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sexta-feira, 14 de abril de 2000

No paraíso de Somiedo ... no fim de uma semana mágica!

Após dois dias nos valles del oso, o périplo asturiano de 2000 ia levar-nos às terras de Somiedo. Contrariamente aos anteriores, o dia 11 de Abril amanheceu soalheiro, e saímos de Teverga para sul, em direcção ao Puerto Ventana e à "fronteira" leonesa. É que na ponte de La Riera, por onde no verão de 1999
passámos na caravana ... nessa altura não passavam ainda autocarros.
No Puerto Ventana, a 1600 metros de altitude ... o avanço só foi possível atrás do limpa-neves! As panorâmicas e a sensação de comunhão com a montanha e a neve eram indescritíveis ... e eram também o prenúncio dos dias que estavam para vir! Por momentos em terras leonesas, do Puerto Ventana passámos ao Puerto de Somiedo - esse já bem conhecido... - para em seguida descermos o espectacular vale de Somiedo. A braña de La Peral, envolta num manto branco, dava-nos as boas vindas.
Em Pola de Somiedo visitámos o Centro de Interpretação do Parque Natural. Mas não, o nosso destino não era Pola de Somiedo, nem a aldeia mítica de Valle de Lago. Durante a preparação desta actividade com alunos, tive conhecimento da existência de outro Albergue, na aldeia de Saliencia, bem no coração das montanhas de Somiedo, a quase 1200 metros de altitude. Este Albergue tinha múltiplos atractivos: a completa ruralidade do meio em que estava envolvido, o facto de ter sido adaptado a partir da antiga escola da aldeia, permitir fazer múltiplas caminhadas a partir das proximidades ... e ter o respectivo gerente, Roberto Menéndez, como guia de montanha, com quem contratei a grande Ruta de Los Lagos.
De Teverga a Saliencia, pelos Puertos Ventana e de Somiedo
O objectivo era fazer o circuito dos Lagos de Saliencia, um conjunto de lagos glaciários de altitude, acima do Lago del Valle ... aquele que tinha ficado "encantado" em 1997 mas que se tinha deixado conquistar no verão de 99. Desceríamos para o Lago del Valle a partir dos Picos Albos, aqueles que nesse verão tinham, nitidamente ... chamado por mim! Após a visita a Pola de Somiedo, foi portanto para Saliencia que nos dirigimos. A estradinha, a partir do vale do rio Somiedo, também era nova para mim ... e dava-nos a todos a sensação de estarmos, mais uma vez ... a entrar no paraíso do paraíso!
Saliencia é uma daquelas a que eu chamo uma aldeia mágica. Completa ruralidade, ruas estreitas, casas de pedra e telhados de colmo, uma capela minúscula (em frente ao Albergue!), gente simples, transparecendo tradições, amor pela terra, pelo ar que se respira, pela água pura do rio Saliencia, pelas montanhas que a rodeiam. É impossível não sermos tocados pela magia daquele lugar perdido! E, uma vez chegados, rapidamente o Roberto passaria a nosso amigo. A meteorologia, essa é que teimava em não ser muito amiga ... ou melhor, dadas as circunstâncias até estava a ser bastante. Na televisão e no jornal, em Saliencia soubemos das inundações que estavam a ocorrer um pouco por todo o lado nas Astúrias, inclusive em locais por onde já tínhamos passado, como em Tuñon, no fim da Senda del Oso.
Mas a meteorologia ia alterar completamente os planos delineados para esta "aventura". Situando-se acima dos 1700 metros de altitude, o previsto percurso dos lagos ... estava completamente coberto de neve. Mais do que isso ... a previsão era de queda de neve durante todo o dia! Pela 2ª vez, Somiedo escondia-me os seus segredos...! Mas o nosso guia Roberto, experiente conhecedor de toda a zona, rapidamente nos delineou um programa alternativo. E assim, numa manhã chuvosa do dia 12 de Abril, fomos conhecer o vale do alto Pigueña, a aldeia perdida de Villar de Vildas e a maior braña de Somiedo, La Pornacal.
Braña de La Pornacal, vale do Pigueña, Somiedo, 12 de Abril de 2000
A partir de Saliencia, em vez de subir ... descemos ao vale de Somiedo, à mítica estrada de Belmonte de Miranda, até Aguasmestas, onde subimos o curso do Pigueña, ao longo de novo vale paradisíaco, um dos últimos redutos do urso pardo em Somiedo. Passadas as aldeias de Santullano e Cores, deixámos o autocarro um pouco antes de Villar de Vildas e seguimos a pé ... e à chuva! Villar de Vildas é outra "aldeia mágica", onde o tempo parecia ter parado ... até porque a aldeia não tinha tido ainda o desenvolvimento que veio a ter 4 anos depois, ao ganhar o prémio Príncipe de Astúrias, como Pueblo Ejemplar.
Com o nosso guia Roberto, na ruta de La Pornacal, 12.04.2000
Ruta de La Pornacal, 12.04.2000
                 
A partir de Villar de Vildas, a nossa ruta levava-nos ao longo do curso do alto Pigueña, até à braña de La Pornacal, a 1200 metros de altitude ... e onde começou a nevar! O nosso guia Roberto explicava-nos tudo, os bosques do lado de lá do rio onde ainda existem ursos, as plantas carnívoras que encontrávamos no caminho, a origem vaqueira das brañas somedanas, o significado dos brasões nas portas dos teitos, tudo. Que extraordinária lição, que extraordinário professor! Obrigado, Roberto Menéndez!
A Ruta de La Pornacal no Wikiloc / Google Earth, 12.04.2000
Um dia na aldeia mágica de Saliencia, 13.04.2000
                                  
Dia 13, penúltimo dia, 8 da manhã. Abrimos as janelas ... e está a nevar em Saliencia! E são mais momentos mágicos, numa semana mágica! As encostas verdejantes desapareceram no nevoeiro, a aldeia parece fazer parte de um conto saído da mitologia, as águas do rio Saliencia correm turbulentas. Impedidos de fazer seja o que for, cada um dá liberdade à sua imaginação, introspecção, meditação. Uns deambulam pelas ruas estreitas da aldeia, outros contemplam o correr das águas, outros recolhem-se na capela frente ao Albergue. Depois do almoço, com uma ligeira aberta dos céus, proponho subirmos a encosta da margem direita do rio, pelo caminho que nos poderia levar ao Cordal de La Mesa, a cumeada que separa terras de Saliencia das terras de Teverga. A maioria do grupo vem comigo, alguns, poucos, preferem o descanso no Albergue. Subimos então aquela encosta íngreme ... ao encontro da neve. Na braña das Morteras de Saliencia, a 1450 metros de altitude ... todos extravazámos a nossa alegria de viver, de conviver, de brincar, de comungar com aquela Natureza virgem, branca e pura!
E na última noite desta semana mágica ... até houve magia mesmo! O nosso anfitrião Roberto brindou-nos com um número de ilusionismo ... em que transformou um sumo de frutos vermelhos em cerveja...J!
E chegava o dia do regresso. Dia 14 de Abril, um dia sem história ... ou melhor ... com as muitas histórias vividas, para contar e recordar!

