Em 2002, eu tinha alunos do 11º e 12º anos, a maioria dos quais tinham ido ao Gerês em Abril de 2001. Faltava-lhes conhecer os Picos de Europa ... e Somiedo! A minha habitual colega bióloga (eheh...) partilhava alguns deles (em Técnicas Laboratoriais) e o meu velho companheiro destas lides, colega de História, juntou igualmente alunos da área humanista ... e a 20 de Abril de 2002 partíamos para a Cordilheira Cantábrica. Na altura, eu estava muito longe de prever o futuro, mas, à semelhança do Gerês no ano anterior, esta viria a ser a última actividade com alunos naquelas paragens...
Diversas características contribuíram contudo para que esta jornada, sendo a última ... tenha sido talvez a melhor conseguida, a mais bonita e "poética". Em Somiedo, fizemos finalmente a Ruta de Los Lagos, cancelada pela neve em 2000; nos Picos de Europa, o circuito de jeeps teve troços novos; e até o sentido geral foi o inverso do "tradicional", começando pela Cantábria, com escala em Osorno.
O segundo dia levou-nos à nascente do Ebro e às terras do Alto Campoó, subindo pela primeira vez com alunos ao Pico Tres Mares. Seguiu-se Santillana del Mar, um cheirinho da costa cantábrica em Comillas
Circo de Peña Remoña (teleférico
de Fuente De), 22.04.2002
e San Vicente de la Barquera, para depois descermos o desfiladeiro de La Hermida, em direcção ao "meu" velho Camping La Isla - Picos de Europa, em Potes, a partir do qual no dia 22 subimos ao Balcón del Cable, no teleférico de Fuente De. Mais uma vez, a envolvência daquelas montanhas e daquela Natureza agreste deu azo a que cada um vivesse a liberdade e a sua própria experiência, numa comunhão entre a alegria da amizade e do convívio com uma viagem ao íntimo de cada um dos participantes.
À tarde, seguiu-se o Mosteiro de Santo Toribio, a capela de São Miguel, a vila de Potes. E à noite ... voltámos ao miradouro da capela de São Miguel ... onde até se avistaram pirilampos gigantes...J! No dia seguinte ... mudávamo-nos para Arenas de Cabrales, para o também já velho camping Naranjo de Bulnes.
O dia 24 era o dia da "grande aventura": a Ruta del Cares e o circuito em todo-o-terrreno pelo maciço central dos Picos de Europa! Num esplêndido dia de Sol, as panorâmicas da "Garganta Divina", as sucessivas curvas e torrentes do rio, as quedas de água, tudo brilhava aos olhos daquele grupo de jovens maravilhados.
Ruta del Cares, 24.04.2002
Uma vez chegados a Caín, o almoço foi nas margens do Cares ... após o que nos esperavam os jeeps da Casa Cipriano. E que "aventura" vivemos naquela tarde. Querendo brindar-nos com um percurso ligeiramente diferente do dos outros anos em que os havia contratado, de Posada de Valdeón e do Puerto de Pandetrave seguimos para o Puerto de San Glorio, onde o monumento em pedra ao urso cantábrico foi ponto obrigatório de paragem, brincadeiras e filmagens.
Puerto de San Glorio, monumento ao urso, 24.04.2002
Do Puerto de San Glorio passámos para o vale de Liébana pela célebre pista de Cosgaya, subindo depois a Pembes, onde a pista atravessa um "túnel" por entre as próprias casas da aldeia. E de Pembes aos Puertos de Aliva, sempre a subir, a "odisseia" parecia quase um Troféu Camel. Nos Puertos de Aliva já estávamos de novo em terreno conhecido, com as habituais paragens no chalet real e na cumeada onde se atravessa a "fronteira" Cantábria / Astúrias. Aliás, mais uma vez, este périplo TT ligou as três comunidades dos Picos de Europa: Leão, Astúrias e Cantábria.
Pista de Cosgaya e Pembes, 24.04.2002
Puertos de Aliva, 24.04.2002
E pelas Vegas de Sotres descemos a Sotres ... e ao Bar Cipriano, da empresa dos jeeps. Depois, foi só descer a Arenas de Cabrales ... e estávamos no "nosso" Camping. Que aventura memorável!
