Sol na Casa dos Carabineiros, no Picoto da raia. E assim foi. O frio e a noite escura foram recompensados com o espectáculo grandioso dos primeiros raios do astro rei sobre aquela paisagem grandiosa, a perder de vista sobre a Extremadura espanhola, com a Marvana a sudoeste.
Um esplendoroso nascer do Sol no Picoto da raia,
sobre as ruínas da antiga Casa dos Carabineiros, 11.12.2005
" Eu nunca guardei rebanhos, mas é como se os guardasse... "
Janela aberta para outro dia que amanhece, 11.12.2005
Os primeiros raios de Sol sobre Valverde, 11.12.2005

"Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
"

    (Alberto Caeiro, "O Guardador de Rebanhos")
E o "guardador de rebanhos" passou à encosta extremeña
Aquele nascer do Sol na Casa dos Carabineiros acabou por ser o mote para uma caminhada em que desci à estrada de Valverde, percorri o Picoto e o Piçarrão, reentrei pela Portela da Arraia, Ribeiro Salgueiro ... e à hora do almoço estava em casa, em Vale de Espinho, com 27km percorridos.

E os últimos dias do ano de 2005 foram de novo na raia! Nos dias 29 e 30, o meu "burro" levou amigos, filhos, sobrinhos, à Serra Alta, à nascente do Côa, à cumeada das Mesas e da Malcata. Os céus pressagiavam neve ... que se veio a concretizar!

Serra Alta e Aldeia Velha, num dia a pressagiar neve, 30.12.2005
Marco geodésico da Serra Alta, 1144m alt., 30.12.2005
Naquele inverno de 2005 / 2006 ... até na grande Lisboa nevou, no dia 29 de Janeiro. Paradoxalmente, não vi esse nevão na capital ... porque estava mais uma vez em Vale de Espinho. Nesse dia 29 de Janeiro de 2006 vi neve sim, mas na cumeada do Coxino e do Cabeço da Moira ... e nas "minhas" Fontes Lares. A magia daquele local continuava a mostrar-me as suas faces ... numa autêntica melodia das quatro estações.
E Vale de Espinho pintada de branco,
29.01.2006

Fontes Lares em tons de branco, 29.01.2006
Nas férias de Carnaval de 2006 voltamos lá, de 23 a 28 de Fevereiro. 6 dias ... 7 caminhadas, a pé e "de burro", quase 200km percorridos, por "bredas feitas à sorte", ao longo das fragas, bebendo as águas, as cores, os sons e os cheiros da "minha" Malcata, do Côa, do Bazágueda, das lendas perdidas da Marvana, dos barrocos, das terras e gentes raianas.
Rio Côa,  no Moinho  do  Rato,
Vale de Espinho,  26.02.2006

Torre de vigia da Machoca, Serra da Malcata, 26.02.2006
Paisagem "siberiana", Serra da Malcata, 26.02.2006
Paisagem "siberiana", Serra da Malcata, 26.02.2006
Travessia da Serra de S. Mamede com o CAAL, 5.02.2006
Entretanto, no fim de semana de 4 e 5 de Fevereiro, tinha estado com o CAAL na Serra de S. Mamede. Sábado, 16km entre Marvão e Castelo de Vide. Domingo foi a travessia completa da serra, no sentido SE/NW, 24km entre Alegrete e a barragem da Apartadura, passando pelo ponto mais alto da serra, a 1027 metros de altitude. Sem dúvida um belo fim de semana de ar livre.
7 de Julho de 2011

sábado, 12 de novembro de 2005

A pé e de "burro", nos trilhos da Malcata e das Mesas

Regressado de Somiedo a 28 de Julho, com os Caminheiros, no dia seguinte parto para uma estadia de quase um mês em Vale de Espinho. Agora que tínhamos casa e "burro" (o UMM...), natural seria que as férias se passassem naquele que era já o nosso "retiro espiritual".  Ao longo desse quase  mês,  sucederam-
No bosque do Rio Bazágueda, junto
à Quinta do Major, 31.07.2005
se filhos e noras, irmão, cunhada, primos, amigos ... a quem eu tinha de mostrar as "minhas" terras!
Logo na manhã do dia 31, o "burro" levou-nos a nós e ao filho mais novo e nora à Quinta do Major. Naquele verão bastante seco, o Bazágueda praticamente não tinha água, mas a mancha florestal que encerra a Quinta, com a sua história e os seus segredos, é sempre aprazível e inspira carinho e respeito. Quantos homens e mulheres não labutaram naquelas terras toda a sua vida?  Quantas recordações gravadas nas memórias...