“Astúrias, afinal de contas um verdadeiro paraíso bem perto de nós, onde o meio rural, a neve e a natural tranquilidade tiveram um plano de destaque.”
Bruno Belchior

"Estes dias deram­-me a oportunidade de conhecer novas pessoas, tradições e locais. E só por isso tornaram-­se inesquecíveis. Gostei particularmente da forma como fomos recebidos."
Carla Pinto
"Foi uma experiência única. Gostei particularmente do espírito em que a vivemos."
Ana Pinto

"Foi excelente. Que outros alunos também venham a ter a oportunidade que todos nós tivemos nesta viagem."
Tiago Sabino
"Soberbo ... no mínimo."
Nelson Rosário

30 de Abril de 2011

segunda-feira, 10 de abril de 2000

2000 ... e estamos nos Valles del Oso

O simbólico ano 2000 chegara. Novos tempos se avizinhavam. No Carnaval, o parque de campismo da Costa da Galé, próximo de Sines, recebeu-nos na caravana por 5 dias, de 4 a 8 de Março. Na escola, as turmas que tinham ido ao Gerês em Março de 99 estavam agora no 11º ano. E ... não havia eu entretanto descoberto a minha terceira "terra natal"? Era obrigatório levar os alunos ao paraíso natural de Somiedo!
Assim, de 8 a 14 de Abril de 2000, com os meus alunos de Ciências e os alunos de Humanísticas do já habitual outro casal de professores destas "andanças" ... passámos uma semana no paraíso.
Na Senda del Oso, circuito ciclista, 9.04.2000
A todos os níveis, esta foi realmente uma semana especial ... ou não fossem Somiedo e os valles del oso do sudoeste asturiano ... um paraíso especial! Com base no Albergue de juventude que tinha descoberto em Teverga no verão de 99, o primeiro destino eram precisamente aqueles vales. Entrámos nas Astúrias na já nossa bem conhecida auto-estrada A66, a autopista del Huerna. Por Pola de Lena e pelo Puerto da Cobertoria ... a sensação de todos era verdadeiramente a de estarmos a entrar num paraíso perdido ... e chuvoso. Aliás estes dias foram muito marcados pela chuva ... e não só, como veremos. Passámos Santa Marina e Bárzana de Quirós, onde voltaríamos no dia seguinte, e com quase 800 km feitos desde Lisboa, chegámos ao Albergue San Martín, em San Martín de Teverga.
Ainda nesse mesmo primeiro dia, à noite, a direcção do Albergue faria uma apresentação das Astúrias e das actividades que íamos realizar nos dois dias seguintes.  Não conhecendo eu parte do que íamos  fazer,
Senda del Oso e noite folk em Sta Marina de Quirós, 9.04.2000
seria a própria guia do Albergue a acompanhar-nos. E assim, o primeiro dia no paraíso era logo destinado a uma primeira "aventura": o circuito ciclista da "Senda del Oso", numa extensão de quase 30 km. As férias de 1999 tinham-me revelado aquele velho trilho mineiro, excelentemente transformado em trilho pedestre e ciclista. As bicicletas tinham igualmente sido contratadas com o Albergue. E pouco passava das 9 da manhã ... era dada a partida! Os poucos não ciclistas do grupo partiam igualmente, a pé, para um troço mais curto. E assim, ao longo do desfiladeiro de Teverga, ou de Peñas Juntas, por vezes atravessando túneis escavados nas paredes rochosas que ladeiam o rio Trubia, lá fomos avançando na Senda, sem dificuldades, já que o percurso é suavemente descendente em toda a sua extensão. Próximo de Proaza, fizemos uma "visita" às já nessa altura "famosas" ursas Paca e Tola, duas ursas que ficaram orfãs de uma mãe abatida selvaticamente por caçadores furtivos e que foram recolhidas pela Fundación Oso de Asturias. Passaram a viver num cercado ali construído para o efeito, junto à Senda e próximo da Casa del Oso, numa semi-liberdade onde podem ser alimentadas e vigiadas ... e servir de símbolos vivos da preservação da espécie na cordilheira cantábrica.
Passada Proaza e Villanueva, a Senda del Oso termina em Tuñón, junto a um urso de pedra que assinala a reconversão da linha mineira. Aí invertemos portanto o sentido, regressando a Villanueva, onde o autocarro nos recolheu, reunificando-se o grupo ... e onde almoçámos. Este almoço e o regresso a Teverga ficaram assinalados por um episódio "histórico"...! Eu e um aluno tínhamos capas de chuva iguais. Ao almoço, tendo parado a chuva, obviamente tirámo-las. No regresso a Teverga ... o "pobre" dá por falta da carteira, onde além de todo o dinheiro tinha todos os documentos. "Eu caí da bicicleta naquele sítio", dizia ele; e lá fomos ver se víamos uma carteira caída no local indicado ... mas nada. Triste e inconformado ... regressámos. Eis senão quando eu meto a mão ao bolso da minha capa (ou da que supunha ser minha...) ... e encontro uma carteira que não conhecia e que não era minha!!! Eis a história, portanto ... de
Taberna folk, Sta Marina de Quirós, 9.04.2000
quando um professor "roubou" a carteira a um aluno...J!
Ao final da tarde, seguia-se a visita ao Museu Etnográfico de Quirós, em Bárzana. E que Museu! Que bela preservação e, diria mesmo, que amor ali transparece pela cultura e pelas tradições daqueles vales perdidos no sudoeste do paraíso asturiano! Mas, em terras de Quirós, o dia 9 de Abril iria acabar com horas mágicas, vividas na "Taberna Folk" da pequena aldeia de Santa Marina de Quirós! Quando da preparação desta actividade, encontrei publicidade a esta "Taberna", que realizava pontualmente, para grupos, umas "noites folk". Ora, que melhor forma de conciliar a minha paixão pela música tradicional com uns momentos de divulgação, àqueles alunos, de uma outra vertente das vivências culturais e etnográficas das Astúrias? O que ali vivemos foi portanto uma verdadeira "espicha asturiana", ou seja uma festa que é, ao mesmo tempo, um jantar típico e um concerto ... ao sabor da sidra! O ritual da sidra e a "espicha" fazem parte, sem dúvida, do património cultural asturiano! Da componente musical encarregou-se o grupo Dubram, na altura com alguma relevância no panorama folk asturiano. Dele faziam parte, entre outros, Alberto Ablanedo e Dolfu R. Fernández. E tocaram, cantaram e encantaram todo o nosso grupo. Outras vivências, numa festa de alegria
Ruta de Las Xanas, Sto Adriano / Pedroveya, 10.04.2000
e juventude, uma outra forma de aprender e de viver a cultura. É claro que, tratando-se de alunos, a sidra foi devidamente "racionada" ...J; e, pouco depois da meia noite, estávamos a regressar ao Albergue, em San Martín de Teverga.
No dia seguinte tínhamos a primeira caminhada. Logo o nome levantava uma aura de misticismo: Ruta de Las Xanas.  As  xanas são ninfas da mitologia asturiana, de rara beleza, que habitam as nascentes e as torrentes de água. De longos cabelos ruivos e olhos claros, penteiam-se com belos pentes de oiro ... e, nuas, encantam os rapazes jovens das aldeias, a quem prometem tesouros e encantos! Mais uma vez, tratando-se de uma caminhada que eu não conhecia, a nossa guia Margarita, do Albergue de Teverga, acompanhou-nos no autocarro até Villanueva de Sto Adriano - portanto repetindo o curso do Trubia - e guiou-nos ao longo daquela espectacular ruta. Trata-se de uma caminhada curta  -  apenas cerca de 4 km  -  subindo ao
A Ruta de Las Xanas no Wikiloc / Google Earth, 10.04.2000
longo de um espectacular desfiladeiro escavado pelo rio das Xanas. Entre densa vegetação, a parte final termina num extenso prado que prenuncia a capela de San Antonio e a aldeia de Pedroveya, já no concelho de Quirós, no caminho percorrido no século XIX por San Melchor. E, em Pedroveya, o Albergue de Teverga e a nossa guia Margarita tinham reservado para nós um típico almoço camponês, na Casa Generosa ... de que havíamos de ficar "clientes"...J!
Depois do almoço ... havia que regressar ao vale de Sto Adriano, descendo de novo os 4 km da ruta de las Xanas. Regressados também a Teverga, houve ainda lugar a uma visita guiada à Colegiata de San Pedro. Já no Albergue, na sequência de um dia chuvoso ... seguir-se-ia uma espécie de lotaria, com as botas de quase todos em roleta russa, na máquina de secar roupa! Era a despedida dos valles del oso...
 