A nossa "aventura" no Wikiloc / Google Earth
No dia seguinte, 25 de Abril, íamos partir para ocidente. Primeiro para o ocidente dos Picos de Europa - Covadonga e os Lagos Enol e Ercina - e depois para o ocidente das Astúrias ... para as terras mágicas de Somiedo!
Covadonga, 25.04.2002
Fotos: Telo Ferreira Canhão Mais fotos desta viagem, da autoria de Filipe Coelho
A 26 de Julho de 1999, partíamos para as nossas segundas férias a dois ... para o norte peninsular...J! Desta vez começámos pela Galiza. A Península do Morrazo, frente às ilhas Cíes, ocupou-nos os quatro
Cabo Home, Morrazo, 28.07.1999
primeiros dias, numa de mar e de céu, dos cortes e recortes daquela costa escarpada. Moaña, o Cabo Home, Hío, Aldán, são nomes que soam a liberdade, a uma Natureza ainda quase no seu estado mais puro ... antes do Prestige! Depois, rumámos a Lugo, Fonsagrada ... e entrámos nas Astúrias, por Grandas de Salime e pela Serra do Rañadoiro. Por Cangas de Narcea e pelo Puerto de Leitariegos, passámos por momentos ao norte de Leão, para reentrarmos nas Astúrias ... no Puerto de Somiedo! Descemos a Pola de Somiedo, subimos a Valle de Lago ... e o Camping Lagos
Camping "Lagos de Somiedo", Valle de Lago, 1.08.1999
de Somiedo esperava por nós. É verdade: dois anos depois, estávamos de novo no paraíso perdido de Somiedo, a minha 3ª "terra natal"! Desta vez ... nada nem ninguém me tiraria de lá...J!
Ao contrário do dia 5 de Agosto de 1997, o dia 1 de Agosto de 99 amanheceu esplendoroso! O Sol iluminava o vale onde estávamos, encaixado entre as encostas que dois anos antes nem sequer tínhamos visto. Os folhetos fornecidos pelo parque e as consultas numa internet ainda relativamente incipiente falavam-me das brañas vaqueiras, da Braña de Sousas, ali relativamente perto de Valle de Lago, dos Picos Albos ... e de tantos e tantos possíveis percursos a pé por aquelas montanhas, onde pareciam ecoar os acordes dos Llan de Cubel, aqueles que ainda hoje continuam a ser a minha referência na folk asturiana.
O dia 1 de Agosto foi assim o da descoberta do Lago del Valle, o maior lago glaciário da cordilheira cantábrica. Era a caminhada que teríamos feito dois anos antes ... e uma das muitas que viria a fazer nas terras mágicas de Somiedo. Saindo da aldeia pelo bairro de Auteiro, vamos ganhando altitude, subindo o vale do rio del lago. Surgem-nos os primeiros teitos. Os teitos são cabanas típicas do ocidente das Astúrias e noroeste leonês, construídas em pedra, com cobertura vegetal, normalmente de palha de centeio ou giesta. Os aglomerados de teitos caracterizam as brañas, ligadas à transumância entre as pastagens de altitude, para onde em Maio os vaqueiros subiam em busca dos frescos prados, regressando para passar o inverno nos campos e pastagens mais baixos. As brañas correspondem às nossas brandas e inverneiras, típicas por exemplo das Serras da Peneda e do Soajo.
À redescoberta de Somiedo, 31.07 e 1.08.1999
O percurso do Lago del Valle no Wikiloc / Google Earth, 1.08.99
Ao longo de um vale majestoso, caminhávamos em direcção aos Picos Albos e à parede por trás do Lago del Valle, que separa as Astúrias de Leão. O lago, que neste trajecto só se vê praticamente quando lá chegamos, situa-se a 1570 metros de altitude, rodeado dos altos picos que fecham aquele circo glaciar, ultrapassando os 2000 metros, a sul. Que melhor sítio para almoçarmos? A sensação de ter "conquistado" aquele lugar, que dois anos antes tinha estado perdido nas nuvens e chuvas, é indescritível. E as montanhas à volta chamavam-me para mais "aventuras", para palmilhar os trilhos que se percebiam possíveis. Mas ... os carros e caravanas ainda não têm telecomando para os teletransportar para outro lado. É uma das vantagens de fazer caminhadas em grupo: o autocarro vai-nos buscar a outro destino. Assim, descemos de novo o vale, de regresso a Valle de Lago e ao parque de campismo. A visão no sentido descendente é também extraordinária, com a aldeiazinha a perceber-se desde meio caminho, ao lado da Peña Furada, o grande bloco rochoso a sudoeste, furado de lado a lado por um grande "olho" natural. Menos de um ano depois ... estaria em Somiedo com alunos!