Nós vamos à Quinta,
da Quinta pois vimos.
Rio Bazágueda, 31.07.2005
Eu amo a Quinta
com todo o carinho!
.....................
Quando vou à Quinta
esqueço paixões...
Lembro-me velhos tempos,
lindas recordações!
.....................
Fui ali criado,
fui ali crescido,
que nunca me esqueci
do tempo antigo.
.....................
No tempo antigo
não havia carrinhos...
Mas Deus ajudava
Quinta do Major, 31.07.2005
a andar o caminho.
.....................
Desses lindos tempos,
dessa boa idade...
Agora de velho
é que chega a saudade!
.....................
Adeus LINDOS TEMPOS
e adeus BOA IDADE...
Eu morro de desgosto
com tanta saudade!!!

José Manuel F. Andrade,
natural de Vale de Espinho,
in http://andrade-ve.blogspot.com/

No primeiro dia de Agosto, a digressão foi até à barragem do Sabugal ... e até à primeira "doença" do "burro"...J! Fora as avarias ... o velho UMM trepou sempre onde o mandaram! Nos dias 8 e 10, foi a vez da Serra das Mesas, incluindo a nascente do Côa e o ponto mais alto da serra, já do lado de lá da raia ... para onde supostamente não há caminhos transitáveis para veículos motorizados.
De "burro" no alto da Serra das Mesas (1256m), 10.08.2005
De "burro" no alto da Serra das Mesas (1256m), 10.08.2005
Sobre o barroco "ratchado", na linha de fronteira, 10.08.2005
A fronteira "ratchou" o barroco...J, 10.08.2005
Caseta de Carabineiros e panorâmica para a Extremadura
Antiga caseta dos carabineiros, 10.08.2005
No dia 13 subi à Machoca, pela Pelada e Cabeço da Moira. E de 16 a 24 de Agosto sucederam-se mais 6 périplos pelos montes e vales daquelas minhas terras e serras. As Fontes Lares, claro, não podiam faltar. Mas também conheci as ruínas do Sabugal velho, na serra da Senhora dos Prazeres, sobre Aldeia Velha, "descobri" os recantos perdidos do Alcambar, conheci o Espigal e a sua água puríssima!
Opções na Malcata, 20.08.2005
No dia 20 de Agosto faço quase 80 km na Serra da Malcata, com o filho mais velho e nora. Cruzo a Ventosa e desço ao Bazágueda, procurando um outro caminho para a Quinta do Major. Passo os Basteiros e a Malhada Medronheira, subo aos Concelhos e ao Cabeço do Pão e Vinho, desço à barragem da Meimoa e ao Meimão, volto a subir ao Alízio e ao Espigal ... e dois dias depois rumo a Valverde!

No fim de Setembro e no fim de Outubro voltamos ao nosso retiro, aproveitando a ligação respectivamente ao feriado do 5 de Outubro e aos Santos. E lá vai o desbravar do Alcambar, do Nabo da Cresta, do vale da Maria, da Fonte Moura, dos Urejais, de cantos e recantos de uma serra cada vez mais minha.

Em Setembro levo de novo os Caminheiros à Gardunha, no fim-de-semana do Festival "Caminhos da Transumância". A caminhada de domingo ... é a caminhada transumante, do Fundão a Alpedrinha, acompanhando os rebanhos. E com os Caminheiros percorro a Mata Nacional dos Medos, da Caparica à Fonte da Telha, em 15 de Outubro, e a zona de Mação e Cardigos, em 12 de Novembro.
 