29 de Abril de 2011

sábado, 14 de agosto de 1999

À redescoberta de Somiedo ... e de outros paraísos naturais asturianos

A 26 de Julho de 1999, partíamos para as nossas segundas férias a dois ... para o norte peninsular...J! Desta vez começámos pela Galiza.  A Península do Morrazo,  frente às ilhas Cíes,  ocupou-nos os quatro
Cabo Home, Morrazo, 28.07.1999
primeiros dias, numa de mar e de céu, dos cortes e recortes daquela costa escarpada. Moaña, o Cabo Home, Hío, Aldán, são nomes que soam a liberdade, a uma Natureza ainda quase no seu estado mais puro ... antes do Prestige! Depois, rumámos a Lugo, Fonsagrada ... e entrámos nas Astúrias, por Grandas de Salime e pela Serra do Rañadoiro. Por Cangas de Narcea e pelo Puerto de Leitariegos, passámos por momentos ao norte de Leão, para reentrarmos nas Astúrias ... no Puerto de Somiedo! Descemos a Pola de Somiedo,  subimos a Valle de Lago ... e  o Camping Lagos
Camping "Lagos de Somiedo", Valle de Lago, 1.08.1999
de Somiedo esperava por nós. É verdade: dois anos depois, estávamos de novo no paraíso perdido de Somiedo, a minha 3ª "terra natal"! Desta vez ... nada nem ninguém me tiraria de lá...J!
Ao contrário do dia 5 de Agosto de 1997, o dia 1 de Agosto de 99 amanheceu esplendoroso! O Sol iluminava o vale onde estávamos, encaixado entre as encostas que dois anos antes nem sequer tínhamos visto. Os folhetos fornecidos pelo parque e as consultas numa internet ainda relativamente incipiente falavam-me das brañas vaqueiras, da Braña de Sousas, ali relativamente perto de Valle de Lago, dos Picos Albos ... e de tantos e tantos possíveis percursos a pé por aquelas montanhas, onde pareciam ecoar os acordes dos Llan de Cubel, aqueles que ainda hoje continuam a ser a minha referência na folk asturiana.
O dia 1 de Agosto foi assim o da descoberta do Lago del Valle, o maior lago glaciário da cordilheira cantábrica. Era a caminhada que teríamos feito dois anos antes ... e uma das muitas que viria a fazer nas terras mágicas de Somiedo. Saindo da aldeia pelo bairro de Auteiro, vamos ganhando altitude, subindo o vale do rio del lago. Surgem-nos os primeiros teitos. Os teitos são cabanas típicas do ocidente das Astúrias e noroeste leonês, construídas em pedra, com cobertura vegetal, normalmente de palha de centeio ou giesta. Os aglomerados de teitos caracterizam as brañas, ligadas à transumância entre as pastagens de altitude, para onde em Maio os vaqueiros subiam em busca dos frescos prados, regressando para passar o inverno nos campos e pastagens mais baixos. As brañas correspondem às nossas brandas e inverneiras, típicas por exemplo das Serras da Peneda e do Soajo.
À redescoberta de Somiedo, 31.07 e 1.08.1999
O percurso do Lago del Valle no Wikiloc / Google Earth, 1.08.99
                  