Mas Somiedo não acaba no Lago del Valle, muito pelo contrário. Dia 2 de Agosto, descemos a Pola de Somiedo e descemos o curso do rio Somiedo até à central de La Malva e a La Riera. Era a estrada que 2 anos antes havíamos feito em sentido contrário, quando pela primeira vez eu tinha sido tocado pela magia
Puerto de S. Lorenzo, 2.08.1999
de Somiedo. Agora, em mais um esplendoroso dia de Sol, as encostas e os montes pareciam rejubilar de vida. E em La Riera rumámos a leste, voltando a subir, desta vez para o Puerto de San Lorenzo ... e para as nuvens. O Puerto de San Lorenzo divide as comarcas de Somiedo e de Teverga e, com elas, separa as terras somedanas dos chamados Valles del Oso, por neles se encontrarem ainda alguns dos últimos ursos pardos cantábricos, se bem que do lado de Somiedo também, principalmente no vale do Pigueña.
Mas à medida que nos aproximávamos do Puerto de San Lorenzo ... os céus fechavam-se num imenso nevoeiro que não deixava ver nada. Somiedo tem os seus mistérios, os seus dias de glória, mas também os seus dias de misticismo, em que as nuvens escondem as montanhas, realimentando as águas que escorrem pelas encostas verdejantes. Dali, do Puerto de San Lorenzo, apenas víamos as placas indicadoras de um trilho ... e os primeiros metros dele. Uns anos mais tarde lá estaria ... para fazer o Cordal de La Mesa, o trilho naquela altura perdido nas nuvens.
Naranjo de Bulnes, visto do miradouro de Camarmeña, 3.08.1999
E assim descemos a Teverga, simpática vila no vale do rio Trubia, que descemos ao longo do desfiladeiro de Peñas Juntas e da Senda del Oso, velha linha mineira transformada em trilho pedestre e ciclista. Claro que logo nasceu a ideia de ali levar também alunos ... tanto mais que em Teverga tínhamos visto a existência de um Albergue. E em Proaza visitámos a Casa del Oso, exposição sobre o habitat do urso pardo e a sua história na cordilheira cantábrica. Depois ... do ocidente rumámos ao oriente das Astúrias: por Oviedo e Cangas de Onís, fomos passar dois dias ao "nosso" velho Camping "Naranjo de Bulnes", em Arenas de Cabrales. Basicamente de descanso, o primeiro desses 2 dias foi dedicado a uma curta caminhada à aldeia de Camarmeña e
Camping "Naranjo de Bulnes", 4.08.1999
ao miradouro do Naranjo de Bulnes, o mítico torreão rochoso, emblema dos Picos de Europa e do montanhismo, sobre a pequena aldeia de Bulnes e aos pés da já nossa conhecida Senda del Cares.
Continuando para leste, no dia 5 cruzámos a Sierra del Cuera, a norte de Arenas, para descermos depois o desfiladeiro de La Hermida, em direcção a Potes. Em tantas vezes que já atravessámos este desfiladeiro, ao longo do rio Deva, foi sempre ficando para trás uma caminhada mítica, que ainda um dia quero fazer: a Ruta de Tresviso, ligando a aldeia do mesmo nome, nos cumes próximos de Sotres, ao rio Deva e ao vale. E sendo o vale de Liébana também já nosso velho conhecido, o dia 6 foi igualmente de completo descanso, no camping das nossas "amigas" cunhadas, o velho "La Isla - Picos de Europa".