6 de Julho de 2011

quarta-feira, 20 de agosto de 2003

Por trilhos e bredas da Malcata e das Mesas

No verão de 2003, a necessária catarse levou-nos a umas férias sediadas em Vale de Espinho. Acampámos a autocaravana à porta da tia que habitualmente nos dava guarida ... e de lá parti, a pé e de bicicleta, ao desbravar da Serra da Malcata, das Mesas, do Homem de Pedra. A comunhão com a serra dava-me paz, conversava com as águas, com o vento, com as perdizes fugidias ... com a memória de quem tinha trilhado aquelas bredas. Entre uma estadia no final de Julho e outra em Agosto - intervaladas por uma digressão a terras de Miranda - percorri cerca de 170 km, a pé e de bicicleta, pelas "minhas" terras raianas. E a melhor forma de catarse ... é sozinho. Sempre tive bom sentido de orientação, mas tinham entretanto chegado os tempos da navegação por GPS. Há pouco mais de um ano tinha comprado um aparelho Magellan, que já me havia acompanhado à Irlanda e nas primeiras caminhadas com os Caminheiros Gaspar Correia. Na internet, tinha também descoberto o OziExplorer, o software que ainda hoje considero ideal para o pedestrianismo. E tinha conseguido velhas cartas militares das  "minhas"  terras  raianas.  Uma  fase
Cabeço do Clérigo, a caminho de Valverde, 23.07.2003
interessantíssima do estudo dessas cartas foi a confrontação entre a toponímia nelas constante e a tradição oral para os nomes de tantos e tantos lugares que eu iria conhecer e desbravar.
Valverde del Fresno é a povoação espanhola mais próxima de Vale de Espinho ... e há muito que me chamava. Cruzar a raia, pelas velhas "bredas" do contrabando, ou dos tantos e tantos Valespinhenses que tinham olivais em Pesqueiro - o vale fértil para lá da raia - que conheciam os trilhos da serra como as suas mãos, era um apelo há muito sentido. Eu não conhecia ainda a maioria dos trilhos da serra ... mas no dia 23 de Julho parti bem cedo, a pé, para uma jornada que ultrapassaria os 34 km ... rumo a Valverde! O percurso foi o que, na carta, me pareceu mais directo, pela Quinta do Passarinho e Cabeço do Clérigo, onde me esperava a grande descida para o vale de Sobrero ... seguido da subida ao Muro Julian e Rascaderos, antes de descer para Valverde.
Regresso Valverde - Foios: a parede do Picoto, 23.07.2003
Um providencial tanque que virou piscina privativa,
antes de atacar o Picoto...J!
Os primeiros quase 6 km do regresso foram ao longo da estrada Valverde - Navasfrias, com panorâmicas cada vez mais espectaculares sobre Valverde e a planície estremenha, os vales de Corral Hidalgo e Sobrero e os extensos olivais de Pesqueiro,
Vale de Espinho - Valverde e regresso: 34 km, 23.07.2003
com a Marvana ao fundo. Mas depois, já por um estradão florestal a meia encosta ... tinha a impressionante parede do Picoto e Toriña à minha frente. Um providencial tanque de água límpida e fresca permitiu um bom e retemperador banho ... e depois "ataquei" o Picoto, em direcção ao geodésico da Pedra Monteira, na fronteira. Em pouco mais de 1,5 km ... subi 370m de desnível, dos 720m aos 1090m da Pedra Monteira ... onde descansei uns bons 15 a 20 minutos. Esta não tinha sido definitivamente a melhor opção de percurso ... particularmente no regresso...J! Mais tarde viria a ter conhecimento - e a conhecer in loco... - o percurso mais aconselhável de e para Valverde, pelo Piçarrão ... e para o qual me teria bastado continuar o estradão da vertente espanhola. Mas é assim que se aprende ... e que se conhece a Serra.
Dois dias depois estava a pegar na bicicleta para, em Quadrazais, me embrenhar na Malcata. Da aldeia de Malcata subi ao Alízio, e, de novo para leste, à Torre de vigia da Machoca. Tinha o vale do Côa aos meus pés, Sabugal e Quadrazais à vista. Ao longo da cumeada que separa a Beira Alta da Beira Baixa, passo o Barroco Branco, o Cabeço da Moura, o Passil, o Coxino. Já tenho Vale de Espinho à vista, e desço pela Quinta do Passarinho, por onde 2 dias antes tinha subido. 37 km feitos...
Depois de uma digressão às Arribas do Douro (próximo post) ... regressámos a Vale de Espinho. E a segunda quinzena de Agosto foi de um contínuo desbravar: pelo caminho de Castelo Velho e pelos Nheres (Linhares), subi ao sítio mais mítico e mágico: as Fontes Lares! Tinha conhecido aquele lugar mágico havia 30 anos, quando da minha primeira visita à minha "terra natal". Na altura, a casita rústica, o abrigo que pertencera à família, ainda estava de pé. Agora testemunhava a passagem do tempo, o abandono naquele ermo esquecido ... mas um ermo onde a água divina daquele oásis escondido continuava a brotar da terra, da nascente singela, como as gentes singelas que em tempos ali viviam e ali amavam. Contam velhas lendas perdidas no tempo e nas fragas que a menina raiana, que um dia me passou a acompanhar ... foi ali "feita". Junto às ruínas da casa e à pequena presa que guarda a água divina, o barroco "sagrado" parece igualmente transmitir energia telúrica ... ou talvez a energia do tempo e
