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quinta-feira, 15 de abril de 1999

Da arriba fóssil da Costa da Caparica à Serra d'Aire
... e à Serra de Gredos

Duas semanas depois das "aventuras" no Gerês, juntávamos as turmas do 10º ano que nelas tinham participado com uma turma de  8º  ano  do  meu  núcleo  de  estágio.  Uma  "mistura explosiva"?  Não ...  um
Praia dos Lagosteiros,
Cabo Espichel, 17.03.99
saudável dia de camaradagem entre jovens de idades diferentes, nas arribas fósseis da Caparica e na velha Arrábida. Próximo da Fonte da Telha, assistimos à cena caricata do autocarro enterrado na areia ... tendo de ser substituído por outro! E no Cabo Espichel, descemos à praia dos Lagosteiros ... para depois subirmos a Pedra da Mua. Só no início do século XX as pegadas ali existentes foram reconhecidas como sendo de dinossáurios; segundo a lenda, em 1410 teria sido avistada a Virgem Maria a subir a arriba montada numa mula, cujas pegadas teriam ficado impressas na rocha...!
Esta "escalada" da Pedra da Mua, até à Ermida ... seria épica...J! E do Cabo Espichel passámos ao Portinho da Arrábida ... onde ainda houve lugar a banhos...J!
Ainda nesse mesmo mês de Março, no dia 24 foi a vez de levar as 3 turmas do 7º ano e a turma de 8º ano do núcleo de estágio à Serra d'Aire, incluindo as Grutas de Mira d'Aire. De Mira d'Aire subimos ao alto de Alvados, depois descemos o vale a pé. O autocarro esperava-nos ... junto ao velho "Café da Bica". Quantos anos se haviam passado, desde os velhos acampamentos da Espeleologia...
Arriba Fóssil da Caparica e Arrábida, 17.03.99
Serra d'Aire, 24.03.99
No final de Março e início de Abril de 1999, já em férias da Páscoa, pegámos na autocaravana (sem alunos...J) e fizemos 6 dias a dois pela Serra de Gredos. A caminho de Plasencia, começámos por recordar  Monfragüe,  terminando essa primeira jornada  em  Jarandilla de la Vera,  bem  à  vista  já  dos
A caminho do Almanzor, 1.04.99
cumes de Gredos. Próximo, visitámos o histórico Mosteiro de Yuste, onde morreu Carlos V.
Até hoje, sem nenhuma razão especial, foi a única vez que nos entregámos à Serra de Gredos ... mas no dia 1 de Abril de 1999 fizemos ambos uma fabulosa caminhada, maioritariamente em neve, bem no coração de Gredos. Tínhamos contornado a serra por Arenas de San Pedro e Hoyos del Espino, povoação a partir da qual avançámos à "conquista" do Pico Almanzor. No alto dos seus quase 2600 metros de altitude, o Almanzor era visível de quase todo o lado.  Claro que não era provável  atingi-lo  naquela  altura  do
Na imponência de
Gredos, 1.04.1999
ano ... mas não ficámos longe. O percurso a pé levou-nos do fim da estrada até ao Refúgio Elola, a 2100m, no trilho para o Almanzor e para a Laguna Grande de Gredos. A sensação de pertencermos à montanha era completa. Sobre um manto branco, a contrastar com um céu por vezes cinzento chumbo, à medida que avançávamos sentíamo-nos quase transportados para os Himalaias. Ao longo do trilho, pouco perceptível na neve, numerosos grupos de montanhistas altamente equipados passavam por nós em ambos os sentidos. O Refúgio Elola tem, pelos vistos, uma procura assídua no início de Primavera. Limitámo-nos a ir até lá, daí para a frente e naquelas condições de neve ... era "areia" demais para nós. O Pico Almanzor ficaria para outras "núpcias" ... que contudo ainda não se concretizaram. Vê-lo-íamos de novo no dia seguinte, ao descer já a Serra pelo lado norte, pelo Puerto de Tornavacas.

A caminhada da Serra de Gredos no Wikiloc / Google Earth ... e em vídeo:
                
O regresso a casa fizemo-lo por Valencia de Alcantara, Marvão, Castelo de Vide ... e ainda pela alentejana Serra de S. Mamede. No dia 3 de Abril estávamos em casa.