Ao longo de um vale majestoso, caminhávamos em direcção aos Picos Albos e à parede por trás do Lago del Valle, que separa as Astúrias de Leão. O lago, que neste trajecto só se vê praticamente quando lá chegamos, situa-se a 1570 metros de altitude, rodeado dos altos picos que fecham aquele circo glaciar, ultrapassando os 2000 metros, a sul. Que melhor sítio para almoçarmos? A sensação de ter "conquistado" aquele lugar, que dois anos antes tinha estado perdido nas nuvens e chuvas, é indescritível. E as montanhas à volta chamavam-me para mais "aventuras", para palmilhar os trilhos que se percebiam possíveis. Mas ... os carros e caravanas ainda não têm telecomando para os teletransportar para outro lado. É uma das vantagens de fazer caminhadas em grupo: o autocarro vai-nos buscar a outro destino. Assim, descemos de novo o vale, de regresso a Valle de Lago e ao parque de campismo. A visão no sentido descendente é também extraordinária, com a aldeiazinha a perceber-se desde meio caminho, ao lado da Peña Furada, o grande bloco rochoso a sudoeste, furado de lado a lado por um grande "olho" natural. Menos de um ano depois ... estaria em Somiedo com alunos!
Mas Somiedo não acaba no Lago del Valle, muito pelo contrário. Dia 2 de Agosto, descemos a Pola de Somiedo e descemos o curso do rio Somiedo até à central de La Malva e a La Riera. Era a estrada que 2 anos antes havíamos feito em sentido contrário, quando pela primeira vez eu tinha sido tocado pela magia
Puerto de S. Lorenzo, 2.08.1999
de Somiedo. Agora, em mais um esplendoroso dia de Sol, as encostas e os montes pareciam rejubilar de vida. E em La Riera rumámos a leste, voltando a subir, desta vez para o Puerto de San Lorenzo ... e para as nuvens. O Puerto de San Lorenzo divide as comarcas de Somiedo e de Teverga e, com elas, separa as terras somedanas dos chamados Valles del Oso, por neles se encontrarem ainda alguns dos últimos ursos pardos cantábricos, se bem que do lado de Somiedo também, principalmente no vale do Pigueña.
Mas à medida que nos aproximávamos do Puerto de San Lorenzo ... os céus fechavam-se num imenso nevoeiro que não deixava ver nada. Somiedo tem os seus mistérios, os seus dias de glória, mas também os seus dias de misticismo, em que as nuvens escondem as montanhas, realimentando as águas que escorrem pelas encostas verdejantes. Dali, do Puerto de San Lorenzo, apenas víamos as placas indicadoras de um trilho ... e os primeiros metros dele. Uns anos mais tarde lá estaria ... para fazer o Cordal de La Mesa, o trilho naquela altura perdido nas nuvens.
Naranjo de Bulnes, visto do miradouro de Camarmeña, 3.08.1999
E assim descemos a Teverga, simpática vila no vale do rio Trubia, que descemos ao longo do desfiladeiro de Peñas Juntas e da Senda del Oso, velha linha mineira transformada em trilho pedestre e ciclista. Claro que logo nasceu a ideia de ali levar também alunos ... tanto mais que em Teverga tínhamos visto a existência de um Albergue. E em Proaza visitámos a Casa del Oso, exposição sobre o habitat do urso pardo e a sua história na cordilheira cantábrica. Depois ... do ocidente rumámos ao oriente das Astúrias: por Oviedo e Cangas de Onís, fomos passar dois dias ao "nosso" velho Camping "Naranjo de Bulnes", em Arenas de Cabrales. Basicamente de descanso, o primeiro desses 2 dias foi dedicado a uma curta caminhada à  aldeia de  Camarmeña  e
Camping "Naranjo de Bulnes", 4.08.1999
ao miradouro do Naranjo de Bulnes, o mítico torreão rochoso, emblema dos Picos de Europa e do montanhismo, sobre a pequena aldeia de Bulnes e aos pés da já nossa conhecida Senda del Cares.
Continuando para leste, no dia 5 cruzámos a Sierra del Cuera, a norte de Arenas, para descermos depois o desfiladeiro de La Hermida, em direcção a Potes. Em tantas vezes que já atravessámos este desfiladeiro, ao longo do rio Deva, foi sempre ficando para trás uma caminhada mítica, que ainda um dia quero fazer: a Ruta de Tresviso, ligando a aldeia do mesmo nome, nos cumes próximos de Sotres, ao rio Deva e ao vale. E sendo o vale de Liébana também já nosso velho conhecido, o dia 6 foi igualmente de completo descanso, no camping das nossas "amigas" cunhadas, o velho "La Isla - Picos de Europa".
De Arenas de Cabrales a terras de Sobrescobio, 5 a 9.08.1999
Pelo Puerto de Piedrasluengas, passámos depois para terras palentinas e leonesas, contornando a Reserva de Fuentes Carrionas, por Cervera de Pisuerga e Guardo. Em Boca de Huérgano, próximo de Riaño ... estivemos um dia e meio "retidos" na caravana, no Camping "Alto Esla" ... à espera que a chuva parasse! E no dia 9 a chuva parou...J!
O percurso da Ruta del Alba no Wikiloc / Google Earth
Reentrámos nas Astúrias pelo Puerto de Tarna, atravessando o recém criado Parque Natural de Redes, ao longo do jovem rio Nalón. O destino eram agora as terras de Sobrescobio e a Ruta del Alba, mais  uma das  maravilhas naturais do paraíso natural
Ruta del Alba e Hoces del Rio Aller, 9.08.1999
de Astúrias. É o reino do verde e da água, 14 km a pé a partir da aldeia de Soto de Agues, um reino de magia e de encanto.
Por Pola de Laviana e Cabañaquinta, inflectimos de novo para sul, em direcção ao Puerto de San Isidro e a outra maravilha desta zona sul de Astúrias, as Hoces del Rio Aller. Embora sem percurso pedestre, atravessámos na caravana mais este paraíso verde, no limite mesmo entre Astúrias e Leão. Já em Leão, atravessámos a Reserva de Mampodre ... e despedimo-nos das montanhas cantábricas, neste glorioso ano de 1999.
O dia 11 de Agosto era especial: no camping da cidade de Leão, assistimos ao maior eclipse solar do século, na Europa. Pouco depois do meio dia ... o Sol escondeu-se e parecia que ia anoitecer! Mas as trevas afastaram-se e a luz voltou de novo...
Leão, 11.08.1999 - Quando do dia se fez noite
Lago de Sanabria, 12.08.1999
Estas férias contariam ainda, no regresso, com uma breve passagem pelo Lago de Sanabria, entrando em Portugal por Montesinho, e com um dia de descanso final no camping de Pomares, perto de Avô ... de onde regressámos a casa.
 
27 de Abril de 2011

sexta-feira, 7 de maio de 1999

Mais uma semana nos Picos de Europa

De 1 a 7 de Maio de 1999, o Clube "Amigos da Natureza" voltou a sair, desta vez com as turmas do 11º e 12º anos, de Ciências e de Humanísticas. Professores, éramos só 3: "O pastor" que "guia o seu rebanho", o autor dessas e de outras linhas ... e uma estreante nestas "andanças", nossa colega de História e grande amiga. Destino ... Picos de Europa! Um primeiro dia de viagem e estávamos em Cangas de Onís ... onde
Percurso da Garganta do Cares, 3.05.99
a estreante comprou umas botas para a caminhada que se avizinhava...J!
A subida a Covadonga e aos Lagos prendeu desde logo a respiração de mais este grupo de alunos. Pessoalmente, em tantos anos de "aventuras" nos mesmo locais, as sensações nunca foram as mesmas. As panorâmicas, as cores, o fresco das pastagens de altitude, a água dos lagos ou dos rios, nada é igual.
Os bungalows do Camping "Naranjo de Bulnes", em Arenas de Cabrales, foram mais uma vez o nosso poiso durante duas noites. E o dia 3 de Maio ... era dia de "aventura": tínhamos pela frente a Garganta do Cares. Mas, ao contrário de 97, fizemos primeiro o percurso a pé, no sentido Poncebos - Caín, Caín onde nos esperavam os jeeps, para outra fabulosa travessia do maciço central.
De Lisboa a Covadonga e aos lagos, 1 e 2.05.99
Percurso do Cares e travessia TT do maciço central, 3.05.99
Todo o percurso foi portanto em sentido inverso ao efectuado dois anos antes: por Posada de Valdeón e Santa Marina, subimos aos Puertos de Pandetrave e Valcavao, descendo a Fuente De e Espinama, voltando a subir aos Puertos de Aliva, voltando a descer às Vegas de Sotres e a Sotres, e, finalmente, regressando a Arenas de Cabrales. 70 km de uma aventura memorável! Perto de Valcavao, um dos jeeps largou a roda suplente, presa sob o chassis! Uns anos mais tarde, próximo de Vale de Espinho ... comigo aconteceria pior...J!
No jeep em que iam os "profs", o motorista e guia fazia-nos ouvir uma muito agradável musiquinha, com sabor a tradicional e a gaitas de foles. A minha então relativamente recente mas crescente paixão pela música folk, aguçou-me desde logo a atenção e o ouvido. E o nosso guia esclareceu tratar-se do gaiteiro asturiano Hevia e do seu primeiro CD, saído há menos de um ano: "Tierra de Nadie". Hevia viria a ser bem conhecido e divulgado, inclusive em Portugal, principalmente o tema "Busindre Reel". Hevia foi assim, casualmente e no enquadramento natural das montanhas de Astúrias, o meu primeiro contacto com a música folk e tradicional asturiana, que nos anos seguintes fui conhecendo cada vez mais e melhor, juntamente com a das restantes comunidades do norte peninsular.
O programa dos dias seguintes foi também muito semelhante ao efectuado dois anos antes. O velho Camping "La Isla - Picos de Europa", próximo de Potes, recebeu-nos para as duas noites seguintes, sendo o dia 5 de Maio reservado à subida de teleférico ao Balcón del Cable, em Fuente De. As duas simpáticas senhoras responsáveis pelo Camping já conheciam o meu habitual pacto com S. Pedro, no que respeita à meteorologia; não me esqueço do espanto da frase com que uma delas me brindou, ao afirmar-me que ... estava a chover em toda a Espanha menos em Potes...J! O que ouvíamos na televisão confirmava-o ... mas nós tínhamos Sol! Tivesse eu vivido na idade média e seguramente teria ido parar às fogueiras...J!
Vale de Liébana e subida ao Balcón del Cable, 5.05.1999
Os três "profs" no maciço central dos Picos, 5.05.1999
                  