De Arenas de Cabrales a terras de Sobrescobio, 5 a 9.08.1999
Pelo Puerto de Piedrasluengas, passámos depois para terras palentinas e leonesas, contornando a Reserva de Fuentes Carrionas, por Cervera de Pisuerga e Guardo. Em Boca de Huérgano, próximo de Riaño ... estivemos um dia e meio "retidos" na caravana, no Camping "Alto Esla" ... à espera que a chuva parasse! E no dia 9 a chuva parou...J!
O percurso da Ruta del Alba no Wikiloc / Google Earth
Reentrámos nas Astúrias pelo Puerto de Tarna, atravessando o recém criado Parque Natural de Redes, ao longo do jovem rio Nalón. O destino eram agora as terras de Sobrescobio e a Ruta del Alba, mais uma das maravilhas naturais do paraíso natural
Ruta del Alba e Hoces del Rio Aller, 9.08.1999
de Astúrias. É o reino do verde e da água, 14 km a pé a partir da aldeia de Soto de Agues, um reino de magia e de encanto.
Por Pola de Laviana e Cabañaquinta, inflectimos de novo para sul, em direcção ao Puerto de San Isidro e a outra maravilha desta zona sul de Astúrias, as Hoces del Rio Aller. Embora sem percurso pedestre, atravessámos na caravana mais este paraíso verde, no limite mesmo entre Astúrias e Leão. Já em Leão, atravessámos a Reserva de Mampodre ... e despedimo-nos das montanhas cantábricas, neste glorioso ano de 1999.
O dia 11 de Agosto era especial: no camping da cidade de Leão, assistimos ao maior eclipse solar do século, na Europa. Pouco depois do meio dia ... o Sol escondeu-se e parecia que ia anoitecer! Mas as trevas afastaram-se e a luz voltou de novo...
Leão, 11.08.1999 - Quando do dia se fez noite
Lago de Sanabria, 12.08.1999
Estas férias contariam ainda, no regresso, com uma breve passagem pelo Lago de Sanabria, entrando em Portugal por Montesinho, e com um dia de descanso final no camping de Pomares, perto de Avô ... de onde regressámos a casa.
De 1 a 7 de Maio de 1999, o Clube "Amigos da Natureza" voltou a sair, desta vez com as turmas do 11º e 12º anos, de Ciências e de Humanísticas. Professores, éramos só 3: "O pastor" que "guia o seu rebanho", o autor dessas e de outras linhas ... e uma estreante nestas "andanças", nossa colega de História e grande amiga. Destino ... Picos de Europa! Um primeiro dia de viagem e estávamos em Cangas de Onís ... onde
Percurso da Garganta do Cares, 3.05.99
a estreante comprou umas botas para a caminhada que se avizinhava...J!
A subida a Covadonga e aos Lagos prendeu desde logo a respiração de mais este grupo de alunos. Pessoalmente, em tantos anos de "aventuras" nos mesmo locais, as sensações nunca foram as mesmas. As panorâmicas, as cores, o fresco das pastagens de altitude, a água dos lagos ou dos rios, nada é igual.
Os bungalows do Camping "Naranjo de Bulnes", em Arenas de Cabrales, foram mais uma vez o nosso poiso durante duas noites. E o dia 3 de Maio ... era dia de "aventura": tínhamos pela frente a Garganta do Cares. Mas, ao contrário de 97, fizemos primeiro o percurso a pé, no sentido Poncebos - Caín, Caín onde nos esperavam os jeeps, para outra fabulosa travessia do maciço central.
De Lisboa a Covadonga e aos lagos, 1 e 2.05.99
Percurso do Cares e travessia TT do maciço central, 3.05.99
Todo o percurso foi portanto em sentido inverso ao efectuado dois anos antes: por Posada de Valdeón e Santa Marina, subimos aos Puertos de Pandetrave e Valcavao, descendo a Fuente De e Espinama, voltando a subir aos Puertos de Aliva, voltando a descer às Vegas de Sotres e a Sotres, e, finalmente, regressando a Arenas de Cabrales. 70 km de uma aventura memorável! Perto de Valcavao, um dos jeeps largou a roda suplente, presa sob o chassis! Uns anos mais tarde, próximo de Vale de Espinho ... comigo aconteceria pior...J!