E pouco mais de uma semana depois, a 15 de Abril, estava de novo "em campo", com as turmas do Núcleo de Estágio, na Tapada de Mafra e no Penedo de Lexim, ensinando-lhes a reconhecer a disjunção colunar naquela chaminé vulcânica, próxima também de Mafra.
      
23 de Abril de 2011

sábado, 14 de março de 1998

Da Arrábida ao Gerês ... passando pela Serra da Estrela

Monte Gordo, 20.09.1997
Depois da "descoberta" de Somiedo, no Outono e Inverno de 1997/1998 sucederam-se pequenos passeios na autocaravana, intervalados por actividades de campo com alunos. Em 20 e 21 de Setembro passámos um fim de semana em Monte Gordo, pouco mais de um mês depois em Alpiarça.
Com duas turmas de novos alunos do 10º ano, num cinzento e chuvoso dia 17 de Novembro levo-os à Arriba Fóssil da Costa da Caparica e ao Parque Natural da Arrábida. Seria o treino para, 4 meses depois, levar esses mesmos alunos ... ao Alvão e ao Gerês. Estava a nascer mais um grupo, entre tantos, a ficar para sempre na memória, nas memórias de uma escola vivida muito para além da escola, mais um grupo a viver, durante os 3 anos do secundário, as "aventuras" e os muitos momentos de convívio e camaradagem que lhes proporcionámos.
Lagoa de Albufeira, 17.11.1997
Cabo Espichel, 17.11.1997
Vale do Zêzere,
Serra da Estrela, 22.02.1998
No Carnaval de 1998, a caravana leva-nos a uma volta pela Serra da Estrela, com passagem pela Sortelha. O vale glaciar do Zêzere, as aldeias serranas de Melo e Linhares da Beira e a vetusta  cidade  da
Camping Quinta das Cegonhas, Melo, 22.02.1998
Quando se atropela um carro... (24.02.1998)
Guarda recebem-nos por 4 dias. E na Guarda ... vejo o meu júnior entrar pelo pára-brisas de um carro, ao atravessar uma rua! Felizmente sem consequências de maior.

A 11 de Março de 1998 parto com os alunos do 10º ano para o Alvão e Gerês. O programa não foi muito diferente do que havíamos feito quatro anos antes, mas os alunos eram outros, claro,  e  outros  olhos  têm
Na ruralidade de Lamas de Olo, 11.03.1998
sempre novas visões, novas percepções, novos testemunhos de novas vivências. O rio Olo, as Fisgas de Ermelo, o caos granítico de Muas, a aldeia de Lamas de Olo, perdida no tempo, levaram estes alunos, a sua professora de inglês e o de Química, estreantes como eles nestas andanças, a um outro mundo, completamente desconhecido da maioria.
À noite, na Pousada de Juventude de Vila Real, houve lugar à música, à camaradagem entre todos, à alegria de viver e de conviver.
Erguer a voz e cantar
Pousada de Juventude de Vila Real, 11.03.98
No dia seguinte partíamos para norte, rumo às terras do Barroso e do Gerês. O velho Mosteiro de Pitões, a cascata e, claro ... a Srª Maria! Mas desta vez não dormimos lá, a "Casa do Preto" serviu apenas o almoço do grupo ... e que almoço! À tarde seria a visita a Tourém, para depois descermos o curso do Cávado ... e chegar à Pousada de Juventude de Vilarinho das Furnas já ao pôr-do-Sol. Mas na Pousada de Juventude ... havia uma discoteca à espera...J!
13 de Março, dia dedicado ao Gerês. Saímos a pé da Pousada de Juventude, atravessamos S. João do Campo, abeiramo-nos do rio Homem. A albufeira está cheia, não se vê a aldeia submersa. Subimos a velha geira romana, chegamos à Mata de Albergaria e à Portela do Homem. Aí, espera-nos como habitualmente o transporte do Parque Nacional, desta vez o "cómodo", a carrinha fechada, para nos levar à Pedra Bela e à Cascata do Arado ... e a um "brinde" extra, a aldeia de Ermida. Mais uma vivência rural de montanha, onde inclusivamente se testemunhou o quão cedo na vida começa a labuta dos campos, como se pode ver no segundo vídeo que acompanha este texto.
Parque Natural do Alvão, 11.03.1998
Parque Nacional da Peneda-Gerês, 12 e 13.03.1998
 