Destino: Quinta do Major, 17.08.2003
da história, das ligações familiares àquele "altar sagrado".
Das Fontes Lares subi ao Cabeço Melhano, ao Homem de Pedra; com o Soito aos pés e a Guarda no horizonte, desci à Malhada Alta, cruzei os Urejais, desci à Có Pequena, ao Areeiro ... e estava em Vale de Espinho. Três dias depois, a 17 de Agosto, voltei à Quinta do Major, que tinha conhecido 7 anos antes. Pedalava agora ao longo da raia, com Pesqueiro bem lá no fundo, deixando para trás o morro dos Enamorados e a Escaleriña. É claro que muitos dos topónimos me intrigavam. Mais tarde viria a descobrir a origem de muitos deles, pela leitura, entre outros, do histórico "Caçadas aos Javalis", do velho Dr. Francisco Maria Manso, sob o pseudónimo de
O Bazágueda junto à Quinta do Major, 17.08.2003
Dr. Framar; por ele conheci igualmente algumas das lendas e segredos da Marvana, que reservarei para um futuro post. À beira do Bazágueda, a 620m de altitude, a Quinta do Major pode bem considerar-se o coração da Malcata. Ali já foi uma rica e grande propriedade, com história perdida nos tempos. Seguiu-se a penosa subida ao Cabeço do Pão e Vinho (outro curioso topónimo...) e ao geodésico dos Concelhos (de novo acima dos 1000m), para daí descer vertiginosamente à Ribeira da Meimoa e às margens da respectiva barragem. Mais um pouco ... e estava a entrar no Meimão, guarda avançada do concelho de Penamacor, Beira Baixa, onde nasceu a mãe da minha arraiana.
Ruínas da Quinta do Major, 17.08.2003
Ribeiro da Casinha, Quinta do Major, 17.08.2003
Faltava ... subir à Malcata e regressar a Vale de Espinho. Com quase 30 km a pedalar por "sobes e desces", a ladeira Meimão / Malcata foi penosa. Ao chegar a Malcata ... recorri aos serviços do meu júnior, para me lá ir buscar em 4 rodas, a mim e às duas rodas que transportava. Ficou o sentimento de culpa de o ter obrigado a deixar a capeia de Vale de Espinho, a que estava a assistir...L!
Quinta do Major e Meimão, 17.08.2003
Navegação por GPS, Agosto de 2003
Mas 2 dias depois ... já estava em demanda da nascente do Côa! Estrada para os Foios, desta vez é à Serra das Mesas que subo, pela Rodeira e rodeando o Cabeço dos Currais. Um estradão (hoje alcatroado) leva-me ao Lameirão dos Foios, planalto acima já dos 1100m. A carta assinala mais ou menos a nascente. Deixo a bicicleta, vou a pé à procura ... e encontro a nascente do "meu" rio, do "meu" Côa, entre 3 pequenas fragas! Hoje todo o local está diferente, sinalizado e facilmente acessível, mas em 2003 a nascente do Côa só era conhecida dos "eleitos", daqueles que a haviam descoberto...
Em demanda da nascente do Côa, 19.08.2003
Fragas singelas, águas divinas: nascente do Côa, 19.08.2003
O penedo redondo, Lameirão, 19.08.2003
Cabeço da Pedra Monteira, 19.08.2003
Do Lameirão segui para a raia. Queria acompanhar a cumeada, passar a Pedra Monteira - onde dias antes chegara meio exausto... - queria procurar o verdadeiro caminho de Valverde. E encontrei-o ... bem como às espectaculares panorâmicas para a vertente estremenha, que já no regresso de Valverde tinha percebido.  Lá  em  baixo,  numa
Piçarrão (Pizarrón), vertente espanhola, 19.08.2003
encosta, estavam também as Ellas, ou Eljas, a aldeia branca, onde se fala "lagarteiru". Nestas aldeias perdidas nos confins da Extremadura espanhola, paredes meias com as nossas Beiras, não se habla ... fala-se! Valverde du Fresnu, as Ellas e Sa Martin de Trevellu (S. Martín de Trevejo) têm uma Fala própria, que "num é castelhanu ni português", é uma fala específica de cada uma das três localidades, respectivamente o Valverdeiru, Lagarteiru e Manhegu.
E nos dois dias seguintes ... mais duas caminhadas, embora mais curtas: dia 20, à Cruz Alta e ao Cabeço do Canto da Ribeira, sobre o Côa. E no dia 21 ... volto à nascente do Côa, agora com a família. E da nascente do Côa subimos ao alto mesmo da Serra das Mesas, do lado de lá da raia, a 1256 metros de altitude. Do alto do grande marco, parecíamos dominar o mundo ... pelo menos o "meu" mundo. Para leste, os Llanos de Navasfrías e a serra para além deles, as Torres das Ellas, ainda minhas desconhecidas. A sul, o grande vale de Valverde, com a Marvana ao fundo, já a sudoeste. A Estrela e a Gardunha percebem-se ao longe. E, para oeste, a linha das Mesas e da Malcata, à direita da qual se percebe o vale do Côa, nascido ali quase mesmo aos nossos pés. Vale de Espinho lá estava, onde o Côa já corre mais célere e mais  largo  do
Cume das Mesas, 1256m alt., 21.08.2003
que nesta sua serra mãe.