No jeep em que iam os "profs", o motorista e guia fazia-nos ouvir uma muito agradável musiquinha, com sabor a tradicional e a gaitas de foles. A minha então relativamente recente mas crescente paixão pela música folk, aguçou-me desde logo a atenção e o ouvido. E o nosso guia esclareceu tratar-se do gaiteiro asturiano Hevia e do seu primeiro CD, saído há menos de um ano: "Tierra de Nadie". Hevia viria a ser bem conhecido e divulgado, inclusive em Portugal, principalmente o tema "Busindre Reel". Hevia foi assim, casualmente e no enquadramento natural das montanhas de Astúrias, o meu primeiro contacto com a música folk e tradicional asturiana, que nos anos seguintes fui conhecendo cada vez mais e melhor, juntamente com a das restantes comunidades do norte peninsular.
O programa dos dias seguintes foi também muito semelhante ao efectuado dois anos antes. O velho Camping "La Isla - Picos de Europa", próximo de Potes, recebeu-nos para as duas noites seguintes, sendo o dia 5 de Maio reservado à subida de teleférico ao Balcón del Cable, em Fuente De. As duas simpáticas senhoras responsáveis pelo Camping já conheciam o meu habitual pacto com S. Pedro, no que respeita à meteorologia; não me esqueço do espanto da frase com que uma delas me brindou, ao afirmar-me que ... estava a chover em toda a Espanha menos em Potes...J! O que ouvíamos na televisão confirmava-o ... mas nós tínhamos Sol! Tivesse eu vivido na idade média e seguramente teria ido parar às fogueiras...J!
Vale de Liébana e subida ao Balcón del Cable, 5.05.1999
Os três "profs" no maciço central dos Picos, 5.05.1999
E nessa esplêndida manhã de Sol, sob os olhares atentos dos Picos de Peña Vieja e Peña Remoña, cada um iria encontrar nas alturas a sua forma de viver e de sentir aqueles momentos, a sua forma de viver a
Santillana, Santander, Osorno e Salamanca, 6 e 7.05.99
liberdade e a Natureza.
À tarde, regressados ao vale de Liébana, esperava-nos ainda a visita ao Mosteiro de Santo Toribio, onde desta vez tivemos até um excelente sermão que cativou todo o grupo, jovens ou menos jovens.
Dias 6 e 7 foi o regresso a casa, com as obrigatórias visitas a Santillana del Mar e a Santander. A escala intermediária foi de novo em Osorno, tal como em 1997. E ainda houve lugar, como então, a uma curta visita a Salamanca.
Estas "aventuras" nos Picos de Europa deixaram também testemunhos escritos, sentimentos e vivências transmitidas:
“Definitivamente, os Picos estavam "lá em cima"!”
Ricardo Medina
“É difícil, mas não impossível, viver 7 dias emocionantes, tendo simultaneamente sossego, paz, tranquilidade ... e uma euforia que ultrapassa o nosso mais íntimo ser. Adorei!”
Elsa Teixeira
"Quem nos dera ter o poder de escrever e de expressar coisas tão belas e profundas como aquelas que vimos e sentimos."
Lúcia Coelho, Rita Mestre
"Quero, tão somente, agradecer ao professor Callixto a realização desta visita, possibilitando que a beleza e a grandiosidade dos acontecimentos desta tenham dado um novo sentido à minha vida ..."
Sónia Cordeiro
"Subi montanhas, atravessei vales, levei com chuva, mas tudo o que passei valeu a pena, ao encher os pulmões com o fresco ar da montanha, as maravilhosas vistas, a Natureza."
Eduardo Leandro
"7 dias ... 7 dias de alegria, de novas amizades especialmente vividas, 7 dias que ficarão para sempre guardados e relembrados com o doce sabor da saudade ..."
Ricardo Monteiro
"Senti estes dias como se tivesse 18 anos. Os companheiros, a "Naturaleza" e o "mestre" deram-me essa possibilidade."