No último dia, de regresso à cidade, visitámos ainda pela segunda vez o Parque Biológico de Gaia, onde este prometedor grupo de alunos terminaria as suas "aventuras" ... deixando-nos testemunhos como estes:

“Cada passo, cada árvore, cada flor, eram novidade para mim”
Sónia Cordeiro

“Senti uma calma interior como nunca sentira antes; toda aquela força inofensiva, a beleza virgem mas mutável das terras altas, o respeito do Homem pela Natureza, fizeram-me pensar que talvez exista uma esperança, um caminho para tudo. O contacto com a Natureza fazia-­me sentir cada vez mais pequena em relação à sua grandiosidade."
Ana Pepe
“Muito obrigado por nos ter dado a conhecer aquele outro lado da vida, com o desejo de regressar e encontrar novos mundos"
Sandra Nunes
“Ao estarmos em contacto directo com a Natureza, aprendemos a respeitá­-la e a admirá­-la. Também acho importante a realização deste tipo de visitas, para que valores como a solidariedade, o companheirismo e a amizade possam transparecer."
Ana Isabel Barão
“Que estrondo! Que será isto?! Um terramoto? Um furacão? Gente não é certamente e a chuva não bate assim. Fomos ver. Ups, era o nosso naturalista a bater à porta! Rapidamente (que remédio) tivemos que nos arranjar, para mais um passeio ao ar livre...J!"
Ana, Brigite, Susana e Vanessa

17 de Abril de 2011

terça-feira, 8 de agosto de 1995

Rumo à Escócia...

Agora que estávamos "autocaravanados", cerca de um mês depois da "aventura Pirenaica" com os alunos, de 19 a 21 de Maio, fazíamos um fim de semana no parque de campismo de Alcobaça. O mote foi o descanso, mas também, no sábado, um almoço de confraternização de naturais de Vale de Espinho, realizado nas Grutas de Santo António, na minha velha Serra d'Aire. Mais cerca de um mês ... e mais um fim de semana, agora na Arrábida, nos parques do Outão e CampiMeco, de 9 a 11 de Junho. E, de 14 a 16
Travessia da Mancha, 31.07.1995
de Julho, as duas autocaravanas e a "equipa" estreada em Outubro do ano anterior, ensaiava em S. Pedro de Muel um projecto começado a esboçar alguns meses antes ... e que viria a ser a nossa maior viagem de sempre: de Lisboa ao fim da Escócia ... e para além dele!
Assim, a 26 de Julho de 1995,  as autocaravanas punham-se a caminho, percorrendo em dois dias os 1400 km que nos separavam do relativamente recente Futuroscope, em Poitiers. O "parque do futuro" foi realmente o nosso primeiro objectivo, bem como um dia passado em família, em Tours. E no último dia de Julho, partindo de Calais ... estávamos à vista das rochas brancas de Dover!
A primeira parte desta "aventura" percorreu o sul de Inglaterra,  até  ao  mítico Land's End,  extremo
As rochas brancas de Dover, 31.07.1995
Blake's Cottage, Felpham, 1.08.1995
ocidental da Cornualha.
Antes, contudo, havia dois pontos "obrigatórios": a Blake's Cottage, a casa onde viveu William Blake, em Felpham, no Sussex, e as pedras milenares de Stonehenge. Então com 17 anos, o meu filho mais velho, tão ou mais romântico do que Blake ... conseguiu mobilizar os outros   11   viajantes   para   o
Em Stonehenge, 2.08.1995
Em Stonehenge em 1968, 27 anos antes!
desvio por Felpham ... à procura da casa ... que era particular...; só faltou entrar e pedir para ser convidado para o jantar...J!
Quanto a Stonehenge é um lugar sempre místico, onde nos sentimos recuar no tempo. Pessoalmente ... recuei 27 anos: em 1968 tinha igualmente contemplado o mais famoso círculo de pedras pré-histórico, com meus pais, durante uma viagem por Inglaterra e pela Irlanda.
Land's End é outro ponto mágico. Sente-se ali o "fim da Terra", como o sentimos no nosso Cabo da Roca, como o sentira 31 anos antes no Cabo Norte,  nas Terras do Sol da Meia Noite,  como no Fisterra galego  ...
Land's End, o "fim" da Cornualha, 3.08.1995
ou como o sentiríamos uma semana depois no "fim" da Escócia! Estávamos no extremo SW da ilha da Grã-Bretanha ... a 1400 km de John o' Groats, o extremo NE!
Ligada também às lendas arturianas, a Land's End seguir-se-ia o castelo de Tintagel, o lendário local onde teria nascido o não menos lendário Rei Artur.
Enseada de Tintagel, 4.08.1995
Tintagel, 4.08.1995
Tintagel, 4.08.1995
"Who so pulled out this sword from this stone and anvil, is the true-born King of all Britain"