Serra! Serra Mãe, Serra Dor, Serra Pão,
Traço de união entre irmãos da mesma luta!
Do teu ventre brota a voz do passado
E um sussuro magoado
Ecoa pelos ares, a contar histórias

"Serra! Serra Mãe, Serra Dor, Serra Pão"
Amélia Rei
Neste verão de 2003, neste meu intenso desbravar da Natureza, onde cabem os lameiros, as margens do Côa, as águas turbulentas do meu rio? Couberam nos convívios em família, nos banhos corajosos, nos dias e horas de permeio entre o trilhar das velhas bredas. O velho Freixial dos anos 70 já não era o mesmo, mas a nossa "praia privativa" havia-se mudado para a açude acima do Moinho do Engenho.
Bebendo os ares das margens do Côa, 18.08.2003
Açude acima do Engenho ... a "nossa" praia, 20.08.2003
E assim, este intenso mês de Agosto de 2003 - o primeiro depois da perda de um grande filho de Vale de Espinho - reforçou os meus laços àquelas terras e àquelas gentes. Usando uma expressão típica dos verdadeiros Valespinhenses ... eu já tinha bebido e saboreado a água da Fonte Grande. Era, definitivamente, um filho adoptivo da terra. E, parafraseando os contos que inspiraram o título deste blog, pelas "bredas feitas à sorte" eu havia descoberto a fonte do meu Côa, a fonte de onde brotam as "claras águas", que saltam fragas, alimentam lameiros, dão cor e vida à paisagem, "nas terras de onde se contam velhas lendas, quase negras" ... nas minhas terras raianas.

   "Fraga", (dos "Contos de Fragas e Pragas", Sebastião Antunes, Quadrilha, 1992)
 
3 de Junho de 2011