E nessa esplêndida manhã de Sol, sob os olhares atentos dos Picos de Peña Vieja e Peña Remoña, cada um iria encontrar nas alturas a sua  forma de viver  e de sentir aqueles  momentos,  a  sua forma de  viver  a
Santillana, Santander, Osorno e Salamanca, 6 e 7.05.99
liberdade e a Natureza.
À tarde, regressados ao vale de Liébana, esperava-nos ainda a visita ao Mosteiro de Santo Toribio, onde desta vez tivemos até um excelente sermão que cativou todo o grupo, jovens ou menos jovens.
Dias 6 e 7 foi o regresso a casa, com as obrigatórias visitas a Santillana del Mar e a Santander. A escala intermediária foi de novo em Osorno, tal como em 1997. E ainda houve lugar, como então, a uma curta visita a Salamanca.

Estas "aventuras" nos Picos de Europa deixaram também testemunhos escritos, sentimentos e vivências transmitidas:

“Definitivamente, os Picos estavam "lá em cima"!”
Ricardo Medina
“É difícil, mas não impossível, viver 7 dias emocionantes, tendo simultaneamente sossego, paz, tranquilidade ... e uma euforia que ultrapassa o nosso mais íntimo ser. Adorei!”
Elsa Teixeira
"Quem nos dera ter o poder de escrever e de expressar coisas tão belas e profundas como aquelas que vimos e sentimos."
Lúcia Coelho, Rita Mestre
"Quero, tão somente, agradecer ao professor Callixto a realização desta visita, possibilitando que a beleza e a grandiosidade dos acontecimentos desta tenham dado um novo sentido à minha vida ..."
Sónia Cordeiro
"Subi montanhas, atravessei vales, levei com chuva, mas tudo o que passei valeu a pena, ao encher os pulmões com o fresco ar da montanha, as maravilhosas vistas, a Natureza."
Eduardo Leandro
"7 dias ... 7 dias de alegria, de novas amizades especialmente vividas, 7 dias que ficarão para sempre guardados e relembrados com o doce sabor da saudade ..."
Ricardo Monteiro
"Senti estes dias como se tivesse 18 anos. Os companheiros, a "Naturaleza" e o "mestre" deram-me essa possibilidade."
Maria da Graça Brandão, professora

A Senda del Cares e a "aventura" nos jeeps no Wikiloc / Google Earth:

26 de Abril de 2011

quarta-feira, 6 de agosto de 1997

Quando descubro a minha terceira "terra natal" ... no paraíso de Somiedo

   "La llegada'l ñuberu", Xuacu Amieva, "Tiempu de mitos"

Uma terra natal é onde se nasce ... normalmente...J! Também se pode adoptar uma terra natal, quando descobrimos terras que passam a chamar-nos, às quais nos sentimos pertencer, pelas quais nos apaixonamos, quando cada fraga, cada cheiro, cada cor e cada som nos trazem sensações de comunhão, purificação, libertação, catarse. Nos primeiros artigos deste blog, desde logo falei nas minhas três "terras natais". Duas delas descobri-as há quase 4 décadas: a raia Sabugalense, num largo raio  à volta  da  minha
Íamos virar para o paraíso..., 4.08.1997
Vale de Espinho ... e o Gerês! A terceira, a minha terceira "terra natal" ... só vim a descobri-la em 1997! Com vários périplos pelas comunidades do norte da Península, com uma paixão crescente pelo paraíso asturiano ... como tinha sido possível deixar para trás o Parque Natural de Somiedo, as montanhas e os vales "perdidos" de Teverga e de Quirós, os valles del oso, bem no coração da cordilheira cantábrica, no sudoeste das Astúrias?...
Embora em condições meteorologicamente muito pouco favoráveis, como veremos, mas seriam as férias de 1997 que me iam revelar o paraíso de Somiedo. Depois do Alto Tejo, Douro e Ebro, depois do Canyon de Rio Lobos e do Pico Tres Mares, depois da praia na costa cantábrica, passámos Ribadesella, Arriondas, passámos próximo de Oviedo, e por alturas de San Antolin, junto ao rio Narcea ... a placa de Somiedo chamava finalmente por mim! Passaram-se 14 anos, passaram muitas fragas, mas lembro-me
Estávamos a entrar no paraíso de Somiedo, 4.08.1997
como se fosse hoje daquele dia 4 de Agosto de 1997. Contrariamente aos anteriores, o céu estava enevoado, ameaçando chuva, mas à medida que nos aproximávamos de Belmonte de Miranda e, passada esta, nos embrenhávamos no apertado vale do rio Pigueña ... a minha sensação era a de estar a entrar num outro mundo, o mundo das montanhas "mágicas", das encostas verdejantes, as montanhas e as encostas de "onde l'agua ñaz", onde pululam xanas, ñuberus e tantas outras figuras da riquíssima mitologia asturiana. Sentia-me a fazer parte daqueles bosques, protagonista de um "tiempu de mitos", companheiro dos últimos ursos pardos, que ainda habitam aqueles bosques e vales encantados.
Agüerina, Aguasmestas, La Riera, eram nomes que iriam ficar para sempre gravados nas minhas recordações e nas imagens de um paraíso por descobrir. Parámos a caravana num pequenino parque, já no vale do rio Somiedo, que corre para o Pigueña. Lembro-me da emoção que senti, uma emoção que não se explica, sente-se. Algo naquelas terras me disse logo que eu lhes pertencia, que iria lá voltar! E voltei ... oito vezes...
A magia de Somiedo, 4.08.1997
Desta primeira vez ... os deuses de Somiedo estavam contudo contra mim. Os picos à volta de Pola de Somiedo estavam já mergulhados no nevoeiro, quando visitámos esta tão simpática capital do concelho e sede do Parque Natural. Mas nós íamos para mais alto, para o Camping "Lagos de Somiedo", na pequena aldeia "perdida" de Valle de Lago, a 1250 metros de altitude, na esperança de, no dia seguinte, podermos ir conhecer, a pé, o maior lago glaciário da cordilheira cantábrica, o Lago del Valle.
Mas o dia 5 de Agosto acordou chuvoso...! No desalento de mal poder sair da caravana, eu sentia contudo o cheiro da erva fresca, da ruralidade daquela aldeia perdida nos confins das montanhas de Somiedo. Eu sabia que o lago estava apenas a uns escassos 6 km, o que já tinha lido falava-me das brañas e dos vaqueiros de alzada, dos Picos Albos ... do muito que por ali tinha a viver e a aprender. Mas a chuva e o nevoeiro continuavam implacáveis ... e os meus companheiros, cara-metade e filhos, apelavam às desvantagens de por ali ficarmos à espera de uma melhoria do tempo incerta ... e à "necessidade" de regressar a tempo dos anos de uma prima...
O "concílio" ordenou portanto um bater em retirada ... com muita pena minha. Ao descer de Valle de Lago de regresso a Pola de Somiedo (quantas vezes iríamos fazer esta estrada nos anos seguintes...), algumas nuvens desvendaram as encostas verdejantes que correm para o rio Somiedo, que iríamos agora subir, em direcção ao Puerto de Somiedo ... deixando as Astúrias para entrar em terras leonesas. Coincidência, providência ou contingência ... ao começar a descer a encosta leonesa as nuvens foram-se afastando, revelando-nos uma igualmente maravilhosa vertente sul daquelas montanhas "mágicas" ... e dando gradualmente lugar a um dia de Sol! A primeira "descoberta" de Somiedo ficaria para sempre ligada aos nevoeiros e às chuvas ... que me "expulsaram" do paraíso. Para trás pareciam ficar os urros dos ursos, o canto do urogalo, a magia daquelas terras, mitos, tradições, música; para trás ficava o chamamento que, naquela tarde, noite e manhã chuvosas, tinha já feito de Somiedo a minha terceira "terra natal"!