(Rick Wakeman, "The myths and legends of King Arthur and the knights of the round table")

E a jornada prosseguiu pela esplêndida costa norte da Cornualha, atravessando o Parque Nacional de Exmoor, rumo a Bath. O País de Gales ficaria para outras "núpcias", e começámos a "corrida" para o norte: Liverpool (onde recordámos os Beatles...), Lancaster ... e estávamos no paraíso de Lake District. Lake District é uma sucessão de paisagens espectaculares, de lagos e de florestas, celebrizada pelos escritos e poesia de William Wordsworth, normalmente considerado o maior poeta romântico inglês. Acompanhar o lago de Windermere é um convite ao romantismo e à poesia ... e às caminhadas, para as quais, numa viagem com estas características, raramente há tempo suficiente.
Panorâmica do Lake District, a caminho de Keswick, 7.08.1995
No dia 8 de Agosto, 14 dias depois de sair de Lisboa ... estávamos a entrar em terras escocesas!
 
De Lisboa a Land's End
De Land's End ... à Escócia
 
23 de Março de 2011

segunda-feira, 28 de junho de 1993

De Doñana em versão familiar ... a Santa Cruz, Estuário do Sado ... e Arrábida

Englobando embora algumas actividades com alunos, como as descritas no capítulo anterior, a Primavera de 1993 foi caracterizada por "aventuras" em estilo familiar, e/ou com os amigos que, ao longo das fragas e pragas da vida, se iam tornando nos nossos fiéis confessores e companheiros. Ou não é esse o sabor da amizade e da vida?...
A 12 de Abril, poucos dias depois de regressados do Gerês, partíamos para Doñana com pais, filhos, tios, dois casais amigos e filhos dos amigos. Como várias outras vezes sucedeu ... eu ia fazer de "cicerone", mostrar-lhes os paraísos que já conhecera e dera a conhecer...J!  E,  claro,  lá  ficámos  no camping "Rocío
Camping Rocío Playa, Matalascañas, 13.04.1993
Playa", em Matalascañas, uns em bungalows e outros, os tios, na respectiva autocaravana. Ponto alto, mais uma vez, a visita ao coração do Parque Nacional, nos jipões que nos levam a fazer 80 km sem estradas. Mas desta visita a Doñana, uma história ficou também para sempre gravada na memória de um dos nossos amigos...! O meu pai é, por natureza, uma pessoa "acelerada" e "despachada; no Palácio del Acebrón, quando íamos todos em amena cavaqueira, prontos a começar a ver a exposição temática ali patente ... vinham os meus pais já a descer a escada, com a exposição vista...J!

Camping Rocío Playa, 13.04.1993
Estuário do Sado,
28.04.1993
Ainda em Abril, a 28, levava os alunos de Ecologia (10º Ano) à Reserva Natural do Estuário do Sado.
 
Entretanto, o Clube de Áudio-Visuais da Escola, "morto" pela "doença" que vitimou a experiência pedagógica que os tinha criado ... tinha-me deixado o "bichinho" das montagens em vídeo, que havia de ficar até hoje. Todas as "aventuras" passaram a ter a sua "reportagem"...
Santa Cruz,
12.06.1993
A 11 de Junho passávamos 3 dias em Santa Cruz, com a mesma "equipa" de amigos. E a 28 de Junho, a Escola organizava um passeio de professores ... onde tantas vezes tinha levado já alunos: a costa da Arrábida, do Espichel ao Portinho.
10 de Março de 2011

sexta-feira, 24 de julho de 1992

1992 ... um "ano morno"

Tal como 89, e pelas mesmas razões, 1992 foi um ano complicado. A maioria dos refúgios e "escapadelas" foram familiares. Na escola, com o Clube "Amigos da Natureza", o ano foi nitidamente um ano "morno": apenas duas actividades de campo ... uma delas de apenas um dia. Eram as fragas e pragas do destino...! Aliás ... um jovem agrupamento musical, procurando a fusão entre a tradição portuguesa e as sonoridades celtas, lança em 1992 o seu primeiro álbum ... que inspirou o título deste blog! Sebastião Antunes, mentor do que no fim da década de 80 tinham sido os "Peace Makers", lança em 1992 o primeiro álbum da "Quadrilha", intitulado ... "Contos de Fragas e Pragas".