Maria da Graça Brandão, professora
A Senda del Cares e a "aventura" nos jeeps no Wikiloc / Google Earth:
A 1 de Agosto de 1996, estava a partir de Vale de Espinho rumo, mais uma vez, à Espanha verde, à Cordilheira Cantábrica. Embora nunca tivéssemos gostado de ficar fora de parques de campismo, a autocaravana permitia maior liberdade e autonomia. O primeiro destino eram os Picos de Europa. Íamos procurar "explorar" zonas que ainda não conhecíamos, como o famoso desfiladeiro do rio Cares, a "garganta divina". Por Leon e Riaño, entrámos nos Picos de Europa pelo sul, passando o Puerto de
Desfiladeiro de La Hermida, Rio Deva, 2.08.1996
Pandetrave (1562m). A ideia era "acampar" na pequena aldeia de Santa Marina de Valdeón, de onde atingiríamos Posada de Valdeón e Caín, já sobre o Cares. No entanto ... a estradinha para Santa Marina foi estreitando ... estreitando ... e à entrada da aldeia foi preciso regressar, já que a autocaravana não cabia nas estreitas ruas! Contornámos então o maciço central, e numa tarde de nevoeiro percorremos a bonita estrada do Puerto de San Glorio (1609m), rumo a Potes e ao já nosso conhecido camping "La Isla, Picos de Europa". Potes é sempre aquela cativante aldeia, como que parada no tempo. Mas desta vez, feita a "escala", no dia seguinte rumámos a Arenas de Cabrales, ao longo do rio Deva e do desfiladeiro de La Hermida. E em Arenas de Cabrales, já à beira do Cares, instalámo-nos por 3 noites no camping "Naranjo de Bulnes" ... que igualmente viria a ser uma referência para outras "aventuras".
E a partir de Arenas de Cabrales lançámo-nos então na Senda del Cares. Fazer a Senda del Cares é um percurso "obrigatório" para os amantes da Natureza e da montanha. Primeiro na caravana até Poncebos, início do fabuloso trilho que atravessa o maciço central, depois a pé ao longo dos seus 12 km ... transformados em 24 na ida e volta! De um lado e outro do rio, os enormes paredões rochosos foram
Ruta del Cares, 4.08.1996
Ruta del Cares, 4.08.1996
Ruta del Cares, 4.08.1996
como que talhados a pique na rocha calcária. Acima de nós, a noroeste, estão os Lagos Ercina e Enol, os lagos de Covadonga; a sudeste, as alturas de Torre Cerredo e do mítico Naranjo de Bulnes. Sentimo-nos pertencer à montanha, à turbulência das águas do Cares, à própria rocha escavada em múltiplos túneis ao longo da parte final do trilho. Trilho que termina em Caín, já em terras leonesas. Aí almoçámos ... para à tarde repetir o trilho no sentido inverso.
Luarca, 7.08.1996 - Reconstituição de uma foto com 14 anos...J
O dia seguinte, 5 de Agosto, foi dia de descanso em Arenas de Cabrales, até porque a chuva predominou. O paraíso verde também significa, claro ... precipitação mesmo nos meses de verão. Depois, rumámos ao ocidente das Astúrias ... e à Galiza. Uma etapa intermediária levou-nos a Luarca, ainda nas Astúrias, a simpática vila de pescadores que tínhamos conhecido 14 anos antes. Uma foto "histórica" feita nessa altura, com o nosso júnior escondendo uma flor para entregar à mãe ... foi reconstituída com esse mesmo júnior 14 anos mais velho...J!
Mas este 7 de Agosto de 1996 ficaria tragicamente marcado na história de Espanha e na história campista: ao ouvirmos as notícias, em Luarca, soubemos da trágica avalanche que dizimou o Camping "Las Nieves", em Biescas, Pirenéus, na qual morreram 87 pessoas e mais de 180 ficaram feridas!
Entrámos na Galiza por Ribadeo, percorrendo depois a costa norte. Um dia de descanso em Viveiro ... e seguia-se a Coruña e Santiago de Compostela. Como o júnior mais pequeno diz no filme, para uns era recordar ... para ele era conhecer. E as férias terminaram em Valença do Minho e em Santa Cruz, em convívios de amizade e familiar. Um mês depois, as duas autocaravanas e a equipa do périplo britânico do verão de 1995 juntavam-se de novo ... para um curto fim de semana em Vila Nova de Milfontes.