   "Guedeya roxa'al vientu", Xuacu Amieva, "Tiempu de mitos"
Vale de Somiedo, 5.08.1997
La Peral, Somiedo, 5.08.1997
Em terras leonesas, por Villablino e Ponferrada descemos o vale do Sil, em direcção à Galiza e a Portugal. No limite Leão/Galiza, as Médulas de Carrucedo foram a última visita das férias de 1997. Fantasmagóricas formações rochosas resultantes do trabalho de milhares de escravos romanos, em explorações auríferas, as Médulas transmitem-nos uma sensação enigmática. E por Orense e Valença ... regressámos a casa.



Quando descubro a minha terceira "terra natal", 4 e 5.08.1997

13 de Abril de 2011

sexta-feira, 2 de maio de 1997

Novas "aventuras" ... nos Picos de Europa

Abril de 1997, 2º período escolar. Com alunos do 12º ano - alguns que tinham sido da minha "sócia" até ao 11º,  outros  meus  e dos habituais colegas de História e de Línguas  e  Literaturas  e  outros  ainda  que  as
De Lisboa a Ribadesella e às montanhas
de Covadonga, 25 e 26.04.1997
"fragas" escolares tinham feito repetir um ou mais anos... - tinha-se delineado pela segunda vez uma ida aos Picos de Europa. Alguns dos que vieram a participar ... já vinham do grupo de Alvão e Montesinho, dos Pirenéus e dos Açores! Assim, de 25 de Abril a 1 de Maio de 1997, durante 7 dias, vivemos nova "aventura" na cordilheira cantábrica, plena de novas sensações e emoções...J
O trajecto foi de certo modo inverso ao seguido 7 anos antes: depois de uma primeira noite em Villamañan, próximo de León, começámos por Ribadesella e pelas grutas de Tito Bustillo. Seguiu-se Cangas de Onís e ... a montanha de Covadonga. A imponência da Natureza nos Lagos Enol e Ercina maravilhou mais uma vez tudo e todos, inclusive ao longo da estrada de acesso aos lagos.  Em   Covadonga   propriamente  ...  pesa   a
Camping "Naranjo de Bulnes", Arenas de Cabrales, 26.04.1997
evocação de Pelágio e o misticimo da Gruta Santa.
E este segundo dia terminaria em Arenas de Cabrales, nos bungalows do Camping "Naranjo de Bulnes", que havíamos descoberto no ano anterior.
E o dia seguinte ... era de "aventura". Fazer a garganta do Cares com alunos, tinha passado a ser "obrigatório". Mas ... fazê-la nos dois sentidos, como no ano anterior? Não seria melhor juntar o percurso pedestre ... a uma travessia em todo-o-terreno? E assim, claro que já com tudo acertado previamente, dia 27 de Abril tínhamos os jeeps à nossa espera à porta do camping! Íamos atravessar o maciço central dos Picos de Europa! E que "aventura" ... até porque o tempo não parecia estar muito convidativo, ameaçando chuva. Mas o meu amigo S. Pedro esteve, uma vez
Vegas de Sotres, durante o percurso de jeep, 27.04.1997
mais, do nosso lado...J!
Começámos por subir de Arenas de Cabrales a Sotres, pequena aldeia de montanha a partir da qual subimos às Vegas de Sotres, à "fronteira" Astúrias / Cantábria, aos Puertos de Áliva e ao chalet real (1650m alt.), onde havíamos passado a pé 7 anos antes com outro grupo de alunos. Não estávamos longe, aliás, da estação superior do teleférico de Fuente De. Neste percurso chegámos a ver um lobo, na extraordinária envolvência dos Picos que nos rodeavam. Depois, foi a descida para Espinama, pelo percurso feito a pé em 1990. Chegados a Fuente De, inflectimos
Camaraman em acção, 27.4.1997
para sul; o teleférico ficaria para 2 dias depois.
E ... voltámos a subir. Pelos altos de Valcavao, a pista de montanha chega perto dos 1800m de altitude, com espectaculares panorâmicas para o vale de Valdeón. Pouco depois ... estávamos na estrada que havíamos feito de autocaravana no ano anterior, do Puerto de Pandetrave a Santa Marina e a Posada de Valdeón. Seguindo já o curso do Cares, chegámos a Caín, com duas paragens no Mirador del Tombo e no Chorco de los lobos. Tínhamos feitos sensivelmente 70 km de jeeps!
"Aventura" em todo-o-terreno e Ruta del Cares, 27.04.1997
Seguiu-se o percurso pedestre da Ruta del Cares, no sentido Caín - Poncebos. Os sucessivos túneis e pontes, a imponência das paredes rochosas, o traçado sinuoso do rio, com as suas múltiplas quedas de água e convidativas piscinas naturais ... tudo passava ante os olhos extasiados dos jovens que ali leváramos, mas também dos restantes três colegas e amigos, já que, também para eles, toda esta "aventura" tinha sido igualmente novidade. O "nosso" autocarro esperava-nos em Poncebos, e rapidamente regressámos ao Camping "Naranjo de Bulnes", fechando assim esta volta ao maciço central dos Picos de Europa! Depois dos banhos, fez de novo sensação um já célebre pijama de cetim...J!
A manhã do dia 28 ... foi para descansar das fadigas da véspera. Passeio pela vila de Arenas de Cabrales, para quem quis, disfrutar da beleza do camping, para outros. Só partimos depois do almoço, e partimos em direcção ao Desfiladeiro de La Hermida e a Potes, cujas ruas medievais e exposição de bruxaria despertou as atenções de todos. Terminámos esta curta etapa ... no já velho conhecido Camping "La Isla Picos de Europa". As duas gerentes do camping, cunhadas, já eram também nossas "velhas conhecidas"!
E o dia seguinte foi dedicado a Fuente De e ao teleférico ... em cuja base havíamos passado dois dias antes de jeep. Apesar da "viagem" ser curta (pouco mais de 3 minutos) ... nem toda a gente se sentia segura dentro da cabine...J! Mas a maravilha da panorâmica e da envolvência que nos esperava suplantou tudo ... permitindo até uma autêntica "batalha campal" na neve...J! Cumprindo a tradição local de deixar nomes escritos com pedras soltas ... deixámos escrito "SACAVÉM" naquelas paragens no seio do maciço central dos Picos. Depois, a descida foi de novo suspensos dos cabos, já que o percurso pedestre para Espinama foi parte do que tínhamos já feito nos jeeps. E, de regresso ao vale de Turieno, íamos ainda visitar o Mosteiro de Santo Toribio de Liébana, local sagrado da região, onde se conserva uma parte do lignum crucis, a madeira que supostamente fez parte da cruz onde Jesus Cristo foi crucificado.
Liébana (Fuente De e teleférico)
e ... regresso a casa, 29.04 a 1.05.1997
Depois, alguns quiseram voltar a pé a Potes, para novo passeio, outros subiram à Capela de S. Miguel, um dos mais espectaculares miradouros sobre todos o maciço oriental e central dos Picos de Europa ... e também sobre o "nosso" parque de campismo, para o qual descemos a pé. À noite, contudo, voltaríamos a este local de eleição ... de eleição para a nossa tradicional última noite, já que as "aventuras" estavam prestes a terminar. O crepitar de uma fogueira, as luzes das pequenas aldeias do vale de Turieno, o recorte das montanhas ao luar, a alegria, a camaradagem, as brincadeiras, e, porque não dizê-lo, a juventude de todos, mais velhos ou mais novos ... deram lugar a horas mágicas ... que durariam até bem tarde.
30 de Abril e 1 de Maio era o "coming home". Não sem contudo passarmos pela jóia de Santillana del Mar e uma curta passagem por Santander. A escala foi em Osorno, na tierra castelhana de Campos, e o último dia só teve história em Salamanca, incluindo, claro, a sua belíssima Catedral. Ao fim da tarde estávamos em casa.