De lendas perdidas do pó das pedras ou de contos aprendidos à lareira quase apagada, nasceu uma boa parte da inspiração para este trabalho que dedicamos, com um abraço forte, a quem acredita na nova música popular portuguesa.
(Sebastião Antunes, "Contos de Fragas e Pragas")

A minha paixão pela Natureza começava a alimentar-se também da música tradicional, das "lendas perdidas no pó das pedras", de contos aprendidos em lareiras quase apagadas. A música popular traduz as tradições, a cultura, as memórias de um povo, música, tradições e memórias sem as quais se perde a identidade cultural, a alma desse mesmo povo. À medida que aumentava e amadurecia a minha paixão pela
Natureza, pelo mundo rural, pelos grandes espaços naturais, começava a amadurecer também a minha paixão pela música folk, pelos grupos e bandas que, um pouco por todo o lado, faziam e fazem excelentes trabalhos de recolha, divulgação e revivificação da música tradicional, ou popular. Por inerência dos meus locais "de eleição", esse meu conhecimento foi-se aprofundando fundamentalmente em relação aos grupos do norte e centro da Península Ibérica, com especial relevo para os grupos portugueses, claro, bem como do "arco celta" que vai da Galiza à Cantábria, passando pelo norte de Leão e de Castela.

Mas regressemos a 1992 ... o ano do "Contos de Fragas e Pragas". No dia 22 de Fevereiro, faço com os "Amigos da Natureza" uma marcha pedestre na Serra de Sintra, de comboio na ida e na vinda. Mês e meio depois, a 9 de Maio, levo-os também à Arrábida, para um acampamento de fim de semana que incluiu a subida ao topo do Formosinho, o ponto mais alto daquelas paragens.
Acampamento na Arrábida ...
... 9.05.1992
Entretanto, a rodagem de um novo VW Golf foi o mote para um passeio pelo Alentejo, no último dia de Junho. E, precisamente 20 anos depois ... voltei aos campos da Godinha, onde em 1972 tinha estado no campo de trabalho da apanha de tomate.

A 20 de Julho iniciámos umas férias em família. À beira do Rio Alva, os apartamentos do Camping de S. Gião deram descanso e ar puro. De lá, voltámos a Piódão e à Serra da Estrela. E, numa fase de muitas e tortuosas "fragas", terminámos mais uma vez em Santa Cruz.
5 de Março de 2011
S. Gião, Rio Alva, 21.07.1992
Piódão, 22.07.1992
Serra da Estrela, 23.07.1992

sábado, 16 de dezembro de 1989

O vento das Cíes...

Em Março de 1989, com o Clube "Amigos da Natureza", tínhamos feito a maior "aventura" de sempre até aí. Aquela travessia do Gerês e aquele acampamento no Mezio ... foram históricos! Mas seguiram-se tempos difíceis; o destino lançaria nuvens negras sobre os 10 anos seguintes da minha vida. Tempos em que a companhia e o apoio dos Amigos foram, também, fundamentais. Por vias e formas diferentes, os alunos - tanto os meus como os da minha "colega" e companheira - estiveram, também eles, entre esses amigos.
15.06.1989 - Portalegre, do castelo
Com oscilações entre fases depressivas e fases de euforia extrema, mas os intervalos entre as crises tinham de permitir aqui e ali alguns escapes, algum contacto com a "minha" Natureza.
No impacto inicial, o verão de 1989 foi o mais difícil. Em Junho, a  "Quinta
Quinta do Galo, Junho de 1989
do Galo", um monte de um casal amigo, próximo de Portalegre, foi o primeiro "retiro"; depois, em Agosto, foi Valença do Minho, com o apoio dos amigos da "aventura Sahariana", na casa que, em Dezembro de 1986 ... tínhamos ido de UMM ver as obras.
E, a partir de Valença ... voltámos às ilhas Cíes, aquele autêntico paraíso natural onde tínhamos estado 9 anos antes e onde, querendo ... quase podíamos estar longe dos problemas, no espaço e no tempo. Podia ser que as fragas abruptas da costa norte e o vento d'as Cíes * levassem as pragas más...
Praia de Moledo, com o Monte de Santa Tecla ao fundo, Agosto 1989
A caminho das ilhas Cíes, Agosto 1989
A abrupta costa norte das Cíes
Na praia da ilha principal, ilhas Cíes
Depois, a "velha" Santa Cruz foi também "retiro", no fim de férias. E em Setembro iniciei "sozinho" novo ano lectivo, já que a minha companheira só retomaria o serviço, sem mais interrupções ... 10 anos depois.
Mas ainda em 1989, a 16 de Dezembro, finalizando o primeiro período escolar, organizei uma visita à Arriba Fóssil da Costa da Caparica e ao Parque Natural da Arrábida, para os mais jovens elementos do Clube "Amigos da Natureza".

* - Alusão ao grupo de gaiteiros galego "Vento das Cíes" (anos 50) e à faixa do mesmo nome do álbum "Mayo Longo", de Carlos Núñez (2002)

22 de Fevereiro de 2011

terça-feira, 27 de julho de 1982

Quatro meses depois ... regresso ao Gerês!

Para  além da  primeira  visita com alunos ao Parque Nacional da Peneda-Gerês,  a  Primavera  de 1982  foi
Abril de 1982 - o Rui em Santa Cruz
preenchida com o "baptismo" de Santa Cruz do nosso segundo pimpolho. Já em Junho, voltámos a acampar no Portinho da Arrábida (com alunos e colegas de Sacavém) e no Guincho, onde o "rebento" se estreou no atrelado-tenda.
E, no início das férias de 1982, a caminho como veremos do norte peninsular ... voltámos ao Gerês! A atracção permanente estava consolidada! Além disso, na altura não leccionando ainda na mesma escola, a minha "sócia" não tinha participado na visita com alunos, 4 meses antes.
Passámos assim 3 dias nas agora já nossas bem conhecidas Pedra Bela e Cascata do Arado, mas alargando o raio até Castro Laboreiro e ao Santuário da Senhora da Peneda. A estrada da Peneda para sul, para o Mezio e Soajo ... era ainda uma aventura.
Pedra Bela, Gerês, 24 de Julho de 1982
Barragem da Caniçada vista da Pedra Bela, 24.07.1982
Nas rochas junto à Cascata do Arado, 24.07.1982
Senhora da Peneda, 25 de Julho de 1982
Estrada Senhora da Peneda - Mezio, 25.07.1982
Garranos próximo do Mezio, 25.07.1982
O pimpolho mais velho, então com 4 anos, teve aqui o seu primeiro grande "banho" de Natureza, inclusive nalguns pequenos percursos pedestres, junto à cascata do Arado e na própria vila do Gerês, no Parque Tude de Sousa.
Caldas do Gerês, Parque Tude de Sousa, 26 de Julho de 1982
Conjunto de miliários romanos na encosta galega, 27.07.1982
Esta "romagem" ao Gerês, contudo ... foi apenas o início das férias de 1982...
2 de Fevereiro de 2011

quinta-feira, 20 de agosto de 1981

Em busca dos verdes castros...