A "aventura" nos jeeps e a Senda del Cares no Wikiloc / Google Earth:


Os valores da amizade, da convivência entre todos, alunos e professores, da liberdade com responsabilidade, foram mais uma vez elevados bem alto nesta digressão. No final do habitual filme que já tradicionalmente eu ia deixando para memórias futuras, apeteceu-me incluir o lindíssimo "Fresco" aqui transcrito há dois posts atrás. Comentando esse post, uma das alunas que participou nestas "aventuras" escreveu há dias no Facebook, antes mesmo da publicação deste artigo: "A minha parte preferida do video dos Picos de Europa de 1997 é quando temos a oportunidade de ler este "Fresco". A imagem, o som e as palavras: perfeito!". São testemunhos como estes que também dão sabor à vida...
Foi também nestas novas "aventuras" nos Picos que começaram a surgir outros testemunhos que transmitem sentimentos, vivências, experiências, sob a forma de frases soltas, escritas ao sabor desses mesmos sentimentos. Exemplos...

“Há momentos que ficam na nossa mente perfeitos, tal como foram vividos.”
Ana Catarina Gomes
“Com o companheirismo e a alegria, esqueci-me que tinha colegas, descobri que tinha amigos ...”
João Alexandre Pinto
“Alguns dos risos, alegrias e partilhas que definem a amizade, estiveram presentes nesta visita !”
Carla Marina Lameiras
“A vida é constituída de sonhos. Nesta viagem, foram realizados muitos sonhos.”
Filipe Miguel Murcho
“Obrigado por conseguirem transformar pequenos instantes em grandes momentos !”
Sara Costa
“A vida é feita de recordações. Vivemos algo que valeu a pena ser vivido, e valerá sempre a pena ser recordado.”                                                                                                 Carla Sofia Chapouto
“Foi no mínimo indiscutível, no máximo inesquecível !”
Jorge Filipe Silva
“Esta matéria não sai em provas globais, nem em exames nacionais. Não sai nunca mais ...”
Luís Boavida, professor
“Em tempo de aprendizagem utilitária, voltar às raízes do aprender, por prazer!...”
Maria Teresa Gomes, professora
6 de Abril de 2011

quarta-feira, 28 de agosto de 1996

Regresso aos Picos de Europa e à Galiza ... em autocaravana

A 1 de Agosto de 1996, estava a partir de Vale de Espinho rumo, mais uma vez, à Espanha verde, à Cordilheira Cantábrica. Embora nunca tivéssemos gostado de ficar fora de parques de campismo, a autocaravana permitia maior liberdade e autonomia. O primeiro destino eram os Picos de Europa. Íamos procurar "explorar" zonas que ainda não conhecíamos, como o famoso desfiladeiro do rio Cares, a "garganta divina".  Por  Leon  e  Riaño,  entrámos nos Picos  de  Europa pelo sul,  passando o  Puerto  de
Desfiladeiro de La Hermida, Rio Deva, 2.08.1996
Pandetrave (1562m). A ideia era "acampar" na pequena aldeia de Santa Marina de Valdeón, de onde atingiríamos Posada de Valdeón e Caín, já sobre o Cares. No entanto ... a estradinha para Santa Marina foi estreitando ... estreitando ... e à entrada da aldeia foi preciso regressar, já que a autocaravana não cabia nas estreitas ruas! Contornámos então o maciço central, e numa tarde de nevoeiro percorremos a bonita estrada do Puerto de San Glorio (1609m), rumo a Potes e ao já nosso conhecido camping "La Isla, Picos de Europa". Potes é sempre aquela cativante aldeia, como que parada no tempo. Mas desta vez, feita a "escala", no dia seguinte rumámos a Arenas de Cabrales, ao longo do rio Deva e do desfiladeiro de La Hermida. E em Arenas de Cabrales, já à beira do Cares, instalámo-nos por 3 noites no camping "Naranjo de Bulnes" ... que igualmente viria a ser uma referência para outras "aventuras".
E a partir de Arenas de Cabrales lançámo-nos então na Senda del Cares. Fazer a Senda del Cares é um percurso "obrigatório" para os amantes da Natureza e da montanha. Primeiro na caravana até Poncebos, início do fabuloso trilho que atravessa o maciço central, depois a pé ao longo dos seus 12 km ... transformados  em  24  na ida e volta!  De  um lado e outro do rio,  os enormes  paredões  rochosos  foram
Ruta del Cares, 4.08.1996
Ruta del Cares, 4.08.1996
Ruta del Cares, 4.08.1996
como que talhados a pique na rocha calcária. Acima de nós, a noroeste, estão os Lagos Ercina e Enol, os lagos de Covadonga; a sudeste, as alturas de Torre Cerredo e do mítico Naranjo de Bulnes. Sentimo-nos pertencer à montanha, à turbulência das águas do Cares, à própria rocha escavada em múltiplos túneis ao longo da parte final do trilho. Trilho que termina em Caín, já em terras leonesas. Aí almoçámos ... para à tarde repetir o trilho no sentido inverso.
Luarca, 7.08.1996 - Reconstituição de uma foto com 14 anos...J
O dia seguinte, 5 de Agosto, foi dia de descanso em Arenas de Cabrales, até porque a chuva predominou. O paraíso verde também significa, claro ... precipitação mesmo nos meses de verão. Depois, rumámos ao ocidente das Astúrias ... e à Galiza. Uma etapa intermediária levou-nos a Luarca, ainda nas Astúrias, a simpática vila de pescadores que tínhamos conhecido 14 anos antes. Uma foto "histórica" feita nessa altura, com o nosso júnior escondendo uma flor para entregar à mãe ... foi reconstituída com esse mesmo júnior 14 anos mais velho...J!
Mas este 7 de Agosto de 1996 ficaria tragicamente marcado na história de Espanha e na história campista: ao ouvirmos as notícias, em Luarca, soubemos da trágica avalanche que dizimou o Camping "Las Nieves", em Biescas, Pirenéus, na qual morreram 87 pessoas e mais de 180 ficaram feridas!
Entrámos na Galiza por Ribadeo, percorrendo depois a costa norte. Um dia de descanso em Viveiro ... e seguia-se a Coruña e Santiago de Compostela. Como o júnior mais pequeno diz no filme, para uns era recordar ... para ele era conhecer. E as férias terminaram em Valença do Minho e em Santa Cruz, em convívios de amizade e familiar. Um mês depois, as duas autocaravanas e a equipa do périplo britânico do verão de 1995 juntavam-se de novo ... para um curto fim de semana em Vila Nova de Milfontes.
Pelos Picos de Europa, 2 a 6.08.1996
Em Luarca e regresso pela Galiza, 7 a 11.08.1996