Vale de Espinho, Agosto de 1980
Depois das viagens feitas com os pais, na adolescência, os anos 80 assinalariam o regresso às "aventuras" além-fronteiras. Em 1980 e 1982, percorremos toda a Galiza, Astúrias, Cantábria e País Basco; a magia das terras do norte peninsular começava a atrair-me!
Assim, a 6 de Agosto de 1980, partimos de Vale de Espinho para uma volta à Galiza. Este primeiro périplo revelar-nos-ia logo uma natureza bastante virgem; os vales dos rios Minho e Eo, por exemplo, mostravam-nos paisagens que pareciam saídas de contos de fadas ... ou das muitas figuras da mitologia celta.
O rio Minho próximo de Chantada, 7 de Agosto de 1980
Rio Eo, 7 de Agosto de 1980
Ribadeo, na "fronteira" Galiza / Astúrias, 7.08.1980
El Barquero, na costa norte da Galiza, 8 de Agosto de 1980
Mas se a zona montanhosa e os vales do interior galego nos mostraram essas belas paisagens, o litoral não lhe fica atrás. O mítico Fisterra, o fim da terra galega, era um local que há muito queria conhecer.
10.08.1980 - No "fim do mundo" ...
... Fisterra, o fim da terra galega!
Chegar a Santiago de Compostela é sempre uma sensação "mágica". A Praça do Obradoiro, naquele dia 10 de Agosto de 1980, rejubilava de gente ... e de música. Naquela altura ainda pouco desperto para a música folk ibérica, a magia que vinha de uma das muitas lojas perto da praça tocou-me logo fundo; viria a saber, mais tarde, que se tratava da "Fis terra", do então recém editado 2º álbum dos Milladoiro.
Vigo, praia de Samil: a magia das ilhas Cíes, 12.08.1980
Depois, descendo a "costa da morte", as Rías Baixas ofereciam-nos panorâmicas de excepcional beleza. Mas, sempre à procura do menos conhecido, do mais selvagem ... tínhamos de ir ao paraíso natural das ilhas Cíes, em frente de Vigo e Baiona. Mais tarde classificadas como Parque Nacional das Ilhas Atlânticas da Galiza, estas ilhas são um autêntico santuário de fauna e flora, destacando-se inúmeras espécies de aves marinhas, como o albatroz e o corvo marinho.
Este primeiro tour  galego  terminou num dos locais onde a cultura celta mais vestígios deixou: o Monte de Santa Tecla (ou Tecra), frente a Caminha e à foz do "nosso" Minho.
No paraíso natural das ilhas Cíes, 13 de Agosto de 1980
E a foz do Minho, do alto do Monte de Sta Tecla, 14.08.1980
Esta primeira xira pelas terras e pela Natureza galega desde logo me cativou. A própria língua, a música e as tradições galegas, rapidamente transformaram essas nossas terras gémeas em paixão ... alargada dois anos depois às restantes comunidades do norte da Península Ibérica. A Galiza e o norte de Portugal são pobos irmaus, porque...

No fondo da ialma
do noso pobo,

Santa Cruz, Agosto de 1980 - Adeus
Armando ... onde quer que estejas!
latexa a forza dun mundo novo.
Por eso queremos cantar...

("Fuxan os Ventos", grupo folk galego)

E o fim de férias deste primeiro ano da década de 80 foi, de novo, em Santa Cruz, mais uma vez com os amigos do Arquivo de Identificação ... agora já todos com filhos...J!
Também com eles, em Janeiro de 1981 vivi a ruralidade de duas aldeias do concelho de Proença-a-Nova - Vale de Urso e Galisteu - de onde um dos casais era natural.

No ensino, em Novembro de 80 e em Fevereiro de 81 a Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais e a Comissão Nacional do Ambiente proporcionaram-me dois cursos de formação e actualização; velhos tempos...! Entretanto, tinha regressado à "minha" Escola Secundária de Sacavém, já como professor do quadro de efectivos. E, nesse longínquo ano de 1980/81, comecei a acompanhar uma turma que seguiria quase intacta do 7º ao 11º ano! Em 27 de Maio de 1981, mais uma visita ao Parque Natural da Arrábida assinalaria a primeira de muitas "aventuras" vividas com esses alunos.
27 de Maio de 1981, em visita de Estudo à Arrábida
Litoral da Arrábida, 27.05.1981
A Nauticampo de 1981 "ofereceu-nos" uma nova modalidade de desfrutar da Natureza: comprámos um atrelado-tenda. Estreado em Julho no Parque de Campismo do Guincho, as férias de 1981 foram nele; umas férias por terras alentejanas, Vale de Espinho, Serra da Estrela, Viseu, Aveiro e Santa Cruz. No parque de campismo do Fontelo, em Viseu, uma trovoada monumental ia sendo responsável ... pelo nascimento antecipado do nosso segundo filho ... que nasceria em Novembro...J!
Serra da Estrela, 12.08.1981 - Estrada Manteigas - Torre
Parque de Campismo de S. Gião, 14.08.1981
1 de Fevereiro de 2011