A Senda del Cares no Wikiloc / Google Earth:


31 de Março de 2011

sexta-feira, 14 de dezembro de 1990

Jornada pelos Picos de Europa ... com regresso por Montesinho

8 a 14 de Setembro de 1990. Início de mais um ano lectivo. Para os "Amigos da Natureza", antes de começarem as aulas propriamente ditas ... estava  reservada  uma  "aventura"  nos  Picos de Europa,  com
8.09.1990 - Vilar Formoso,
quando ainda havia fronteiras
regresso pelo Parque Natural de Montesinho! Para a maioria dos alunos, era a última actividade vivida na Escola; antes das 6 da manhã já havia gente à porta, para uma jornada de 700 km sem história até ao Camping de Cubillas, para lá de Valladolid. A primeira aventura foi montar as tendas; é que o chão ... parecia de cimento! Mas no dia seguinte a paisagem mudava radicalmente: o árido planalto castelhano dava lugar à magnífica paisagem verdejante das montanhas. Estávamos na Cordilheira Cantábrica!
Ainda nesse segundo dia, Santander e Santillana del Mar foram visitas obrigatórias. Estava a levar os alunos à Espanha verde, que havíamos conhecido oito anos antes. Ao longo do desfiladeiro de La Hermida e do Rio Deva, fomos percorrendo aquele maravilhoso cenário natural, terminando em Potes e no Camping "La Isla - Picos de Europa", onde igualmente havíamos ficado em 1982. Este Camping seria aliás base para várias "expedições" aos Picos de Europa, nos anos seguintes. À beira do Deva, o parque fica num verdejante vale rodeado de montanhas, atrás das quais o Sol se preparava já para desaparecer, naquele fim de tarde. O solo relvado contrastava com o de Cubillas. O café e esplanada, junto ao rio, construídos em madeira, prendiam-nos àquele recanto saído como que de um conto de fadas.
E a primeira "aventura" foi a subida de teleférico ao Balcón del Cable, em Fuente De, 22 km a oeste de Potes e no coração do maciço oriental dos Picos de Europa. Rodeados pelos altos Picos Tesorero, Peña Vieja e Torre Cerredo, estávamos também bem perto do mítico Naranjo de Bulnes. E o almoço foi no Refúgio de Aliva, na parte inicial de um percurso de 16 km a pé, que nos havia de levar de regresso ao vale e à aldeia de Espinama, onde nos aguardava o Sr. Agostinho e o seu autocarro. Este motorista, não muito mais velho que os alunos mais velhos ... havia de ficar para a história das nossas "aventuras".
Maciço central dos Picos de Europa, 10.09.1990
Percurso a pé Balcón del Cable - Espinama, 10.09.1990
Mais um dia ... e saímos de Potes, contornando os maciços oriental e central dos Picos. Deixávamos a Cantábria  para  entrar  nas Astúrias. Seguiu-se Covadonga e os seus Lagos Enol e Ercina ... não sem alguns arrepios ao longo dos 12km da estrada estreita e íngreme que leva do Santuário àqueles lagos de altitude.
Covadonga, Gruta Santa, 11.09.1990
Lago Enol, Covadonga, 11.09.1990
Uma visita a Cangas de Onís e à sua medieva ponte e, ao fim da tarde, estávamos no Camping de Ribadesella. Preparados para montar tendas por uma noite ... soubemos que podíamos ficar em bungalows pelo mesmo preço! Foi uma festa! Tão grande que o grupo comprou todos os frangos do supermercado do parque, para um churrasco nocturno de convívio e camaradagem. No dia seguinte ... soubemos que um "utente" de um beliche superior tinha vindo parar ao chão...J!
Em Ribadesella, situam-se as grutas de Tito Bustillo. À falta das de Altamira, que em 1990 já não se podiam visitar, Tito Bustillo ilustrou a arte paleolítica que os alunos haviam aprendido nas aulas de História.
Ribadesella marcava o ponto de inflexão para sul: por Oviedo e León, o destino seguinte ... era já em Portugal: o Parque Natural de Montesinho, em terras transmontanas.  E íamos ficar  em  plena  serra, na
Casa-abrigo da Lama Grande, perfeitamente  integrada na rocha e na espectacular paisagem que nos rodeava.
A Lama Grande foi a nossa "base" para exploração da zona de Bragança, incluindo a própria cidade. É claro que não podia faltar a visita a Rio de Onor; o guia do Parque Natural que nos acompanhou falou-nos das vezeiras para a guarda do gado, à vez, pelos diferentes habitantes; falou-nos mais uma vez do boi do povo, do forno e de outros hábitos comunitários destas aldeias perdidas no tempo. Falou-nos também do Rio-de-Onorês, o dialecto local, com alguma mistura de português e leonês.
O almoço desse dia foi em Gimonde ... e ficou histórico. A tradicional e deliciosa posta mirandesa foi o prato escolhido ... e foi a primeira vez, em tantas e tantas "aventuras" com gente jovem e normalmente "esfomeada" ... que vi carne ir para dentro em relativa quantidade ... porque aquela gente já não conseguia comer mais posta..J!
Mas o nosso guia falou-nos também da riqueza florestal e faunística de Montesinho, das manchas de carvalhos, das maiores da Europa e dos trabalhos para a preservação do lobo, do corço e de outras espécies. Tal como em 84, visitámos também o picadeiro e viveiro de trutas, na aldeia de França.
A última noite, como tradicionalmente acontece, foi "liberalizada": uma fogueira, música, conversas, convívio ... nalguns casos até às 6 da manhã. Porque a seguir era o regresso a casa, sem história.
E esta história teve ainda uma estória original: à chegada a Sacavém ... porque não irmos todos jantar ao "famoso" bacalhau assado, na Bobadela? É que o restaurante ... era e ainda é da família de um dos alunos que participaram nesta actividade!

Esta actividade nos Picos de Europa e Montesinho inspirou também a "construção" de um genérico do Clube "Amigos da Natureza", para os respectivos vídeos. E que gozo deu essa montagem! Naqueles tempos ... funcionava a imaginação e o improviso; o efeito de focagem do emblema do Clube sobre a paisagem ... foi conseguido com uma folha de acetato que se deslocava em peças de LEGO, puxadas com cordéis, frente à projecção de um slide com a paisagem...! Mais tarde, já na era do digital, viríamos a montar um segundo genérico do Clube.

E ainda em 1990, no dia 14 de Dezembro, nova "geração" de alunos se estreava nas "andanças" e "aventuras" do Clube "Amigos da Natureza". O cenário ... foi mais uma vez a Tapada de Mafra.

A caminhada Balcón del Cable / Espinama no Wikiloc / Google Earth:


2 de Março de 2011